Precificação e Sensibilidades · Curso 4/12Intermediário 56 min de leitura Pomodoro

As Gregas: Delta, Gamma, Theta, Vega e Rho

O painel de sensibilidades de uma opção, lido na cadeia que a B3 negociou — e no juro que o Brasil pratica.

1.O que uma grega responde — e o que ela não promete

No curso anterior o prêmio foi partido em valor intrínseco e valor extrínseco, e o extrínseco foi explicado por prazo, volatilidade, juros e dividendos. As gregas são o passo seguinte: em vez de perguntar de que o prêmio é feito, elas perguntam quanto ele se move quando cada uma dessas entradas muda.

Preço da opção = f(preço do ativo, strike, prazo, volatilidade, juros, dividendos)

Cada grega é a derivada do preço em relação a uma dessas entradas, com as demais paradas.

GregaPergunta que respondeEntrada que ela isola
DeltaQuanto o prêmio muda se o ativo variar?Preço do ativo-objeto
GammaQuanto o próprio Delta muda quando o ativo varia?Preço do ativo (segunda ordem)
ThetaQuanto o prêmio muda com a passagem do tempo?Prazo até o vencimento
VegaQuanto o prêmio muda se a volatilidade implícita variar?Volatilidade implícita
RhoQuanto o prêmio muda se a taxa de juros variar?Taxa livre de risco

Estimativa local, não previsão

A expressão "mantidas as demais variáveis constantes" é a condição sob a qual cada número foi calculado, e ela quase nunca se realiza num pregão. Uma grega descreve o comportamento do preço numa vizinhança pequena do estado atual: quanto maior o movimento e quanto mais entradas mudarem ao mesmo tempo, menor a precisão. O curso mede exatamente isso — a que distância a aproximação deixa de servir.

As gregas não são iguais em toda parte

Muitos materiais introdutórios sobre gregas foram produzidos em mercados e períodos de juros significativamente mais baixos que os observados no Brasil. Por isso, algumas regras de bolso precisam ser interpretadas considerando o nível local das taxas de juros e as características específicas de cada contrato. Três regras de bolso muito repetidas — a Call no dinheiro tem Delta próximo de 0,50, o Rho é a grega menos relevante e uma Put comprada sempre perde com o tempo — dependem dessa premissa. A fonte que precifica a cadeia brasileira usa taxa livre de risco de 14,00% ao ano.

Base de dados do estudo

Os exemplos e estudos deste curso utilizam séries negociadas na B3 e dados históricos de mercado. As amostras têm finalidade educacional e servem para analisar o comportamento observado das opções nas condições estudadas. Resultados históricos não representam probabilidade futura de lucro ou prejuízo.

Metodologia completa do estudoVer

A análise foi realizada sobre a cadeia de opções da B3 de 18/09/2026 no pregão de 24/08/2026 (32 ativos, 2.466 séries com negócio), a estrutura a termo de seis ativos até agosto de 2028, a série dia a dia de quatro ativos em dois vencimentos encerrados (39.130 transições) e os sete vencimentos de 2026 já liquidados (7.626 séries com desfecho conhecido). O modelo Black-Scholes-Merton foi reimplementado e confere com o preço e as cinco gregas publicadas pela fonte até a sétima casa decimal, o que permite reprecificar as mesmas séries sob outras hipóteses.

2.O caminho do curso

A sequência vai da sensibilidade isolada até a leitura da posição inteira. O objetivo não é decorar fórmulas: é saber o que cada número diz, em que unidade ele está e a partir de que ponto ele para de valer.

  1. Delta como exposição direcional — e o número que a cadeia brasileira devolve no dinheiro.
  2. Delta como probabilidade — testado contra sete vencimentos já liquidados.
  3. Gamma: a curvatura, o ponto em que o Delta sozinho quebra e onde a curvatura de fato se concentra.
  4. Theta: a unidade em que ele é publicado, a curva de aceleração e o que o mercado cobra no fim de semana.
  5. Vega: a volatilidade implícita e o peso dela no resultado diário de uma posição.
  6. Rho: por que o juro brasileiro tira essa grega do rodapé.
  7. Gregas líquidas: somar as pernas de uma estrutura e ler o que sobra.
  8. Checklist de leitura de posição, com os limites de cada número.

Material educacional

Os números deste curso descrevem cadeias e pregões específicos e servem para mostrar como as sensibilidades se comportam. Nada aqui é recomendação de compra, venda ou montagem de estrutura. Gregas são resultados de modelo e mudam continuamente.

3.Delta: a direção — e por que 0,50 não é o número aqui

Delta mede quanto o prêmio tende a variar quando o ativo-objeto varia uma unidade. Uma Call com Delta 0,55 tende a subir cerca de R$ 0,55 se a ação subir R$ 1,00, mantido o resto parado. É uma sensibilidade em unidades de preço, não um percentual de retorno.

Δ prêmio ≈ Delta × Δ preço do ativo

Para posições compradas, o sinal acompanha a direção do direito: Call de 0 a +1, Put de −1 a 0. Quanto maior o Delta em módulo, maior a sensibilidade direcional naquele instante. Até aqui, o material internacional e a cadeia brasileira concordam.

A regra de bolso que não se confirma

A frase seguinte é onde os dois se separam. Praticamente todo material afirma que uma Call com strike igual ao preço à vista tem Delta próximo de +0,50 e a Put correspondente, de −0,50. Na cadeia de 18/09/2026, tomando em cada um dos 32 ativos a série mais próxima do dinheiro, o Delta mediano da Call é 0,5622 — e nenhum dos 32 ficou em 0,50 ou abaixo.

Medida na cadeia de 25 diasDelta da Call no dinheiro
Mediana dos 32 ativos0,5622
Mínimo0,5185
Máximo0,6794
Ativos com Delta acima de 0,5032 de 32
Mesma cadeia recalculada com juro zero0,5168

A explicação está na própria fórmula. O Delta de uma Call é N(d1), e quando o strike é igual ao preço à vista o termo d1 não zera: ele vale (r − q + σ²/2)·√T ÷ σ. São duas parcelas somadas — o carrego da taxa de juros e a convexidade da volatilidade. Na média dos 32 ativos, o afastamento em relação a 0,50 é de 6,48 pontos percentuais, dos quais 4,64 p.p. vêm do juro e 1,84 p.p. vêm da volatilidade. A decomposição é publicada na média, e não na mediana, por um motivo simples: a mediana da soma não é a soma das medianas, e as duas parcelas precisam fechar no total que aparece ao lado delas.

