1.Comprar uma opção é pagar por um direito com prazo
Os quatro primeiros cursos desmontaram o contrato: o que uma opção transfere, como o código identifica a série, de que o prêmio é feito e o que cada grega mede. A partir daqui a trilha monta posições. As duas primeiras são as mais simples que existem — comprar uma Call e comprar uma Put —, e são simples só na montagem: uma única ordem, um único contrato, nenhuma obrigação assumida.
O que essa ordem compra não é uma direção. É uma direção, mais uma distância mínima, dentro de um prazo, a um preço de volatilidade que já está embutido no prêmio. Este curso monta primeiro a mecânica dessas quatro condições e depois mede, na cadeia que a B3 negociou, com que frequência elas se realizaram juntas.
O que uma posição comprada tem de diferente
O titular paga o prêmio na entrada e não assume obrigação nenhuma depois disso: não há chamada de margem, não há garantia a depositar e o pior resultado possível já está definido no momento da compra. Essa é uma diferença real em relação ao lado vendido, que o Curso 6 vai tratar. O que ela não é: uma medida de risco pequeno. Perda máxima conhecida diz qual é o pior caso, não com que frequência ele acontece — e o curso mede exatamente essa frequência.
Base de dados do estudo
Os exemplos e estudos deste curso utilizam séries negociadas na B3 e dados históricos de mercado. As amostras têm finalidade educacional e servem para analisar o comportamento observado das opções nas condições estudadas. Resultados históricos não representam probabilidade futura de lucro ou prejuízo.
Metodologia completa do estudoVerOcultar
A análise foi realizada sobre 8.405 compras de opção com desfecho conhecido — sete vencimentos de 2026 já liquidados, dez ativos líquidos, entrada no fechamento do pregão cerca de 30 dias antes de cada vencimento e saída pelo valor intrínseco no dia da liquidação, com o strike vigente no fim da vida de cada série. A elas se somam 1.179 séries acompanhadas pregão a pregão da compra até o vencimento, as 4.115 séries da cadeia de 18/09/2026 no pregão de 24/08 com as ofertas de compra e venda do dia, dois anos de janelas móveis de 18 pregões de cada um dos 32 ativos, 70 pares de volatilidade implícita contra realizada e 70 ciclos de Put protetora em três distâncias de strike. Os dados utilizados descrevem essas amostras e os períodos indicados.
2.O caminho do curso
A sequência vai da mecânica ao resultado, e depois volta à decisão. Primeiro o payoff das duas posições e o ponto de equilíbrio; em seguida o que aconteceu com quem comprou; depois as três escolhas que mudam esse resultado — strike, prazo e execução; e por fim a Put usada para proteger uma posição que já existe.
- Long Call: payoff no vencimento, ponto de equilíbrio e a faixa em que a opção vale algo e ainda dá prejuízo.
- Long Put: o espelho, com um teto que a Call não tem.
- O desfecho medido de 8.405 compras carregadas até o vencimento.
- Acertar a direção e perder: quanto isso aconteceu e por quê.
- Strike e prazo: o que cada escolha compra e o que ela exige.
- O que se paga além do prêmio: volatilidade implícita e spread de execução.
- A posição antes do vencimento — o lucro que existiu e não foi realizado.
- A Put como proteção de uma posição comprada: custo, piso e o que a janela não prova.
- Checklist de leitura antes de enviar a ordem.
Material educacional
Os números deste curso descrevem cadeias, vencimentos e pregões específicos, e servem para mostrar como uma posição comprada se comporta. Nada aqui é recomendação de compra, venda ou montagem de estrutura. Resultado passado de uma amostra não é probabilidade de uma operação futura.
3.Long Call: o payoff, o equilíbrio e a faixa que engana
Comprar uma Call é pagar um prêmio para adquirir o direito de comprar o ativo pelo strike até o vencimento. No dia da liquidação, o contrato vale o que exceder o strike — e nada, se o ativo terminar abaixo dele.
