1.Onde este curso entra na trilha
Os cursos anteriores construíram as duas metades desta estrutura em separado. O curso 5 tratou da compra de Puts, que cria um piso pagando prêmio. O curso 6 tratou da venda coberta, que recebe prêmio e cria uma obrigação de entrega. O collar é a soma exata das duas coisas sobre a mesma posição em ações.
A diferença de perspectiva é que aqui a posição no ativo já existe. Nas estruturas dos cursos 8, 9 e 10 a pergunta era qual aposta montar; aqui a pergunta é o que fazer com o que já está na carteira. Isso muda o critério: o objetivo declarado não é maximizar retorno, e sim trocar parte do potencial de alta por uma faixa de resultados mais estreita durante um período determinado.
| Componente | Posição | O que faz |
|---|---|---|
| Ativo | Comprado | Mantém a participação econômica na ação ou no ETF |
| Put | Comprada | Cria um piso abaixo do seu strike |
| Call | Vendida | Paga parte do piso e cria um teto acima do seu strike |
O que este curso mede
A análise foi realizada com base na cadeia de opções que a B3 negociou em 2026: 350 collars simétricos, 350 collars montados para custo líquido próximo de zero e 1.750 combinações de piso e teto, em dez ativos e sete vencimentos, montadas 30 dias antes do vencimento e carregadas até o fim. Cada montagem é comparada com a ação sozinha, com a Put protetora isolada e com a Call coberta isolada, nos mesmos strikes e no mesmo pregão. Os dados analisados mostram que, nas condições observadas no mercado brasileiro, a relação entre o piso de proteção e o teto de valorização pode diferir dos exemplos apresentados em materiais produzidos para outros mercados. O nível local das taxas de juros é uma das variáveis relevantes para compreender essa diferença.
2.O payoff, e por que o strike não é o piso
No vencimento, o resultado do collar por unidade do ativo é a soma de três parcelas: a variação da ação, o que a Put pagou e o que a Call custou. Escrito de uma vez, com S₀ o preço na montagem, S_T o preço no vencimento, Kp o strike da Put e Kc o da Call:
P&L = (S_T − S₀) + máx(Kp − S_T, 0) − máx(S_T − Kc, 0) − (prêmio da Put − prêmio da Call)
Essa expressão se reduz a algo mais simples de ler: o resultado é mín(máx(S_T, Kp), Kc) − S₀ − custo líquido. O preço final entra “grampeado” entre os dois strikes, e o custo líquido desloca a coisa toda para cima ou para baixo. É por isso que o strike da Put não é o piso: o piso é Kp − S₀ menos o que as opções custaram líquido, e o teto é Kc − S₀ menos a mesma quantia.
| Grandeza | Fórmula | O que ela responde |
|---|---|---|
| Custo líquido | prêmio da Put − prêmio da Call | Débito se positivo, crédito se negativo |
| Perda máxima | S₀ − Kp + custo líquido | O pior caso no vencimento |
| Ganho máximo | Kc − S₀ − custo líquido | O melhor caso no vencimento |
| Ponto de equilíbrio | S₀ + custo líquido | Onde o resultado passa por zero |
O custo líquido entra nos dois extremos
Um erro comum é ler o strike da Put como o piso da posição. Se o collar foi montado com débito, o piso está abaixo do strike; se nasceu com crédito, está acima dele. Os dois extremos se movem juntos e na mesma direção — o custo das opções não é uma taxa cobrada à parte, é um deslocamento de toda a faixa.
3.A faixa num caso medido
Em 20 de maio de 2026, a MGLU3 fechou a R$ 6,73. Um collar montado ali para o vencimento de 19 de junho, com a Put no strike de R$ 6,44 e a Call no de R$ 7,04, custava R$ 0,28 na Put e pagava R$ 0,31 na Call — um crédito líquido de R$ 0,03 por unidade. A ação terminou o período em R$ 4,62.
| Estrutura | Resultado | O que aconteceu |
|---|---|---|
| Ação sozinha | −31,35% | Absorveu a queda inteira |
| Collar ±5% | −3,86% | A Put pagou a diferença abaixo do strike |
| Put protetora sozinha | −8,47% | Mesmo piso, mas sem o prêmio da Call |
| Call coberta sozinha | −26,75% | O prêmio amorteceu R$ 0,31 de uma queda de R$ 2,11 |
As duas linhas do meio são o ponto do curso. A Put protetora entregou o mesmo piso e ficou 4,61 pontos percentuais atrás do collar, porque pagou o prêmio inteiro. A Call coberta, que muita gente descreve como “estrutura defensiva”, devolveu quase toda a queda — o prêmio recebido cobre um pedaço pequeno de um movimento grande.
Um caso não é uma medição
Este exemplo foi escolhido porque a queda foi grande o bastante para separar visualmente as quatro linhas. Ele ilustra a mecânica; ele não mede nada. As seções seguintes repetem a montagem em 70 pares de ativo e vencimento, e é lá que os números do curso aparecem.
4.“Sem custo” é um preço, não uma escolha
O material chama de zero-cost collar a montagem em que o prêmio recebido na Call se aproxima do pago na Put, e apresenta isso como uma decisão de strikes — como se coubesse ao investidor escolher a faixa e depois verificar o custo. A ordem é a inversa. Escolhido o piso, o mercado informa onde o teto pode ficar; não há liberdade nessa segunda decisão.
A pergunta foi feita nessa ordem de propósito, seguindo a régua do próprio material — decidir primeiro o risco que se quer limitar. Fixado o piso, o teto medido é o strike mais distante cuja Call ainda paga a Put inteira.
| Piso pedido | Piso efetivo | Teto que o prêmio paga | Razão | Teto mais longe em |
|---|---|---|---|---|
| −2,5% | −2,48% | +3,96% | 1,60× | 95,7% dos 70 pares |
| −5,0% | −5,00% | +6,56% | 1,31× | 94,3% |
| −7,5% | −7,50% | +9,22% | 1,23× | 95,7% |
| −10,0% | −10,07% | +12,11% | 1,20× | 92,9% |
| −15,0% | −14,95% | +18,08% | 1,21× | 82,9% |
A faixa que sobra é assimétrica, e sobra para o lado da alta. Nenhuma das cinco linhas é simétrica, e a assimetria é maior justamente onde o hedge é mais apertado: com o piso a −2,5%, o teto cabe a quase o dobro da distância.
