1.Antes de começar
Este glossário é material permanente de consulta: reúne, em ordem alfabética, os termos mais usados nas trilhas e nas páginas do portal, com definições curtas. Termos específicos de um assunto são definidos também no curso que trata dele.
Como ler as definições
- Cada definição descreve o que o termo mede ou significa; nenhum indicador isolado resume uma empresa.
- Os exemplos usam números redondos para mostrar a conta. Os números de cada empresa estão nos demonstrativos que ela publica e na página do ativo no portal.
- Indicadores se comparam entre companhias do mesmo setor e com modelos de negócio semelhantes.
- Em derivativos e operações alavancadas, a leitura começa pelo risco máximo, pelo notional e pelas chamadas de margem.
| Tema | Termos |
|---|---|
| Empresas e ações | Ações ON/PN, acionista, tag along, governança, lucro, margens, LPA, VPA, valuation e múltiplos. |
| Proventos | Dividendos, JCP, data-com, data ex, payout e amortização. |
| Renda fixa | CDI, Selic, IPCA, CDB, LCI, LCA, debêntures, crédito, duration, marcação a mercado e curva de juros. |
| Fundos e bolsa | ETF, FII, FIDC, cota, vacância, benchmark, taxas de administração e de performance, liquidez. |
| Trading e risco | Day trade, swing trade, stop-loss, spread, short, short squeeze, suporte, resistência e volatilidade. |
| Indicadores | EBITDA, P/L, P/VP, ROE, ROIC, WACC, Dívida líquida/EBITDA, Dividend Yield e Yield on Cost. |
2.A · B
| Termo | Definição |
|---|---|
| Ação | Fração do capital social de uma sociedade anônima. Quem tem ações é sócio da companhia e participa dos resultados e dos riscos na proporção da sua participação. Nas companhias abertas, as ações podem ser negociadas em bolsa. |
| Ação ordinária — ON | Ação que dá direito a voto nas assembleias de acionistas. Na B3, o código costuma terminar em 3 (ex.: ABCD3). |
| Ação preferencial — PN | Ação com preferência definida no estatuto — prioridade no recebimento de dividendos ou no reembolso do capital —, em geral sem direito a voto ou com voto restrito. O código costuma terminar em 4 (ou em 5 e 6 nas classes PNA e PNB). |
| Acionista | Pessoa física ou jurídica que possui ações de uma empresa. Pode ser minoritário, controlador ou institucional. |
| Alavancagem | Uso de capital de terceiros, margem ou derivativos para ampliar a exposição além do capital próprio. Amplia ganhos e perdas na mesma proporção e pode gerar chamada de margem. ⚠️ Um movimento pequeno contra a posição pode gerar perda grande. |
| Amortização | Devolução de parte do capital investido. Em títulos de renda fixa, é o pagamento de parte do principal antes do vencimento; em FIIs, a devolução de capital aos cotistas, que reduz o custo de aquisição das cotas. |
| Análise fundamentalista | Método que avalia o valor econômico de uma empresa por lucros, caixa, dívida, governança, setor, vantagens competitivas e perspectivas. |
| Análise técnica | Método que estuda preço, volume e padrões gráficos para identificar tendências, suportes, resistências e pontos de entrada ou saída. |
| Arbitragem | Operação que tenta capturar diferenças de preço entre ativos semelhantes ou mercados diferentes. Em geral, exige execução rápida e custos baixos. |
| Asset allocation | Distribuição do patrimônio entre classes de ativos, combinando risco, liquidez e retorno esperado de acordo com o perfil do investidor. |
| Ativo | Qualquer instrumento financeiro com valor econômico: ações, cotas de fundos, títulos públicos, debêntures, moedas ou derivativos. |
| B3 | Bolsa brasileira onde são negociados ações, FIIs, ETFs, opções, futuros e outros instrumentos. Também atua em registro, custódia e infraestrutura de mercado. |
| Banco Central | Autarquia responsável pela política monetária e pela estabilidade do sistema financeiro. Atua no mercado para manter a taxa Selic na meta definida pelo Copom. |
| BDR | Certificado negociado no Brasil que representa exposição a um ativo emitido no exterior, como ações de empresas estrangeiras. |
| Bear market | Mercado de baixa, marcado por quedas persistentes, pessimismo e redução do apetite por risco. |
| Benchmark | Índice ou referência usada para comparar o desempenho de um investimento (ex.: CDI para renda fixa, Ibovespa para ações brasileiras). |