Resultado no vencimento = máx(preço final − strike, 0) − prêmio pago
Com strike de R$ 52,00 e prêmio de R$ 2,00 por unidade, a conta fica assim:
| Preço no vencimento | Valor intrínseco | Resultado da posição |
|---|---|---|
| R$ 45,00 | R$ 0,00 | − R$ 2,00 |
| R$ 50,00 | R$ 0,00 | − R$ 2,00 |
| R$ 52,00 | R$ 0,00 | − R$ 2,00 |
| R$ 53,00 | R$ 1,00 | − R$ 1,00 |
| R$ 54,00 | R$ 2,00 | R$ 0,00 |
| R$ 58,00 | R$ 6,00 | + R$ 4,00 |
| R$ 65,00 | R$ 13,00 | + R$ 11,00 |
O ponto de equilíbrio é o strike mais o prêmio
Equilíbrio da CALL comprada = strike + prêmio pago = R$ 52,00 + R$ 2,00 = R$ 54,00
A linha de R$ 53,00 da tabela é a que costuma surpreender. A opção terminou dentro do dinheiro, foi exercida, gerou valor intrínseco — e a posição perdeu R$ 1,00 por unidade. Entre o strike e o ponto de equilíbrio existe uma faixa inteira de preços em que as duas frases são verdadeiras ao mesmo tempo: a opção valeu alguma coisa, e quem a comprou perdeu dinheiro. Essa faixa tem exatamente a largura do prêmio pago.
Terminar dentro do dinheiro e terminar no lucro são coisas diferentes
Esse não é um detalhe de exemplo: nas 8.405 compras medidas, 4,65% de todas as que acertaram a direção do ativo terminaram dentro do dinheiro sem cobrir o prêmio. Elas foram exercidas, produziram valor, e mesmo assim deram prejuízo.
Antes do vencimento a conta é outra: o prêmio ainda carrega valor extrínseco, e a posição pode estar no lucro com o ativo bem abaixo do ponto de equilíbrio — ou no prejuízo acima dele, se a volatilidade implícita tiver caído. O ponto de equilíbrio responde à pergunta do último dia. O capítulo sobre a vida da posição volta a esse ponto com a medição.
4.Long Put: o espelho, com um teto
Comprar uma Put é pagar um prêmio para adquirir o direito de vender o ativo pelo strike. O contrato ganha valor à medida que o ativo cai abaixo do strike, e a mecânica é a mesma da Call com o sinal invertido — com uma diferença que não é simétrica.
Resultado no vencimento = máx(strike − preço final, 0) − prêmio pago
| Preço no vencimento | Valor intrínseco | Resultado da posição |
|---|---|---|
| R$ 55,00 | R$ 0,00 | − R$ 1,80 |
| R$ 50,00 | R$ 0,00 | − R$ 1,80 |
| R$ 48,00 | R$ 0,00 | − R$ 1,80 |
| R$ 47,00 | R$ 1,00 | − R$ 0,80 |
| R$ 46,20 | R$ 1,80 | R$ 0,00 |
| R$ 42,00 | R$ 6,00 | + R$ 4,20 |
| R$ 30,00 | R$ 18,00 | + R$ 16,20 |
Equilíbrio da PUT comprada = strike − prêmio pago = R$ 48,00 − R$ 1,80 = R$ 46,20
A diferença que não é espelho
O ganho de uma Call comprada não tem teto teórico, porque não existe limite para o preço de um ativo. O da Put tem: o preço não passa abaixo de zero. No exemplo, o ganho máximo por unidade é R$ 46,20 — o strike menos o prêmio —, e ele só ocorre no caso extremo de o ativo terminar valendo nada.
| Característica | Call comprada | Put comprada |
|---|---|---|
| Direção que favorece | Alta | Baixa |
| Perda máxima | O prêmio pago | O prêmio pago |
| Ganho máximo | Sem teto teórico | Strike − prêmio |
| Equilíbrio no vencimento | Strike + prêmio | Strike − prêmio |
| Delta | Positivo | Negativo |
| Gamma e Vega | Positivos | Positivos |
| Theta | Negativo na maioria das séries | Negativo na maioria das séries |
O Theta da Put comprada tem exceção, e ela é brasileira
O curso anterior mediu 94 Puts da cadeia com Theta positivo — séries com strike suficientemente acima do preço à vista, cuja fronteira sob a taxa de 14,00% ao ano fica em +9,93% do spot a 25 dias do vencimento. Para essas, a passagem do tempo trabalha a favor de quem está comprado. É uma minoria da cadeia, e existe porque o juro é alto: a mesma conta com juro perto de zero empurra a fronteira para +23,92%.
A mesma Put pode cumprir duas funções econômicas completamente diferentes. Isolada, é uma posição direcional de baixa. Ao lado de uma posição comprada no ativo, é o que limita a queda dessa posição. O payoff do contrato é idêntico nos dois casos; o que muda é a carteira em que ele entra — e o capítulo final trata dessa segunda função com os números dela.