Isso contraria o que o material implica
A página do material sobre volatilidade diz que Puts fora do dinheiro costumam negociar com implícita diferente das Calls fora do dinheiro, e que isso afeta quanto custa o piso e quanto se obtém pelo teto. A afirmação está correta e a direção também: o lado das Puts é mais caro. O que ela não diz é que existe uma segunda força, maior, empurrando no sentido oposto. A próxima seção separa as duas.
5.Separando o juro do skew
Comparar “a Put a −5% do preço à vista” com “a Call a +5% do preço à vista” parece uma comparação justa e não é. O que torna duas opções comparáveis não é a distância até o preço à vista, e sim a distância até o preço a termo — o preço à vista corrigido pelo juro até o vencimento. Com a taxa livre de risco em torno de 14,75% ao ano e 30 dias corridos até o vencimento, esse deslocamento é de mais de 1% do preço.
Ou seja: a Call a +5% do preço à vista está mais perto do dinheiro a termo do que a Put a −5%. Ela vale mais por esse motivo, antes de qualquer consideração sobre volatilidade. Para saber quanto de cada coisa há no prêmio líquido, cada perna foi reprecificada trocando um input por vez.
| Cenário | Prêmio líquido | Leitura |
|---|---|---|
| Preço de mercado | −0,565% | Crédito. Débito em apenas 2 de 70 pares |
| Sem skew (mesma implícita nas duas pernas) | −0,761% | O skew encarece o collar em 0,196 p.p., em 58 de 70 |
| Sem juro (taxa zerada) | +0,132% | O juro barateia o collar em 0,697 p.p., em 70 de 70 |
| Sem os dois | −0,081% | O que sobra é a geometria da grade de strikes |
O juro vale 3,55× o skew, e é ele que troca o sinal da estrutura. Sem o juro, o collar simétrico de ±5% seria um débito em 50 dos 70 pares — que é exatamente o mercado descrito nos manuais escritos para juros próximos de zero. Com o juro brasileiro, ele é um débito em 2.
Por que esta tabela usa média e a do continuum usa mediana
Uma decomposição convida o leitor a subtrair uma linha da outra, e a mediana não permite isso: a mediana das diferenças não é a diferença das medianas. Os quatro cenários acima são médias, que somam por construção — subtraia “sem skew” de “preço de mercado” e o resultado é exatamente o efeito do skew. A tabela do continuum, na seção 8, descreve uma distribuição em vez de decompor um valor, e por isso usa a mediana: é por essa razão que o prêmio líquido do collar ±5% aparece como −0,565% aqui e como −0,534% lá. São duas réguas sobre o mesmo número, e cada uma responde à pergunta da sua tabela.
Por que a reprecificação é confiável
Trocar um input e reprecificar só vale se a fórmula reproduzir os preços reais. A fonte declara o modelo que usa e publica, no mesmo registro, a implícita, a taxa livre de risco do dia, o tempo até o vencimento e o preço do ativo. Reprecificando as 7.626 séries com esses inputs, o erro mediano contra o preço publicado é de 0,04 ponto-base e fica abaixo de 1% em 95,15% delas — o resíduo se concentra em séries muito dentro ou muito fora do dinheiro, onde o prêmio de duas casas decimais já é a maior parte do erro. Só depois disso a fórmula foi usada para afirmar alguma coisa.
6.O sorriso é torto, e o lado torto é o do seguro
O skew existe e é grande — a medição confirma o material. O que ele não é, no Brasil, é a força decisiva. Medindo a volatilidade implícita mediana em cada distância do preço à vista, contra a implícita do dinheiro (30,31%):
| Distância | −15% | −10% | −5% | à vista | +5% | +15% |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Implícita sobre a do dinheiro | +7,82 p.p. | +4,76 | +2,55 | 0 | −0,20 | +2,05 |
A curva não é um sorriso simétrico: ela é uma rampa do lado das Puts e quase plana do lado das Calls. Comparando pares equidistantes, a Put está mais cara que a Call em 74,3% dos casos a ±2,5%, em 81,4% a ±5% e em 87,1% a ±10%, com diferenças de 1,78, 2,52 e 3,87 pontos de volatilidade.
A leitura econômica é direta: quem compra proteção paga um adicional por ela, e o adicional cresce quanto mais longe está o piso. Isso é consistente com a ideia de que o mercado precifica quedas rápidas como mais prováveis do que altas rápidas do mesmo tamanho. O que o material deixa de fora é que, no prazo de um mês e com o juro brasileiro, esse adicional é menor do que o desconto embutido no preço a termo.
Duas forças, uma conta só
Se você guardar uma frase deste curso, que seja esta: o crédito que aparece na tela ao montar um collar simétrico no mercado brasileiro é, em sua maior parte, o juro do período — e não uma vantagem de leitura. Ele desaparece se a taxa cair, e desapareceria por completo num mercado de juro próximo de zero.