| Beta | Mede a sensibilidade dos retornos de um ativo aos movimentos de um benchmark. Beta acima de 1 indica maior sensibilidade aos movimentos dessa referência; não significa, sozinho, maior volatilidade ou risco total. |
| Bookbuilding | Processo de formação de preço em uma oferta pública, no qual investidores indicam interesse e faixa de preço para ajudar a definir o preço final. |
| Bull market | Mercado de alta, marcado por tendência positiva, otimismo e maior apetite por risco. |
| Buy and hold | Estratégia de manter investimentos por horizontes longos, sem decisões baseadas apenas em oscilações de curto prazo. A permanência se reavalia quando mudam o objetivo, o risco ou os fundamentos do ativo. |
3.C · D
| Termo | Definição |
|---|---|
| CAGR | Taxa média anual de crescimento composta. Mostra quanto uma receita, lucro ou carteira cresceu por ano, em média, num período. Ex.: uma receita que saiu de 100 para 161 em 5 anos cresceu ~10% a.a. composto. |
| Call | Opção de compra. Dá ao comprador o direito, não a obrigação, de comprar um ativo por um preço definido até (ou em) uma data. ⚠️ Opções podem perder valor rapidamente com o tempo e com mudanças na volatilidade. |
| Capex | Investimento em bens de capital (máquinas, tecnologia, infraestrutura, expansão). Capex alto pode indicar crescimento, manutenção pesada ou reinvestimento constante. |
| Carteira | Conjunto de ativos de um investidor. A composição costuma considerar diversificação, prazo, liquidez, tributação e tolerância a risco. |
| CDB | Certificado de Depósito Bancário. Título emitido por bancos para captar recursos, podendo ser prefixado, pós-fixado ou atrelado à inflação. |
| CDI | Taxa média dos empréstimos de um dia entre instituições financeiras (Taxa DI). É a referência da renda fixa pós-fixada: um CDB que paga "100% do CDI" acompanha essa taxa. |
| Circuit breaker | Interrupção temporária das negociações quando o Ibovespa cai além de limites definidos pela bolsa em relação ao fechamento anterior: 10% (pausa de 30 minutos), 15% (pausa de 1 hora) e 20% (pausa por prazo definido pela bolsa). Reduz a desorganização do mercado em quedas muito fortes. |
| Come-cotas | Antecipação semestral do imposto de renda, em maio e novembro, nos fundos sujeitos a essa regra. O imposto é pago com a redução da quantidade de cotas do investidor. |
| Commodities | Produtos básicos negociados globalmente (petróleo, minério de ferro, soja, milho, ouro, café). Seus preços dependem de oferta, demanda, câmbio e ciclo econômico. |
| Companhia aberta | Empresa com registro na CVM que pode ter valores mobiliários negociados no mercado. Cumpre regras de divulgação de informações, governança e relacionamento com investidores. |
| Copom | Comitê de Política Monetária do Banco Central. Reúne-se oito vezes por ano para definir a meta da taxa Selic. |
| Cotação | Preço pelo qual um ativo está sendo negociado no mercado em determinado momento. |
| Covenants | Cláusulas de proteção em contratos de dívida. Podem impor limites de endividamento, exigências de caixa ou outras condições financeiras. |
| CRA e CRI | Certificados de Recebíveis do Agronegócio e Imobiliários: títulos lastreados em créditos desses setores, emitidos por securitizadoras. O rendimento é isento de IR para pessoa física; envolvem risco de crédito e de liquidez. |
| Data-com | Último dia de negociação que dá direito ao provento anunciado: quem compra a ação até a data-com recebe; quem compra a partir do dia seguinte (data ex) não recebe. |
| Day trade | Compra e venda do mesmo ativo no mesmo dia. Tem tributação própria (20% sobre o lucro, sem a isenção mensal das vendas de ações) e custos que pesam mais em operações curtas. ⚠️ Operações de curto prazo sem limite de perda definido podem gerar perdas rápidas. |
| Debênture | Título de dívida emitido por empresas. Quem compra empresta dinheiro à companhia e recebe juros conforme a escritura de emissão. As debêntures incentivadas, de projetos de infraestrutura, têm rendimento isento de IR para pessoa física. |
| Depreciação e amortização | Lançamentos contábeis que reconhecem a perda de valor de ativos físicos ou intangíveis ao longo do tempo. Afetam o lucro contábil, mas nem sempre representam saída de caixa imediata. |