5.O que aconteceu com quem comprou e carregou até o fim
A mecânica acima é a mesma em qualquer mercado. O que ela não diz é com que frequência cada região do payoff se realiza. Para medir isso, cada série que negociou no pregão cerca de 30 dias antes de um dos sete vencimentos de 2026 já liquidados foi tratada como uma compra pelo preço daquele fechamento, e o resultado foi apurado pelo valor intrínseco no dia da liquidação — com o strike vigente no fim da vida, porque 2.390 das séries tiveram o strike ajustado por provento no meio do caminho.
| Sobre 8.405 compras | Resultado |
|---|---|
| Terminaram sem valor nenhum | 46,33% |
| Terminaram com lucro | 31,62% |
| Resultado mediano, em % do prêmio pago | −69,61% |
| Resultado agregado da amostra inteira | −1,58% |
| Maior retorno individual observado | +8.700% |
Os dois últimos números da tabela pertencem a mundos diferentes, e é por isso que os dois estão ali. O resultado mediano é o que aconteceu com a compra do meio da amostra: perdeu quase 70% do que custou. O agregado — a soma de tudo o que foi recebido dividida pela soma de tudo o que foi pago — ficou perto de zero, porque poucas compras muito lucrativas compensaram a maioria.
O que é do instrumento e o que é da janela
A distinção importa mais do que qualquer número isolado. A fração de compras que perde tudo variou entre 42,31% e 50,00% ao longo dos sete vencimentos, apesar de o mercado ter subido em alguns meses e caído em outros. Já o resultado agregado da mesma amostra foi de −17,79% no pior mês a +32,83% no melhor. O primeiro descreve a estrutura da opção; o segundo descreve o que o mercado fez naquele mês.
Por que este curso não conclui nada sobre Call contra Put
Na amostra, as Calls terminaram com agregado de −4,41% e as Puts, de +6,86%. Esse número não diz que Put é melhor: sete vencimentos de um ano específico medem a direção que o mercado tomou naquele ano, não uma propriedade do instrumento. A mesma medição feita num período de alta inverteria o sinal. O que se publica aqui é a forma da distribuição, que se repete nos sete.
A assimetria, medida
A perda é limitada ao prêmio e o ganho não tem teto — essa é a descrição correta da estrutura. A medição mostra o que essa descrição significa em distribuição de resultados.
| A forma do resultado | Medido |
|---|---|
| As 5% melhores compras responderam por | 46,43% de todo o ganho bruto |
| As 10% melhores responderam por | 70,09% do ganho bruto |
| Retorno médio de quem terminou no lucro | +200,95% |
| Retorno médio de quem terminou no prejuízo | −80,12% |
| Um acerto médio, em reais, pagou | 2,01 perdas médias |
| Frequência de acerto na amostra | 31,62% |
As duas últimas linhas se leem juntas. Um acerto pagando duas perdas exige uma frequência de acerto acima de um terço para a conta fechar no agregado — e a frequência observada foi de 31,62%. É por isso que o resultado agregado ficou perto de zero em vez de claramente positivo, mesmo com retornos individuais de várias centenas por cento na amostra.
Assimetria é forma, não vantagem
A concentração se repetiu nos sete vencimentos: as 5% melhores compras carregaram de 33,06% a 52,46% do ganho bruto de cada um. Uma distribuição em que poucos resultados carregam quase tudo não é, por si, favorável a quem compra — ela é apenas a razão pela qual a média e a mediana contam histórias tão diferentes, e a razão pela qual dimensionar a posição por uma sequência de resultados típicos leva a conclusões erradas.
6.Acertar a direção e ainda perder: o tamanho disso
Se o ativo andou no sentido apostado, a posição ganhou? Em 4.169 das 8.405 compras o ativo terminou o vencimento na direção certa — acima do preço de entrada nas Calls, abaixo nas Puts. Destas, 38,19% terminaram no prejuízo.
| Das 4.169 compras com a direção certa | Fração |
|---|---|
| Terminaram no lucro | 61,81% |
| Terminaram sem valor nenhum — o ativo andou, mas não chegou ao strike | 33,53% |
| Terminaram dentro do dinheiro sem cobrir o prêmio | 4,65% |
A explicação está numa comparação só. Entre as que acertaram a direção e perderam, o ativo andou 5,22% na mediana enquanto o ponto de equilíbrio pedia 18,06%. Entre as que acertaram e ganharam, o ativo andou 10,50% e o equilíbrio pedia 1,60%. Não são grupos separados pela sorte do movimento: são grupos separados pelo contrato que cada um escolheu.
A pergunta que substitui "para onde vai o ativo?"
A pergunta útil é composta: quanto o ativo precisa andar, em que sentido, até quando, e quanto isso está custando. Uma opção que exige 18% de alta em trinta dias não é uma aposta na alta — é uma aposta em uma alta de 18% em trinta dias, que é um evento muito menos frequente. As duas frases parecem a mesma, e produzem decisões diferentes.
A proporção variou entre os vencimentos, de 15,59% em fevereiro a 49,08% em julho, e essa variação é esperada: em um mês de alta forte, uma parte maior das Calls compradas passa do ponto de equilíbrio. Em nenhum dos sete, porém, ela foi desprezível — acertar a direção e perder aconteceu em mais de 15% dos casos em todos eles, e em mais de 31% em seis dos sete.
O que esta compra precisa que aconteça
InterativoPrêmio, ponto de equilíbrio e a distância que ele exige — ao lado do que aconteceu com as compras que estavam na mesma faixa nos sete vencimentos medidos.
O que aconteceu com as compras desta faixa
Faixa OTM até 5% — 885 compras de sete vencimentos de 2026 já liquidados, com entrada 30 dias antes e carregadas até o fim.
Esses números descrevem uma janela de mercado específica e servem para mostrar a forma da distribuição — não são a probabilidade da compra simulada acima. Aumente o strike de uma call e veja as duas coisas se moverem juntas: o prêmio cai e a exigência sobe.
7.Strike e prazo: o que cada escolha compra e o que ela exige
Não existe "a Call daquela ação". Cada combinação de strike e vencimento é um contrato diferente, com um preço diferente e uma exigência diferente. O material didático costuma apresentar essa escolha como um trade-off entre custo e sensibilidade; a medição permite colocar número nos dois lados dele.
O strike decide quanto o ativo precisa andar
Na cadeia de 18/09/2026, medida no pregão de 24/08 — 25 dias corridos, 18 pregões até o vencimento —, cada série tem um ponto de equilíbrio, e a distância dele até o preço à vista é o movimento mínimo que a posição exige. Ao lado dessa distância está a frequência com que o ativo fez movimento desse tamanho nas janelas de 18 pregões dos dois anos anteriores.
| Faixa na entrada | Séries | O equilíbrio exige | Ocorreu em (mediana das janelas) |
|---|---|---|---|
| Fora do dinheiro mais de 15% | 841 | 28,72% | 0,00% |
| Fora do dinheiro de 5% a 15% | 721 | 11,99% | 8,32% |
| Fora do dinheiro até 5% | 353 | 5,01% | 26,82% |
| Dentro do dinheiro até 5% | 318 | 2,30% | 38,88% |
| Dentro do dinheiro mais de 5% | 946 | 1,57% | 43,66% |
Frequência passada não é probabilidade futura
A coluna da direita descreve o que aconteceu com aqueles ativos naqueles dois anos, e carrega a direção do período dentro dela. Ela entra aqui como contraponto de ordem de grandeza — para mostrar que a diferença entre exigir 2% e exigir 29% não é de grau, é de natureza —, nunca como estimativa da chance do próximo mês.
"No dinheiro" não é uma exigência única
Tomando em cada um dos 32 ativos a Call mais próxima do dinheiro, no mesmo pregão e para o mesmo vencimento, a exigência mediana foi de 3,85% em 18 pregões. Mas ela variou cinco vezes entre os ativos: a Call no dinheiro do IVVB11 pedia 1,57% e a da HAPV3, 8,18%. A diferença é a volatilidade implícita de cada um — que é o preço do prêmio, e portanto a largura da faixa entre o strike e o equilíbrio.
| Call mais próxima do dinheiro | Preço à vista | Strike | Prêmio | Equilíbrio | Exige | Ocorreu em |
|---|---|---|---|---|---|---|
| IVVB11 | R$ 444,70 | R$ 443,00 | R$ 8,69 | R$ 451,69 | +1,57% | 43,04% |
| HAPV3 | R$ 6,36 | R$ 6,40 | R$ 0,48 | R$ 6,88 | +8,18% | 17,26% |
As duas séries são igualmente "no dinheiro" e igualmente "a 25 dias do vencimento". Comprar uma e comprar a outra são apostas de tamanhos muito diferentes, e nenhum dos dois rótulos avisa isso.
O prazo muda o preço, não a chance de virar pó
Acompanhando as mesmas séries em cinco momentos de entrada — 60, 45, 30, 15 e 5 pregões antes do vencimento —, e restringindo às que estavam a até 5% do dinheiro na entrada, o resultado foi este:
| Comprando a | Séries | Terminaram sem valor | Custo em % do preço da ação |
|---|---|---|---|
| 60 pregões do fim | 108 | 55,56% | 4,88% |
| 45 pregões do fim | 251 | 50,20% | 4,09% |
| 30 pregões do fim | 250 | 50,00% | 3,27% |
| 15 pregões do fim | 264 | 50,00% | 2,16% |
| 5 pregões do fim | 256 | 50,00% | 1,20% |
A coluna do meio quase não se move; a da direita cai por um fator de quatro. Comprar mais prazo, numa série no dinheiro, comprou mais tempo para o cenário acontecer ao custo de mais capital exposto — e não uma probabilidade maior de a opção terminar valendo alguma coisa. A amostra desse recorte é pequena (quatro ativos e dois vencimentos) e serve para a ordem de grandeza, não para uma regra fechada.
O que "barato" quer dizer numa cadeia de opções
As séries mais fora do dinheiro da cadeia medida custavam pouco e exigiam 28,72% de movimento em 18 pregões; 97,31% das compras nessa faixa terminaram sem valor nenhum na amostra liquidada. O prêmio baixo não é um desconto: é o preço de um evento que o mercado considera improvável naquele prazo. Escolher a série pelo tamanho do desembolso é escolher pela variável que menos informa sobre o resultado.
8.O que o comprador paga além do prêmio
Duas coisas cobram do lado comprado antes mesmo de o ativo se mover, e nenhuma das duas aparece no diagrama de payoff: a volatilidade que está embutida no prêmio e o preço de execução da ordem.
A volatilidade cobrada e a volatilidade que aconteceu
O prêmio de uma opção embute uma expectativa de oscilação do ativo até o vencimento. Comparando, em cada um dos 70 pares de ativo e vencimento, a volatilidade implícita da série mais próxima do dinheiro no dia da compra com o desvio-padrão anualizado que o ativo efetivamente realizou até o vencimento:
| Volatilidade em 70 pares | Medido |
|---|---|
| Implícita cobrada na compra (mediana) | 30,31% |
| Realizada até o vencimento (mediana) | 27,78% |
| Diferença mediana | +2,40 pontos percentuais |
| Pares em que a implícita ficou acima | 45 de 70 (64,29%) |
| Vencimentos com diferença mediana positiva | 6 de 7 |
| Ativos com diferença mediana positiva | 9 de 10 |
Essa diferença é o que dá base econômica ao resultado do capítulo anterior, e ela tem uma propriedade importante: não depende da direção do mercado. Fevereiro foi a exceção — o único vencimento em que a realizada superou a implícita, e justamente o mês em que os ativos andaram mais do que se esperava deles. Nos outros seis, quem comprou pagou por uma oscilação maior do que a que apareceu.
O preço de tela não é o preço de execução
Das 4.116 séries da cadeia viva, 1.158 (28,13%) tinham ao mesmo tempo uma oferta de compra e uma de venda no livro. Entre elas:
| Spread entre as ofertas | Medido |
|---|---|
| Mediana, em relação ao preço médio das duas pontas | 55,74% |
| Séries com spread acima de 20% | 80,14% |
| Séries com spread acima de 50% | 53,45% |
| Séries em que a oferta de venda é ao menos o dobro da de compra | 46,11% |
| Comprar na oferta de venda custa, acima do meio | 27,87% |
O spread acompanha a liquidez de forma direta: mediana de 89,13% nas séries com até quatro negócios no dia, 75,86% de cinco a dezenove, 50,00% de vinte a noventa e nove e 20,69% nas que tiveram cem negócios ou mais. Escolher a série pela liquidez não é uma preferência estética — é a diferença entre pagar um quinto e pagar quase o dobro do preço médio do livro.
O custo de execução mudou o sinal do resultado agregado
Nas 4.097 compras liquidadas que tinham livro no dia da entrada, o resultado agregado foi de +4,80% comprando pelo fechamento. Refazendo exatamente as mesmas compras com execução na oferta de venda daquele dia — que é o preço a que uma ordem a mercado teria sido executada —, o agregado vai para −16,97%. O ask ficou 15,79% acima do fechamento na mediana, e essa diferença consumiu 21,77 pontos percentuais do resultado.
O ponto de equilíbrio também se desloca com o preço pago: comprar na oferta de venda em vez do meio do livro empurra o equilíbrio, na mediana, 0,24 ponto percentual mais longe no preço do ativo. Parece pouco na régua do ativo, e é muito na régua do prêmio — que é onde o resultado da posição é medido.
9.A posição existe antes do vencimento
Todo o capítulo anterior tratou do último dia. Mas o titular de uma opção pode vendê-la a qualquer momento, e a maior parte das posições é encerrada antes do vencimento. Para medir o que existe no caminho, 1.179 séries foram acompanhadas pregão a pregão, da compra 30 dias antes até a liquidação.
| Das 1.179 séries acompanhadas | Fração |
|---|---|
| Estiveram no lucro em algum pregão | 75,49% |
| Terminaram no lucro | 29,69% |
| Terminaram sem valor nenhum | 46,23% |
A primeira e a segunda linha descrevem a mesma amostra e diferem em 45,80 pontos percentuais. Entre as que terminaram sem valor nenhum, 55,41% estiveram no lucro em algum pregão e 12,84% chegaram a dobrar de preço; o pico mediano dessas séries foi de +9,09% sobre o custo, e o pregão em que ele ocorreu foi o terceiro depois da compra, na mediana.
O que este número é e o que ele não é
Carregando todas as séries até o fim, o resultado agregado foi de −4,30%. Vendendo cada uma no seu melhor pregão, seria de +21,60%. O segundo número não descreve uma estratégia: ninguém sabe qual foi o melhor pregão antes que ele passe. Ele serve para dimensionar uma coisa só — a distância entre o resultado do último dia e o que existiu no caminho é grande o bastante para que a decisão de encerrar seja parte da operação, e não um detalhe dela.
O que muda na hora de encerrar
- A tese original ainda vale, e ainda cabe no prazo que resta? O prazo é a variável que só anda num sentido.
- Quanto do prêmio atual é valor intrínseco e quanto é extrínseco? Exercer uma opção americana antes do vencimento abre mão do extrínseco que ainda existe; vender o contrato preserva esse componente.
- A volatilidade implícita hoje está acima ou abaixo da que foi paga na entrada? Parte do resultado pode ter vindo dela, e não do movimento do ativo.
- O livro comporta a saída no tamanho que foi montado? O spread cobra na saída como cobrou na entrada, e nas séries pouco negociadas ele é a maior parte do custo.
- O critério de encerramento foi definido antes da entrada, ou está sendo inventado agora com a posição aberta?
Nenhuma dessas perguntas tem resposta única, e este curso não propõe uma regra de saída — a medição não autoriza isso, porque escolher o momento de sair exige informação que não existe no momento da decisão. O que ela autoriza é a afirmação mais modesta: quem só olha o diagrama de vencimento está olhando um dia de uma posição que dura dezenas deles.
10.A Put ao lado de uma posição comprada
A segunda função da Put comprada é limitar a queda de uma posição que já existe no ativo. A estrutura tem nome — protective Put, ou married Put — e a mecânica é direta: quem tem a ação e compra uma Put de strike K passa a ter um piso bruto em K no vencimento, ao custo do prêmio.
Perda máxima no vencimento ≈ preço pago pela ação + prêmio da PUT − strike
Com a ação a R$ 50,00 e uma Put de strike R$ 45,00 por R$ 1,20, o desembolso é de R$ 51,20 e a perda máxima é de R$ 6,20 por unidade. O cálculo ignora custos operacionais, tributos, dividendos e eventuais ajustes do ativo, mas mostra a lógica do piso.
| Preço final da ação | Valor da ação | Valor da Put | Combinado |
|---|---|---|---|
| R$ 60,00 | R$ 60,00 | R$ 0,00 | R$ 60,00 |
| R$ 50,00 | R$ 50,00 | R$ 0,00 | R$ 50,00 |
| R$ 45,00 | R$ 45,00 | R$ 0,00 | R$ 45,00 |
| R$ 35,00 | R$ 35,00 | R$ 10,00 | R$ 45,00 |
Quanto isso custou, medido
Para pôr número no custo, cada um dos 10 ativos recebeu uma Put comprada 30 dias antes de cada um dos 7 vencimentos, no strike mais próximo de três distâncias — 2%, 5% e 10% abaixo do preço à vista —, sempre carregada até a liquidação. São 70 ciclos por distância.
| Strike abaixo do preço à vista | Custo por ciclo de 30 dias | Ao ano, com 12 rolagens | Terminou valendo algo | Pior ciclo, sem → com | Desvio, sem → com |
|---|---|---|---|---|---|
| 1,95% | 2,08% | 30,84% | 44,29% | −31,35% → −9,27% | 12,28% → 7,75% |
| 5,00% | 1,30% | 20,16% | 38,57% | −31,35% → −10,86% | 12,28% → 8,78% |
| 10,07% | 0,52% | 9,72% | 27,14% | −31,35% → −14,16% | 12,28% → 10,32% |
As colunas contam duas histórias diferentes e ambas são verdadeiras. O piso funcionou: o pior ciclo passou de uma perda de 31,35% para uma de 10,86% no strike 5% abaixo, e a dispersão dos resultados caiu de 12,28% para 8,78%. E o custo é recorrente: 1,30% do valor da ação a cada trinta dias é, ao custo médio da amostra e com doze rolagens, 20,16% ao ano — comparável ao próprio retorno esperado da posição protegida.
O ganho de retorno observado aqui é da janela, não do instrumento
Nos sete ciclos encadeados, a ação sozinha rendeu −7,08% e a posição protegida, +4,37%. Seria um erro de leitura concluir que a proteção aumenta o retorno: o ciclo médio da ação na amostra foi de −0,70%, ou seja, a janela medida foi de queda, e é nela que a Put paga. Num período de alta, os mesmos 1,30% por ciclo apareceriam apenas como custo. O que a medição sustenta é o piso e o preço dele — não o resultado.
Vale também a observação de horizonte: uma Put protege até o vencimento dela, e não até quando o risco que preocupa o investidor terminar. Renovar proteção curta repetidamente e comprar uma proteção longa são decisões com custos diferentes, que dependem do formato da curva de volatilidade no momento — e nenhuma das duas é gratuita.
11.Antes de enviar a ordem
O checklist abaixo não é sobre previsão. Ele é sobre transformar uma intenção direcional em um contrato específico, e conferir se os dois se encaixam.
A tese
- Qual movimento é esperado, em que sentido e de que tamanho?
- Até quando ele precisa acontecer para que este contrato participe dele?
- Existe um evento datado dentro da janela — resultado, decisão de juros, assembleia — ou a tese depende de um movimento difuso?
O contrato
- Qual é o prêmio e onde fica o ponto de equilíbrio no vencimento?
- Quantos por cento o ativo precisa andar até lá, a partir do preço de hoje? Esse número, e não o strike, é a exigência da posição.
- O prazo escolhido cobre o horizonte da tese, ou ele termina antes?
- A série é americana ou europeia, e o lote é o padrão? O curso 2 mediu que o lote não é 100 em 9,50% das séries.
O risco
- Quanto se perde, em reais, se o prêmio virar zero — e o tamanho da posição continua adequado sabendo que isso aconteceu em 46,33% das compras medidas?
- A volatilidade implícita desta série está alta ou baixa em relação ao contexto? Comprar depois de uma alta de volatilidade é pagar por uma oscilação que talvez já tenha acontecido.
- Existe um critério de encerramento definido antes da entrada, tanto para o cenário favorável quanto para o desfavorável?
A execução
- Qual é a oferta de compra, a de venda e a distância entre elas? Na cadeia medida, a mediana foi de 55,74% do preço médio.
- Quantos negócios essa série fez no pregão? O spread mediano cai de 89,13% para 20,69% entre a faixa de até quatro negócios e a de cem ou mais.
- A ordem corresponde exatamente à série pretendida — código, vencimento, strike e lado?
Erros comuns de interpretação
| Leitura equivocada | O que a medição mostra |
|---|---|
| "A opção terminou dentro do dinheiro, então deu lucro." | Entre o strike e o ponto de equilíbrio existe uma faixa da largura do prêmio em que as duas coisas convivem: 4,65% das compras com direção certa terminaram assim. |
| "Acertando a direção, a posição ganha." | 38,19% das compras cujo ativo andou no sentido apostado terminaram no prejuízo — a maior parte por não ter chegado ao strike. |
| "Esta Call está barata." | As séries mais fora do dinheiro exigiam 28,72% de movimento em 18 pregões, e 97,31% das compras nessa faixa terminaram sem valor nenhum na amostra liquidada. |
| "Mais prazo aumenta a chance de dar certo." | Perto do dinheiro, a fração que terminou sem valor ficou em torno de 50% em todos os cinco momentos de entrada; o que mudou foi o custo, de 4,88% para 1,20% do preço da ação. |
| "O preço da tela é o preço da compra." | A oferta de venda ficou 15,79% acima do fechamento na mediana; refazendo as mesmas compras por ela, o resultado agregado sai de +4,80% para −16,97%. |
| "A ação subiu, então a Call subiu." | A volatilidade implícita cobrada na compra ficou acima da realizada em 45 dos 70 pares; parte do prêmio pago se desfaz mesmo com o ativo andando a favor. |
| "O resultado é o do vencimento." | 75,49% das compras estiveram no lucro em algum pregão e 29,69% terminaram assim; entre as que viraram pó, 55,41% estiveram no lucro em algum momento. |
| "Só posso perder o prêmio, então posso comprar mais." | A perda máxima é conhecida e se realizou em 46,33% das compras, com resultado mediano de −69,61% do prêmio. |
| "A Put protege de graça se o mercado não cair." | O strike 5% abaixo custou 1,30% do valor da ação a cada 30 dias — 20,16% ao ano ao custo médio, com doze rolagens. |
| "A assimetria favorece quem compra." | Ela descreve a forma da distribuição: as 5% melhores compras carregaram 46,43% do ganho bruto, e um acerto médio pagou 2,01 perdas médias com frequência de acerto de 31,62%. |
Quiz — Compra de Calls e Puts
InterativoDez perguntas sobre payoff, ponto de equilíbrio, execução e o que a medição mostrou sobre quem compra.