7.O collar é uma trava de alta com o dinheiro no bolso
Há uma segunda leitura da estrutura que não aparece no material e que muda o modo de pensar nela. A paridade entre Puts e Calls diz que ação comprada mais Put comprada de strike Kp equivale a uma Call comprada de strike Kp. Somando a Call vendida de strike Kc, o collar inteiro vira:
ação + Put(Kp) − Call(Kc) ≡ trava de alta Kp/Kc + Kp·e^(−rT) em caixa
Ou seja: exatamente a trava de alta do curso 8, montada entre os mesmos dois strikes, mais um título de renda fixa que vence valendo Kp. Não é analogia — é identidade, e os dois lados têm o mesmo payoff por construção. O que se pode medir é se os preços reais respeitam a igualdade.
| Faixa | Capital do collar | Capital da trava + caixa | Diferença mediana | O caixa é |
|---|---|---|---|---|
| ±2,5% | 99,18% do preço à vista | 99,03% | 0,178 p.p. | 97,29% da montagem |
| ±5,0% | 99,47% | 99,24% | 0,208 p.p. | 94,69% |
| ±10,0% | 99,72% | 99,62% | 0,175 p.p. | 89,24% |
As duas montagens custam praticamente o mesmo — a diferença fica abaixo de 0,5 ponto percentual em 77,6% dos pares na faixa de ±5%. E a última coluna diz o que a estrutura é economicamente: num collar de ±5%, 94,69% do capital corresponde a uma posição de renda fixa e 5,29% a uma trava direcional entre dois strikes. Num collar de ±2,5%, a parcela em caixa passa de 97%.
Isso não contradiz a ressalva do material — responde outra pergunta
O material avisa que o collar não transforma renda variável em renda fixa, e está certo sobre o que ele afirma: a posição continua oscilando todo dia dentro da faixa, e o resultado depende de preço, volatilidade e tempo. A decomposição acima é sobre o CAPITAL, não sobre a oscilação — são réguas diferentes sobre coisas diferentes, e as duas valem ao mesmo tempo. O que a identidade acrescenta é uma pergunta útil de alocação: se 94,69% do dinheiro está economicamente em renda fixa, faz sentido chamar a posição de exposição em ações no relatório da carteira?
8.O continuum: da faixa apertada à faixa larga
Fixando a simetria em torno do preço à vista e variando a largura, aparece a curva que o material descreve em prosa na página sobre escolha de strikes. Cada linha abaixo é a mesma montagem repetida nos 70 pares:
| Faixa | Largura | Líquido | Crédito em | Piso | Teto | Abaixo do piso | Dentro | Acima do teto |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| ±2,5% | 4,85% | −0,815% | 95,7% | −1,75% | +3,10% | 44,3% | 10,0% | 45,7% |
| ±5,0% | 10,02% | −0,534% | 97,1% | −4,53% | +5,47% | 38,6% | 25,7% | 35,7% |
| ±7,5% | 15,12% | −0,377% | 95,7% | −7,22% | +7,83% | 32,9% | 42,9% | 24,3% |
| ±10,0% | 20,03% | −0,271% | 95,7% | −9,79% | +10,24% | 27,1% | 51,4% | 21,4% |
| ±15,0% | 29,89% | −0,151% | 84,3% | −14,76% | +15,00% | 11,4% | 75,7% | 12,9% |
Duas coisas saltam da tabela. A primeira é que o crédito encolhe conforme a faixa se abre: alargar a faixa significa vender uma Call mais distante, que paga menos. A segunda é o número da coluna “dentro”: numa faixa de ±5%, o preço terminou entre os dois strikes em apenas 25,7% dos casos. Só a faixa de ±15% deixou a maioria dentro.
As colunas não têm todas a mesma natureza
As colunas de crédito, piso e teto são preço, e valem em qualquer período. As três últimas descrevem sete vencimentos de 2026, em que o ativo mediano se deslocou 9,26% no prazo de 30 dias — número medido no curso 9. Num período mais parado, a coluna “dentro” subiria e nenhuma das colunas de preço se moveria.
9.Como pensar no strike da Put
A régua do material é boa e vale repetir: comece pela perda que você aceita, não pelo prêmio que gostaria de pagar. A pergunta operacional é “se o ativo cair rápido, a partir de que preço eu quero parar de perder?”. A resposta define o strike; o custo é consequência.
- A perda tolerável é sobre a posição, não sobre o papel. Um piso a −10% numa posição que é 4% da carteira limita o estrago em 0,4% do total.
- O piso efetivo não é o strike. Some ou subtraia o custo líquido antes de comparar com o limite que você definiu.
- A grade decide junto com você. O passo mediano entre strikes é de 0,729% do preço à vista, e apenas 66,67% dos strikes existem nos dois lados — o piso “exato” quase nunca existe.
- Put muito distante começa a proteger tarde. Barata e longe é uma combinação que costuma significar que a proteção só entra depois do estrago que preocupava.
- Liquidez antes de precisão. Um strike perfeito no papel e sem oferta no livro não é uma opção disponível.
Vale registrar quanto o seguro custou e quanto pagou de volta no período medido. Somando as 70 montagens de ±5%, os prêmios pagos nas Puts somaram 117,34 pontos percentuais do preço à vista e as Puts devolveram 221,01 — 188,4% do que custaram. Elas valeram alguma coisa em 27 dos 70 vencimentos.
Esse número é do período, e não de uma regra
Um seguro que devolve 188% do prêmio em sete vencimentos não é um seguro barato por natureza: é um período em que houve quedas grandes o bastante para isso acontecer. Do outro lado, as Calls vendidas devolveram 118,2% do prêmio recebido. Em períodos diferentes as duas colunas mudam, e nada garante o sinal. O que não muda de período para período é o preço relativo entre as duas pernas — que é o assunto das seções 4 a 6.
10.Como pensar no strike da Call
O teto é a metade da decisão em que se paga com algo que não aparece no extrato: o ganho que não veio. A pergunta correta é “até que preço eu aceito vender esta posição neste prazo?”, e ela é uma pergunta sobre a sua tese, não sobre o prêmio.