| Desdobramento e grupamento | Mudança na quantidade de ações sem alterar o capital social nem o valor da participação. No desdobramento, cada ação vira várias e o preço cai na mesma proporção; no grupamento, várias viram uma e o preço sobe na mesma proporção. |
| Dívida líquida | Dívida bruta (empréstimos, financiamentos e debêntures) menos caixa e aplicações financeiras. É negativa quando o caixa supera a dívida. |
| Dívida líquida/EBITDA | Quantos anos de EBITDA seriam necessários para quitar a dívida líquida. Mede a alavancagem e a capacidade de pagamento. Não se aplica a bancos e seguradoras. |
| Dividend Yield | Proventos por ação (dividendos e JCP) com data-com nos últimos 12 meses ÷ preço atual. Restituição de capital não entra na conta. Ex.: ação a R$ 20 que distribuiu R$ 2 → DY de 10%. |
| Dividendos | Parcela do lucro distribuída aos acionistas. A Lei das S.A. exige um dividendo mínimo obrigatório, definido no estatuto. Para a pessoa física, desde 2026, há retenção de 10% de IR sobre o total quando a mesma empresa paga mais de R$ 50 mil no mês à mesma pessoa. |
| Drawdown | Queda acumulada de uma carteira ou ativo desde o pico até o fundo seguinte, em percentual. Mede a maior perda ao longo do caminho, não apenas o retorno final. |
| DRE | Demonstração do Resultado do Exercício. Mostra receita, custos, despesas, resultado financeiro, impostos e o lucro ou prejuízo da empresa. |
| Due diligence | Processo de investigação e verificação antes de uma decisão de investimento, aquisição ou parceria. Busca riscos, passivos e inconsistências. |
| Duration | Prazo médio dos fluxos de um título de renda fixa, ponderado pelo valor presente de cada pagamento, em anos. Também mede a sensibilidade do preço aos juros: quanto maior a duration, maior a oscilação do preço quando as taxas mudam. |
4.E · F · G
| Termo | Definição |
|---|---|
| EBIT | Lucro antes de juros e impostos. Mede o resultado operacional antes da estrutura de capital e dos tributos sobre o lucro. |
| EBITDA | Resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização. É uma medida de desempenho operacional, mas não representa fluxo de caixa, pois não incorpora itens como capital de giro, Capex, juros e impostos. |
| Equity | Capital próprio de uma empresa ou participação acionária. Em investimentos, também se refere a ações e instrumentos de renda variável. |
| ETF — Exchange Traded Fund | Fundo negociado em bolsa que oferece exposição a uma carteira de ativos segundo uma metodologia ou política definida. O ETF é um veículo, não uma classe de ativo: pode carregar ações, renda fixa, commodities ou outras exposições. |
| EV — Enterprise Value | Valor da firma: valor de mercado + dívida líquida + participação de não controladores. Representa o valor da operação para todos os financiadores e permite comparar empresas com estruturas de capital diferentes. |
| EV/EBITDA | Múltiplo que compara o valor da firma com o EBITDA. Muito usado em setores intensivos em capital; a leitura considera crescimento, margens e dívida. Não se aplica a bancos e seguradoras. |
| Ex-dividendo | Primeiro dia de negociação sem direito ao provento já anunciado — o dia seguinte à data-com. Na abertura desse dia, o preço de referência da ação é ajustado pelo valor do provento. |
| Fato relevante | Comunicado oficial de uma companhia aberta sobre informação que pode influenciar a decisão dos investidores ou o preço dos ativos. |
| FIDC | Fundo de Investimento em Direitos Creditórios. Investe em recebíveis (duplicatas, parcelas de cartão, contratos). Exige atenção ao risco de crédito e à estrutura do fundo. |
| FII | Fundo de Investimento Imobiliário. Investe em imóveis, recebíveis imobiliários ou outras estratégias do setor, com cotas negociadas em bolsa. Os rendimentos distribuídos à pessoa física são isentos de IR quando o fundo e o cotista cumprem as condições da lei. |
| Fluxo de caixa livre | Caixa gerado pelas operações menos os investimentos em bens de capital (capex). É o caixa disponível para pagar dívidas e remunerar acionistas. |
| Follow-on | Oferta subsequente de ações de uma empresa já listada. Pode ser primária, secundária ou mista. |
| Free float | Parcela das ações em circulação no mercado, fora do bloco de controle, da administração e da tesouraria. Um free float maior tende a favorecer a liquidez, mas não determina sozinho volume, spread ou profundidade de mercado. |
| Fundo de investimento | Veículo coletivo em que vários investidores aplicam recursos e um gestor toma decisões conforme a política do fundo. |
| Gap | Espaço entre o fechamento de um período e a abertura do período seguinte. Pode ocorrer por notícia, resultado, leilão ou mudança brusca de expectativa. |
| Giro de ativos | Indicador de eficiência que compara receita com ativos totais. Mostra quanto a empresa gera de venda para cada unidade de ativo. |
| Governança corporativa | Conjunto de práticas que orientam transparência, prestação de contas, equidade e responsabilidade na gestão da empresa. |
| Guidance | Projeção divulgada pela empresa sobre resultados futuros (receita, margem, capex, produção). ⚠️ Guidance não é promessa — pode mudar com o cenário. |
5.H · I · J · K · L
| Termo | Definição |
|---|---|
| Hedge | Estratégia destinada a reduzir a exposição a determinado risco. Pode envolver derivativos ou posições cuja sensibilidade compense, total ou parcialmente, a exposição que se deseja proteger. |
| High yield | Títulos de maior risco de crédito que pagam juros mais altos para compensar o risco percebido. |
| Holding | Empresa que controla participações em outras companhias. Pode simplificar controle societário, sucessão e estrutura de capital. |
| Home broker | Plataforma usada pelo investidor para enviar ordens de compra e venda na bolsa. |
| Ibovespa | Principal índice de ações da B3: carteira teórica dos ativos mais negociados, revista a cada quatro meses. É um índice de retorno total, que considera os proventos reinvestidos. |
| IBrX | Família de índices da B3 que acompanha as ações mais negociadas — o IBrX 100 reúne as 100 primeiras, ponderadas pelo valor de mercado das ações em circulação. É usado como referência alternativa ao Ibovespa. |
| Inflação | Aumento generalizado dos preços. Reduz poder de compra e influencia juros, custo de capital, consumo e precificação de ativos. |
| Insider | Pessoa com acesso a informações relevantes ainda não públicas. O uso indevido dessas informações para negociar ativos é proibido. |
| IPCA | Índice de Preços ao Consumidor Amplo, calculado pelo IBGE. É a inflação oficial do Brasil, a referência da meta de inflação e o indexador dos títulos atrelados à inflação. |
| IPO | Oferta pública inicial de ações. Processo em que a empresa estreia na bolsa e passa a captar recursos ou dar liquidez a acionistas vendedores. |
| ITR | Informações Trimestrais divulgadas por companhias abertas. Ajudam a acompanhar resultados ao longo do ano. |
| JCP — Juros sobre Capital Próprio | Remuneração ao acionista calculada sobre o patrimônio líquido e dedutível do lucro tributável da empresa. O acionista recebe com imposto de renda retido na fonte de 17,5% (desde 2026; 15% até 2025). |
| Juros compostos | Efeito de ganhar rendimento sobre rendimento. No longo prazo, pequenas diferenças de taxa geram grandes diferenças de patrimônio. |
| Juros reais | Juros descontados da inflação: (1 + taxa nominal) ÷ (1 + inflação) − 1. Mostram o ganho de poder de compra. Ex.: 12% de juros com 4% de inflação → 7,7% de juro real. |
| KPI | Indicador-chave de desempenho. Mede objetivos relevantes de uma empresa (crescimento, margem, churn, inadimplência, produtividade). |
| KYC | Know Your Customer. Processo das instituições financeiras para conhecer o cliente, validar dados e prevenir fraudes e lavagem de dinheiro. |
| LCA e LCI | Títulos emitidos por instituições financeiras com lastro no agronegócio ou no setor imobiliário. O rendimento é isento de IR para pessoa física (Lei 11.033/2004, art. 3º) e conta com a garantia do FGC, dentro dos limites dela. |
| Liquidez | Facilidade de transformar um ativo em dinheiro sem grande perda de valor. Ativos pouco líquidos podem ter spreads maiores e saídas mais difíceis. |
| Long | Posição comprada. O investidor ganha se o ativo subir e perde se cair. |
| Lote padrão | Quantidade mínima usual para negociar um ativo no mercado principal. Na B3, muitas ações são negociadas em lotes de 100. |
| LPA | Lucro por ação: lucro líquido atribuído aos controladores nos últimos 12 meses ÷ quantidade de ações em circulação. É o denominador do P/L. |
| LTV | Loan to Value. Relação entre o valor do empréstimo e o valor da garantia. Muito usado em crédito imobiliário, FIIs de papel e análise de risco. |
| Lucro bruto | Receita líquida menos o custo dos produtos ou serviços vendidos. Mostra a rentabilidade antes das despesas operacionais. |
| Lucro líquido | Resultado final depois de custos, despesas, resultado financeiro, impostos e efeitos não recorrentes. É a última linha da DRE. |
6.M · N · O
| Termo | Definição |
|---|---|
| Marcação a mercado | Atualização do valor de um ativo pelo preço atual de mercado. Em renda fixa, pode gerar oscilação no extrato antes do vencimento. |
| Margem bruta | Lucro bruto ÷ receita líquida. Indica quanto sobra da venda depois dos custos diretos. |
| Margem EBITDA | EBITDA ÷ receita líquida. Indica quanto da receita vira resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização. |
| Margem líquida | Lucro líquido ÷ receita líquida. Mostra quanto da receita vira lucro final para os acionistas. |
| Margem operacional | EBIT ÷ receita líquida. Avalia a eficiência da operação antes do resultado financeiro e dos impostos. |
| Market cap | Valor de mercado da companhia: cotação × quantidade de ações de cada classe (ON e PN), somadas, sem as ações em tesouraria. |
| Média móvel | Média do preço ao longo de um número de períodos. Ajuda a suavizar ruído e identificar tendência. |
| Mercado à vista | Ambiente em que a compra e a venda do ativo se liquidam no prazo padrão da bolsa: dinheiro e ativos trocam de mãos dois dias úteis após o negócio (D+2). |
| Moat | Vantagem competitiva durável. Pode vir de marca, escala, rede, tecnologia, custo baixo, licenças, dados ou barreiras de entrada. |
| Múltiplos | Indicadores que relacionam preço ou valor da firma com lucro, patrimônio, receita, caixa ou EBITDA. Servem para comparação, não substituem análise completa. |
| Nasdaq | Bolsa norte-americana conhecida por concentrar empresas de tecnologia e crescimento, além de diversos ETFs e instrumentos financeiros. |
| NAV | Net Asset Value, ou valor patrimonial líquido. Muito usado em fundos para comparar o valor dos ativos menos passivos com o valor das cotas. |
| Nota de corretagem | Documento que detalha as operações realizadas: ativo, quantidade, preço, taxas e impostos. |
| Notional | Valor financeiro de referência de uma operação (quantidade × preço do ativo-objeto). Em opções e futuros, costuma ser bem maior que o capital desembolsado. ⚠️ A exposição a risco se mede pelo notional, não pelo prêmio pago. |
| Novo Mercado | Segmento especial de listagem da B3 com regras mais elevadas de governança corporativa. |
| Oferta primária | Emissão de novas ações pela empresa. O dinheiro vai para o caixa da companhia. |
| Oferta secundária | Venda de ações por acionistas existentes. O dinheiro vai para quem vendeu, não para a empresa. |
| Opções | Contratos derivativos que dão direitos e obrigações ligados a um ativo, preço de exercício e vencimento. Podem ser usadas para proteção, geração de renda ou especulação. |
| Ordem a mercado | Ordem executada pelo melhor preço disponível no momento. Prioriza velocidade, não preço. |
| Ordem limitada | Ordem com preço máximo de compra ou preço mínimo de venda. Prioriza preço, mas pode não executar. |
| Overhang | Pressão potencial de venda causada por grande quantidade de ações que pode chegar ao mercado (lock-up vencendo, acionista relevante saindo). |
7.P · Q · R · S
| Termo | Definição |
|---|---|
| P/L | Preço da ação ÷ lucro por ação (LPA) dos últimos 12 meses. Indica quantos anos do lucro atual o preço representa. Com lucro zero ou negativo, o P/L não existe. |
| P/VP | Preço da ação ÷ valor patrimonial por ação (VPA). Abaixo de 1, o mercado avalia a empresa por menos que o patrimônio contábil. Muito usado em bancos, seguradoras e fundos imobiliários. |
| Patrimônio líquido | Diferença entre ativos e passivos de uma empresa. Representa o valor contábil pertencente aos acionistas. |
| Payout | Percentual do lucro líquido distribuído aos acionistas como dividendos e JCP. Payout alto significa menos lucro retido para reinvestimento. |