1. Uma Call de strike R$ 52,00 foi comprada por R$ 2,00. No vencimento, o ativo fecha em R$ 53,00. O resultado da posição é:
2. Nas 8.405 compras medidas — sete vencimentos de 2026 já liquidados, entrada 30 dias antes, carregadas até o fim —, a fração que terminou sem valor nenhum foi:
3. Entre as compras cujo ativo andou na direção apostada, quantas ainda assim terminaram no prejuízo?
4. Na cadeia de 18/09/2026, a Call mais próxima do dinheiro de cada um dos 32 ativos exigia, na mediana, que o ativo subisse:
5. Acompanhando 1.179 séries pregão a pregão, da compra até o vencimento, o curso mediu que:
6. Comparando a volatilidade implícita cobrada no dia da compra com a que o ativo realizou até o vencimento, em 70 pares:
7. Sobre o spread entre a melhor oferta de compra e a de venda nas séries da cadeia viva com livro:
8. Uma Put comprada com strike 5% abaixo do preço da ação, renovada a cada 30 dias, custou na medição:
9. "A perda máxima é o prêmio, então posso dimensionar a posição sem medo." O problema dessa frase é que:
10. Sobre a assimetria de uma opção comprada, a medição mostrou que:
Próximo curso
Este curso olhou a mesa de um lado só: o de quem paga o prêmio para adquirir um direito. O Curso 6 vira a mesa. Se 46,33% das opções compradas terminam sem valor nenhum, alguém recebeu esse prêmio — e assumiu, em troca, uma obrigação com garantia exigida e perda que não é limitada da mesma forma. O lançamento coberto e a venda de Put com Caixa Reservado (Cash-Secured Put) são as duas primeiras estruturas desse lado.
Fontes e limites desta análise
- Desfecho das compras: 8.405 séries de sete vencimentos de 2026 já liquidados (fevereiro a agosto), dez ativos líquidos, entrada pelo fechamento do pregão cerca de 30 dias antes de cada vencimento e saída pelo valor intrínseco no dia da liquidação, com o strike vigente no fim da vida de cada série.
- A vida da posição: 1.179 séries acompanhadas pregão a pregão, quatro ativos e dois vencimentos, com a mesma entrada de 30 dias antes.
- Exigência do ponto de equilíbrio: 4.115 séries da cadeia de 18/09/2026 no pregão de 24/08, contra janelas móveis de 18 pregões nos dois anos anteriores de cada um dos 32 ativos.
- Execução: 1.158 séries da cadeia viva com oferta de compra e de venda no mesmo pregão, e 4.097 compras liquidadas que tinham livro no dia da entrada.
- Volatilidade: 70 pares de ativo e vencimento, implícita da série mais próxima do dinheiro contra o desvio-padrão anualizado dos retornos diários até o vencimento.
- Proteção: 70 ciclos por distância de strike (2%, 5% e 10% abaixo do preço à vista), sempre com a Put carregada até a liquidação.
- Fechamento nominal do ativo, nunca ajustado por proventos: o strike vigente já vem ajustado, e o preço nominal do mesmo dia é a única base compatível.
O que estes números não são
Todas as medições descrevem recortes: sete vencimentos de um único ano para o desfecho, dois vencimentos e quatro ativos para a vida da posição, um pregão para a cadeia viva. A amostra cobre apenas séries que negociaram no dia da entrada, o que exclui as menos líquidas e faz da fração que virou pó um piso, não um teto. O resultado agregado de qualquer recorte carrega a direção que o mercado tomou no período — por isso o curso publica a forma da distribuição, que se repetiu nos sete vencimentos, e não o nível do retorno. Nenhum número aqui é recomendação de compra, venda ou montagem de estrutura, nem estimativa de probabilidade de uma operação futura.
Fontes de referência
- B3 — Especificações do contrato de opções sobre ações: cotação do prêmio, estilos de exercício, lote de negociação, ajuste de strike por proventos e apuração no vencimento.
- Dados de mercado de opções distribuídos por provedor: cadeia por vencimento com preço, ofertas de compra e venda, volume e negócios por série, e painel de volatilidade implícita e gregas, com recorte por data.
- Options Industry Council — material de referência sobre payoff, ponto de equilíbrio e gestão de posições compradas, usado como contraponto às medições da cadeia brasileira.
- Black, F. e Scholes, M. (1973) e Merton, R. (1973) — o modelo de precificação usado no simulador e nas reprecificações do curso.