Nas 70 montagens de ±5%, a Call terminou dentro do dinheiro em 25 vencimentos e devolveu 185,55 pontos percentuais contra 156,96 recebidos. O caso extremo foi a PRIO3 no vencimento de março: o teto custou 22,11 pontos percentuais do preço à vista numa única montagem.
| Decisão | O que ela compra | O que ela custa |
|---|---|---|
| Teto mais perto do preço | Mais prêmio, piso mais barato ou até crédito | A alta é interrompida cedo, e com frequência |
| Teto mais longe | Espaço para a valorização | Menos prêmio; o piso passa a custar dinheiro |
| Teto escolhido para zerar o custo | Um número redondo na tela | Um teto definido pelo mercado, e não pela sua tese |
O erro que o material nomeia bem
Montar “sem custo” a qualquer preço produz uma estrutura tecnicamente barata e economicamente ruim quando o teto fica perto demais. A boa notícia da medição é que, no mercado brasileiro, esse aperto é menor do que se supõe: para um piso a −5%, o teto que o prêmio paga fica a +6,56%. A má notícia é que essa folga é o juro, e ela encolhe se a taxa cair.
11.O que o collar faz com o resultado
Comparar estruturas por atributo — “mantém o potencial de alta”, “o prêmio é pago integralmente” — é útil para entender a mecânica e insuficiente para decidir. As quatro posições foram montadas sobre os mesmos 70 pares, nos mesmos strikes e no mesmo pregão, e carregadas até o vencimento.
| Posição | Agregado | Mediana | Desvio-padrão | Pior caso | Melhor caso | Perdas acima de 10% |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Ação sozinha | −0,70% | −0,24% | 12,28 | −31,35% | +26,24% | 19 de 70 |
| Collar ±5% | +0,38% | +0,28% | 4,67 | −6,60% | +6,02% | 0 |
| Put protetora | +0,79% | −1,31% | 8,78 | −10,86% | +24,40% | 1 |
| Call coberta | −1,10% | +1,46% | 8,79 | −26,75% | +11,75% | 16 |
A leitura correta está na coluna do desvio-padrão e na última. O collar cortou a dispersão em 61,93% e eliminou por completo as perdas acima de 10% — e a mediana ficou praticamente onde estava. O produto do collar não é retorno: é o formato da distribuição. Com a faixa de ±2,5%, o corte de dispersão chega a 79,33%, e ali não houve nem uma perda acima de 5%.
A linha da Call coberta merece atenção separada. Ela tem a maior mediana da tabela — o prêmio entra em todo vencimento em que o teto não é atingido — e o segundo pior caso, com 16 perdas acima de 10%. É a assinatura de uma estrutura que troca a ponta boa por prêmio sem construir piso nenhum.
“Coberta” descreve a obrigação, não a proteção
A palavra “coberta” na Call coberta se refere ao fato de o vendedor ter as ações para entregar, e não a qualquer proteção contra queda. A diferença entre as duas linhas de baixo da tabela é exatamente a Put comprada: mesmo pior caso, R$ 26,75 contra R$ 6,60 por cada R$ 100 de posição.
12.Collar contra Put protetora: a conta do financiamento
As duas estruturas têm o mesmo piso e diferem no que fazem com a alta. A Put protetora paga o prêmio inteiro e mantém a valorização aberta; o collar vende o teto para reduzir — ou eliminar — esse custo. No período medido, com faixa de ±5%:
| Aspecto | Put protetora | Collar |
|---|---|---|
| Pior caso | −10,86% | −6,60% |
| Melhor caso | +24,40% | +6,02% |
| Desvio-padrão | 8,78 | 4,67 |
| Mediana | −1,31% | +0,28% |
| Vencimentos no lucro | 44,3% | 51,4% |
A Put protetora tem mediana negativa porque o prêmio sai de todo vencimento e o piso só devolve em alguns. O collar corrige isso vendendo o teto — e paga por essa correção com a coluna do melhor caso, que caiu de +24,40% para +6,02%. A escolha entre as duas é uma escolha sobre qual ponta da distribuição importa mais.
A regra prática que sai daí
Se preservar a alta é a prioridade — porque a tese do ativo é de valorização e o hedge é só para atravessar um período —, a Put protetora é a estrutura coerente, e o prêmio é o preço de manter a ponta aberta. Se o objetivo é passar um período com o resultado dentro de uma faixa conhecida, o collar faz isso e a alta abandonada é o pagamento.
13.Collar contra stop loss: o que o gap faz com cada um
O material compara as duas ferramentas e acerta a distinção: o collar é uma estrutura de derivativos com payoff definido, o stop é uma instrução de execução. A diferença prática aparece quando o preço abre longe do fechamento anterior — o stop executa onde houver contraparte, a Put vale pelo strike de qualquer jeito.
Essa diferença só se mede com o preço de abertura, e não com o de fechamento. Nas 4.896 aberturas dos dez ativos em dois anos:
| Stop disparado em | Aberturas já abaixo do gatilho | Frequência | Execução abaixo do gatilho |
|---|---|---|---|
| −3% | 50 | 1 a cada 98 pregões | 0,83 p.p. (mediana), até 10,10 |
| −5% | 11 | 1 a cada 445 | 1,58 p.p., até 8,10 |
| −7% | 4 | 1 a cada 1.224 | 2,31 p.p., até 6,10 |
O resultado é honesto nos dois sentidos. O gap que atravessa um stop de −5% é raro — 0,22% dos pregões — e, quando acontece, custa 1,58 ponto percentual a mais do que o gatilho prometia, com um caso de 8,10. A vantagem do collar nesse quesito específico é real e pequena; ela não sustenta sozinha a escolha da estrutura.
Um detalhe que muda a conta: o dia ex-provento não é gap
A ação abre abaixo do fechamento anterior pelo valor do provento no dia em que ele passa a não ser mais devido, e quem tinha a ação recebeu o dinheiro — não houve perda. Um stop disparado ali executa do mesmo jeito, mas contar esse dia como “gap de mercado” infla o número. Foram 84 dias em dois anos e dez ativos, identificados comparando o retorno pelo preço de fechamento com o retorno pela série ajustada. Sem esse filtro, o pior gap da VALE3 apareceria como −5,90% em vez dos −3,84% reais.
