1.Duas estruturas viram uma sequência
O curso anterior tratou a venda coberta e a Put com Caixa Reservado como estruturas separadas, cada uma com o seu payoff. A The Wheel — a Roda — as coloca em sequência: vende-se uma Put com o dinheiro da compra reservado; se houver atribuição, as ações chegam à carteira e passa-se a vender Call sobre elas; se a Call for exercida, as ações saem, o capital volta ao caixa e o ciclo recomeça.
A sequência é simples de descrever e é aí que mora a dificuldade: descrita como ciclo, ela sugere um movimento que se repete. Este curso reconstituiu essa sequência em dez ativos líquidos ao longo dos sete vencimentos de 2026 já encerrados, com as decisões tomadas no primeiro pregão depois de cada vencimento e o desfecho apurado contra o preço real do ativo. O que a palavra ciclo promete e o que os dados mostram são coisas diferentes.
O que o material-base já diz, e este curso quantifica
O PDF que serve de base a este curso é explícito ao afirmar que a Roda "não é uma máquina automática de renda" e que ela é "uma sequência de decisões condicionais". A afirmação está correta. O que ela não traz é a frequência: com que frequência a condição se realiza, quanto tempo a estrutura passa em cada estado e quanto custa cada decisão que a sequência oferece. É esse conjunto de números que o curso acrescenta.
- Fase 1 — caixa. Vende-se uma Put fora do dinheiro e reserva-se o dinheiro necessário para comprar o ativo pelo strike.
- Transição de entrada. Se o ativo fecha abaixo do strike no vencimento, há atribuição: as ações entram pelo preço de exercício.
- Fase 2 — ações. Vende-se uma Call fora do dinheiro sobre as ações recebidas.
- Transição de saída. Se o ativo fecha acima do strike da Call, as ações são entregues e o capital volta ao caixa.
2.O ciclo com as duas transições medidas
O diagrama abaixo é o mesmo que qualquer material sobre a Roda apresenta, com uma diferença: cada seta carrega a frequência com que ela foi de fato percorrida. As duas transições foram medidas em todas as séries negociadas nos sete dias de decisão, separadas por distância do strike — não sobre os dez caminhos simulados, que seriam dez amostras.
Na faixa mais usada — strike entre 5% e 10% do preço à vista —, a Put foi atribuída em 30,34% das 445 séries e a Call foi exercida em 28,94% das 387. As duas frequências são próximas, e é tentador ler isso como equilíbrio: entra-se com a mesma facilidade com que se sai. A leitura correta é outra, e ela aparece quando as transições são separadas por vencimento em vez de agregadas.
| Distância do strike | Puts atribuídas | Calls exercidas | Ciclos esperados até sair |
|---|---|---|---|
| Até 2% | 45,35% (n = 172) | 50,60% (n = 168) | 2,0 |
| 2% a 5% | 39,02% (n = 264) | 39,54% (n = 263) | 2,5 |
| 5% a 10% | 30,34% (n = 445) | 28,94% (n = 387) | 3,5 |
| 10% a 20% | 10,52% (n = 827) | 11,56% (n = 640) | 8,6 |
O strike mais distante prende por mais tempo
A coluna da direita é o inverso da taxa de exercício: com 28,94% de chance de sair a cada ciclo, o tempo esperado com as ações na carteira é de 3,5 ciclos. Escolher um strike a 10%–20% de distância — a escolha que costuma ser descrita como a mais prudente — leva esse número a 8,6 ciclos. Mais de oito meses, em média, entre receber as ações e devolvê-las ao caixa.
3.Sete ciclos, dez ativos: quantas voltas fecharam
A reconstituição partiu de caixa em 21 de janeiro de 2026 e tomou uma decisão a cada vencimento, sempre no primeiro pregão seguinte. A regra é a do material, sem discricionariedade: em caixa, vende-se a Put fora do dinheiro cujo strike está mais perto da distância-alvo; com ações, vende-se a Call pela mesma regra. O caixa não comprometido rende a taxa livre de risco que a própria fonte publica naquele dia.
| Strike-alvo | Voltas completas | Ativos sem nenhuma volta | Ciclos com ações | Terminaram comprados |
|---|---|---|---|---|
| 3% do preço | 16 | 0 de 10 | 47,1% | 5 de 10 |
| 7% do preço | 7 | 3 de 10 | 51,4% | 7 de 10 |
| 12% do preço | 2 | 8 de 10 | 38,6% | 7 de 10 |
Uma volta completa é o percurso caixa → ações → caixa. Com strike-alvo de 7%, dez ativos em sete meses produziram 7 voltas — e 3 dos 10 não fecharam nenhuma. A 12% de distância, oito dos dez nunca completaram o percurso no período inteiro. Só na versão praticamente colada ao preço à vista, com strike a 3%, a Roda girou com alguma regularidade: 16 voltas, e nenhum ativo parado.