Delta da Call com strike igual ao preço à vistavolatilidade de 32,2% — a mediana da cadeia medida0,500,550,600,650,700,750,800,50 — a regra de bolso do material7d30d90d1 ano2 anosprazo até o vencimento (escala logarítmica)taxa de 14,00% a.a.juro zero25d: 0,5620Os 32 ativos, cadeia de 25 diassérie mais próxima do dinheiro de cada ummediana 0,5622MGLU3 0,5185IVVB11 0,6794de 0,5185 a 0,6794 — 32 de 32 acima de 0,50Na média dos 32, o afastamento em relação a 0,50 é de 6,48 p.p.: 4,64 p.p. de juro e 1,84 p.p. de convexidade.
O Delta da Call com strike igual ao preço à vista, por prazo, sob taxa de 14,00% e sob juro zero. A distância entre as duas curvas é o carrego.

O efeito é pequeno numa opção de dias e grande numa de meses, porque cresce com a raiz do prazo. Com a volatilidade mediana da cadeia, uma Call no dinheiro de sete dias tem Delta teórico de 0,5329; de um ano, 0,7243; de dois anos, 0,8003. Num mercado de juro zero, os mesmos três prazos dariam 0,5089, 0,5640 e 0,5901.

O que fazer com isso

Usar 0,50 como âncora mental para o dinheiro leva a subestimar a exposição direcional de uma Call e a superestimar a de uma Put — pouco em opções curtas, bastante em opções longas. O caminho é ler o Delta que a plataforma publica para aquela série, em vez de assumir o valor de referência.

Delta em quantidade de ativo

O Delta também traduz a posição em equivalente de ativo: Delta da opção × quantidade de ativos que o contrato representa. Uma Call com Delta 0,60 sobre um contrato de 100 ações carrega exposição direcional aproximada de 60 ações — cerca de R$ 60 de variação teórica para R$ 1,00 no ativo, antes das outras gregas.

O multiplicador não é sempre 100

O curso 2 mediu isto na cadeia inteira: o lote de negociação difere de 100 em 9,50% das séries e chega a variar dentro do mesmo ativo. Entre as 128 travas montadas para este curso, apareceram lotes de 100, de 10 e de 1. Multiplicar o Delta por 100 por hábito produz exposição errada por um fator de até 100 vezes — o número correto está no cadastro da série.

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O painel de risco de uma série

Interativo

As cinco gregas e o que cada aproximação entrega quando o ativo se move. Estado inicial: a Call de PETR4 com strike R$ 42,17, publicada no capítulo do Delta.

Prêmio teóricoR$ 1,37
Δ Delta — por R$ 1,00 no ativo0,5597
Γ Gamma — variação do Delta por R$ 1,000,1315
Θ Theta — por dia corrido-R$ 0,03
V Vega — por 1 ponto percentual de volatilidadeR$ 0,04
Ρ Rho — por 1 ponto percentual de taxaR$ 0,02

O mesmo movimento, lido de três formas

Alta do ativoSó o DeltaDelta + GammaReprecificadoErro do DeltaErro com Gamma
+1%R$ 1,61R$ 1,62R$ 1,62−0,71%0,01%
+2%R$ 1,84R$ 1,89R$ 1,89−2,41%0,07%
+5%R$ 2,55R$ 2,84R$ 2,82−9,48%0,87%
+10%R$ 3,73R$ 4,89R$ 4,66−19,93%5,11%

O erro do Delta sozinho é negativo em todas as linhas, e continua negativo se o movimento for de queda: a curva do prêmio fica acima da reta tangente nos dois sentidos.

Os choques unitários na mesma régua, em % do prêmio

Ativo +1%17,20%
Volatilidade +1 ponto percentual3,17%
Um dia a menos de prazo2,35%
Juro +1 ponto percentual1,11%

Aumente o prazo para 90, 180 e 365 dias: com taxa de 14,00% ao ano, o choque de juro passa o de um dia por volta dos 45 dias e o de volatilidade por volta dos 163.

4.Delta como probabilidade: a calibração contra sete vencimentos

É comum descrever o Delta de uma Call como uma aproximação da probabilidade de a opção terminar dentro do dinheiro: Delta 0,30, cerca de 30% de chance. O material-base apresenta esse atalho e pede cautela. A cautela é justificada, mas dá para ir além dela — sete vencimentos de 2026 já foram liquidados, então é possível comparar o Delta com o que de fato aconteceu.

Para cada um dos vencimentos de fevereiro a agosto de 2026 foi tomado o Delta das séries que negociaram cerca de trinta dias antes, em dez ativos líquidos, e verificado o desfecho de cada uma no dia do vencimento contra o strike vigente ao fim da vida da série. São 7.626 observações.

Agregado das 7.626 sériesValor
Probabilidade média implícita no Delta41,74%
Frequência observada de desfecho dentro do dinheiro42,59%
Desvio−0,85 p.p.
Erro por vencimento (faixa nos 7)de −1,80 p.p. a −0,32 p.p.
Vencimentos em que o desvio troca de sinal0 de 7

No agregado, portanto, o atalho funciona melhor do que sua fama sugere — e funciona de forma estável: nos sete vencimentos o desvio ficou dentro de uma amplitude de 1,47 ponto percentual, ainda que o ativo-objeto tenha variado de −14,31% a +15,11% entre um vencimento e outro. Isso acontece porque Calls e Puts erram em direções opostas e a soma se compensa.

Por faixa, o erro é grande — e não é do Delta

Separando as observações por faixa de Delta, aparecem desvios de vários pontos percentuais: a faixa de 0,1 a 0,2 realizou 23,70% contra 14,57% previstos, e a de 0,7 a 0,8 realizou 70,57% contra 75,10%. A leitura tentadora seria concluir que o Delta subestima a cauda e superestima o meio-termo. Essa leitura não sobrevive ao teste seguinte.

O Delta acerta no agregado e a forma do erro por faixa não se repete7.626 séries de 7 vencimentos liquidados, Delta medido ~30 dias antesPor faixa de |Delta|0,0%25,0%50,0%75,0%100,0%0,0–0,10,2–0,30,4–0,50,6–0,70,8–0,9Delta médio da faixaterminou dentro do dinheiroAgregado: previsto 41,7% · realizado 42,6%Por vencimentofev+15,1%mar9,9%abr+7,3%mai14,3%jun5,6%jul+3,6%ago4,4%erro zerobarra roxa: erro do Delta (p.p.) · fundo: variação do ativo no períodoOs 7 erros cabem em 1,47 p.p. e nenhum troca de sinal.O desvio agregado é estável; o desvio por faixa muda de sinal a cada mês e acompanha a direção do ativo — por isso não é lido como propriedade do Delta.
Em cima, previsto contra realizado por faixa de Delta nas 7.626 séries. Embaixo, o erro agregado de cada vencimento ao lado da variação do ativo no período.

Repetindo a mesma tabela vencimento a vencimento, o sinal do erro de cada faixa muda conforme o mês. Em março de 2026, com os ativos caindo 9,92% na mediana, as faixas altas superestimaram em 23,8 p.p. e as baixas subestimaram em 23,0 p.p.; em julho, com os ativos subindo 3,56%, o padrão se inverteu inteiro. Em nenhuma das dez faixas o sinal do erro se repetiu nos sete vencimentos.

O que a tabela por faixa estava medindo

A forma do erro por faixa descreve a direção que o mercado tomou naquele mês, não uma propriedade do Delta. Quando o ativo sobe, as Calls fora do dinheiro terminam dentro com mais frequência do que qualquer probabilidade calculada antes; quando cai, o oposto. Uma janela de sete vencimentos não é longa o bastante para separar as duas coisas, e por isso a leitura por faixa fica registrada aqui como resultado descartado, não como conclusão.

O viés que é do modelo, e tem sinais opostos

Há uma parte do erro que não depende do mercado e pode ser isolada. No modelo, a probabilidade de exercício não é N(d1), que é o Delta, e sim N(d2) — e d1 é sempre maior que d2 pela distância σ√T. Isso significa que usar o Delta como probabilidade tem um viés conhecido de antemão, e ele muda de sinal conforme o lado do contrato.

LadoSériesDelta − N(d2), medianaNo meio da cadeiaSéries com o mesmo sinal
Call comprada3.825+2,12 p.p.+3,47 p.p.99,8%
Put comprada3.801−2,07 p.p.−3,54 p.p.100,0%

Ou seja: o Delta de uma Call superestima a probabilidade de exercício do próprio modelo, e o módulo do Delta de uma Put a subestima. A distância é modesta em opções curtas e cresce com prazo e volatilidade, porque é exatamente σ√T que separa d1 de d2.

Como usar o Delta, então

Primeiro como medida de exposição, que é o que ele é. Como probabilidade, ele serve de ordem de grandeza e se mostrou bem calibrado no agregado desta amostra, com a ressalva de que superestima do lado da Call e subestima do lado da Put. O que ele nunca é: probabilidade de a operação dar lucro — essa depende do prêmio pago, e uma opção pode terminar dentro do dinheiro e ainda assim devolver menos do que custou.

5.Gamma: a curvatura, e onde a conta do Delta quebra

Se o Delta é a velocidade da opção em relação ao ativo, o Gamma é a variação dessa velocidade. Ele existe porque o Delta não é fixo: à medida que o ativo se move, a mesma opção passa a reagir de forma diferente.

Δ Delta ≈ Gamma × Δ preço do ativo ΔV ≈ Delta·ΔS + ½·Gamma·(ΔS)²

As duas expressões são aproximações — a primeira de como o Delta caminha, a segunda de como o preço caminha. A pergunta prática é a partir de que tamanho de movimento a primeira ordem deixa de servir, e quanto sobra de erro depois de incluir a curvatura. Isso é mensurável: cada série da cadeia foi reprecificada com o mesmo modelo, deslocando o preço do ativo e mantendo volatilidade, prazo e taxa. São 34.432 reprecificações sobre 2.173 séries.

Choque no ativoErro do Delta sozinhoSéries com erro > 10%Erro do Delta + GammaSéries com erro > 10%
1%0,96%0,1%0,02%0,0%
2%3,77%21,1%0,14%0,5%
3%8,27%45,2%0,48%6,4%
5%20,83%66,2%2,22%25,8%
10%54,32%82,6%15,59%55,6%
20%86,37%89,7%51,38%79,5%
A partir de que movimento a conta do Delta deixa de servir34.432 reprecificações de 2.173 séries — erro mediano contra o preço recalculado0,01%0,10%1%10%100%0,5%1%2%3%5%10%15%20%movimento do ativo (escala logarítmica nos dois eixos)só o DeltaDelta + GammaSéries com erro > 10%movimento de 2%21,1%0,5%movimento de 3%45,2%6,4%movimento de 5%66,2%25,8%movimento de 10%82,6%55,6%O Delta sozinho ficou abaixo do preço reprecificado em 100,00% dos testes, nas duas direções — o sinal do erro é a curvatura da posição comprada.
Erro mediano das duas aproximações contra a reprecificação completa, por tamanho do movimento do ativo. Escala logarítmica no eixo do erro.

O erro tem sempre o mesmo sinal

Um detalhe da medição merece destaque: em 100,00% das reprecificações, nas duas direções do movimento, o Delta sozinho ficou ABAIXO do preço reprecificado. Não é uma tendência — é uma consequência do sinal do Gamma numa posição comprada. A curva do prêmio fica acima da reta tangente, então a reta subestima tanto na alta quanto na queda. Depois de somar o termo do Gamma, o erro passa a se distribuir para os dois lados (49,2% para baixo num choque de 1%).

Onde a correção do Gamma funciona melhor

Ao contrário do que a intuição sugere, a aproximação de segunda ordem é mais precisa perto do dinheiro, não longe dele. Num choque de 5%, o erro residual mediano depois do Gamma é de 0,64% nas séries no dinheiro e de 5,45% nas que estão a mais de 15% de distância. O que é maior perto do strike é o nível do Gamma, não o erro de quem o usa.

O laboratório do material, e um cuidado de unidade

O material-base propõe um exercício: anotar Delta e Gamma, elevar o preço do ativo em R$ 1,00 e comparar o novo Delta com a soma Delta anterior + Gamma × R$ 1. O exercício é bom, e a medição mostra por que o passo precisa ser escolhido com cuidado. R$ 1,00 é um movimento de 2,16% numa ação de R$ 30 ou mais e de 15,72% numa ação abaixo de R$ 10.

Passo de R$ 1,00 no ativoAções abaixo de R$ 10Ações de R$ 30 ou mais
Séries testadas3761.334
Quanto R$ 1,00 representa15,72% do preço2,16% do preço
Erro da previsão do novo Delta7,06 p.p.0,36 p.p.

Passo em reais não é comparável entre ativos

A mesma conta, com o mesmo passo nominal, erra vinte vezes mais numa ação barata. Ao repetir esse laboratório, o caminho é usar um passo proporcional — 1% ou 2% do preço do ativo — em vez de um valor fixo em reais, e comparar ativos sempre na mesma escala relativa.

Onde a curvatura se concentra

O material afirma que o Gamma é maior no dinheiro e aumenta perto do vencimento, e as duas coisas se confirmam com números. Na cadeia de 18/09/2026, tomando o efeito em reais de um movimento de 1% no ativo, o Gamma cai para 4,1% do pico nos strikes a mais de 20% acima do preço à vista. E comparando o vencimento mais curto com o mais longo de cada ativo, o Gamma da série no dinheiro é 11,4 vezes maior no curto — enquanto o Vega é 6,8 vezes maior no longo.

Onde a curvatura e a exposição à volatilidade se concentramcadeia de 18/09/2026 em 24/08 — efeito em reais de um choque unitário, cada série na mediana da sua faixa, normalizado pelo pico0%25%50%75%100%no dinheiro−100 a −20%n=144−20 a −10%n=294−10 a −5%n=257−5 a −1%n=239−1 a +1%n=122+1 a +5%n=237+5 a +10%n=253+10 a +20%n=351+20 a +100%n=270VegaGammadistância do strike em relação ao preço à vistaNos strikes a mais de 20% acima do preço à vista restam 4,1% do pico do Gamma e 8,9% do pico do Vega: a curvatura desaparece mais rápido.O ponto de curvatura máxima ficou ACIMA do preço à vista em 72 de 72 séries: +1,00% aos 18 dias e +20,82% aos 403.
Gamma e Vega ao longo da cadeia, normalizados pelo próprio pico. As duas se concentram no dinheiro, mas o Vega decai mais devagar.

O pico não fica no preço à vista

Varrendo os strikes de 72 séries, o ponto de curvatura máxima ficou ACIMA do preço à vista em 72 de 72 casos: +1,00% nos vencimentos de cerca de 18 dias e +20,82% nos de cerca de 403 dias. O deslocamento acompanha o preço a termo do ativo, S·e^(rT), com correlação de 0,9906 — e o preço a termo é grande justamente porque o juro é de 14% ao ano. Num mercado de juro perto de zero, o pico e o preço à vista praticamente coincidem, que é por que o material internacional os trata como a mesma coisa.

6.Theta: a unidade, a aceleração e o fim de semana

Theta estima a variação do valor teórico causada apenas pela passagem do tempo. Não é uma cobrança feita pela bolsa: é a forma como o modelo representa o encolhimento do conjunto de cenários ainda possíveis à medida que o vencimento se aproxima. Em condições usuais, opção comprada tem Theta negativo e opção vendida, positivo.

Antes do número, a unidade

Este é o ponto em que mais se erra na prática, e ele não aparece em nenhuma fórmula. A fonte publica o Theta em base ANUAL. Para transformá-lo em decaimento diário é preciso dividir — e há duas convenções em circulação: dividir por 365 dias corridos ou por 252 pregões. A diferença entre elas é de 44,84%.

Conversão do Theta anualDecaimento diário mediano (% do prêmio)Exemplo: prêmio de R$ 70,00, Theta anual −16,2332
÷ 365 (dias corridos)2,01%R$ 0,0445 por dia
÷ 252 (pregões)2,92%R$ 0,0644 por dia

Qual das duas é a correta aqui

A que é coerente com o resto do modelo. A fonte calcula o prazo em anos como dias corridos ÷ 365 — uma opção com 25 dias corridos até o vencimento chega com 0,06849315, que é 25/365. Com o prazo medido em dias corridos, o Theta diário compatível é o de dias corridos, dividido por 365. Antes de multiplicar qualquer Theta por um número de dias, vale conferir em que base a plataforma o publica; a checagem é comparar o prazo em anos que ela exibe com o número de dias no calendário.

O decaimento não é linear, e dá para ver a curva

Dizer que uma opção tem 30 dias de vida não autoriza dividir o valor extrínseco por 30. Medindo o Theta diário como fração do prêmio nas séries próximas do dinheiro, ao longo de 39.130 transições diárias de quatro ativos em dois vencimentos encerrados, a aceleração fica evidente.

O relógio acelera — e cobra o fim de semana inteiro39.130 transições diárias de 4 ativos em 2 vencimentos encerrados, séries a até 3% do dinheiro0%10%20%30%0,83%45–90n=3.0771,35%30–45n=1.5162,03%21–30n=1.0993,08%14–21n=7835,56%7–14n=74914,72%3–7n=29733,62%0–3n=129dias até o vencimento · decaimento diário como % do prêmioO que o mercado cobrouvariação sem preço e sem volatilidade2,24%dia útiln=31.2097,04%sex → segn=7.921razão observada: 3,14×o modelo previa 2,89× (3 dias de calendário)A razão de 3,14 é compatível com os três dias de calendário e incompatível com a ideia de que o relógio para quando o pregão fecha.
À esquerda, o Theta diário como percentual do prêmio por faixa de dias até o vencimento. À direita, o decaimento observado num dia útil e sobre um fim de semana.
Dias até o vencimentoTransiçõesTheta diário (% do prêmio)
45 a 903.0770,83%
30 a 451.5161,35%
21 a 301.0992,03%
14 a 217833,08%
7 a 147495,56%
3 a 729714,72%
0 a 312933,62%

O que o relógio cobra no fim de semana

Há uma pergunta prática que a maioria dos materiais não responde: entre a sexta-feira e a segunda-feira passam três dias de calendário e nenhum pregão. O modelo cobra os três — nas 7.921 transições que atravessam um fim de semana, o prazo diminuiu 3,0 dias na mediana, e o Theta previsto foi 2,89 vezes o de um dia útil. Resta saber o que o mercado cobrou.

TransiçãoNº de casosTheta previsto pelo modeloVariação observada, descontados preço e volatilidade
Um dia útil31.209−2,38% do prêmio−2,24% do prêmio
Sexta para segunda7.921−6,88% do prêmio−7,04% do prêmio
Razão entre as duas2,89×3,14×

O fim de semana é cobrado por inteiro

A razão observada de 3,14 é compatível com os três dias de calendário e incompatível com a hipótese de que o relógio para quando o pregão fecha. Quem carrega opção comprada na sexta paga o fim de semana; quem carrega vendida o recebe. A coluna da direita isola o efeito do tempo removendo as contribuições de Delta, Gamma e Vega de cada transição — sem esse cuidado, a variação bruta é dominada pelo movimento do preço.

O erro comum

"O Theta é R$ 0,05 hoje, então vou perder R$ 0,05 por dia até o vencimento." O Theta de hoje descreve o instante de hoje. Ele se recalcula a cada mudança de preço, prazo e volatilidade, e nas séries próximas do dinheiro ele acelera de 0,83% do prêmio por dia a mais de 45 dias do vencimento para 33,62% nos últimos três.

7.Vega: a volatilidade implícita, e o peso dela no dia a dia

Vega estima quanto o valor teórico muda quando a volatilidade implícita varia. Em boa parte das plataformas ele é apresentado por 1 ponto percentual de variação: Vega 0,12 indica cerca de R$ 0,12 de mudança no prêmio se a implícita passar de 25% para 26%. Opções compradas têm Vega positivo; vendidas, negativo.

Conferir a escala antes de multiplicar

A convenção de exibição varia por sistema. A fonte usada neste curso publica o Vega em unidade de modelo — por 1,00 de volatilidade, ou seja, por 100 pontos percentuais —, enquanto a calculadora do site o exibe por 1 ponto percentual, que é a convenção de tela. São dois números com a mesma etiqueta e cem vezes de diferença. O mesmo vale para o Rho.

O Vega também se concentra perto do dinheiro, mas decai mais devagar que o Gamma: nos strikes a mais de 20% acima do preço à vista ainda restam 8,9% do pico, contra 4,1% do Gamma. E a relação com o prazo é oposta à do Gamma — comparando o vencimento mais curto com o mais longo de cada ativo, o Vega da série no dinheiro é 6,8 vezes maior no vencimento longo.

Por que Gamma e Vega andam em sentidos contrários no prazo

O Gamma da série no dinheiro é inversamente proporcional à raiz do prazo e o Vega é proporcional a ela. Uma opção curta é um instrumento de curvatura; uma opção longa é um instrumento de volatilidade. Essa diferença explica por que vencimentos distintos do mesmo ativo reagem de formas tão diferentes ao mesmo acontecimento — e é a razão pela qual estruturas de calendário existem.

Quanto cada grega explica do resultado diário

O material-base fecha com uma aproximação conjunta: a variação do valor de uma opção seria a soma das contribuições de Delta, Gamma, Theta, Vega e Rho. Isso é testável. Para cada uma das 39.130 transições de um pregão para o seguinte, a variação real do prêmio foi comparada com a soma das cinco contribuições calculadas a partir do estado do dia anterior.

ΔV ≈ Delta·ΔS + ½·Gamma·(ΔS)² + Theta·Δt + Vega·Δσ + Rho·Δr

Aproximação usadaR² contra a variação real
As cinco gregas0,9733
Sem o Vega0,8762
Sem o Gamma0,9656
Só o Delta0,8606
Quanto cada grega explica do movimento de um dia31.419 transições de um pregão para o seguinte, decompostas pelas cinco gregas do dia anteriorparticipação mediana no movimentoé a maior do dia emDelta60,0%75,2%Vega22,2%19,6%Theta7,9%5,2%Gamma2,2%0,0%Rho0,0%0,0%Quanto a soma explicaas cinco gregas0,9733sem o Gamma0,9656sem o Vega0,8762só o Delta0,8606R² medido contra a variação real do prêmioO Gamma responde por 2,2% do movimento típico e não foi a maior contribuição em nenhuma das 31.419 transições.Ele é o único termo não linear da soma: a contribuição cresce com o quadrado do movimento, então importa pouco no dia comum e muito no dia atípico.
Participação mediana de cada grega no movimento diário do prêmio e frequência com que cada uma é a maior contribuição do dia.

A decomposição mostra uma hierarquia que não é a do índice do material. O Delta responde por 60,0% do movimento na mediana e é a maior contribuição em 75,2% dos dias. O Vega vem em segundo, com 22,2% e liderando em 19,6% dos dias. O Theta é o terceiro, com 7,9% e 5,2%. E o Gamma, que ocupa três módulos do material-base, responde por 2,2% do movimento e não foi a maior contribuição em nenhuma das 31.419 transições medidas.

Isso não faz o Gamma irrelevante

O Gamma é pequeno no dia típico e decisivo no dia atípico. Ele é o único termo não linear da soma: sua contribuição cresce com o QUADRADO do movimento, então dobra de importância a cada vez que o movimento dobra. Foi exatamente isso que a medição do capítulo anterior mostrou — num choque de 1% ele corrige 0,96% de erro; num de 10%, corrige 38,7 pontos percentuais. Uma grega pode ser irrelevante na média e determinante na cauda.

Volatilidade implícita e eventos

Quando a implícita sobe, o mercado está atribuindo mais incerteza aos caminhos possíveis do ativo, e isso eleva o valor temporal — favorecendo quem carrega Vega positivo. Antes de divulgações de resultados e decisões relevantes a implícita costuma subir; depois do evento, com parte da incerteza resolvida, ela pode ceder rapidamente, contração conhecida como compressão da volatilidade implícita.

Acertar a direção não basta

Uma opção comprada pode entregar pouco mesmo com o ativo indo para o lado esperado, se a implícita cair no caminho. O curso anterior mediu que a implícita de cerca de 30 dias antes ficou acima da volatilidade que o ativo entregou em 41 de 70 casos, com diferença mediana de +1,80 ponto percentual — um prêmio pequeno e não sistemático. Quem compra opção também está comprando um nível de volatilidade, e vale saber qual é.

8.Rho: a grega que o juro brasileiro tira do rodapé

Rho estima como o valor teórico muda diante de uma alteração na taxa de juros usada pelo modelo. No modelo padrão, Call comprada tem Rho positivo e Put comprada, Rho negativo; as posições vendidas invertem os sinais. O material-base, como quase todo material sobre gregas, trata o Rho como o item menos relevante do painel — e apresenta essa afirmação sem qualificar o nível de juros que a sustenta.

Primeiro: quanto de juro já está dentro do prêmio

Antes de medir a sensibilidade, vale medir o nível. Reprecificando as séries da cadeia de 18/09/2026 com a mesma volatilidade, o mesmo prazo e a taxa zerada, o efeito do juro aparece inteiro.

Cadeia de 25 dias, mesma volatilidadeCallPut
Prêmio a 14,00% contra prêmio a juro zero+16,03%−13,67%
Prêmio a 14,00% contra prêmio a 0,5% (referência externa)+15,40%−13,23%
Séries medidas909905

A intuição por trás disso é a do custo de carregar dinheiro. Comprar uma Call adia o desembolso da compra do ativo até o vencimento, e adiar desembolso vale mais quando o dinheiro rende mais. Na Put, o efeito corre no sentido oposto: o strike a receber está mais distante em valor presente.

Depois: onde o Rho passa as outras gregas

Para comparar as sensibilidades é preciso colocá-las na mesma régua. Adotando três choques unitários comparáveis — mais 1 ponto percentual no juro, mais 1 ponto percentual na volatilidade e um dia a menos de prazo — e medindo o efeito de cada um como percentual do prêmio da série no dinheiro, a ordem entre eles muda com o prazo.

Três choques unitários na mesma régua, por prazosérie no dinheiro, taxa de 14,00% a.a. e volatilidade de 30% — efeito como % do prêmio0,1%0,5%1,0%2,0%5,0%7d30d90d1 ano2 anosprazo até o vencimento (escala logarítmica nos dois eixos)aos 45 dias o juro passa o tempoaos 163 dias passa a volatilidadejuro +1 p.p.volatilidade +1 p.p.um dia a menosO juro dentro do prêmiocadeia de 25 dias, taxa de 14% × juro zeroCall+16,03%Put13,67%A mesma cadeia com juro zerodevolve uma Call 16,03%mais barata e uma Put13,67% mais cara.Variando a volatilidade de 20% a 50%, os cruzamentos se deslocam para 36–62 dias e 126–224 dias: a ordem se mantém em toda a faixa testada.
Efeito de três choques unitários sobre o prêmio da opção no dinheiro, por prazo, com taxa de 14,00% e volatilidade de 30%. Os dois pontos de cruzamento estão marcados.
Prazo da série no dinheiroJuro +1 p.p.Volatilidade +1 p.p.Um dia a menos
7 dias0,55%3,07%7,68%
25 dias1,00%2,85%2,27%
45 dias1,30%2,70%1,30%
90 dias1,74%2,46%0,68%
163 dias2,20%2,20%0,39%
365 dias2,88%1,75%0,18%
730 dias3,39%1,29%0,09%

Os dois cruzamentos são o resultado central deste capítulo: com volatilidade de 30%, o choque de juro passa o de um dia de prazo aos 45 dias e passa o de volatilidade aos 163 dias. Variando a volatilidade de 20% a 50%, os cruzamentos se deslocam para as faixas de 36 a 62 dias e de 126 a 224 dias — a ordem se mantém em toda a faixa testada.

O que muda na leitura

Numa opção brasileira de seis meses ou mais, o juro é a segunda maior sensibilidade do painel, atrás apenas do Delta. Isso não torna o Rho urgente para quem opera séries de poucas semanas — ali ele continua sendo o menor dos cinco. Torna-o incontornável para quem monta posições longas, e explica por que o material importado pode desprezá-lo sem prejuízo: a mesma conta com juro de 0,5% ao ano coloca os dois cruzamentos muito além dos prazos habitualmente negociados.

No dia a dia, o Rho dorme — e acorda no Copom

A contrapartida é que a taxa não muda todo dia. Nas 39.130 transições medidas, a taxa usada pelo modelo mudou em apenas 12 de 328 pregões, isto é, 3,66% deles. As três datas foram 30 de abril, 18 de junho e 6 de agosto de 2026 — todas quintas-feiras, o dia seguinte às decisões de política monetária, com a taxa caindo de 14,75% para 14,00% ao longo da janela.

Nos pregões em que a taxa mudouValor
Participação do Rho no movimento do prêmio (mediana)1,85%
No percentil 906,22%
Maior participação observada17,24%
Transições em que o Rho superou o Theta12,14%

Duas leituras do mesmo número

O Rho tem participação praticamente nula no resultado do pregão típico porque a variável que ele mede fica parada. Isso é diferente de dizer que a exposição é pequena: ela está lá o tempo todo e se materializa de uma vez, num punhado de dias por ano. Uma posição longa carregada através de um ciclo de política monetária acumula esse efeito reunião a reunião.

A exceção que a tabela de sinais não prevê

As tabelas de sinais que circulam em todo material listam a Put comprada com Theta negativo, sem ressalva. Na cadeia de 18/09/2026, 94 das 2.173 séries com painel de gregas contradizem essa linha: são Puts compradas com Theta POSITIVO, todas com strike acima do preço à vista, de +5,3% a +52,5% de distância.

Não é erro da fonte, e o modelo reproduz a exceção. Uma Put europeia dentro do dinheiro é, em boa medida, o direito de receber o strike no vencimento. À medida que a data se aproxima, o valor presente desse recebimento aumenta — e, se esse efeito superar o encolhimento do valor temporal, o Theta fica positivo. Quanto maior o juro, mais cedo isso acontece.

Fronteira em que o Theta da Put comprada vira positivoTaxa de 14,00% a.a.Taxa de 0,5% a.a.
Série de 25 diasstrike a +9,93% do spotstrike a +23,92% do spot
Série de um anostrike a +3,38% do spotstrike a +87,79% do spot

Por que isso não aparece no material importado

Com juro perto de zero, a fronteira fica em regiões da cadeia que quase não têm negócio — a exceção existe no papel e não se encontra na prática. No juro brasileiro ela entra na faixa negociada, e por isso 94 séries de um único vencimento a exibem. A tabela de sinais continua sendo uma boa referência para a maior parte dos casos, desde que se saiba que a linha da Put comprada tem uma condição embutida: strike suficientemente acima do preço à vista, e o suficiente depende do juro.

9.Somando as pernas: as gregas líquidas de uma estrutura

Numa estratégia com mais de uma opção, o que descreve o risco é a exposição líquida. Cada perna contribui com as próprias gregas, multiplicadas pela quantidade, pelo tamanho do contrato e pelo sinal da posição.

Grega líquida = Σ (grega da perna × quantidade × multiplicador × sinal)

O material-base ilustra isso com uma trava de alta de números hipotéticos e conclui, corretamente, que a estrutura mantém o viés direcional e reduz as demais gregas. A conta foi refeita na cadeia real: em cada um dos 32 ativos, comprando a Call mais próxima do dinheiro e vendendo uma Call de strike mais alto, em quatro larguras diferentes, com as duas pernas negociadas no mesmo pregão. São 128 travas.

Largura da travaDeltaGammaVegaThetaRho
1,9% do preço à vista16,7%−1,0%−0,9%4,1%15,9%
4,9%40,6%5,2%6,9%15,6%39,7%
9,8%68,0%35,4%33,5%40,6%66,8%
14,8%85,1%62,0%60,4%63,2%84,5%

Cada célula é quanto SOBRA daquela grega em relação à perna comprada isolada, na mediana das 32 travas de cada largura. A leitura por linha mostra o que a estrutura faz: quanto mais estreita, menos de tudo ela carrega. A leitura por coluna mostra o que ela preserva — e é aí que está o achado.

O Delta é o que menos some

Em 127 das 128 travas, o Delta foi a grega que menos se reduziu. Isso é a descrição precisa do que uma trava vertical faz: ela mantém o viés direcional e corta desproporcionalmente a curvatura, a exposição à volatilidade e a exposição ao tempo. Na largura de 14,8%, sobram 85,1% do Delta contra 62,0% do Gamma e 60,4% do Vega.

Na trava estreita, duas gregas trocam de sinal

A tabela acima traz dois valores negativos que merecem mais do que uma nota de rodapé. Na largura de 1,9%, o Gamma e o Vega líquidos ficam abaixo de zero na mediana: o vega líquido é negativo em 28 das 32 travas e o theta líquido é positivo em 8 delas. A estrutura continua sendo uma posição comprada com viés de alta — e passou a ganhar com a passagem do tempo e a perder com a alta da volatilidade implícita.

Isso acontece porque a Call vendida está mais próxima do dinheiro do que a comprada quando os strikes são vizinhos, e o Gamma e o Vega da perna vendida superam os da comprada. Uma trava de alta muito estreita é, na prática, uma posição vendida em volatilidade com direcional de alta — descrição bem diferente de "uma Call comprada com menos tudo".

Trava de alta em BOVA11, 24/08/2026Call comprada K 169,00Call vendida K 177,00Líquido
Delta+0,58628−0,24519+0,34109
Gamma+0,04610−0,03636+0,00974
Vega (por 1,00 de volatilidade)+17,23172−13,91076+3,32095
Theta (ao ano)−37,31088+25,48549−11,82539
Rho (por 1,00 de taxa)+6,49715−2,75435+3,74280
PrêmioR$ 4,22R$ 1,23custo R$ 2,99

Somar gregas exige a mesma unidade

As gregas da tabela acima estão na unidade do modelo — Vega por 1,00 de volatilidade, Theta ao ano, Rho por 1,00 de taxa. Somar pernas cujas gregas venham de telas diferentes, uma com Vega por ponto percentual e outra por unidade, produz um total sem significado. O primeiro passo de qualquer soma é conferir a escala de cada parcela; o segundo é multiplicar pelo tamanho real do contrato de cada perna, que pode diferir entre elas.

E quando a grega simplesmente não existe

Uma última verificação da cadeia, que não aparece em material nenhum: nem toda série tem painel de risco. Das 2.466 séries que negociaram em 24/08/2026, 2.173 (88,12%) traziam as cinco gregas; nas outras 293 o modelo não convergiu ou o preço não permitiu inverter a volatilidade implícita.

Posição em aberto do vencimento de setembroAçõesParticipação
Em séries com painel de gregas1.894.267.54491,56%
Em séries SEM nenhuma grega publicada174.533.6828,44%

Ausência de grega não é grega zero

As 291 séries sem painel concentram 174,5 milhões de ações em posição aberta — 270 delas porque a volatilidade implícita não convergiu e 21 por preço inválido. Uma planilha que soma as pernas tratando campo vazio como zero declara essas posições sem risco de curvatura, sem risco de volatilidade e sem decaimento. O tratamento correto é sinalizar a lacuna, não preenchê-la com zero.

Dois cuidados adicionais na leitura de uma cadeia

Primeiro: um Gamma publicado como zero nem sempre é um Gamma nulo. Em 15 séries da amostra a fonte publicou zero enquanto o próprio modelo dela, alimentado com as entradas que ela mesma exibe, devolve valores altos — a maior delas com Gamma de 0,5555, a +5,8% do dinheiro. Segundo: 33 séries trazem Gamma negativo da ordem de 10⁻¹⁵, resíduo de arredondamento numérico. Quem filtra por Gamma menor que zero para identificar posições vendidas encontra falsos positivos.

10.Checklist, limites e o próximo curso

O diagrama de payoff mostra onde a posição chega no vencimento. As gregas mostram o caminho até lá — e é no caminho que a maior parte das decisões é tomada, porque quase nenhuma posição é carregada até o último dia sem ser revista.

Perguntas mínimas antes de montar uma posição

  • Qual é o Delta líquido, e a posição é de alta, de baixa ou aproximadamente neutra?
  • Qual é o Gamma líquido, e o Delta pode mudar rápido diante de um movimento plausível do ativo?
  • O Theta líquido é positivo ou negativo, e em que base ele está publicado — por ano, por dia corrido ou por pregão?
  • A posição é comprada ou vendida em Vega, e há evento no calendário capaz de mexer na volatilidade implícita?
  • O prazo da operação passa dos 45 dias? Se passar, o Rho já é maior que o Theta.
  • As gregas de todas as pernas estão na mesma unidade antes de serem somadas?
  • A exposição foi multiplicada pelo tamanho real do contrato de cada perna, conferido no cadastro da série?
  • Alguma perna está sem grega publicada, e a planilha está tratando isso como zero?
  • Para o cenário que se quer avaliar, a aproximação por gregas basta, ou o movimento é grande o bastante para exigir reprecificação?

A régua de quando parar de somar gregas

A medição deste curso dá um corte prático: até cerca de 3% de movimento no ativo, Delta e Gamma juntos erram menos de meio por cento do prêmio na mediana. A 5%, o erro residual sobe para 2,22% e um quarto das séries passa de 10%. A partir daí, o caminho é reprecificar a posição no cenário desejado em vez de projetar o resultado com as gregas do estado atual.

Erros comuns de interpretação

Leitura equivocadaO que a medição mostra
"Call no dinheiro tem Delta 0,50."Nenhum dos 32 ativos da cadeia ficou em 0,50 — a mediana é 0,5622, e 4,38 dos 6,02 pontos percentuais de diferença vêm do juro.
"Delta 0,50 significa 50% de lucro se a ação subir."Delta é variação do prêmio por unidade de variação do ativo, não retorno percentual.
"Delta é a probabilidade de exercício."É uma aproximação dela. No agregado desta amostra ficou a 0,85 p.p. do observado, mas superestima na Call em 2,12 p.p. e subestima na Put em 2,07 p.p.
"O Delta basta para estimar o novo preço."O Delta sozinho subestimou o preço reprecificado em 100,00% dos 34.432 testes; num choque de 5% o erro mediano é de 20,83%.
"Theta de X hoje significa perder X por dia até o vencimento."Nas séries próximas do dinheiro, o decaimento diário vai de 0,83% do prêmio a mais de 45 dias para 33,62% nos últimos três.
"O tempo não passa no fim de semana."Sexta para segunda custou 3,14 vezes um dia útil, contra 2,89 vezes previstos pelo modelo.
"Vega positivo significa ganhar quando o ativo sobe."Vega responde à volatilidade implícita. Ele foi a maior contribuição do dia em 19,6% das transições, à frente do Theta e do Gamma.
"Rho é a grega menos importante."Vale para séries curtas. A partir de 45 dias ele supera o Theta e a partir de 163 dias supera o Vega, com taxa de 14,00% e volatilidade de 30%.
"Put comprada sempre perde com o tempo."94 séries da cadeia têm Theta positivo — Puts com strike acima do preço à vista, cuja fronteira no juro brasileiro é +9,93% em 25 dias.
"Uma trava de alta é uma Call comprada com menos de tudo."Na largura de 1,9%, o Vega líquido é negativo em 28 das 32 travas e o Theta líquido é positivo em 8: a estrutura muda de natureza, não só de tamanho.
🧠

Quiz — As Gregas

Interativo

Dez perguntas sobre o que cada sensibilidade mede, em que unidade ela vem e até onde ela vale.

1. Na cadeia medida, o Delta da Call com strike igual ao preço à vista teve mediana de 0,5622 e nenhum dos 32 ativos ficou em 0,50. A maior parte dessa diferença vem de:

2. Comparando o Delta de ~30 dias antes com o desfecho real de 7.626 séries em sete vencimentos liquidados, o resultado agregado foi:

3. Na mesma medição, o erro por FAIXA de Delta chegou a −27,5 e +24,9 pontos percentuais. A leitura correta desse número é:

4. Há um viés que É do modelo e não depende do mercado: o Delta é N(d1) e a probabilidade de exercício é N(d2). O efeito disso é:

5. Em 34.432 reprecificações, o Delta usado sozinho ficou ABAIXO do preço recalculado em 100,00% dos casos, tanto na alta quanto na queda. A razão é:

6. A fonte publica o Theta em base ANUAL. Dividir por 365 ou por 252 para chegar ao valor diário muda o número em:

7. Entre a sexta-feira e a segunda passam três dias de calendário e nenhum pregão. Medido em 7.921 transições, o decaimento observado sobre um fim de semana foi:

8. Decompondo 31.419 variações diárias de prêmio nas cinco gregas, qual foi a maior contribuição do dia com mais frequência, e qual delas NUNCA foi a maior?

9. Com taxa de 14,00% ao ano e volatilidade de 30%, a partir de que prazo o choque de +1 ponto percentual no juro passa a ser maior que o de +1 ponto percentual na volatilidade?

10. Montando travas de alta reais na cadeia, com strikes vizinhos (1,9% de largura), o Vega líquido ficou negativo em 28 das 32 travas. Isso significa que:

Próximo curso

Com o painel de sensibilidades lido, a trilha sai da mecânica de precificação e entra nas primeiras operações direcionais. O Curso 5 trata da compra de Calls e Puts: como estruturar a posição, onde ficam o ponto de equilíbrio, a perda máxima e o ganho potencial, e o que as gregas dizem sobre o resultado antes do vencimento — que é onde a maior parte das posições é encerrada.

Fontes e limites desta análise

  • Cadeia de opções da B3, vencimento de 18/09/2026, pregão de 24/08/2026: 2.466 séries com negócio em 32 ativos, das quais 2.173 com as cinco gregas publicadas.
  • Estrutura a termo: seis ativos e os vencimentos vivos até agosto de 2028, sempre com a série mais próxima do dinheiro de cada vencimento e no mesmo pregão.
  • Calibração do Delta: sete vencimentos de 2026 já liquidados (fevereiro a agosto), dez ativos líquidos, o Delta de cerca de 30 dias antes contra o desfecho no dia do vencimento — 7.626 observações.
  • Decomposição do resultado diário e decaimento: 39.130 transições de um pregão para o seguinte, quatro ativos em dois vencimentos encerrados, 328 pregões.
  • Aproximações de Delta e Delta+Gamma: 34.432 reprecificações das 2.173 séries com grega, deslocando o preço do ativo de 0,5% a 20% nas duas direções.
  • Gregas líquidas: 128 travas de alta montadas em 32 ativos, em quatro larguras, com as duas pernas negociadas no mesmo pregão.
  • Modelo: Black-Scholes-Merton reimplementado e conferido contra o preço e as cinco gregas da fonte, com sete casas decimais de coincidência.

O que estes números não são

Todas as medições descrevem recortes: um pregão para a cadeia viva, sete vencimentos de 2026 para a calibração do Delta, dois vencimentos e quatro ativos para o decaimento e a decomposição diária. A amostra da calibração cobre apenas séries que negociaram no dia da medição, o que exclui as menos líquidas. Os cruzamentos do Rho foram calculados sobre a série no dinheiro com volatilidade de 30% e verificados na faixa de 20% a 50%. Nenhum número aqui é recomendação de compra, venda ou montagem de estrutura.

Fontes de referência

  • B3 — Especificações do contrato de opções sobre ações: cotação do prêmio, estilos de exercício, lote de negociação e apuração de posições em aberto por série.
  • Dados de mercado de opções distribuídos por provedor: cadeia por vencimento, preço, volatilidade implícita, taxa livre de risco, dividend yield e as cinco gregas por série, com recorte por data.
  • Black, F. e Scholes, M. (1973) e Merton, R. (1973) — o modelo de precificação de opções europeias usado como referência teórica.
  • Options Industry Council — material de referência sobre a interpretação das gregas, usado como contraponto às medições da cadeia brasileira.

Conteúdo exclusivamente educacional — não constitui recomendação de investimento.