1.Direção deixa de ser a pergunta
Todas as estruturas dos cursos anteriores começavam por uma direção. A compra a seco aposta que o ativo sobe ou que cai. A venda coberta aceita entregar acima de um preço. A Roda encadeia as duas. A trava vertical limita as duas pontas, mas continua escolhendo um lado. O Straddle e o Strangle comprados fazem outra pergunta: não para onde, e sim quanto.
A construção é a mesma nas duas: comprar uma Call e uma Put do mesmo vencimento. Uma ganha se o ativo subir, a outra se cair — e como as duas foram pagas, o resultado só aparece quando o movimento for grande o bastante para cobrir os dois prêmios. Acertar que “houve alta” não basta; é preciso que a alta pague a Call e a Put que virou pó.
| Tese | Pergunta central | Estrutura típica |
|---|---|---|
| Direcional de alta | O ativo vai subir? | Compra de Call |
| Direcional de baixa | O ativo vai cair? | Compra de Put |
| Direcional com teto | Vai subir até onde? | Trava de alta, venda coberta |
| Magnitude | Vai se afastar o suficiente, para qualquer lado? | Straddle e Strangle comprados |
O que este curso mede
A análise foi realizada com base na cadeia de opções que a B3 negociou em 2026: 70 straddles no dinheiro e 140 strangles, um por ativo e vencimento em dez papéis e sete vencimentos, montados 30 dias antes de cada vencimento e carregados até o fim, mais oito séries acompanhadas pregão a pregão. Os dados utilizados mostram um resultado que não é o esperado por quem chama essas estruturas de “posição em volatilidade” — e a explicação está na diferença entre duas coisas que a palavra “movimento” confunde.
Antes de chegar lá, é preciso separar dois conceitos que a mesma palavra “volatilidade” carrega, e que decidem o preço do que se está comprando.
2.Volatilidade realizada e volatilidade implícita
A volatilidade realizada descreve quanto o ativo de fato oscilou numa janela: é o desvio-padrão dos retornos diários, anualizado. Ela é um fato do passado, calculável a partir da série de preços, sem opinião nenhuma. A volatilidade implícita é outra coisa: é o valor que, colocado num modelo de precificação, faz o preço teórico da opção bater com o prêmio observado no mercado. Ela é uma leitura de preço, não uma previsão.
| Conceito | O que é | De onde sai |
|---|---|---|
| Volatilidade realizada | A oscilação que o ativo apresentou numa janela | Série de preços do próprio ativo |
| Volatilidade implícita | O parâmetro que reconcilia o modelo com o prêmio negociado | Preço da opção + modelo + demais premissas |
| Prêmio de volatilidade | A diferença entre as duas, medida depois do fato | Comparação entre a implícita de ontem e a realizada de hoje |
Nos 70 pares medidos, a implícita das duas pernas no dinheiro tinha mediana de 30,57% na montagem. A volatilidade realizada nos 30 pregões anteriores era 29,91%, e a que apareceu no período operado foi 28,85%. A implícita ficou acima da realizada futura em 42 dos 70 pares, com prêmio mediano de 2,13 pontos percentuais — o pagamento que o comprador faz pela incerteza, e que o vendedor recebe.
Implícita alta não é previsão de movimento
A implícita antecipa bem a oscilação recente (correlação de 0,930 com a realizada dos 30 dias anteriores) e razoavelmente a do período seguinte (0,833). Isso a torna uma boa estimativa de quanto o ativo tende a oscilar — não uma garantia de que ele vá oscilar. E, como as próximas seções mostram, estimar a oscilação certa ainda não é estimar o que a estrutura recebe no vencimento.
3.O Long Straddle: mesma data, mesmo strike
O Long Straddle compra uma Call e uma Put sobre o mesmo ativo, com o mesmo strike e o mesmo vencimento. O strike costuma ficar perto do preço à vista, e é essa escolha que dá à estrutura o formato simétrico em torno do preço atual. O custo inicial é a soma dos dois prêmios, e ele é também a perda máxima no vencimento.
| Perna | Posição | Strike | Vencimento |
|---|---|---|---|
| Call | Comprada | K | T |
| Put | Comprada | K | T |
No vencimento só o valor intrínseco importa. Se o ativo terminar acima de K, a Call vale a diferença e a Put vira pó; abaixo de K, o contrário. Exatamente em K as duas expiram sem valor. Como uma das pernas sempre morre, a que sobra precisa cobrir sozinha o que as duas custaram — e é por isso que o custo total entra dos dois lados do ponto de equilíbrio.
| Métrica | Fórmula no vencimento |
|---|---|
| Custo inicial | prêmio da Call + prêmio da Put |
| Perda máxima | o custo inicial, atingido apenas se o ativo fechar exatamente em K |
| Ponto de equilíbrio superior | K + custo total |
| Ponto de equilíbrio inferior | K − custo total |
| Resultado no vencimento | |preço final − K| − custo total |
Unidade de conta
Todas as fórmulas deste curso são por unidade do ativo-objeto. Para chegar ao valor financeiro, multiplique pelo tamanho efetivo do contrato e pela quantidade. O curso 2 mediu que o lote não é 100 em 9,50% das séries da cadeia — vale conferir o lote de cada série antes de dimensionar.
A assimetria entre os dois lados é real, mas menor do que costuma parecer: na alta o ganho não tem teto teórico, enquanto na queda ele para em K menos o custo, porque o preço não fica negativo. Em prazos de 30 dias, a diferença raramente pesa — o que decide é a distância percorrida, não o limite inferior.
4.O Long Strangle: a mesma ideia, com os strikes afastados
O Long Strangle também compra uma Call e uma Put do mesmo vencimento, mas com strikes diferentes: a Put abaixo do preço à vista e a Call acima, as duas fora do dinheiro. Como opções fora do dinheiro custam menos, o desembolso cai — e, com ele, cai também a região em que a estrutura tem qualquer valor no vencimento.
| Métrica | Fórmula no vencimento |
|---|---|
| Custo inicial | prêmio da Put (K₁) + prêmio da Call (K₂), com K₁ < K₂ |
| Perda máxima | o custo inicial, em qualquer preço final entre K₁ e K₂ |
| Ponto de equilíbrio superior | K₂ + custo total |
| Ponto de equilíbrio inferior | K₁ − custo total |
| Resultado no vencimento | max(preço final − K₂, 0) + max(K₁ − preço final, 0) − custo total |
A diferença entre as duas linhas de perda máxima é a diferença estrutural inteira. No Straddle a perda total é um ponto: o ativo teria de fechar exatamente no strike. No Strangle ela é um intervalo, e o intervalo cresce à medida que os strikes se afastam. É a mesma troca que aparece em toda a operação com opções — pagar menos por uma exigência maior — e a seção seguinte dá o tamanho dela na cadeia real.
A figura usa uma montagem real. Em 22/07/2026 a PETR4 fechou a R$ 42,58; o Straddle no strike de R$ 42,61 custava R$ 2,84 (Call R$ 1,57 + Put R$ 1,27) e o Strangle com Put em R$ 40,36 e Call em R$ 44,61 custava R$ 1,28 — 54,93% mais barato. No vencimento, em 21/08, o ativo fechou a R$ 44,30: subiu 4,04%. O Straddle terminou com R$ 1,69 de intrínseco contra R$ 2,84 de custo, uma perda de 40,49%; o Strangle terminou entre os dois strikes e perdeu os R$ 1,28 inteiros.
O mesmo movimento, dois desfechos diferentes
Nesse caso o ativo se moveu na direção que qualquer uma das duas pernas de alta pediria, e as duas estruturas perderam. Uma perdeu 40,49% e a outra, 100%. É a demonstração mais econômica de que a pergunta “o ativo vai se mover?” não é a pergunta que a estrutura faz — ela pergunta “vai se mover mais do que isto aqui custou?”, e a resposta muda com cada escolha de strike.
5.Um exemplo numérico, cenário a cenário
Antes dos números medidos, vale fixar a mecânica num exemplo redondo. Ativo a R$ 50,00; Call de strike R$ 50,00 custando R$ 3,00 e Put de mesmo strike custando R$ 2,50. O custo total é R$ 5,50 por unidade, e os pontos de equilíbrio ficam em R$ 44,50 e R$ 55,50.
| Preço final | Valor da Call | Valor da Put | Resultado líquido |
|---|---|---|---|
| R$ 65,00 | R$ 15,00 | R$ 0,00 | + R$ 9,50 |
| R$ 55,50 | R$ 5,50 | R$ 0,00 | R$ 0,00 |
| R$ 53,00 | R$ 3,00 | R$ 0,00 | − R$ 2,50 |
| R$ 50,00 | R$ 0,00 | R$ 0,00 | − R$ 5,50 |
| R$ 44,50 | R$ 0,00 | R$ 5,50 | R$ 0,00 |
| R$ 35,00 | R$ 0,00 | R$ 15,00 | + R$ 9,50 |
A linha de R$ 53,00 é a que costuma surpreender: o ativo subiu 6%, a Call terminou com R$ 3,00 de valor e a operação perdeu R$ 2,50. Acertar a direção e ainda perder não é anomalia — é o desenho da estrutura, e o curso 5 já tinha medido o mesmo efeito na compra a seco, onde 38,19% das operações que acertaram a direção terminaram no prejuízo. Aqui o efeito é maior, porque há dois prêmios a cobrir.
Um Strangle sobre o mesmo ativo, com Put de R$ 45,00 a R$ 1,50 e Call de R$ 55,00 a R$ 1,20, custaria R$ 2,70 — menos da metade. Em compensação, os equilíbrios iriam para R$ 42,30 e R$ 57,70, e qualquer preço final entre R$ 45,00 e R$ 55,00 devolveria zero, com perda integral dos R$ 2,70.
Os dois números que resumem a decisão
De uma estrutura de volatilidade comprada, dois números respondem quase tudo antes de qualquer opinião de mercado: quanto ela custa em percentual do preço do ativo, e quanto o ativo precisa andar para chegar a cada ponto de equilíbrio. O primeiro é o risco integral; o segundo é a exigência. O resto — gregas, IV, tempo — descreve o caminho entre os dois.
6.O que a cadeia real cobrou por essa exigência
Nas 70 montagens medidas — dez ativos líquidos, sete vencimentos de 2026, entrada 30 dias antes de cada um —, o Straddle no dinheiro custou 7,01% do preço do ativo na mediana, com o intervalo entre o primeiro e o terceiro quartil indo de 6,04% a 8,59%. O strike escolhido ficou, no pior caso, a 0,97% do preço à vista: são straddles genuinamente no dinheiro, não aproximações.
Para empatar, o ativo precisava se afastar 6,89% do preço de partida (mediana do equilíbrio superior). No mesmo período, o ativo mediano se deslocou 9,57% em 30 dias. A exigência, portanto, não era desproporcional ao que o mercado costuma entregar — e o desfecho reflete isso: 40 das 70 montagens terminaram no lucro (57,14%), com retorno mediano de +27,22% sobre o valor investido.
| Métrica | Straddle no dinheiro | Strangle a 5% | Strangle a 10% |
|---|---|---|---|
| Custo mediano, em % do preço do ativo | 7,01% | 3,26% | 1,35% |
| Desconto sobre o Straddle | — | 53,48% | 80,43% |
| Movimento exigido até o equilíbrio de alta | 6,89% | 8,00% | 11,22% |
| Terminou no lucro | 57,14% | 52,86% | 40,00% |
| Retorno mediano | +27,22% | +32,59% | −100,00% |
| Perdeu 100% do que custou | 0 de 70 | 19 de 70 | 36 de 70 |
A linha que separa as duas estruturas
O Straddle no dinheiro não perdeu 100% em nenhuma das 70 montagens, e não por sorte: a perda total exige fechar exatamente no strike. A montagem que mais se aproximou disso terminou a 0,09% do strike e ainda recuperou 0,38% do que custou. O Strangle a 10% de cada lado perdeu tudo em 36 delas — mais da metade —, porque ali basta terminar em qualquer ponto do intervalo. O retorno mediano dessa configuração é exatamente −100%: no caso típico, ela virou pó.
Repare que o retorno mediano do Strangle a 5% (+32,59%) é maior que o do Straddle (+27,22%), enquanto o retorno mediano do Strangle a 10% é −100%. E o agregado, ponderando cada montagem pelo que ela custou, inverte de novo: +31,76% no Straddle, +44,75% no Strangle a 5% e +26,23% no de 10%. As três leituras descrevem a mesma amostra e respondem a perguntas diferentes — quanto rendeu o caso típico, quanto rendeu o conjunto, e com que frequência houve perda integral.
7.O prêmio como referência de movimento — e o que ela acerta
É prática comum ler o custo do Straddle no dinheiro como a estimativa de movimento embutida nos preços: se um straddle de strike R$ 100,00 custa R$ 8,00, os equilíbrios ficam em R$ 92,00 e R$ 108,00, e diz-se que “o mercado está precificando 8%”. A leitura correta é mais estreita — isso é o que a estrutura exige para empatar, não uma probabilidade nem uma previsão.
Confrontada com o que aconteceu, a referência mostrou-se razoável no agregado e fraca caso a caso. O ativo andou mais do que a estrutura exigia em 42 dos 70 pares (60,00%), e a razão mediana entre movimento realizado e movimento exigido foi 1,37. Mas a correlação entre o exigido e o realizado ficou em 0,325, e a correlação de postos, em 0,268: o custo do straddle ordena mal quais ativos vão se mover mais.
Um número que descreve o conjunto e não o caso
Que o ativo tenha superado a exigência em 60% dos pares não significa que a estrutura seja favorável — significa que, naquele período, a oscilação realizada ficou acima da precificada. É uma característica da janela medida, não uma propriedade do instrumento. O curso publica o desfecho vencimento a vencimento justamente para que essa distinção fique visível.
| Vencimento | Straddles no lucro | Retorno mediano | Carteira igual em custo |
|---|---|---|---|
| 20/02/2026 | 9 de 10 | +142,15% | +121,54% |
| 20/03/2026 | 8 de 10 | +36,77% | +65,00% |
| 17/04/2026 | 5 de 10 | +9,92% | +17,42% |
| 15/05/2026 | 7 de 10 | +85,67% | +49,92% |
| 19/06/2026 | 5 de 10 | +0,70% | +7,59% |
| 17/07/2026 | 2 de 10 | −24,19% | −25,32% |
| 21/08/2026 | 4 de 10 | −14,68% | −13,64% |
Cinco dos sete vencimentos foram positivos e dois, negativos. O intervalo entre o melhor e o pior é de mais de 145 pontos percentuais. Um resultado agregado de +31,76% construído sobre sete observações mensais não é a mesma coisa que um resultado construído sobre setenta, e a próxima seção mostra por que os setenta são muito menos independentes do que parecem.
8.Dez estruturas no mesmo mês não são dez apostas
Uma estrutura de volatilidade comprada ganha quando o preço se afasta. E o afastamento de um ativo brasileiro em um mês é dominado pelo que acontece com o mercado inteiro: em cinco dos sete vencimentos, 80% ou mais dos dez ativos andaram para o mesmo lado, e a maioria média nas sete janelas foi de 82,86%.
- A correlação mediana de movimento entre pares de ativos, ao longo dos sete vencimentos, foi de 0,486 — em 45 pares comparados.
- 32,16% da variância do retorno das 70 montagens está ENTRE vencimentos, não dentro deles.
- O número de straddles vencedores por vencimento variou de 2 a 9 em 10 — nunca houve unanimidade, mas nunca houve independência.
- As sete carteiras mensais, montando os dez straddles do vencimento com peso igual em custo, foram de −25,32% a +121,54%, com cinco positivas.
A consequência prática
Montar a mesma estrutura em vários ativos ao mesmo tempo diversifica muito menos do que a contagem sugere: o que se está comprando — deslocamento de preço num prazo curto — é em boa medida o mesmo fator em todos eles. Quem dimensiona dez posições como se fossem dez riscos independentes está, na prática, com uma posição concentrada num mês de mercado. A diversificação relevante aqui é entre PERÍODOS, e ela custa tempo, não tickers.
A concentração do resultado reforça o ponto. Das 40 montagens vencedoras, as dez maiores responderam por 60,56% de todo o ganho, e a maior sozinha por 9,81%. Em compensação, o ganho mediano dos vencedores foi 2,31 vezes a perda mediana dos perdedores — a assimetria que a estrutura promete existe e está medida, mas ela chega concentrada em poucos casos.
9.O caminho e a distância: o que a estrutura de fato recebe
Aqui está o resultado que reorganiza tudo o que veio antes. A palavra “movimento” carrega duas grandezas diferentes, e a estrutura carregada até o vencimento recebe apenas uma delas.
| Grandeza | O que mede | Mediana nos 70 pares |
|---|---|---|
| Caminho | A soma das oscilações diárias, do primeiro ao último pregão | 31,63% |
| Distância | |preço final − preço inicial|, o deslocamento em linha reta | 9,26% |
| Aproveitamento | distância ÷ caminho | 29,73% |
O ativo mediano percorreu 31,63% para se deslocar 9,26%: de cada real de oscilação, menos de trinta centavos viraram deslocamento. E o aproveitamento variou enormemente — de 0,79% (o ativo oscilou o mês inteiro e voltou praticamente ao ponto de partida) a 67,71%.
Cruzando as duas grandezas com a volatilidade realizada, a separação é limpa: a volatilidade explica o caminho (correlação de 0,961) e quase não explica a distância (0,343). E o retorno do Straddle acompanha a distância (0,816), não a volatilidade (−0,068).
A consequência que fecha o raciocínio
Um Straddle comprado e carregado até o vencimento não é, nesse recorte, uma posição em volatilidade — é uma posição no deslocamento líquido do preço. A volatilidade entra pelo lado do CUSTO, porque é ela que precifica o prêmio pago; não entra pelo lado do RECEBIMENTO, porque o vencimento paga apenas |preço final − strike|. Um ativo pode oscilar violentamente por trinta dias e devolver zero à estrutura se terminar onde começou.
É isso que explica o resultado seguinte, que à primeira vista parece um erro de cálculo. Separando as 70 montagens em dois grupos — aquelas em que a volatilidade realizada superou a implícita e aquelas em que não superou —, a taxa de acerto foi 16 de 28 (57,14%) no primeiro grupo e 24 de 42 (57,14%) no segundo. As duas frações são idênticas. Saber de antemão qual das duas volatilidades seria maior não teria mudado a chance de a operação dar certo.
O que isso não quer dizer
O resultado descreve a estrutura CARREGADA ATÉ O VENCIMENTO, que é a forma medida aqui. Uma posição encerrada antes do fim é marcada a mercado, e aí a volatilidade implícita entra diretamente no preço de saída pelo Vega — a seção sobre trajetória mostra o tamanho desse efeito. A distinção entre as duas formas de operar a mesma estrutura é a decisão mais importante depois da escolha dos strikes.
10.As gregas da montagem: o Delta que não é neutro
A descrição corrente do Straddle no dinheiro diz que a Call tem Delta próximo de +0,50 e a Put, próximo de −0,50, de modo que a estrutura nasce quase neutra em direção. As gregas publicadas pelo provedor para os 70 pares, no pregão de montagem, mostram outra coisa.
- O Delta líquido do Straddle foi positivo em 70 de 70 pares, com mediana de +0,1413.
- O menor valor observado foi +0,0514 e o maior, +0,2273; 58 dos 70 ficaram acima de 0,10 em módulo.
- A causa está na perna de Call: as 70 Calls no dinheiro tinham Delta acima de 0,50, com mediana de 0,5718.
- No Strangle o efeito persiste, menor: +0,1138 a 5% de cada lado e +0,0723 a 10%, positivos em 70 de 70 nas duas configurações.
A explicação é a mesma que o curso 4 já tinha medido para a Call isolada, e aqui ela aparece dobrada. Com juro de dois dígitos, o preço a prazo do ativo fica acima do preço à vista; um strike igual ao preço à vista está, portanto, abaixo do preço a prazo, e a Call correspondente está tecnicamente dentro do dinheiro na régua que importa para o modelo. Como o Delta da Put no mesmo strike é aproximadamente o da Call menos 1, somar as duas devolve o dobro do desvio: se a Call tem 0,5718, a estrutura tem cerca de +0,1436.
O que significa na prática
Uma estrutura apresentada como indiferente à direção nasce, nesse mercado, equivalente a estar comprado em cerca de 0,14 do ativo por unidade de estrutura. Não é um defeito da montagem nem um erro do provedor — é o juro do país aparecendo dentro de uma greguinha. Quem quiser neutralidade direcional de fato precisa deslocar o strike para cima do preço à vista ou ajustar as quantidades das duas pernas, e não simplesmente escolher o strike mais próximo do preço da tela.
| Grega | Sinal na estrutura comprada | O que observar |
|---|---|---|
| Delta | Positivo na montagem, variável depois | Mediana de +0,1413; nunca foi zero nos 70 pares medidos |
| Gamma | Positivo | O Delta corre a favor do movimento — é a origem da convexidade |
| Theta | Negativo | Duas opções compradas: o tempo cobra pelas duas |
| Vega | Positivo | Alta da implícita valoriza as duas pernas antes do vencimento |
| Rho | Pequeno e parcialmente compensado | 1,25% da magnitude do Theta na mediana, em 30 dias |
Straddle e Strangle sobre o mesmo ativo
InterativoEscolha a distância dos strikes e compare as duas estruturas com o mesmo preço, o mesmo prazo e a mesma volatilidade — inclusive a faixa em que cada uma perde tudo.
| Estrutura | Custo | Equilíbrio | Movimento exigido | Perda total entre |
|---|---|---|---|---|
| Straddle no dinheiro · K R$ 50,00 | R$ 3,44 · 6,88% | R$ 46,56 — R$ 53,44 | ±6,88% / -6,88% | só em R$ 50,00 |
| Strangle a 5,00% de cada lado · K R$ 47,50 / R$ 52,50 | R$ 1,53 · 3,05% | R$ 45,97 — R$ 54,03 | ±8,05% / -8,05% | R$ 47,50 — R$ 52,50 |
O Strangle custa 55,67% menos e exige 1,17 pontos percentuais a mais de alta para empatar. A faixa em que ele perde tudo tem R$ 5,00 de largura; a do Straddle é um ponto só.
As gregas da montagem
| Estrutura | Delta líquido | Gamma | Theta por dia | Vega (+1% de IV) |
|---|---|---|---|---|
| Straddle no dinheiro | +0,1422 | 0,1826 | -R$ 0,06 · 1,68% do prêmio | R$ 0,11 |
| Strangle a 5,00% de cada lado | +0,1300 | 0,1547 | -R$ 0,05 · 3,25% do prêmio | R$ 0,10 |
O Delta líquido do Straddle não é zero e não é acaso: com juro de dois dígitos o preço a prazo fica acima do à vista, a Call no dinheiro passa de 0,50 de Delta e a estrutura herda o desvio dobrado. Nos 70 pares medidos ele foi positivo em 70 de 70, com mediana de +0,1413.
O que a medição encontrou nessa faixa
- Na configuração mais próxima desta (strangle a 5% de cada lado), a estrutura perdeu 100% do que custou em 27,14% das montagens — 19 de 70 — e terminou no lucro em 52,86%. O custo mediano dela foi 3,26% do preço do ativo, e o Theta do primeiro dia levava 3,21% do prêmio.
- O ativo se deslocou 9,57% em 30 dias na mediana — mas percorreu 31,63% de caminho para se deslocar 9,26%. A estrutura carregada até o fim recebe a distância, não o caminho.
- Montar as duas pernas no melhor preço do vendedor custou 9,74% a mais que o fechamento, ou R$ 0,15 nesta simulação.
Prêmios teóricos calculados pelo modelo Black-Scholes europeu, sem considerar liquidez, spread, custos de negociação ou exercício antecipado. Para explorar a estrutura, ajustar strikes e visualizar payoff, gregas e sensibilidades, abra o Simulador de Opções da Case de Valor. Para análise de execução, utilize as cotações e o livro de ofertas das séries negociadas na B3.
11.Gamma positivo: a neutralidade é temporária
O Gamma positivo é a razão de a estrutura existir. Se o ativo sobe, o Delta da Call cresce e o da Put perde magnitude; a posição, que começou quase equilibrada, passa a ficar comprada. Se o ativo cai, acontece o inverso. A exposição direcional se forma na direção do movimento, sem que ninguém precise decidir nada.
Isso tem uma consequência que a medição da trajetória confirma: o resultado da estrutura acelera com a distância. Não é uma posição linear que ganha proporcionalmente ao movimento — é uma posição que ganha cada vez mais rápido quanto mais longe o preço vai, e cujo prejuízo é limitado ao prêmio quando ele não vai a lugar nenhum.
| Cenário | O que acontece com a estrutura |
|---|---|
| Movimento amplo e rápido | O Gamma trabalha a favor; a perna vencedora ganha Delta e o resultado acelera |
| Mercado lateral | O Delta não ajuda e o Theta consome as duas pernas ao mesmo tempo |
| Movimento tardio | Chega depois de parte relevante do valor de tempo já ter sido consumida |
| Movimento amplo que se desfaz | O caminho existiu, a distância não — e é a distância que o vencimento paga |
A contrapartida do Gamma
Opções perto do dinheiro e perto do vencimento têm o maior Gamma da cadeia, e é exatamente onde o Theta também é mais agressivo. As duas grandezas crescem juntas porque descrevem a mesma coisa por ângulos opostos: quanto mais o preço da opção reage a um movimento, mais depressa ele se desfaz na ausência dele.
12.Quase tudo o que se paga é tempo
Num Straddle montado no dinheiro, o valor intrínseco das duas pernas somadas é praticamente zero — o que se paga é, quase inteiramente, valor extrínseco. Nas oito séries acompanhadas pregão a pregão, o extrínseco representava 97,14% do prêmio no pregão de montagem. Vinte pregões depois, a 10 do vencimento, ele era 24,15%. No último pregão, 4,70%.
O Theta da montagem confirma a mesma história, e traz um detalhe que muda a comparação entre as duas estruturas. Medido em percentual do prêmio pago, o decaimento do primeiro dia foi de 1,67% no Straddle no dinheiro, 3,21% no Strangle a 5% de cada lado e 5,23% no Strangle a 10%.
A estrutura barata é a que o relógio consome mais rápido
Em reais o Straddle perde mais por dia, porque vale mais. Em fração do próprio prêmio a ordem se inverte, e é essa a fração que importa para quem comprou: o Strangle a 10% de cada lado perde, no primeiro dia, mais de três vezes o que o Straddle perde. Somado à faixa morta muito maior, isso desfaz a leitura de que “custa menos, então arrisca menos”: o risco percentual das duas é o mesmo 100% do que se pagou, e a estrutura mais barata chega lá com mais frequência e mais depressa.
A volatilidade implícita das mesmas séries seguiu estável ao longo de quase toda a janela — mediana de 25,19% no trecho em que ela é legível, com mais de cinco pregões pela frente — e então subiu: 37,16% a quatro pregões do fim e 69,05% no último. Esse salto não é leitura de mercado. Com o prazo tendendo a zero, qualquer resto de prêmio só é explicável, dentro do modelo, por uma volatilidade enorme; a implícita publicada nos últimos pregões descreve o limite matemático da inversão, não um aumento de incerteza. A régua honesta perto do vencimento é o extrínseco em reais, que caiu monotonicamente.
13.O payoff do vencimento não descreve o caminho até ele
O diagrama em “V” descreve um único instante: o fechamento do dia do vencimento. Em qualquer outro momento a posição é marcada a mercado, e o preço de cada perna responde a preço à vista, tempo restante, volatilidade implícita e juros. As oito séries acompanhadas dia a dia mostram o tamanho dessa diferença.
- 6 das 8 séries estiveram no lucro em algum momento entre a montagem e o vencimento.
- O melhor momento de cada posição rendeu +44,98% na mediana; o resultado final mediano foi −14,77%.
- A distância mediana entre o pico e o fim foi de 51,22 pontos percentuais, e 6 das 8 terminaram abaixo do próprio pico.
- A posição passou 38,64% dos pregões acima do custo de montagem, na mediana.
- Em 32,00% dos pregões o ativo variou menos de 0,5%; nesses dias a estrutura perdeu 3,58% do próprio valor na mediana, e 42 dos 56 fecharam no vermelho.
Ampliando para os 70 pares com a série completa de preços, o mesmo padrão aparece de outra forma: o maior afastamento do preço em relação ao ponto de partida superou o custo da estrutura em 55 dos 70 casos, enquanto o afastamento final superou em 42. Em treze pares — 18,57% — a operação esteve acima do ponto de equilíbrio durante o percurso e terminou abaixo dele.
Encerrar antes do vencimento é uma decisão, não um detalhe
Nada obriga o comprador a levar a estrutura até o fim: as duas pernas podem ser encerradas no mercado a qualquer momento, com a operação inversa em cada uma. A diferença entre o melhor momento e o desfecho não é ruído — nas séries medidas ela vale mais do que o resultado final inteiro. Definir antes da entrada o que faria a posição ser encerrada (um nível de resultado, o fim do evento que a justificava, um prazo) é o que transforma essa diferença em decisão em vez de arrependimento.
14.Eventos e queda de volatilidade implícita
Antes de divulgações de resultado, decisões regulatórias ou judiciais e outros eventos com data marcada, a incerteza sobre o intervalo seguinte aumenta — e isso costuma aparecer em prêmios maiores e implícita mais alta. Resolvido o evento, parte dessa incerteza desaparece rapidamente e a implícita recua. É o fenômeno conhecido como IV Crush, e ele atinge diretamente quem está comprado em Vega.
A consequência é que uma estrutura montada antes de um evento pode perder valor mesmo com o ativo se movendo na direção esperada: o ganho pelo Delta e pelo Gamma disputa com a perda pelo Vega e pelo Theta. Dois eventos com o mesmo movimento final de 6% produzem resultados opostos se um deles foi comprado a 3% do preço do ativo e o outro a 9%.
O que este curso não mediu
As datas de divulgação de resultado das companhias não entraram nesta análise, e por isso o curso não publica número sobre a magnitude do IV Crush por evento. O que a série diária permite afirmar é o comportamento geral da implícita fora de eventos, descrito na seção anterior: estável ao longo da janela e artificialmente inflada nos últimos pregões pela aproximação do prazo. Medir o efeito de evento exigiria cruzar a cadeia com o calendário de resultados, o que fica registrado como medição futura.
A regra que sobrevive sem medição própria é de método, não de magnitude: a pergunta não é se o ativo vai se mover, e sim se ele vai se mover mais do que o preço já embutido nos prêmios. Quando um evento é amplamente esperado, a expectativa dele já está no prêmio — e a estrutura comprada precisa superar essa expectativa, não confirmá-la.
15.Escolha de strikes: o Strangle “simétrico” não é simétrico
Deslocar os strikes para longe do preço reduz o prêmio e aumenta a exigência — essa parte é aritmética. O que a medição acrescenta é que um Strangle montado com a mesma distância percentual dos dois lados não produz duas pernas equivalentes, e o desequilíbrio aparece em três lugares ao mesmo tempo.
| Distância dos strikes | IV da Put menos a da Call | Pares com IV maior na Put | Peso da Put no débito |
|---|---|---|---|
| No dinheiro | +1,36 p.p. | 49 de 70 | — |
| 5% de cada lado | +2,52 p.p. | 57 de 70 | 40,74% |
| 10% de cada lado | +3,87 p.p. | 61 de 70 | 39,77% |
A primeira coluna é o skew: Puts fora do dinheiro carregam volatilidade implícita maior que Calls à mesma distância, e a diferença cresce à medida que os strikes se afastam. É o padrão clássico dos mercados de ações, e ele está presente nos dados.
E mesmo assim a Put custa menos
A perna de Put representa 40,74% do débito no Strangle a 5% de cada lado, e apenas 2 dos 70 pares têm a Put mais cara que a Call. A volatilidade mais alta não se traduz em preço mais alto porque outra força age em sentido contrário: com juro de dois dígitos, o preço a prazo fica acima do preço à vista, então uma Put 5% abaixo do preço de tela está mais LONGE do preço a prazo do que a Call 5% acima. A perna com a volatilidade mais cara é a perna mais barata.
As duas assimetrias juntas explicam por que o Delta líquido do Strangle simétrico em preço também nasce positivo — +0,1138 a 5% e +0,0723 a 10%, em 70 de 70 pares nas duas configurações. Quem quiser equilíbrio direcional precisa escolher os strikes por Delta, não por distância percentual: dois strikes com Deltas de mesma magnitude ficam em distâncias diferentes do preço, e é essa a construção que devolve neutralidade.
- Qual a distância percentual de cada strike até o preço à vista — e qual até o preço a prazo?
- Os strikes estão simétricos em preço ou em Delta? As duas construções dão estruturas diferentes.
- Qual a implícita de cada perna, e quanto do débito cada uma representa?
- Existe oferta de compra e de venda nos dois strikes, ou apenas prêmio teórico?
- Os dois pontos de equilíbrio fazem sentido diante do horizonte da tese?
16.Escolha do vencimento: prazo compra tempo e custa prêmio
Vencimentos mais longos carregam mais valor de tempo. Isso eleva o desembolso e a distância exigida no vencimento, mas reduz a dependência de acertar o dia e aumenta a sensibilidade à volatilidade implícita — mais Vega, menos urgência.
| Dimensão | Prazo mais curto | Prazo mais longo |
|---|---|---|
| Prêmio absoluto | Menor | Maior |
| Distância exigida no vencimento | Menor | Maior |
| Theta | Mais agressivo perto do fim | Mais diluído no início |
| Gamma | Mais concentrado perto do strike | Mais distribuído |
| Vega | Menos relevante | Mais relevante |
| Dependência do momento exato | Alta | Menor, mas o custo temporal continua correndo |
A janela medida neste curso é de 30 dias, e nela o extrínseco caiu de 97,14% do prêmio para 4,70% — praticamente todo o valor pago se desfez no período. Prazos mais longos distribuem esse consumo, mas não o eliminam: comprar mais tempo é comprar mais prêmio, e o ponto de equilíbrio final se afasta na mesma proporção.
O vencimento deve vir da tese, não do preço
Escolher o vencimento mais curto porque é o mais barato transforma a operação numa aposta sobre um intervalo estreito de dias. Escolher o mais longo porque “dá mais tempo” aumenta o prêmio e a distância que o ativo precisa percorrer. A pergunta certa é qual é o horizonte em que a tese se resolve — e se o prêmio correspondente a esse horizonte cabe no orçamento de risco.
17.Duas pernas, dois livros
Preço teórico não é preço executável. Cada perna tem oferta de compra, oferta de venda, volume e profundidade próprios, e uma estrutura de duas pernas atravessa os dois livros na montagem e de novo no encerramento.
- Apenas 45 dos 70 straddles no dinheiro (64,29%) tinham oferta dos dois lados nas DUAS pernas no pregão de montagem.
- O spread mediano foi de 17,14% na perna de Call e 25,93% na de Put — a Put é a perna com o livro mais largo.
- Montar comprando no melhor preço do vendedor custou 9,74% a mais que o fechamento, elevando a exigência de movimento de 6,99% para 7,69% do preço do ativo.
- Montar e desmontar no mesmo pregão, atravessando os dois livros nas duas pontas, consumiu 18,03% do prêmio — sem que o ativo tivesse andado um centavo.
- O retorno médio das 45 montagens caiu de +31,82% pelo fechamento para +14,27% pela execução no pior lado; duas trocaram de sinal.
Aqui a estrutura ajuda, ao contrário da trava
O spread relativo da estrutura inteira foi de 19,82%, ABAIXO do spread da pior das duas pernas (33,60%). O motivo é aritmético e vale a pena guardar: como as duas pernas são compradas, os prêmios SOMAM no denominador e os spreads absolutos somam no numerador — a fração melhora. Numa trava vertical acontece o oposto, porque as pernas se opõem e a diferença entre elas encolhe o denominador: o curso 8 mediu spread de estrutura 1,80 vez o de uma perna. Duas pernas nem sempre significam o dobro do custo; depende de elas somarem ou se subtraírem.
Quando disponível, a execução combinada das duas pernas numa única ordem reduz o risco de ficar exposto em apenas um lado enquanto a outra não é executada — situação em que a estrutura montada pela metade é uma posição direcional pura, exatamente o que ela se propunha a não ser.
18.O outro lado do contrato: a venda a descoberto
A posição oposta — vender a Call e a Put e receber os dois prêmios — beneficia-se de mercado parado, passagem do tempo e queda de implícita. Como o resultado do vendedor é o espelho exato do resultado do comprador nas mesmas montagens, a medição já traz o número dos dois lados.
| Métrica do lado vendido, nas mesmas 70 montagens | Valor |
|---|---|
| Terminou no lucro | 30 de 70 (42,86%) |
| Perdeu mais do que o prêmio inteiro recebido | 18 de 70 (25,71%) |
| Perdeu mais do que o dobro do prêmio | 3 de 70 |
| Pior perda observada | 2,64 vezes o prêmio recebido (ITUB4, vencimento de fevereiro) |
| Retorno agregado sobre o prêmio recebido | −31,76% |
Por que a venda a descoberto não é o foco deste curso
No Straddle e no Strangle comprados, a perda máxima é conhecida na montagem e igual ao que se pagou. No lado vendido não há esse limite: a perda cresce com o movimento, sem teto teórico na alta e até o preço zero na queda, e exige garantias que aumentam quando a posição se move contra. Em uma em cada quatro montagens medidas o prejuízo do vendedor superou tudo o que ele havia recebido. O curso 10 mostra como construir exposição a lateralização com risco definido, usando quatro pernas em vez de duas.
Vale registrar a assimetria do período: o vendedor perdeu no agregado exatamente o que o comprador ganhou, porque são o mesmo contrato visto dos dois lados. Um período com movimento realizado menor do que o precificado inverteria os dois sinais — e é essa a razão de nenhum dos dois lados ser “o lado certo” da operação.
19.Vencimento e exercício: o que acontece com cada perna
Numa estrutura comprada que deu certo, uma das pernas termina dentro do dinheiro. Isso não é um crédito automático em conta: o exercício gera compra ou venda do ativo-objeto, e portanto exige recursos, posição ou providência operacional.
| Perna dentro do dinheiro no vencimento | O que o exercício produz |
|---|---|
| Call comprada | Compra do ativo pelo strike — exige recursos disponíveis |
| Put comprada | Venda do ativo pelo strike — exige ter a posição ou assumi-la vendida |
| Perna fora do dinheiro | Expira sem valor; nada a fazer |
As opções sobre ações da B3 podem ser de estilo europeu ou americano, e o curso 8 mediu essa repartição na cadeia: entre as séries com estilo declarado, praticamente metade das Calls são americanas e nenhuma das Puts é. Numa estrutura comprada isso não cria risco de ser exercido contra a vontade — quem compra decide se exerce —, mas define o que é possível fazer antes do vencimento em cada perna.
Encerrar no mercado é diferente de deixar exercer
Se a intenção não é assumir posição no ativo, a estrutura precisa ser encerrada no mercado antes do fim, com a operação inversa em cada perna — e isso depende de haver liquidez naquele momento, no strike específico. Horários-limite, procedimentos de exercício automático e regras da corretora devem ser verificados antes da operação, não no último pregão.
20.Dimensionamento: perda limitada não é perda pequena
O máximo que se pode perder num Straddle ou num Strangle comprado é o débito pago. Esse limite é real e é uma vantagem estrutural sobre a venda a descoberto — mas ele descreve o teto da perda, não a probabilidade dela. Nas 70 montagens medidas, o Strangle a 10% de cada lado atingiu esse teto em mais da metade dos casos.
- Some os dois prêmios e multiplique pelo tamanho efetivo do contrato e pela quantidade — esse valor é o cenário de perda integral, não um cenário extremo.
- Inclua o custo de execução: montar no pior lado do livro custou 9,74% a mais que o fechamento nas montagens medidas.
- Trate posições simultâneas no mesmo vencimento como uma posição só: em cinco dos sete vencimentos, 80% ou mais dos ativos andaram juntos.
- Dimensione pela perda integral, não pela impressão de que o prêmio é pequeno em relação ao preço do ativo.
- Defina antes qual fração da carteira pode desaparecer se a estrutura expirar sem valor.
A régua prática
Se a perda de 100% do débito muda decisões futuras ou compromete o orçamento de risco da carteira, a posição está grande demais — independentemente de quão convincente pareça a tese que a justifica. É a mesma régua da compra a seco, com um agravante: aqui são dois prêmios, e a estrutura barata é justamente a que atinge o zero com mais frequência.
21.Laboratório: as duas estruturas lado a lado
Use o Simulador de Opções e a calculadora desta página para observar como os mesmos parâmetros produzem estruturas diferentes. O objetivo não é prever mercado, e sim ver o efeito de cada escolha isoladamente.
- Fixe um preço à vista, um prazo de 30 dias e uma volatilidade. Monte o Straddle no dinheiro e anote custo, os dois pontos de equilíbrio, o Delta líquido e o Theta do primeiro dia.
- Aumente a distância do Strangle para 5% e depois para 10%. Compare o custo, a largura da faixa de perda total e o movimento exigido de cada lado.
- Observe o Theta em percentual do prêmio nas três configurações — ele cresce quando o custo cai.
- Volte ao Straddle e mova o strike para 1% acima do preço à vista. Veja o Delta líquido se aproximar de zero: é a construção que devolve neutralidade direcional.
- No Simulador de Opções, monte a mesma estrutura com prêmios reais da cadeia e compare a curva de hoje com a linha do vencimento — a diferença entre as duas é o que as oito séries diárias mediram.
- Avance o tempo em 10, 20 e 30 dias com o preço parado e registre quanto sobra do prêmio. Depois aplique um choque de volatilidade implícita para cima e para baixo e veja o Vega disputando com o Theta.
O que esperar do laboratório
Três observações costumam sair dele. A estrutura reage bem a deslocamentos amplos e a altas de implícita, e mal à passagem do tempo com preço parado. O Strangle reduz o desembolso e afasta os pontos de equilíbrio na mesma operação. E o Delta líquido do Straddle no dinheiro não é zero — ele fica positivo enquanto o strike estiver no preço à vista, e só se aproxima de zero quando o strike sobe para perto do preço a prazo.
Simulador de Opções
Monte o Straddle e o Strangle com prêmios reais da cadeia, compare o payoff no vencimento com a curva de hoje e veja as gregas consolidadas da estrutura.
Ações
A cadeia de opções de cada papel, com strike, vencimento e liquidez das séries — onde se confere se as duas pernas existem de fato no livro.
Análise Gráfica
A série de preços do ativo, para comparar o movimento exigido pela estrutura com o que o papel costuma percorrer no prazo escolhido.
22.Erros comuns e checklist antes de montar
A maior parte dos erros vem de reduzir uma estrutura de várias dimensões a uma frase — “vai mexer muito”. Cada item abaixo tem contrapartida medida nas seções anteriores.
| Leitura frequente | O que a medição mostrou |
|---|---|
| “Não preciso acertar a direção” | O Delta líquido nasceu positivo em 70 de 70 pares, com mediana de +0,1413 |
| “Se o ativo se mover, eu ganho” | O ativo subiu 4,04% no caso da figura e as duas estruturas perderam |
| “É uma posição em volatilidade” | O retorno acompanhou a distância (0,816), não a volatilidade realizada (−0,068) |
| “O Strangle é mais barato, então arrisca menos” | Perdeu 100% em 36 de 70 montagens, contra 0 de 70 do Straddle |
| “A perda máxima já é conhecida, o Theta importa pouco” | O extrínseco caiu de 97,14% do prêmio para 4,70% em 30 dias |
| “Implícita alta significa movimento à frente” | A correlação entre custo exigido e movimento realizado foi de 0,325 |
| “Diversifico montando em vários ativos” | Em 5 dos 7 vencimentos, 80% ou mais dos ativos andaram para o mesmo lado |
| “O prêmio teórico é o custo da operação” | Montar no pior lado do livro custou 9,74% a mais que o fechamento |
Checklist antes de montar
- Qual é a tese: deslocamento amplo do preço, alta da volatilidade implícita, ou as duas?
- Qual o custo líquido das duas pernas, em reais e em percentual do preço do ativo?
- Onde ficam os dois pontos de equilíbrio, e quanto o ativo precisa andar para cada um?
- Quanto o ativo costuma percorrer nesse prazo, e quanto costuma se deslocar em linha reta?
- Qual o Delta líquido da montagem — a estrutura está direcional sem que isso fosse a intenção?
- Quanto o Theta consome por dia, em percentual do prêmio pago?
- As duas pernas têm oferta de compra e de venda, ou só preço teórico?
- Qual é a perda total em reais se as duas pernas expirarem sem valor?
- Qual evento ou condição invalida a tese antes do vencimento?
- Qual é o plano de saída — nível de resultado, prazo, ou o fim do evento que justificava a posição?
Se alguma resposta estiver faltando
O que existe ainda é uma leitura de mercado, não uma operação. A diferença entre as duas é justamente o conjunto de números acima — e todos eles estão disponíveis antes de a ordem ser enviada.
23.Base de dados do estudo
Os exemplos e estudos deste curso utilizam séries negociadas na B3 e dados históricos de mercado. As amostras têm finalidade educacional e servem para analisar o comportamento observado das opções nas condições estudadas. Resultados históricos não representam probabilidade futura de lucro ou prejuízo.
Metodologia completa do estudoVerOcultar
A análise foi realizada sobre a cadeia de opções que a B3 negociou em 2026, com dados obtidos do provedor que o Simulador de Opções já consome. O universo é o mesmo dos cursos 5 a 8 da trilha: dez ativos com opções líquidas — PETR4, VALE3, ITUB4, BBAS3, BBDC4, B3SA3, BOVA11, MGLU3, PRIO3 e WEGE3 — e os sete vencimentos mensais de fevereiro a agosto de 2026.
- Montagem em D−30. Cada estrutura é montada no pregão 30 dias corridos antes do vencimento, pelo preço de fechamento das duas pernas, e carregada até o fim. O straddle usa o strike negociado mais próximo do preço à vista daquele dia — no pior caso, a 0,97% dele.
- Strikes do Strangle. Escolhidos entre os efetivamente negociados no pregão de montagem, os mais próximos de 5% e 10% acima e abaixo do preço à vista, exigindo que a Put fique abaixo e a Call acima. Os 70 pares produziram as 140 configurações sem exclusões.
- Desfecho. Apurado contra o strike VIGENTE no vencimento, e não contra o da montagem: a B3 ajusta o preço de exercício por provento, e o curso 6 mostrou que esse degrau é uma medição independente do que a fonte de dividendos declara.
- Gregas e volatilidade implícita. Vêm do próprio provedor, com a taxa livre de risco do dia de cada montagem — que assumiu quatro valores distintos ao longo de 2026 (15,00%, 14,75%, 14,50% e 14,25%). O Theta é publicado ao ano e foi convertido para o dia dividindo por 365, a convenção que o modelo da fonte usa.
- Volatilidade realizada. Desvio-padrão anualizado dos retornos logarítmicos do fechamento ajustado, em duas janelas: os 30 pregões anteriores à montagem e o período entre a montagem e o vencimento.
- Trajetória. Oito séries com dado diário completo — quatro ativos em dois vencimentos, 183 pregões —, com o valor de cada perna casado pelo código da série, não pelo strike, para sobreviver a ajustes no meio do caminho.
Limites do que foi medido
Os números descrevem sete vencimentos de 2026 em dez ativos líquidos, e não uma propriedade permanente das estruturas. Como a seção sobre diversificação mostra, a amostra está longe de conter 70 observações independentes: o deslocamento de preço num mês é dominado pelo mercado, e a unidade efetiva se aproxima dos sete vencimentos. Nenhum número aqui é probabilidade de a próxima operação dar certo. Datas de divulgação de resultado não entraram na análise, então o curso não afirma nada sobre a magnitude da queda de implícita por evento.
Os cálculos de prêmio e gregas do widget desta página usam o mesmo módulo de Black-Scholes do Simulador de Opções, e cada número medido publicado no texto, nas figuras e no widget é verificado contra o JSON da medição por um script próprio, que reprova a página se qualquer valor divergir.
Fontes de referência
- B3 — Opções sobre Ações: características dos contratos, estilo de exercício, vencimento e exercício automático.
- B3 — Ajuste do preço de exercício por provento: base do desfecho apurado contra o strike vigente no vencimento.
- Options Industry Council — Long Straddle e Long Strangle: mecânica, payoff e pontos de equilíbrio das duas estruturas.
- Cadeia de opções da B3 — 70 straddles no dinheiro, 140 strangles, 8 séries diárias completas (183 pregões) e 70 janelas de volatilidade realizada, medidos em 26/08/2026.
- Case de Valor — Simulador de Opções: cálculo de prêmio, payoff e gregas.
24.Teste seus conhecimentos
Quiz — Straddle e Strangle
InterativoDez perguntas sobre as duas estruturas, o cálculo de custo e equilíbrio e o que a medição mostrou sobre perda total, gregas, trajetória e execução.
1. A diferença entre um Long Straddle e um Long Strangle está em:
2. Um Straddle de strike R$ 50,00 custa R$ 5,50 no total. Os pontos de equilíbrio no vencimento ficam em:
3. Em 70 montagens de 2026 (10 ativos × 7 vencimentos, entrada 30 dias antes), a perda de 100% do que a estrutura custou aconteceu em:
4. O Delta líquido de um Straddle montado no dinheiro, medido nos 70 pares com as gregas do próprio provedor, foi:
5. Nas oito séries acompanhadas pregão a pregão, do dia da montagem até o vencimento:
6. Sobre a relação entre a volatilidade e o resultado do Straddle carregado até o vencimento, a medição mostrou que:
7. A implícita das duas pernas na montagem, comparada à volatilidade que o ativo entregou no período:
8. O Theta diário, medido em percentual do prêmio pago na montagem, foi:
9. Sobre a execução das duas pernas, a medição encontrou que:
10. Sobre o que os 70 pares medidos representam como amostra: