Transparência

Como calculamos nossos índices

O Case de Valor não entrega notas mágicas sem explicação. Estes são os índices que calculamos por conta própria: o que entra no cálculo, como é ponderado e quais são as limitações.

Esta é uma explicação resumida de como construímos cada índice. As métricas, os pesos e as fórmulas exatas são proprietárias e exclusivas do Case de Valor e não são divulgados na íntegra.

Isto é uma leitura, não uma recomendação

A Saúde Financeira resume a solidez do negócio em uma nota — não diz se a ação está barata nem se você deve comprá-la. Não é um percentil e não está normalizada dentro do setor: 73 não significa “melhor que 73% das empresas”. E como cada perfil de negócio é lido com métricas e pesos próprios, o 70 de um banco e o 70 de uma mineradora saem de réguas diferentes.

Versão da metodologia

A leitura em vigor é a v6.0, desde 31/08/2026, quando os bancos passaram a ser lidos por pilares equivalentes aos de uma empresa não financeira. Cada nota carrega a versão que a produziu, e a versão só muda quando muda o que o número significa — uma métrica que entra ou sai, um peso, uma régua de pontuação; nunca por ajuste de texto ou pelo dado do dia. 🔴 Notas de versões diferentes não se comparam entre si.

v6.0 · 31/08/2026 — os bancos passaram de três para cinco pilares, medidos em 12 meses corridos no perímetro do conglomerado prudencial. Entraram a Eficiência Bancária e a Qualidade de Crédito, e o custo de crédito saiu de dentro do Capital & Risco, que voltou a medir só o colchão regulatório. Os pesos passaram a depender do tipo de banco.
v5.0 · 30/08/2026 — o pilar de caixa deixou de medir geração sobre o valor de firma e o dividend yield, e passou a medir quanto do resultado operacional vira caixa de fato. Entrou uma camada que descarta o exercício em que a fonte publica demonstrativo zerado, antes de qualquer pilar.
v4.0 · 07/07/2026 — bancos passaram a ser avaliados por um pilar prudencial próprio, no lugar do endividamento.

Como o score funciona

A nota vai de 0 a 100 e resume a saúde do negócio em até 6 pilares — o banco tem uma lista própria, de cinco, descrita mais abaixo. Cada pilar é um mini-índice de um a três indicadores. A nota final é a média ponderada dos pilares — e tanto os pesos quanto as réguas de exigência mudam conforme o arquétipo do negócio (classificação setorial oficial da B3). São 20 arquétipos: um banco, uma concessão de energia e uma varejista são avaliados com réguas diferentes, porque o que é saudável para um seria temerário para o outro. Pilar que não se aplica a um perfil é omitido explicitamente, e os pesos daquele perfil já somam 100 sem ele — não há redistribuição silenciosa. Pilar que se aplica mas ficou sem dado tem o peso redistribuído entre os demais, e isso reduz a cobertura e a confiança da leitura. Abaixo de três pilares com dado, a nota não é exibida.

A nota é calculada sem usar a cotação: nenhum indicador do score tem preço, valor de mercado ou dividend yield no cálculo. Isso é deliberado — uma medida de saúde financeira que se move quando a ação cai está descrevendo o preço, não o balanço. Quem mede o retorno em proventos é o ISP, na seção de Dividendos.

FrágilAtençãoModeradaSólidaExcelente

Os pilares

Rentabilidade

ROE (retorno sobre o patrimônio) somado ao ROIC (retorno sobre o capital investido). O ROIC impede que um ROE inflado por dívida vire nota alta enganosa. Em setores cíclicos (mineração, proteínas), usa a média de 3 a 5 anos — sem premiar topo nem condenar fundo de ciclo. Em bancos, combina ROE e ROA da fonte prudencial (IF.data/BCB).

Eficiência Operacional

Margens EBIT (operacional) e Líquida em média de vários anos (3 anos, ou 5 em cíclicas para atravessar o ciclo). A régua do que é 'boa margem' é a do setor: 3,5% líquida é excelência no varejo alimentar; de um shopping se exige margem operacional altíssima. Em bancos, a mesma pergunta é o Índice de Eficiência: despesas de pessoal e administrativas sobre a receita operacional de 12 meses.

Alavancagem e Risco

Cruza Dívida Líquida / EBITDA (anos de geração de caixa para quitar a dívida) com Dívida Líquida / Patrimônio (alavancagem estrutural). Caixa líquido pontua no topo, e a tolerância é a do arquétipo — uma concessão regulada convive com mais dívida que um varejista. Em bancos, dá lugar a Capital & Risco e Qualidade de Crédito (veja abaixo).

Liquidez e Cobertura

Liquidez Corrente (ativos vs. obrigações de curto prazo) somada à Cobertura de Juros (se o lucro operacional cobre os juros da dívida com folga).

Crescimento Sustentável

Tendência (regressão) de até 5 anos da Receita e do Lucro — não a variação de um único ano. Crescimento com prejuízo não vira nota alta: crescer receita queimando caixa é penalizado. Evita o efeito 'vôo de galinha' e a distorção dos ciclos. Em bancos, é o crescimento anual composto de três anos da receita operacional.

Conversão e Geração Operacional de Caixa

Conversão de caixa (caixa da operação sobre o EBITDA do exercício), margem de caixa sobre a receita e consistência da geração ao longo dos últimos exercícios. Mede quanto do resultado contábil vira caixa; não mede quanto sobra depois do investimento necessário, que exige um dado de investimento que a fonte não publica de forma comparável. Em bancos e seguradoras não se aplica.

Como ler. A leitura mais segura é a de cada nota isoladamente — o que puxa para cima e o que puxa para baixo dentro daquele negócio —, e a comparação entre empresas de perfil parecido. A nota só vale o quanto o feed de fundamentos vale, e fica oculta quando os dados da empresa estão defasados.

Bancos: uma régua prudencial

Banco não se mede por EBITDA, dívida líquida ou fluxo de caixa livre — são conceitos que não descrevem uma instituição financeira. Desde a v6.0 o banco tem cinco pilares próprios, todos com dados oficiais do IF.data do Banco Central e medidos em 12 meses corridos, no perímetro do conglomerado prudencial: Capital & Risco (a folga do Índice de Basileia e do Capital Principal sobre o requerimento do supervisor), Qualidade de Crédito (o custo de crédito da carteira e o estoque de ativos problemáticos), Rentabilidade (ROE e ROA regulatórios, mais limpos que o feed contábil), Eficiência Bancária (quanto da receita vira custo de estrutura) e Crescimento (tendência de três anos da receita operacional).

As duas primeiras respondem a perguntas diferentes e ficam separadas de propósito: uma coisa é o banco aguentar a perda, outra é ele estar gerando perda. E os pesos mudam conforme o tipo de banco — comercial, de fomento constitucional e de mercado de capitais quebram por caminhos diferentes. Banco sem carteira relevante no ativo não tem o pilar de crédito: ele sai da conta em vez de valer zero.

O que não medimos. Falta a dimensão de funding e liquidez — a capacidade de o banco rolar a própria captação. Testamos os indicadores disponíveis nas fontes públicas e nenhum separa um banco do outro; os índices internacionais de liquidez não são publicados por lá. A consequência é direta e está dita aqui em vez de escondida: a nota de um banco não cai por um problema de captação, porque ninguém a está olhando por esse ângulo. Preferimos declarar o buraco a preenchê-lo com estimativa.

Cobertura e confiança

Duas coisas diferentes acompanham a nota. A cobertura conta quantos pilares têm dado — se forem poucos demais, a nota nem é exibida (evita um “Frágil 0” que é só ausência de dados). A confiança mede a qualidade dessa leitura: cai quando o histórico é curto, quando há inconsistência de escala no balanço divulgado, quando uma métrica precisou de substituta, ou quando é um banco sem os dados prudenciais. Uma empresa pode ter cobertura cheia e ainda assim confiança média — e a gente diz isso abertamente.