| PEG Ratio | P/L ÷ taxa de crescimento anual do lucro, em pontos percentuais. Depende da estimativa de crescimento, o que torna o resultado sensível às premissas. |
| Preço-alvo | Estimativa de valor futuro ou justo feita por analistas. Depende de premissas e muda com resultados, juros, risco e cenário. ⚠️ Não é garantia de retorno. |
| Proventos | Nome genérico dos valores distribuídos a acionistas e cotistas: dividendos, JCP e, nos FIIs, rendimentos e amortizações. |
| Pullback | Movimento de retorno temporário contra a tendência principal. Em análise técnica, pode ser usado para buscar entrada com melhor relação risco-retorno. |
| Put | Opção de venda. Dá ao comprador o direito, não a obrigação, de vender um ativo por um preço definido até (ou em) uma data. |
| Quantitative easing — QE | Política monetária em que o banco central compra ativos para injetar liquidez na economia e reduzir juros de longo prazo. |
| Quórum | Número mínimo de participantes ou votos exigido para uma assembleia ou deliberação ser válida. |
| Quota ou cota | Menor fração de um fundo de investimento. O cotista participa proporcionalmente dos resultados do fundo. |
| Rally | Movimento forte de alta em um ativo, setor ou mercado. Pode ser sustentado por fundamentos ou apenas por fluxo e sentimento. |
| Rebalanceamento | Ajuste periódico da carteira para voltar aos pesos desejados. Ajuda a controlar risco e evitar concentração excessiva. |
| Receita líquida | Receita de vendas após deduções, impostos, devoluções e abatimentos. Base para calcular várias margens. |
| Relações com Investidores — RI | Área da empresa responsável pela comunicação com acionistas, analistas e mercado. Publica demonstrativos, comunicados e apresentações. |
| Renda fixa | Classe de ativos com regras de remuneração conhecidas na aplicação, ainda que o retorno possa variar antes do vencimento. |
| Renda variável | Conjunto de investimentos cujo retorno futuro não é previamente determinado. Ações são o exemplo clássico. FIIs e diversos outros instrumentos possuem comportamento variável, enquanto ETF é um veículo que pode carregar tanto renda variável quanto renda fixa. |
| Risco de crédito | Risco de o emissor não pagar juros, principal ou outras obrigações. Importante em debêntures, CDBs, CRIs, CRAs e fundos de crédito. |
| ROE | Lucro líquido atribuído aos controladores nos últimos 12 meses ÷ patrimônio líquido dos controladores. Mede o retorno sobre o capital dos acionistas. |
| ROIC | Lucro operacional após impostos ÷ capital investido (patrimônio líquido + dívida líquida). Mede a eficiência com que a empresa remunera todo o capital aplicado na operação. Não se aplica a bancos e seguradoras. |
| Selic | Taxa básica de juros da economia brasileira, com meta definida pelo Copom. É a referência dos títulos públicos pós-fixados e influencia crédito, câmbio e o preço dos ativos. |
| Short | Posição vendida: venda de um ativo que o investidor não possui, normalmente tomado em aluguel, para recomprar depois. Ganha se o preço cair e perde se subir — a perda não tem limite teórico, porque o preço pode subir indefinidamente. |
| Short squeeze | Alta forte causada pela recompra apressada de investidores vendidos. Quando o preço sobe contra os shorts, eles podem ser obrigados a recomprar, acelerando a alta. |
| Small caps | Empresas de menor valor de mercado. Na B3, a referência é o índice SMLL. Costumam ter liquidez menor e volatilidade maior que as de maior capitalização. |
| Spread | Diferença entre dois preços, taxas ou retornos (compra×venda, crédito×taxa livre de risco, títulos semelhantes). Ex.: IPCA+6% vs. IPCA+5% → spread de 1 p.p. |
| Stop gain | Ordem ou regra para realizar lucro quando o ativo atinge determinado alvo. |
| Stop-loss | Ordem ou regra para limitar perdas quando o ativo atinge determinado preço. Ferramenta de controle de risco — não garante contra gaps. |
| Subscrição | Direito de preferência do acionista ou cotista para comprar novas ações ou cotas emitidas, na proporção da participação que já possui. |
| Swing trade | Operação que dura mais de um dia e busca capturar movimentos de curto ou médio prazo. |
8.T · U · V · W · X · Y · Z
| Termo | Definição |
|---|---|
| Tag Along | Direito do acionista minoritário de vender as ações quando o controle da companhia é vendido. Pela Lei das S.A., as ações ordinárias recebem no mínimo 80% do preço pago por ação do bloco de controle; no Novo Mercado, 100%. Ações preferenciais só têm tag along quando o estatuto prevê. |
| Taxa de administração | Cobrança feita por fundos para remunerar a administração. Pela Resolução CVM 175, a gestão tem taxa própria (taxa de gestão), e as duas podem aparecer somadas numa taxa global. Reduz a rentabilidade líquida do investidor. |
| Taxa de performance | Cobrança adicional quando o fundo supera determinado benchmark, seguindo regras previstas no regulamento. |
| Tesouro Direto | Programa que permite à pessoa física comprar títulos públicos federais pela internet, por meio de instituições habilitadas. |
| Ticker | Código de negociação de um ativo na bolsa. Ações brasileiras usam quatro letras e um número (3 para ON, 4 para PN); units, FIIs e ETFs costumam terminar em 11, e BDRs de ações, em 34 (ex.: AAPL34). |
| TIR | Taxa Interna de Retorno. Taxa que iguala o valor presente dos fluxos de caixa de um investimento ao preço pago. |
| Turnover | Giro de carteira ou rotatividade de ativos. Em fundos, turnover alto pode indicar gestão mais ativa e maiores custos de transação. |
| Underwriting | Processo em que instituições financeiras estruturam e distribuem uma oferta de valores mobiliários, como ações ou debêntures. |
| Unit | Pacote de ações de classes diferentes negociado como uma unidade (por exemplo, uma ON e duas PN). O código costuma terminar em 11, como o de FIIs e ETFs. |
| Upside | Diferença percentual entre o preço atual e um preço de referência estimado por um modelo ou por analistas. Depende integralmente das premissas utilizadas e não representa retorno garantido. |
| Vacância | Em fundos imobiliários, a parcela dos imóveis desocupada — medida pela área (vacância física) ou pela receita de aluguel que deixa de entrar (vacância financeira). |
| Valuation | Processo de estimar o valor justo de uma empresa ou ativo. Pode usar fluxo de caixa descontado, múltiplos, valor patrimonial, soma das partes e outros métodos. |
| Value investing | Estilo de investimento que busca comprar ativos por preço abaixo do valor estimado, com margem de segurança. |
| Volatilidade | Intensidade das oscilações de preço, medida em geral pelo desvio-padrão dos retornos, anualizado. Alta volatilidade significa movimentos maiores, para cima e para baixo. |
| Volume financeiro | Valor total negociado em determinado período. Ajuda a medir liquidez e interesse do mercado. |
| VPA | Valor patrimonial por ação: patrimônio líquido dos controladores ÷ quantidade de ações em circulação. É o denominador do P/VP. |
| WACC | Custo médio ponderado de capital. Combina o custo da dívida e o custo do capital próprio para representar a taxa mínima exigida por financiadores e acionistas. |
| Watchlist | Lista de ativos acompanhados pelo investidor — cotação, alertas de preço, resultados e eventos. |
| XIRR | Taxa interna de retorno para fluxos de caixa em datas irregulares. Usada para medir o retorno efetivo de uma carteira com aportes e resgates em datas diferentes. |
| Yield | Retorno gerado por renda, juros ou proventos em relação ao preço investido. Aparece em renda fixa, FIIs, dividendos e títulos. |
| Yield curve | Curva de juros. Mostra as taxas exigidas pelo mercado para diferentes prazos e ajuda a interpretar expectativas de inflação, crescimento e política monetária. |
| Yield on Cost | Rendimento sobre o custo de aquisição. Compara os proventos atuais com o preço médio pago, não com o preço atual. Ex.: pagou R$ 10 e a ação passa a pagar R$ 1/ano → YoC de 10%. |
| Zero coupon | Título que não paga cupom periódico. O retorno vem da diferença entre o preço de compra e o valor recebido no vencimento. |
| Zona de suporte e resistência | Regiões de preço onde compradores ou vendedores tendem a aparecer com mais força. São referências, não barreiras garantidas. |
| Z-score | Medida estatística de quantos desvios-padrão um valor está distante da média. Usada em modelos de risco, anomalias e análise quantitativa. |
9.Indicadores essenciais em uma página
Indicadores organizam a análise, mas nenhum deles resume uma empresa sozinho: o mesmo número tem leituras diferentes em setores diferentes.
| Indicador | Leitura direta | Uso comum |
|---|---|---|
| EBITDA | Resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização. | Comparar eficiência operacional entre empresas do mesmo setor. |
| P/L | Preço dividido pelo lucro por ação dos últimos 12 meses. | Entender quanto o mercado paga por cada unidade de lucro. |
| P/VP | Preço dividido pelo valor patrimonial por ação. | Avaliar bancos, seguradoras, fundos imobiliários e empresas com ativos tangíveis. |
| ROE | Lucro líquido dos controladores (12 meses) dividido pelo patrimônio líquido dos controladores. | Medir o retorno gerado sobre o capital dos acionistas. |
| ROIC | Lucro operacional após impostos dividido pelo capital investido (patrimônio líquido + dívida líquida). | Avaliar a eficiência do capital operacional. |
| Dividend Yield | Proventos por ação (dividendos e JCP) dos últimos 12 meses divididos pelo preço atual. | Medir a renda distribuída em relação ao preço de mercado. |
| Yield on Cost | Proventos atuais divididos pelo preço médio pago. | Medir a renda sobre o custo histórico do investidor. |
| WACC | Custo médio ponderado de capital. | Taxa de desconto em valuation e parâmetro de criação de valor. |
| Dívida líquida/EBITDA | Dívida líquida dividida pelo EBITDA. | Analisar alavancagem e capacidade de pagamento. |
Cuidados na leitura dos indicadores
Múltiplos se comparam dentro do mesmo setor: banco, varejo, tecnologia e saneamento têm estruturas de capital e margens distintas. Dividend Yield alto pode refletir queda do lucro, queda do preço ou um pagamento extraordinário que não se repete. EBITDA não é caixa livre: capex, capital de giro, juros, impostos e dívida ficam fora dele. Preço nominal baixo não indica valor baixo: a comparação é com lucro, patrimônio, risco e qualidade. Liquidez importa: em ativos pouco negociados, o custo de desfazer a posição é maior.
Onde os termos aparecem no portal
Os indicadores deste glossário estão calculados na página de cada ativo (P/L, P/VP, DY, ROE, Dívida líquida/EBITDA). Data-com e data ex aparecem na Agenda de Dividendos; Selic, IPCA e CDI, em Selic e Inflação.

A Psicologia Financeira — Morgan Housel
Em capítulos curtos, Housel mostra como o comportamento diante da volatilidade e do risco pesa mais na construção de patrimônio do que qualquer cálculo isolado — o complemento de um glossário de indicadores.
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Metodologia e fontes utilizadas
As definições jurídicas e tributárias seguem a Lei das S.A. (Lei 6.404/1976: classes de ações, dividendo obrigatório, direito de preferência e tag along), a Lei 9.249/1995 com a redação da Lei Complementar 224/2025 (JCP), a Lei 15.270/2025 (dividendos), a Lei 11.033/2004 (imposto sobre ganhos em bolsa, inclusive day trade, e isenções de CRI, CRA, LCI, LCA e FII), a Lei 12.431/2011 (debêntures incentivadas) e a Resolução CVM 175 (taxas dos fundos); as de índices e segmentos, as metodologias publicadas pela B3; as de indicadores, as mesmas fórmulas que o portal usa nas páginas dos ativos, descritas em Metodologia.