14.Delta: a exposição muda dentro da faixa
A ação contribui com Delta de 1 por unidade. A Put comprada acrescenta Delta negativo, e a Call vendida também — porque uma Call comprada tem Delta positivo e a posição está do outro lado. O Delta líquido do collar é, portanto, sempre menor que 1, e ele diz quanto da variação do ativo ainda chega até você.
| Faixa | Delta líquido (mediana) | Leitura |
|---|---|---|
| ±2,5% | 0,220 | Cerca de um quinto da variação do ativo chega à posição |
| ±5,0% | 0,423 | Menos da metade |
| ±10,0% | 0,715 | Perto de três quartos |
| ±15,0% | 0,861 | Quase a ação inteira |
Esse número resolve uma confusão comum de dimensionamento. Uma posição de R$ 100 mil com collar de ±2,5% não é uma posição de R$ 100 mil em ações: em termos de sensibilidade a preço, ela se comporta como R$ 22 mil. Quem soma o valor de mercado da posição colarizada ao total de renda variável da carteira está contando quatro vezes mais exposição do que tem — e é a mesma conclusão a que a identidade com a trava chegou por outro caminho.
15.Theta e Vega: quem decide o sinal é o teto
O material pede, com razão, que não se trate o collar como “Theta positivo” ou “Theta neutro” por definição: uma perna paga a passagem do tempo e a outra a recebe, e o sinal líquido depende da estrutura. A ressalva é testável, e testá-la exige uma amostra que contenha os casos em que ela prevê falhar.
Nos collars simétricos, o Theta líquido é positivo em 95,7% a 100% dos pares, dependendo da faixa. Esse número está correto e não testa nada: a simetria fixa a condição. Variando piso e teto de forma independente — cinco pisos por cinco tetos, 25 combinações em cada um dos 70 pares — a fronteira aparece.
| Montagem | Theta positivo em | Vega positivo em |
|---|---|---|
| Piso −2,5%, teto +2,5% | 100% | 0% |
| Piso −2,5%, teto +10% | 62,9% | 98,6% |
| Piso −2,5%, teto +15% | 10,0% | 100% |
| Piso −15%, teto +2,5% | 100% | 0% |
| Piso −15%, teto +15% | 95,7% | 2,9% |
As duas gregas viram na mesma direção e pelo mesmo motivo: quem manda é a distância do teto. Com a Call vendida perto do preço, ela concentra valor extrínseco e a estrutura fica vendida em tempo e em volatilidade. Com a Call longe, a Put comprada domina e o sinal inverte nas duas. Mover o piso quase não altera nada — comparando as duas últimas linhas da tabela, deslocar o piso de −2,5% para −15% muda o Theta positivo de 10,0% para 95,7% apenas porque o teto ficou relativamente mais perto do piso.
A ressalva do material tem nome agora
“O sinal do Theta depende da estrutura” é verdade, e o que depende dela é uma variável só: onde está o teto em relação ao piso. Um collar de faixa apertada é uma posição vendida em tempo e em volatilidade; um collar com piso próximo e teto distante é uma posição comprada nas duas. Os dois se chamam collar e se comportam de forma oposta em tudo, menos no payoff de vencimento.
16.Rho: o crédito é o juro, e o juro se mexe
Se o crédito do collar vem do preço a termo, uma queda na taxa de juro tem de encolhê-lo. É exatamente isso que a grega correspondente mostra: o Rho líquido da estrutura é negativo em 100% dos 70 pares, em todas as faixas medidas.
A consequência é prática. Quem monta collars regularmente e vê o crédito diminuindo ao longo dos meses não está necessariamente diante de uma mudança na percepção de risco do mercado; pode estar apenas diante de um ciclo de corte de juro. A taxa livre de risco publicada pela fonte caiu de 15,00% em janeiro para 14,25% em julho de 2026 — cada montagem deste curso usa a taxa do próprio dia, e não uma constante lida uma vez.
O Gamma não tem sinal fixo, e isso é esperado
A Put comprada tem Gamma positivo e a Call vendida, negativo. Nos collars simétricos medidos, o Gamma líquido foi positivo em 11,4% a 24,3% dos pares, conforme a faixa — ou seja, negativo na maioria, sem ser uma regra. É a única das quatro gregas que se comporta como o material descreve, sem um lado dominante.
17.Antes do vencimento: o piso já está lá
A frase de advertência mais repetida sobre o collar é que a estrutura “é simples no vencimento e dinâmica antes dele”. Sete montagens foram acompanhadas pregão a pregão, do dia da montagem até o vencimento, remarcando as duas pernas a mercado todo dia.
O resultado nuança a advertência. A marcação do collar ficou abaixo do piso do payoff em 1 das 7 séries, e por 0,01 ponto percentual. Comparada com o payoff que a estrutura teria se vencesse naquele dia naquele preço, ela fica 0,23 ponto percentual abaixo na mediana e converge para 0,02 no último dia. O motivo é aritmético: as duas pernas têm valor extrínseco e ele entra com sinais opostos, então boa parte se cancela.
O que de fato oscila é a posição dentro da faixa. A amplitude do caminho do collar foi de 4,89 pontos percentuais contra 6,57 da ação nas mesmas séries — um corte de 25,5%. As sete estiveram em lucro em algum momento e quatro terminaram assim.
Este 25,5% e o 61,93% da seção 11 não se comparam
São réguas diferentes sobre coisas diferentes. O corte de 61,93% é transversal: mede a dispersão entre os 70 resultados finais. O de 25,5% é a amplitude dentro de cada caminho, em sete séries diárias. Um mede a variedade de desfechos; o outro, o balanço da posição ao longo da vida. Dividir um pelo outro não significa nada.
18.Execução: o “zero” é menor que o spread
O material avisa duas vezes que o preço da tela não é o preço da execução: uma vez na página sobre custo, outra na de liquidez. Nas estruturas dos cursos 8, 9 e 10 esse aviso ganhou uma régua — o spread das pernas dividido pelo prêmio líquido — e ela se aplica aqui com um agravante que é o próprio nome da estrutura.
| Estrutura | Pernas | Prêmio líquido | Spread ÷ prêmio |
|---|---|---|---|
| Straddle (curso 9) | 2 | pc + pp | 0,59× |
| Trava vertical (curso 8) | 2 | pc1 − pc2 | 1,80× |
| Iron Condor ±5% (curso 10) | 4 | (pp2−pp1) + (pc3−pc4) | 2,77× |
| Collar “sem custo” | 2 | pp − pc ≈ 0 | 9,00× |
| Butterfly asa 5% (curso 10) | 4 | pc1 − 2pc2 + pc3 | 12,94× |
O collar sem custo tem duas pernas e ainda assim aparece acima do condor de quatro. A causa é a mesma que os cursos 8 e 10 já tinham isolado: o que decide não é o número de pernas, é o denominador. Uma estrutura montada para que o prêmio líquido seja perto de zero produz, por construção, o denominador mais frágil possível.
| Collar “sem custo”, piso −5% | Valor |
|---|---|
| Prêmio líquido pelo fechamento | −0,074% do preço à vista |
| Prêmio líquido comprando a Put no ask e vendendo a Call no bid | +0,484% — débito |
| Custo da travessia do livro | 0,655 p.p., ou 8,9× o “zero” |
| Spread das duas pernas somado | 1,311% do preço à vista |
| Montagens em que o spread supera o prêmio líquido | 100% das 57 |
O nome descreve um número que a execução apaga
“Zero cost” é uma descrição do prêmio líquido teórico no momento da montagem — e ele é, em módulo, menor que o spread do livro em todas as montagens medidas. Isso não invalida a estrutura: invalida a ideia de que o custo dela é zero. Nos collars simétricos, que têm prêmio líquido maior em módulo, a razão cai para 2,40× a 3,17×, e mesmo ali a estrutura vira débito na execução realista em 35,2% a 46,2% dos casos.
19.Provento: a faixa desce junto com a ação
O material trata dividendo como um risco da Call vendida, e para o mercado americano isso está certo: perto da data em que o provento deixa de ser devido, uma Call dentro do dinheiro e com pouco valor extrínseco pode ser exercida antes do prazo, e o lançador entrega as ações sem receber o dividendo. No Brasil existe um mecanismo a mais que o material não menciona.
A B3 ajusta o preço de exercício das séries em aberto quando o ativo distribui provento. Dos 70 pares medidos, 23 (32,86%) tiveram ajuste no período da estrutura — e em 23 de 23 as duas pernas foram ajustadas juntas. A faixa inteira desce com a ação, e quem tem as ações recebe o provento.
| Medida | Valor |
|---|---|
| Pares com ajuste de strike no período | 23 de 70 (32,86%) |
| Pares em que as DUAS pernas foram ajustadas | 23 de 23 |
| Degrau mediano do ajuste | 0,264% do preço à vista (máximo 1,766%) |
| Erro de apurar contra o strike de montagem | até 1,449 p.p., mudando o número em 17 de 70 |
Por que essa linha existe na metodologia de todos os cursos da trilha
Apurar o desfecho contra o strike da montagem, e não contra o vigente no vencimento, é um erro silencioso: os dois números são plausíveis e a diferença aparece em um terço dos casos. Esta é a mesma régua usada nos cursos 5, 6, 8, 9 e 10, e aqui ela pesa mais do que nos outros, porque a estrutura tem duas pernas em lados opostos e o ajuste move as duas.
20.Exercício antecipado: a perna vendida é a exposta
O material pede que se confirme o estilo de exercício da série antes de montar, e o pedido é bem colocado: na B3, opções sobre ações podem ser europeias ou americanas conforme o contrato. A medição mostra que essa verificação não é uma formalidade, e que a assimetria é sistemática.
| Perna | Estilo | Ocorrências |
|---|---|---|
| Put comprada a −5% | Europeia | 70 de 70 |
| Call vendida a +5% | Americana | 34 de 70 (48,57%) |
A perna que você vende é a que pode ser exercida contra você antes do prazo; a que você compra só pode ser exercida no vencimento. Das 34 Calls americanas, 14 terminaram dentro do dinheiro, e 4 juntaram os três ingredientes do cenário que o material descreve: estilo americano, dentro do dinheiro e provento distribuído no período da estrutura.
O que muda se a Call for exercida antes
Você entrega as ações e fica com a Put comprada isolada — uma posição vendida em delta contra um piso que já não protege nada, porque não há mais ação para proteger. Não é uma perda automática, mas é uma posição diferente da que você montou, e ela aparece sem aviso. É por isso que a verificação do estilo entra no checklist antes da ordem, e não depois.
21.Monte e teste no simulador
A calculadora abaixo precifica as duas pernas pelo mesmo modelo que o Simulador de Opções usa, com a taxa livre de risco e a volatilidade que você informar. Ela mostra o custo líquido, o piso, o teto e o ponto de equilíbrio — e, para o piso escolhido, o teto que zeraria o custo, que é a medição central deste curso reproduzida no seu próprio cenário.
Calculadora: o collar e o teto que o prêmio paga
InterativoAção em carteira + Put comprada + Call vendida — veja o piso, o teto, o Delta líquido e onde o mercado põe o teto de custo zero.
| Perna | Strike | Volatilidade | Prêmio |
|---|---|---|---|
| Put comprada | R$ 47,50 | 32,52% | − R$ 0,67 |
| Call vendida | R$ 52,50 | 30,00% | + R$ 0,97 |
| Custo líquido (crédito recebido) | R$ 0,30 |
| Piso do resultado (preço ≤ strike da Put) | -R$ 2,20 |
| Teto do resultado (preço ≥ strike da Call) | R$ 2,80 |
| Ponto de equilíbrio no vencimento | R$ 49,70 |
| Delta líquido da posição | 0,4156 |
O piso não é o strike da put: o custo líquido entra nos dois extremos e move a faixa inteira. Um Delta de 0,4156 significa que a posição responde a cerca de 41,6% da variação do ativo.