Ciclo é uma descrição de intenção, não de frequência
A palavra ciclo descreve o desenho da estratégia, e o desenho está correto. O que ela não descreve é o ritmo. Em sete meses e com o strike na distância mais comum, a estrutura passou mais tempo com ações na carteira do que em caixa, e sete dos dez ativos terminaram o período comprados, não em caixa — que é o estado de partida do desenho.
4.Por que ela não gira: as duas pernas pedem direções opostas
A explicação não é acidental nem própria do período medido. Ela está na definição das duas transições. A Put só é atribuída se o ativo cair abaixo do strike; a Call só é exercida se o ativo subir acima do strike. Uma volta completa exige, portanto, uma queda seguida de uma alta — nessa ordem, e cada uma dentro da janela de um vencimento.
| Vencimento | Variação mediana do ativo | Puts atribuídas | Calls exercidas |
|---|---|---|---|
| Fevereiro | +15,11% | 0,00% | 91,49% |
| Março | −12,00% | 69,31% | 20,45% |
| Abril | +6,71% | 5,61% | 53,12% |
| Maio | −12,14% | 70,00% | 12,05% |
| Junho | −5,00% | 45,26% | 7,07% |
| Julho | +2,95% | 15,05% | 12,77% |
| Agosto | −1,14% | 29,17% | 33,33% |
As duas colunas da direita andam em sentidos contrários. A correlação entre elas nos sete vencimentos é −0,698. Contra a direção do mercado, a atribuição correlaciona −0,969 e o exercício, +0,825 — a transição de entrada é praticamente uma leitura da queda do mês, e a de saída, da alta. Em nenhum dos sete vencimentos as duas taxas passaram de 40% ao mesmo tempo.
A Roda não alterna: ela é empurrada
O que faz a estrutura mudar de fase não é o calendário nem a repetição da operação: é a direção do mercado no mês. A sequência de que ela precisa — um mês de queda seguido de um mês de alta no mesmo ativo — apareceu em 20 de 60 pares consecutivos dos dez ativos, isto é, em 33,3% das oportunidades. Não é uma engrenagem que gira: é uma sequência que às vezes acontece.
Isso reorganiza a leitura da tabela anterior. As duas frequências agregadas eram próximas — 30,34% e 28,94% — porque o período de sete meses teve meses de queda e meses de alta. Dentro de cada mês, porém, uma das duas transições está praticamente desligada. Somar as duas e concluir que a estrutura tem alta rotatividade descreve o agregado e ignora que as duas metades nunca acontecem juntas.
5.Fase 1: o capital que a Put compromete
Na primeira fase, o dimensionamento parte da obrigação e não do prêmio. O capital que a Put pode exigir é o strike multiplicado pela quantidade de ativos do contrato — na maioria das séries de ação da B3, cem ações por contrato, embora o lote precise ser conferido na própria série, como o curso 2 mediu.
Capital potencialmente exigido = strike × quantidade de ativos do contrato
Strike de R$ 47,00 em contrato de 100 ações = R$ 4.700,00 por contrato.
A diferença entre dimensionar pela obrigação e dimensionar pelo prêmio desejado aparece na conta inversa. Um investidor que queira receber R$ 1.000 de prêmio com Puts que pagam 0,85% do strike — a taxa mediana medida nos sete ciclos, na faixa de 7% de distância — precisa vender cerca de R$ 118 mil em obrigação. É esse número, e não o prêmio, que define o tamanho da posição.
Reservar o caixa não é uma formalidade
A alternativa a reservar o dinheiro é depender de margem, de venda de outros ativos ou de crédito no momento da atribuição — que, como a próxima seção mostra, é justamente o momento em que o mercado caiu e os outros ativos da carteira provavelmente também estão em baixa. A reserva não reduz o risco da operação: ela garante que a obrigação possa ser cumprida sem que a queda force outras vendas.
6.O prêmio alto não anuncia queda: anuncia atribuição
Uma leitura comum ao escolher o ativo é comparar prêmios: entre duas Puts na mesma distância relativa do preço, prefere-se a que paga mais. A pergunta que o dado responde é o que esse prêmio maior está remunerando.
A comparação só isola a volatilidade implícita se a distância do strike estiver travada — Put mais perto do dinheiro paga mais e também é atribuída com mais frequência, e comparar prêmios sem travar a distância mediria proximidade, não risco percebido. Por isso as séries foram separadas em cinco faixas estreitas de distância, e dentro de cada uma comparou-se o tercil mais barato com o mais caro.
| Distância do strike | Tercil barato: taxa | Tercil caro: taxa | Atribuídas (barato) | Atribuídas (caro) |
|---|---|---|---|---|
| 2% a 4% | 1,10% | 2,54% | 44,07% | 37,29% |
| 4% a 6% | 0,66% | 2,12% | 41,38% | 46,55% |
| 6% a 8% | 0,39% | 1,49% | 31,15% | 39,34% |
| 8% a 10% | 0,26% | 1,21% | 23,73% | 35,59% |
| 10% a 15% | 0,12% | 0,77% | 5,52% | 28,97% |
No agregado das cinco faixas, o tercil mais caro foi atribuído em 35,6% dos casos contra 23,8% do mais barato — uma diferença de 11,8 pontos percentuais. O padrão vale em quatro das cinco faixas e se inverte na mais próxima do dinheiro, onde as duas taxas já são altas. A faixa mais distante é a que mais separa: 5,52% contra 28,97%.
O que o prêmio maior está pagando
A variação mediana do ativo é praticamente a mesma nos dois tercis: −1,16% no barato e −1,11% no caro. O prêmio alto não previu queda maior — previu mais movimento. Com o strike na mesma distância relativa, mais dispersão significa mais chances de o preço cruzar o strike, e é isso que a diferença de 11,8 pontos percentuais está medindo. O mercado cobrou mais porque a probabilidade de exercício era maior.
O limite deste teste
As 382 séries do tercil caro vêm de apenas 42 ciclos distintos — séries do mesmo ativo no mesmo dia compartilham a volatilidade implícita e o desfecho do ativo, e não são observações independentes. Refeito no nível do ciclo, que é a unidade independente, o efeito sobrevive na média (a fração atribuída passa de 16,7% para 33,0%), mas a mediana é zero nas duas metades, porque a atribuição é concentrada em poucos meses. O sinal da conclusão é o mesmo nas duas réguas; a força dela é menor do que o teste sobre séries sugeriria.
7.Exercício, atribuição e o que muda de fato
Ser atribuído não é falha operacional: numa Put com Caixa Reservado, a possibilidade de adquirir o ativo faz parte do desenho. O que muda com a atribuição não é o acerto da decisão — é a natureza do risco carregado.
| Antes da atribuição | Depois da atribuição |
|---|---|
| Caixa reservado, rendendo à taxa livre de risco | Ações na carteira, com o preço variando |
| Put vendida, com prazo até o vencimento | Nenhuma opção; a próxima é uma decisão nova |
| Perda limitada ao que o ativo cair abaixo do strike, menos o prêmio | Perda direta em cada real que o ativo cair |
| Objetivo definido: comprar pelo strike se houver queda | Objetivo a redefinir: manter, vender ou vender Call |
A tabela do material-base descreve essa passagem em termos de gregas — Delta positivo antes e depois, Theta positivo na primeira fase, neutro na segunda. Os três sinais estão corretos. O que a descrição qualitativa não mostra é a magnitude, e ela é grande o bastante para mudar a leitura.
| Strike-alvo | Δ da Put vendida + caixa | Δ das ações | Δ das ações + Call vendida | Multiplicação |
|---|---|---|---|---|
| 3% do preço | 0,297 | 1,000 | 0,578 | 1,94× |
| 7% do preço | 0,162 | 1,000 | 0,746 | 4,61× |
| 12% do preço | 0,070 | 1,000 | 0,884 | 12,54× |
Quanto mais distante o strike, maior o salto
Uma Put vendida a 12% de distância tem Delta de 0,070: para cada real que o ativo se move, a posição se move sete centavos. Depois da atribuição, a estrutura equivalente — ações mais Call vendida na mesma distância — tem Delta de 0,884. A exposição direcional é multiplicada por 12,5 num único evento, e o multiplicador é MAIOR justamente para quem escolheu o strike mais distante buscando menos exposição.
8.Fase 2: o que se encontra depois da atribuição
A atribuição entrega as ações pelo strike, e o prêmio recebido reduz o custo econômico dessa entrada: o custo de aquisição é o strike menos o prêmio. A pergunta prática da segunda fase é onde o preço de mercado está em relação a esse custo no momento em que a próxima decisão precisa ser tomada.
A resposta foi medida em 210 atribuições de Puts com strike entre 2% e 10% de distância, olhando a cadeia do vencimento seguinte no primeiro pregão depois de cada vencimento.
- Em 84,8% dos casos o ativo já estava abaixo do custo de aquisição, a 5,93% de distância (mediana).
- Existe Call com strike igual ou acima do custo em 100% dos casos, e todas registraram negócio no dia — a ausência de strike não é o problema.
- Essa Call paga 1,17% do custo (mediana), contra 2,27% da Call a 3% acima do preço do dia: 1,94× menos.
- Em 80,3% dos casos, a Call a 3% acima do preço do dia tem strike abaixo do custo de aquisição.
A escolha real da fase 2
Não é entre ter e não ter um strike acima do custo — ele existe sempre. É entre vender a Call que gira a Roda, aceitando um preço de saída abaixo do que se pagou pelas ações em quatro de cada cinco casos, ou vender a que respeita o custo e receber cerca de metade do prêmio enquanto se espera o preço voltar. As duas são decisões legítimas; nenhuma delas é a continuação automática do ciclo.
É por isso que a chamada regra de ouro de nunca vender Call abaixo do preço médio não pode ser lida como proibição nem descartada como superstição. Ela tem um preço, e o preço é este: 1,94× de prêmio a menos, por um tempo de espera cuja mediana o curso não pode estimar sem supor a trajetória futura do ativo. A decisão depende de qual preço de saída é aceitável, não de uma regra fixa.
9.A rolagem e o preço de adiar
Rolar uma opção é encerrar o contrato atual — recomprando a posição vendida — e abrir outro, com strike diferente, vencimento posterior ou ambos. A descrição usual enfatiza o crédito adicional e o tempo ganho. A conta completa tem dois lados, e o débito da recompra é o lado que costuma ficar de fora.
A medição usou 1.007 Puts que terminaram dentro do dinheiro, com as duas pontas cotadas no MESMO pregão — a recompra da série que vence e o prêmio da série do vencimento seguinte. Comparar preços de dias diferentes mediria o calendário, não a rolagem.
| Destino da rolagem | Gerou crédito líquido | Resultado mediano (% do preço da ação) |
|---|---|---|
| Mesmo strike, vencimento seguinte | 49,2% | −0,01% |
| Strike 5% menor | 12,7% | −3,62% |
| Strike 10% menor | 4,0% | −5,95% |
Rolar para o mesmo strike é, na mediana, uma operação de resultado nulo: metade das vezes gera crédito, metade gera débito, e o líquido mediano é praticamente zero. Rolar para um strike menor — a manobra que reduz o preço contratual de uma futura aquisição — custa dinheiro no ato: reduzir o strike em 5% custou 3,62% do preço da ação, ou seja, cerca de dois terços do benefício foram pagos imediatamente.
97,4% do que se paga já é prejuízo realizado
Do valor gasto para recomprar a Put que venceu dentro do dinheiro, 97,4% (mediana) é valor intrínseco — a diferença entre o strike e o preço do ativo, que já aconteceu. Rolar não apaga essa parcela: ela é paga em dinheiro e substituída por uma obrigação nova. E quando a rolagem é mais necessária, ela é menos generosa: entre as Puts que terminaram mais de 5% dentro do dinheiro, rolar para o mesmo strike gerou crédito em apenas 28,4% dos casos.
A régua de decisão que sobra
A conta acima não diz que rolar é errado — diz que o crédito não é a razão. Uma rolagem só se sustenta se a nova posição fizer sentido por mérito próprio: o novo strike é um preço de aquisição aceitável, o novo prazo é um prazo confortável e o prêmio novo remunera o risco novo. Recuperar o resultado da posição anterior não é um critério, porque a posição anterior já foi encerrada.
10.O que o livro de ofertas cobra por volta
A Roda é uma estratégia de repetição: cada volta exige pelo menos duas ordens, e cada rolagem acrescenta mais duas. O custo implícito de cada ordem é a distância entre o preço que se vê e o preço que se executa, e ele foi medido nas séries efetivamente escolhidas pela simulação.
- O spread entre a oferta de compra e a de venda é de 33,3% do prêmio (mediana) nas séries escolhidas.
- A oferta de compra — o preço que quem vende executa de imediato — fica 16,7% abaixo do fechamento (mediana).
- Refazendo a Roda inteira executando no livro, o prêmio acumulado a 7% cai de 7,66% para 5,77% do capital: 24,7% do prêmio.
- O resultado da estratégia perde 2,15 pontos percentuais no período de sete meses.
O custo cresce com o número de voltas
A perda proporcional é praticamente a mesma nas três distâncias de strike — entre 23,1% e 25,9% do prêmio. Mas ela incide sobre cada perna executada, e a versão com strike a 3% executa mais pernas e mais voltas. A configuração que mais gira é também a que mais paga pelo giro: 3,95 pontos percentuais no período, contra 0,34 na de strike a 12%.
11.A conta do ciclo inteiro
Acompanhar a Roda somando prêmios recebidos descreve uma das pernas. O resultado econômico do ciclo é a soma de todos os fluxos — prêmios, desembolso da atribuição, entrada da venda das ações — mais o valor do que ainda estiver na carteira no fim.
Resultado do ciclo = prêmio da PUT − strike da PUT + prêmio da CALL + strike da CALL
Put de strike 47 vendida por 1,20, atribuída; Call de strike 50 vendida por 1,00, exercida: +1,20 − 47,00 + 1,00 + 50,00 = +R$ 5,20 por ação.
Esse é o ciclo que fecha. Nos sete ciclos reconstituídos, a maior parte não fechou, e é aí que a diferença entre somar prêmios e apurar o resultado aparece com clareza. A tabela abaixo compara, para cada distância de strike, o prêmio acumulado nos sete ciclos com o que a estratégia de fato entregou, e põe ao lado as duas alternativas óbvias: comprar a ação no primeiro dia e mantê-la, ou deixar o dinheiro no caixa.
| Strike-alvo | Prêmio acumulado | Resultado da Roda | Ação comprada e mantida | Caixa | Roda > ação | Roda > caixa |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 3% do preço | 14,80% | −0,89% | −5,01% | +8,26% | 8 de 10 | 2 de 10 |
| 7% do preço | 7,66% | +3,49% | −5,01% | +8,26% | 7 de 10 | 4 de 10 |
| 12% do preço | 2,60% | +7,40% | −5,01% | +8,26% | 6 de 10 | 5 de 10 |
Os números são medianas dos dez ativos, em 212 dias corridos. O caixa rendeu 8,26% porque a taxa livre de risco que a fonte usa para precificar a cadeia esteve entre 15,00% e 14,25% ao ano no período — e ela caiu ao longo dos sete ciclos, motivo pelo qual foi lida a cada dia de decisão em vez de fixada num valor.
O prêmio somado e o resultado não são a mesma grandeza
Com strike a 3%, a Roda acumulou 14,80% de prêmio e entregou −0,89%. O caso extremo é a MGLU3: 31,10% de prêmio acumulado e resultado de −27,90%, com o ativo caindo 52,78% no período. O prêmio é real e é definitivo, mas ele é a parcela menor de um resultado que a variação do ativo decide.
O que este período diz e o que não diz
Sete meses de 2026 tiveram queda no ativo mediano (−5,01%), com meses de forte alta e de forte queda. Nesse período, a Roda amorteceu a queda — bateu a ação comprada em seis a oito dos dez casos — e ficou abaixo do caixa na maioria deles. Um período de alta sustentada inverteria as duas comparações: a Roda perderia mais para a ação e bateria o caixa com folga. A conclusão que não depende da janela é a da seção seguinte, sobre a estrutura da carteira.
12.A Roda é uma posição de carteira
Cada Roda parece uma operação isolada, com o seu ativo, o seu strike e o seu vencimento. Rodando dez delas em paralelo, com capital reservado para todas, a independência desaparece: a transição que converte caixa em ações é acionada pelo mesmo fator em todos os ativos ao mesmo tempo.
| Ciclo | Atribuições no ciclo | Exercícios no ciclo | Convertidas em ações ao fim |
|---|---|---|---|
| Fevereiro | 0 | 0 | 0 de 10 |
| Março | 7 | 0 | 7 de 10 |
| Abril | 0 | 4 | 3 de 10 |
| Maio | 4 | 0 | 7 de 10 |
| Junho | 2 | 0 | 9 de 10 |
| Julho | 1 | 0 | 10 de 10 |
| Agosto | 0 | 3 | 7 de 10 |
Com strike-alvo de 7%, a carteira saiu de zero para sete ativos convertidos num único ciclo, e chegou a dez de dez em julho. A progressão dos sete ciclos é 0 → 7 → 3 → 7 → 9 → 10 → 7, e o maior número de atribuições num só ciclo foi 7 de 10 — a estratégia que começa inteira em caixa esteve, em um dos sete meses, inteiramente comprada em ações, sem que nenhuma decisão de comprar ações tivesse sido tomada.
Diversificar entre ativos não diversifica a transição
Dez ativos diferentes não produzem dez momentos de atribuição diferentes. A condição de entrada — o ativo fechar abaixo do strike no vencimento — é acionada por um fator comum, e o resultado é que a conversão de caixa em ações acontece em bloco. O teste de estresse útil não é "e se esta Put for atribuída?", e sim "e se todas forem, no mesmo mês, e os ativos caírem mais depois disso?".
A carteira igualmente ponderada das dez Rodas rendeu +0,50% no período com strike a 7%, contra −3,76% das dez ações compradas e mantidas e +8,26% do caixa. A comparação entre as três é a mesma da seção anterior; o que muda aqui é a leitura de risco: durante o pico de conversão, a carteira não tinha nenhuma reserva livre — todo o capital estava exposto à variação dos ativos.
13.Estilo de execução: dimensões, não percentuais
É comum descrever uma Roda como conservadora ou agressiva por um percentual — de caixa comprometido, de ações cobertas. Os números medidos mostram por que esses rótulos não se sustentam sozinhos: mover uma dimensão na direção defensiva costuma mover outra na direção oposta.
| Dimensão | Escolha mais agressiva | Escolha mais defensiva | O que a medição mostra |
|---|---|---|---|
| Distância do strike da Put | Perto do preço à vista | Longe do preço à vista | O strike distante prende por 8,6 ciclos em vez de 2,0 e multiplica o Delta por 12,5× na atribuição |
| Capital comprometido | Muitas Rodas simultâneas | Reserva maior em caixa | A conversão acontece em bloco: 7 de 10 num único ciclo |
| Prazo | Giros frequentes | Menos giros | Cada volta paga o spread duas vezes; 24,7% do prêmio some no livro |
| Cobertura com Calls | Toda a posição | Parte da posição | Cobrir tudo limita a alta de tudo; cobrir parte reduz o prêmio na proporção |
| Strike da Call na fase 2 | Perto do preço do dia | Acima do custo de aquisição | O strike acima do custo paga 1,94× menos e adia a saída |
Conservador numa dimensão não é menor risco total
O strike da Put a 12% de distância reduz a chance de atribuição de 39,02% para 10,52% e, exatamente por isso, aumenta o tempo esperado com ações de 2,5 para 8,6 ciclos e o salto de Delta de 1,94× para 12,54×. O risco não foi eliminado: foi convertido em outra forma — menos frequente e mais concentrada.
14.Quando a Roda deixa de ser coerente
A estratégia se apoia em duas disposições que precisam continuar verdadeiras: comprar o ativo pelo strike da Put e vendê-lo pelo strike da Call. Quando qualquer uma das duas deixa de ser aceitável, o que resta é uma sequência de operações sem a premissa que as justificava.
- A disposição de comprar acabou. Se o ativo pelo strike deixou de ser um resultado aceitável, a Put não deveria ser aberta — e a que estiver aberta é uma obrigação a administrar, não um ciclo a continuar.
- A disposição de vender acabou. Se nenhum strike de Call representa um preço de saída aceitável, a segunda fase não tem operação coerente. Manter as ações sem vender Call é uma decisão legítima e interrompe a Roda.
- O tamanho não cabe. Se a conversão simultânea de todas as posições ultrapassa os limites da carteira, o problema é de dimensionamento, e ele já existe antes de qualquer atribuição.
- A liquidez não permite. Com spread mediano de 33,3% do prêmio nas séries líquidas, uma série ilíquida pode consumir o prêmio inteiro na ida e na volta.
- O prêmio não compensa. A Put de 5% a 10% fora do dinheiro paga menos que o caixa em boa parte das séries, como o curso anterior mediu — e essa comparação precisa ser refeita a cada ciclo, porque a taxa livre de risco muda.
- A proteção que se busca é outra. A Roda não protege contra queda: o prêmio reduz o ponto de equilíbrio em alguns por cento e a exposição ao ativo permanece integral depois da atribuição.
Caixa também é uma posição
Não existe obrigação de manter opções vendidas o tempo todo. No período medido, o caixa rendeu 8,26% em 212 dias e superou a Roda em seis dos dez ativos na configuração mais girada. Interromper o ciclo não é abandonar a estratégia: é reconhecer que a condição que a justificava não está presente.
15.Laboratório: monte um ciclo e veja onde ele para
O laboratório abaixo monta um ciclo completo com os números que você escolher — preço do ativo, distância dos strikes e prazo — e mostra os quatro desfechos possíveis, o resultado econômico de cada um e o que aconteceu, na medição, com as séries da faixa escolhida.
Um ciclo da Roda, do caixa ao caixa
InterativoAs duas pernas em sequência: o que cada desfecho entrega, o que a volta completa produz e com que frequência cada transição aconteceu na medição.
Fase 1 — caixa reservado + put vendida
Fase 2 — ações recebidas + call vendida
A volta completa — se as DUAS transições acontecerem
Prêmios teóricos, pelo mesmo cálculo do Simulador de Opções, com a taxa de 14,25% ao ano — a que a fonte de gregas publicava no último dia de decisão medido. As frequências ao lado descrevem os sete ciclos de 2026 e servem para mostrar a forma da troca. Aumente as duas distâncias e observe o que acontece: as duas transições ficam mais raras ao mesmo tempo, o prêmio das duas pernas cai e o tempo esperado com as ações na carteira cresce — a volta demora mais a fechar e paga menos por fechar.
O que o laboratório calcula e o que ele não sabe
Os prêmios teóricos saem do mesmo cálculo do Simulador de Opções da casa, com a taxa livre de risco e a volatilidade que você informar. O resultado real depende dos preços executáveis no livro, dos custos de corretagem e emolumentos e das regras da série negociada. As frequências ao lado de cada desfecho são as medidas nos sete ciclos de 2026 e descrevem aquele período, não o próximo.
16.Checklist antes de iniciar uma Roda
- Comprar este ativo pelo strike da Put seria um resultado aceitável hoje, com o preço onde está?
- Se todas as Puts abertas forem atribuídas no mesmo mês — o que aconteceu em 7 de 10 num único ciclo —, a carteira resultante cabe nos meus limites?
- O caixa está efetivamente reservado, ou dependeria de vender outros ativos justamente num mês de queda?
- Conheço o strike, o vencimento, o estilo de exercício e a quantidade de ativos do contrato desta série específica?
- Há data-com de provento dentro do prazo? O strike será ajustado, e a série muda de identidade.
- Qual é a oferta de compra desta série, e não só o último preço? O spread mediano é de 33,3% do prêmio.
- Se as ações chegarem, existe um strike de Call em que eu realmente aceitaria vendê-las — sabendo que em 80,3% dos casos o strike que gira a Roda fica abaixo do custo de aquisição?
- O prêmio desta Put, no prazo dela, supera o que o caixa renderia no mesmo período à taxa de hoje?
- Tenho um critério escrito para interromper o ciclo, e ele não depende de recuperar o resultado de uma posição anterior?
A régua que atravessa o curso
Avalie sempre a posição completa em cada fase — caixa mais Put, ou ações mais Call —, e o percurso entre elas. O prêmio é a parcela menor e mais previsível de um resultado que o ativo decide, e a transição entre as fases não é uma engrenagem: é uma condição de mercado que às vezes se realiza.
17.Base de dados do estudo
Os exemplos e estudos deste curso utilizam séries negociadas na B3 e dados históricos de mercado. As amostras têm finalidade educacional e servem para analisar o comportamento observado das opções nas condições estudadas. Resultados históricos não representam probabilidade futura de lucro ou prejuízo.
Metodologia completa do estudoVerOcultar
As medições deste curso foram realizadas em 26 de agosto de 2026 sobre a cadeia de opções da B3 e o histórico de preços dos ativos-objeto, com os sete vencimentos de 2026 já encerrados (fevereiro a agosto) e dez ativos líquidos: PETR4, VALE3, ITUB4, BBAS3, BBDC4, B3SA3, BOVA11, MGLU3, PRIO3 e WEGE3.
- Cronologia. As decisões de cada ciclo são tomadas no primeiro pregão depois do vencimento anterior. A convenção de montar a posição 30 dias antes do vencimento, usada nos cursos 5 e 6, não serve para encadear ciclos: em cinco dos seis encadeamentos ela cai dois dias antes do vencimento anterior, e o simulador decidiria sem conhecer o desfecho do ciclo em curso.
- Base. 8.554 séries negociadas nesses sete dias, em 70 pares de ativo e ciclo, com o strike do dia, o strike vigente na liquidação, o prêmio de fechamento e as duas pontas do livro.
- Liquidação. O desfecho de cada série é apurado contra o strike VIGENTE no último dia de vida, que incorpora os ajustes por provento; a escolha da série no dia da decisão usa o strike daquele dia.
- Taxa livre de risco. É a que a própria fonte publica para precificar a cadeia em cada dia de decisão — 15,00% em janeiro e fevereiro, 14,75% em março e abril, 14,50% em maio e 14,25% em junho e julho. Ela não foi fixada num valor porque caiu ao longo do período.
- Rolagem. As duas pontas de cada rolagem foram cotadas no mesmo pregão, o do vencimento, em 1.007 Puts que terminaram dentro do dinheiro.
- Gregas. Delta, Theta e Vega saem do serviço de análise da cadeia nos mesmos dias de decisão, em 420 séries. Theta e Vega são publicados por ano; o Theta por dia usado aqui é o anual dividido por 365, a convenção que o próprio modelo aplica ao fim de semana.
- Comparação de prêmios. Feita sempre dentro de faixas estreitas de distância do strike, porque comparar prêmios entre distâncias diferentes mede proximidade do dinheiro, não risco percebido.
Limites desta medição
Sete ciclos e dez ativos são uma janela curta e um universo pequeno. As frequências de transição, medidas sobre 1.658 séries, são mais estáveis que os resultados agregados das 30 Rodas, que dependem do que os dez ativos fizeram em 2026. Onde um resultado depende da janela, isso está dito no texto; onde a conclusão vem da definição das transições — como a dependência de direções opostas do mercado —, ela não depende do período.
18.Teste seus conhecimentos
Quiz — A Estratégia The Wheel
InterativoDez perguntas sobre o percurso do ciclo, o que dispara cada transição e o que a medição mostrou sobre o ritmo, o tempo preso e o preço de cada saída.
1. Uma volta completa da Roda — sair do caixa, receber as ações e devolvê-las ao caixa — exige:
2. Nos sete ciclos de 2026, com strike-alvo de 7% do preço e dez ativos, o número de voltas completas foi:
3. As frequências das duas transições, medidas vencimento a vencimento, mostram que elas:
4. Escolher um strike mais distante do preço à vista, para reduzir a chance de atribuição:
5. Nas 210 atribuições medidas, no pregão seguinte à entrada das ações na carteira:
6. A chamada regra de nunca vender Call abaixo do preço médio, medida na cadeia real:
7. Rolar uma Put que terminou dentro do dinheiro, com as duas pontas cotadas no mesmo pregão:
8. Rodando dez Rodas em paralelo, com capital reservado para todas, o que a medição mostrou foi:
9. Comparando Puts na MESMA distância do strike, aquelas que pagam prêmio mais alto:
10. O tamanho de uma posição na fase 1 da Roda deve ser definido por:
19.Continue pelo site
Simulador de Opções
Monte cada fase da Roda separadamente — caixa mais Put, depois ações mais Call — e compare o payoff e as gregas das duas.
Ações
A cadeia de opções de cada papel, com strike, vencimento e liquidez das séries — e a ficha do ativo que a Roda pode entregar na carteira.
Radar de Dividendos
Datas-com dos proventos: é por elas que o preço de exercício é ajustado dentro do prazo de cada perna do ciclo.
Fontes de referência
- B3 — Opções sobre Ações: características dos contratos, estilo de exercício, vencimento e exercício automático.
- B3 — Administração de Riscos e Garantias: conceitos de garantia, margem e classificação de posições em aberto.
- Options Industry Council — The Wheel Strategy, Cash-Secured Put e Covered Call: mecânica das estruturas e da sequência entre elas.
- Cadeia de opções da B3 — 8.554 séries negociadas nos sete dias de decisão de 2026, 30 Rodas reconstituídas, 1.007 rolagens com as duas pontas no mesmo pregão e 210 atribuições com a cadeia seguinte ao lado, medidas em 26/08/2026.
- Case de Valor — Simulador de Opções: cálculo de prêmio, payoff e gregas.