Onde o teto teria de ficar para o custo ser zero
Piso a −5,00% · put a R$ 0,67
teto a +7,21%
strike de R$ 53,60 · 1,44× a distância do piso
Medido no piso de −5,0%, nos 70 pares de 2026
teto a +6,56%
1,31× o piso · mais longe em 94,3% dos pares
Zere a taxa e veja o teto se aproximar do piso: na medição, o juro barateia o collar em 0,697 ponto percentual do preço à vista e o skew o encarece em 0,196 — o juro vale 3,55× o skew, e é ele que troca o sinal da estrutura.
As gregas da montagem
| Delta | Gamma | Theta por dia | Vega (+1% de IV) | Rho (+1 p.p.) |
|---|---|---|---|---|
| 0,4156 | −0,0205 | R$ 0,01 | -R$ 0,01 | -R$ 0,02 |
Aproxime o teto do preço e o Theta fica positivo; afaste-o e ele vira. Na grade medida de cinco pisos por cinco tetos, o Theta é positivo em 100% dos pares com o teto a +2,5% e em apenas 10,0% com o piso a −2,5% e o teto a +15%. O Rho foi negativo em 100% dos 70 pares: o crédito da estrutura é o juro, e ele encolhe quando a taxa cai.
Prêmios teóricos por Black-Scholes europeu, sem tributação, corretagem, emolumentos nem spread do livro. No collar montado para custo próximo de zero, o spread das duas pernas superou o prêmio líquido em 100,0% das 57 montagens medidas — 9,00× na mediana —, e atravessar o livro custou 0,66 ponto percentual do preço à vista. Para explorar a estrutura, ajustar strikes e visualizar payoff, gregas e sensibilidades, abra o Simulador de Opções da Case de Valor. Para análise de execução, utilize as cotações e o livro de ofertas das séries negociadas na B3.
- Comece com a taxa em 14,75% e veja o teto de custo zero. Depois zere a taxa e observe o teto se aproximar do piso — é a decomposição da seção 5 acontecendo na sua frente.
- Suba a volatilidade da Put acima da da Call, na diferença medida de 2,52 pontos, e veja o efeito do skew isolado.
- Aperte a faixa e acompanhe o Delta líquido cair: a posição vai deixando de se comportar como a ação.
- Compare o piso com o strike da Put. Eles só coincidem quando o custo líquido é exatamente zero.
22.O que a medição desmente e o que ela confirma
| Ideia corrente | O que os dados de 2026 mostram |
|---|---|
| “O zero-cost collar aperta o teto por causa do skew” | O teto fica a +6,56% para um piso de −5% — mais longe, em 94,3% dos 70 pares |
| “O crédito indica que o mercado está pagando bem pela Call” | O juro responde por 0,697 p.p. e o skew por 0,196 — o crédito é o carrego |
| “Zero cost quer dizer sem custo” | O spread supera o prêmio líquido em 100% das 57 montagens; a travessia custa 8,9× o “zero” |
| “O collar melhora o retorno da posição” | Mediana +0,28% contra −0,24% da ação, com dispersão 61,93% menor — o produto é o formato |
| “O collar é Theta positivo” | De 100% a 10,0% dos pares, conforme a distância do teto |
| “O strike da Put é o piso” | O piso é o strike menos o custo líquido, que entra nos dois extremos |
| “Comprei proteção, então mantenho a exposição em ações” | Delta líquido de 0,220 na faixa de ±2,5%; 94,69% do capital é caixa na de ±5% |
| “O dividendo prejudica quem vendeu a Call” | A B3 ajustou as duas pernas em 23 de 23 pares com provento |
| “Se a Call é vendida, o risco de exercício antecipado é meu” | Correto — e ele existe em 48,57% das Calls; a Put comprada é europeia em 70 de 70 |
| “O stop resolve o mesmo problema mais barato” | Um stop em −5% executou abaixo do gatilho em 11 de 4.896 aberturas, 1,58 p.p. abaixo |
Checklist antes de montar
- Qual posição exatamente será protegida, e por quanto tempo?
- Qual queda você aceita até o vencimento — e o piso efetivo, já com o custo líquido, respeita esse limite?
- Até que preço você aceita vender a posição neste prazo? Esse é o teto, e ele vem da sua tese.
- Se o objetivo é custo próximo de zero, onde o mercado põe o teto para o piso que você escolheu?
- Qual o Delta líquido da montagem, e como a posição deve entrar no cálculo de exposição da carteira?
- Onde está o teto em relação ao piso — e, portanto, de que lado ficam o Theta e o Vega?
- As duas pernas têm oferta de compra e de venda, ou só preço teórico?
- Qual o spread somado das duas, comparado com o prêmio líquido da estrutura?
- Qual o estilo de exercício da Call que você vai vender, e há provento previsto até o vencimento?
- O que você faz se a Call for exercida antes e você ficar só com a Put?
- O plano é carregar até o fim, encerrar antes ou rolar — e, nos dois últimos casos, sob que condição?
23.Base de dados do estudo
Os exemplos e estudos deste curso utilizam séries negociadas na B3 e dados históricos de mercado. As amostras têm finalidade educacional e servem para analisar o comportamento observado das opções nas condições estudadas. Resultados históricos não representam probabilidade futura de lucro ou prejuízo.
Metodologia completa do estudoVerOcultar
A análise foi realizada sobre a cadeia de opções que a B3 negociou em 2026, com dados obtidos do provedor que o Simulador de Opções já consome. O universo é o mesmo dos cursos 5 a 10 da trilha: dez ativos com opções líquidas — PETR4, VALE3, ITUB4, BBAS3, BBDC4, B3SA3, BOVA11, MGLU3, PRIO3 e WEGE3 — e os sete vencimentos mensais de fevereiro a agosto de 2026, num total de 70 pares.
- Montagem em D−30. Cada collar é montado no pregão 30 dias corridos antes do vencimento, pelos preços de fechamento das duas pernas, e carregado até o fim. Foram 350 collars simétricos em cinco faixas, 350 montados para custo próximo de zero em cinco pisos e 1.750 combinações independentes de piso e teto.
- Escolha de strikes. Put no strike negociado mais próximo do alvo abaixo do preço à vista e Call no mais próximo do alvo acima. O passo mediano da grade é de 0,729% do preço à vista e apenas 66,67% dos strikes existem nos dois lados, então cada faixa tem um erro de aproximação declarado: 0,17 ponto percentual no piso e 0,24 no teto para a faixa de ±5%, que sai simétrica de verdade em 78,57% dos pares.
- Desfecho. Apurado contra o strike VIGENTE no vencimento, e não contra o da montagem: a B3 ajusta o preço de exercício por provento, régua herdada dos cursos 5, 6, 8, 9 e 10 e medida aqui em 23 dos 70 pares.
- Separação entre juro e skew. Cada perna foi reprecificada trocando um input por vez, pelo mesmo modelo que a fonte declara usar. A fórmula foi conferida antes contra o preço que a própria fonte publica, em 7.626 séries, com erro mediano de 0,04 ponto-base.
- Gregas e volatilidade implícita. Vêm do provedor, com a taxa livre de risco do dia de cada montagem — ela caiu de 15,00% em janeiro para 14,25% em julho e nenhuma medição usa um valor fixo. O Theta é publicado ao ano e foi convertido para o dia dividindo por 365, a convenção que o modelo da fonte usa.
- Execução. Bid e ask do pregão de montagem, disponíveis em 48,74% das séries; as medições de execução rodam sobre esse subconjunto e declaram o número de montagens em cada linha.
- Trajetória. Sete séries com dado diário completo, ancoradas no pregão de montagem — a base do provedor começa no nascimento de cada série de opções, cerca de 60 pregões antes do vencimento, e os strikes escolhidos em D−30 não existiam no início dela.
- Gap de abertura. Única medição fora da cadeia de opções: 4.896 aberturas dos dez ativos em dois anos, excluídos 84 dias ex-provento, identificados comparando o retorno pelo preço de fechamento com o retorno pela série ajustada.
Limites do que foi medido
As colunas de desfecho e de resultado descrevem sete vencimentos de 2026 em dez ativos líquidos, e não uma propriedade permanente da estrutura: o período teve deslocamento mediano de 9,26% no preço dos ativos em 30 dias, e um período mais parado moveria a coluna “dentro da faixa” para cima. Os números de preço relativo entre as pernas — a assimetria do custo zero, a decomposição entre juro e skew, a curva de implícita — dependem do nível de juro e da forma do skew, e não do desfecho; eles mudariam com a taxa, não com o mercado ter subido ou caído. A identidade entre o collar e a trava de alta mais caixa é aritmética e não depende de período. Datas de divulgação de resultado não entraram na análise, então o curso não afirma nada sobre o comportamento da estrutura em torno de eventos programados. Nenhum número inclui tributação, corretagem ou emolumentos.
Os cálculos de prêmio e gregas do widget desta página usam o mesmo módulo de Black-Scholes do Simulador de Opções, e cada número medido publicado no texto, nas figuras e no widget é verificado contra o JSON da medição por um script próprio, que reprova a página se qualquer valor divergir.
Fontes de referência
- Options Industry Council — Collar (Protective Collar): motivação, ganho e perda máximos, exercício e atribuição.
- Options Industry Council — Protective Put e Covered Call: as duas metades da estrutura e a integração entre elas.
- B3 — Opções sobre ações: características dos contratos, estilos europeu e americano, vencimento na terceira sexta-feira e exercício automático.
- B3 — Ajuste do preço de exercício por provento: base do desfecho apurado contra o strike vigente no vencimento.
- Cadeia de opções da B3 — 350 collars simétricos, 350 de custo próximo de zero, 1.750 combinações de piso e teto e 7 séries diárias completas; mais 4.896 aberturas diárias dos dez ativos, medidos em 27/08/2026.
- Case de Valor — Simulador de Opções: cálculo de prêmio, payoff e gregas.
24.Teste seus conhecimentos
Quiz — Collar e Put Protetora
InterativoDez perguntas sobre a construção da faixa, o cálculo de piso, teto e equilíbrio e o que a medição mostrou sobre custo, dispersão, execução, gregas e exercício.
1. Um collar é montado sobre uma ação a R$ 50,00, com Put de strike R$ 47,50 e Call de strike R$ 52,50, por um crédito líquido de R$ 0,30. A perda máxima por unidade é:
2. Fixando o piso a −5% do preço à vista, o teto que o prêmio da Put consegue pagar, nos 70 pares de 2026, ficou:
3. Reprecificando o collar ±5% com um input trocado por vez, o efeito do juro e o do skew sobre o prêmio líquido foram:
4. Comparando o collar ±5% com a ação sozinha nos mesmos 70 pares, o que mudou foi:
5. No collar montado para custo líquido próximo de zero, a relação entre o spread das duas pernas e o prêmio líquido foi:
6. A afirmação “o collar tem Theta positivo”:
7. Por paridade entre Puts e Calls, uma ação comprada com Put de strike Kp e Call vendida de strike Kc equivale a:
8. Quando o ativo distribui provento durante a vigência de um collar montado na B3:
9. Sobre o estilo de exercício das duas pernas de um collar sobre ações na B3, a medição encontrou:
10. A Call coberta, comparada com o collar nos mesmos 70 pares e nos mesmos strikes, apresentou: