Estratégias Estruturadas · Curso 9/12Avançado 66 min de leitura Pomodoro

Straddle e Strangle: Estratégias com Volatilidade

Comprar uma Call e uma Put ao mesmo tempo para operar magnitude em vez de direção: o que a estrutura exige do preço, o que o tempo cobra e o que 70 montagens de 2026 mostraram sobre custo, faixa morta, gregas e trajetória.

1.Direção deixa de ser a pergunta

Todas as estruturas dos cursos anteriores começavam por uma direção. A compra a seco aposta que o ativo sobe ou que cai. A venda coberta aceita entregar acima de um preço. A Roda encadeia as duas. A trava vertical limita as duas pontas, mas continua escolhendo um lado. O Straddle e o Strangle comprados fazem outra pergunta: não para onde, e sim quanto.

A construção é a mesma nas duas: comprar uma Call e uma Put do mesmo vencimento. Uma ganha se o ativo subir, a outra se cair — e como as duas foram pagas, o resultado só aparece quando o movimento for grande o bastante para cobrir os dois prêmios. Acertar que “houve alta” não basta; é preciso que a alta pague a Call e a Put que virou pó.

TesePergunta centralEstrutura típica
Direcional de altaO ativo vai subir?Compra de Call
Direcional de baixaO ativo vai cair?Compra de Put
Direcional com tetoVai subir até onde?Trava de alta, venda coberta
MagnitudeVai se afastar o suficiente, para qualquer lado?Straddle e Strangle comprados

O que este curso mede

A análise foi realizada com base na cadeia de opções que a B3 negociou em 2026: 70 straddles no dinheiro e 140 strangles, um por ativo e vencimento em dez papéis e sete vencimentos, montados 30 dias antes de cada vencimento e carregados até o fim, mais oito séries acompanhadas pregão a pregão. Os dados utilizados mostram um resultado que não é o esperado por quem chama essas estruturas de “posição em volatilidade” — e a explicação está na diferença entre duas coisas que a palavra “movimento” confunde.

Antes de chegar lá, é preciso separar dois conceitos que a mesma palavra “volatilidade” carrega, e que decidem o preço do que se está comprando.

2.Volatilidade realizada e volatilidade implícita

A volatilidade realizada descreve quanto o ativo de fato oscilou numa janela: é o desvio-padrão dos retornos diários, anualizado. Ela é um fato do passado, calculável a partir da série de preços, sem opinião nenhuma. A volatilidade implícita é outra coisa: é o valor que, colocado num modelo de precificação, faz o preço teórico da opção bater com o prêmio observado no mercado. Ela é uma leitura de preço, não uma previsão.

ConceitoO que éDe onde sai
Volatilidade realizadaA oscilação que o ativo apresentou numa janelaSérie de preços do próprio ativo
Volatilidade implícitaO parâmetro que reconcilia o modelo com o prêmio negociadoPreço da opção + modelo + demais premissas
Prêmio de volatilidadeA diferença entre as duas, medida depois do fatoComparação entre a implícita de ontem e a realizada de hoje

Nos 70 pares medidos, a implícita das duas pernas no dinheiro tinha mediana de 30,57% na montagem. A volatilidade realizada nos 30 pregões anteriores era 29,91%, e a que apareceu no período operado foi 28,85%. A implícita ficou acima da realizada futura em 42 dos 70 pares, com prêmio mediano de 2,13 pontos percentuais — o pagamento que o comprador faz pela incerteza, e que o vendedor recebe.

Acertar a volatilidade não é acertar o straddleImplícita das duas pernas em D−30 contra a volatilidade realizada entre a montagem e o vencimento · 70 pares20%20%40%40%60%60%80%80%implícita = realizadavolatilidade implícita na montagemvolatilidade realizadaO sinal e o desfechostraddle terminou no lucrostraddle terminou no prejuízoImplícita mediana30,57%Realizada mediana28,85%Prêmio mediano+2,13 p.p.Implícita acima da realizada42 de 70Ganhou com a realizada maior16/28 · 57,14%Ganhou com a implícita maior24/42 · 57,14%As duas taxas de acerto são a mesma: saber de antemão qual das duas volatilidades seria maior não mudaria a chance de ganhar.A implícita antecipa bem a volatilidade recente (correlação 0,930) e a do período operado (0,833) — mas ostraddle carregado até o fim não recebe volatilidade, recebe deslocamento.
Volatilidade implícita na montagem contra a realizada no período operado, com o desfecho de cada montagem.

Implícita alta não é previsão de movimento

A implícita antecipa bem a oscilação recente (correlação de 0,930 com a realizada dos 30 dias anteriores) e razoavelmente a do período seguinte (0,833). Isso a torna uma boa estimativa de quanto o ativo tende a oscilar — não uma garantia de que ele vá oscilar. E, como as próximas seções mostram, estimar a oscilação certa ainda não é estimar o que a estrutura recebe no vencimento.

3.O Long Straddle: mesma data, mesmo strike

O Long Straddle compra uma Call e uma Put sobre o mesmo ativo, com o mesmo strike e o mesmo vencimento. O strike costuma ficar perto do preço à vista, e é essa escolha que dá à estrutura o formato simétrico em torno do preço atual. O custo inicial é a soma dos dois prêmios, e ele é também a perda máxima no vencimento.

PernaPosiçãoStrikeVencimento
CallCompradaKT
PutCompradaKT

No vencimento só o valor intrínseco importa. Se o ativo terminar acima de K, a Call vale a diferença e a Put vira pó; abaixo de K, o contrário. Exatamente em K as duas expiram sem valor. Como uma das pernas sempre morre, a que sobra precisa cobrir sozinha o que as duas custaram — e é por isso que o custo total entra dos dois lados do ponto de equilíbrio.

MétricaFórmula no vencimento
Custo inicialprêmio da Call + prêmio da Put
Perda máximao custo inicial, atingido apenas se o ativo fechar exatamente em K
Ponto de equilíbrio superiorK + custo total
Ponto de equilíbrio inferiorK − custo total
Resultado no vencimento|preço final − K| − custo total

Unidade de conta

Todas as fórmulas deste curso são por unidade do ativo-objeto. Para chegar ao valor financeiro, multiplique pelo tamanho efetivo do contrato e pela quantidade. O curso 2 mediu que o lote não é 100 em 9,50% das séries da cadeia — vale conferir o lote de cada série antes de dimensionar.

A assimetria entre os dois lados é real, mas menor do que costuma parecer: na alta o ganho não tem teto teórico, enquanto na queda ele para em K menos o custo, porque o preço não fica negativo. Em prazos de 30 dias, a diferença raramente pesa — o que decide é a distância percorrida, não o limite inferior.

4.O Long Strangle: a mesma ideia, com os strikes afastados

O Long Strangle também compra uma Call e uma Put do mesmo vencimento, mas com strikes diferentes: a Put abaixo do preço à vista e a Call acima, as duas fora do dinheiro. Como opções fora do dinheiro custam menos, o desembolso cai — e, com ele, cai também a região em que a estrutura tem qualquer valor no vencimento.

MétricaFórmula no vencimento
Custo inicialprêmio da Put (K₁) + prêmio da Call (K₂), com K₁ < K₂
Perda máximao custo inicial, em qualquer preço final entre K₁ e K₂
Ponto de equilíbrio superiorK₂ + custo total
Ponto de equilíbrio inferiorK₁ − custo total
Resultado no vencimentomax(preço final − K₂, 0) + max(K₁ − preço final, 0) − custo total

A diferença entre as duas linhas de perda máxima é a diferença estrutural inteira. No Straddle a perda total é um ponto: o ativo teria de fechar exatamente no strike. No Strangle ela é um intervalo, e o intervalo cresce à medida que os strikes se afastam. É a mesma troca que aparece em toda a operação com opções — pagar menos por uma exigência maior — e a seção seguinte dá o tamanho dela na cadeia real.

As duas estruturas sobre o mesmo ativo e o mesmo vencimentoPETR4 · montagem em 22/07/2026 a R$ 42,58 · vencimento em 21/08/2026 · resultado por unidade, pelo fechamento03+3K Put 40,36K straddle 42,61K Call 44,61fechou a 44,30+4,04% no períodoStraddleStrangleStraddle no dinheiroK 42,61 · call 1,57 + put 1,27custo R$ 2,84 · equilíbrio entre 39,77 — 45,45resultado R$ -1,15 · -40,49%Strangle a 5% de cada ladoK 40,36 / 44,61 · put 0,50 + call 0,78custo R$ 1,28 · equilíbrio entre 39,08 — 45,89resultado R$ -1,28 · -100,00%
As duas estruturas montadas sobre o mesmo ativo, no mesmo pregão e para o mesmo vencimento, com o desfecho apurado.

A figura usa uma montagem real. Em 22/07/2026 a PETR4 fechou a R$ 42,58; o Straddle no strike de R$ 42,61 custava R$ 2,84 (Call R$ 1,57 + Put R$ 1,27) e o Strangle com Put em R$ 40,36 e Call em R$ 44,61 custava R$ 1,28 — 54,93% mais barato. No vencimento, em 21/08, o ativo fechou a R$ 44,30: subiu 4,04%. O Straddle terminou com R$ 1,69 de intrínseco contra R$ 2,84 de custo, uma perda de 40,49%; o Strangle terminou entre os dois strikes e perdeu os R$ 1,28 inteiros.

O mesmo movimento, dois desfechos diferentes

Nesse caso o ativo se moveu na direção que qualquer uma das duas pernas de alta pediria, e as duas estruturas perderam. Uma perdeu 40,49% e a outra, 100%. É a demonstração mais econômica de que a pergunta “o ativo vai se mover?” não é a pergunta que a estrutura faz — ela pergunta “vai se mover mais do que isto aqui custou?”, e a resposta muda com cada escolha de strike.

5.Um exemplo numérico, cenário a cenário

Antes dos números medidos, vale fixar a mecânica num exemplo redondo. Ativo a R$ 50,00; Call de strike R$ 50,00 custando R$ 3,00 e Put de mesmo strike custando R$ 2,50. O custo total é R$ 5,50 por unidade, e os pontos de equilíbrio ficam em R$ 44,50 e R$ 55,50.

Preço finalValor da CallValor da PutResultado líquido
R$ 65,00R$ 15,00R$ 0,00+ R$ 9,50
R$ 55,50R$ 5,50R$ 0,00R$ 0,00
R$ 53,00R$ 3,00R$ 0,00− R$ 2,50
R$ 50,00R$ 0,00R$ 0,00− R$ 5,50
R$ 44,50R$ 0,00R$ 5,50R$ 0,00
R$ 35,00R$ 0,00R$ 15,00+ R$ 9,50

A linha de R$ 53,00 é a que costuma surpreender: o ativo subiu 6%, a Call terminou com R$ 3,00 de valor e a operação perdeu R$ 2,50. Acertar a direção e ainda perder não é anomalia — é o desenho da estrutura, e o curso 5 já tinha medido o mesmo efeito na compra a seco, onde 38,19% das operações que acertaram a direção terminaram no prejuízo. Aqui o efeito é maior, porque há dois prêmios a cobrir.

Um Strangle sobre o mesmo ativo, com Put de R$ 45,00 a R$ 1,50 e Call de R$ 55,00 a R$ 1,20, custaria R$ 2,70 — menos da metade. Em compensação, os equilíbrios iriam para R$ 42,30 e R$ 57,70, e qualquer preço final entre R$ 45,00 e R$ 55,00 devolveria zero, com perda integral dos R$ 2,70.

Os dois números que resumem a decisão

De uma estrutura de volatilidade comprada, dois números respondem quase tudo antes de qualquer opinião de mercado: quanto ela custa em percentual do preço do ativo, e quanto o ativo precisa andar para chegar a cada ponto de equilíbrio. O primeiro é o risco integral; o segundo é a exigência. O resto — gregas, IV, tempo — descreve o caminho entre os dois.

6.O que a cadeia real cobrou por essa exigência

Nas 70 montagens medidas — dez ativos líquidos, sete vencimentos de 2026, entrada 30 dias antes de cada um —, o Straddle no dinheiro custou 7,01% do preço do ativo na mediana, com o intervalo entre o primeiro e o terceiro quartil indo de 6,04% a 8,59%. O strike escolhido ficou, no pior caso, a 0,97% do preço à vista: são straddles genuinamente no dinheiro, não aproximações.

Para empatar, o ativo precisava se afastar 6,89% do preço de partida (mediana do equilíbrio superior). No mesmo período, o ativo mediano se deslocou 9,57% em 30 dias. A exigência, portanto, não era desproporcional ao que o mercado costuma entregar — e o desfecho reflete isso: 40 das 70 montagens terminaram no lucro (57,14%), com retorno mediano de +27,22% sobre o valor investido.

MétricaStraddle no dinheiroStrangle a 5%Strangle a 10%
Custo mediano, em % do preço do ativo7,01%3,26%1,35%
Desconto sobre o Straddle53,48%80,43%
Movimento exigido até o equilíbrio de alta6,89%8,00%11,22%
Terminou no lucro57,14%52,86%40,00%
Retorno mediano+27,22%+32,59%−100,00%
Perdeu 100% do que custou0 de 7019 de 7036 de 70
O desconto do Strangle é comprado com faixa morta70 montagens (10 ativos × 7 vencimentos de 2026), entrada em D−30, carregadas até o fim. Perda total = as duas pernas sem valor.Straddle no dinheirocusto, em % do preço do ativo7,01%movimento exigido até o equilíbrio6,89%perdeu 100% do que custou0,00% · 0 de 70terminou no lucro57,14%retorno mediano+27,22%movimento mediano do ativo em 30 dias: 9,57%Strangle a 5% de cada ladocusto, em % do preço do ativo3,26%movimento exigido até o equilíbrio8,00%perdeu 100% do que custou27,14% · 19 de 70terminou no lucro52,86%retorno mediano+32,59%desconto sobre o straddle53,48%movimento mediano do ativo em 30 dias: 9,57%Strangle a 10% de cada ladocusto, em % do preço do ativo1,35%movimento exigido até o equilíbrio11,22%perdeu 100% do que custou51,43% · 36 de 70terminou no lucro40,00%retorno mediano100,00%desconto sobre o straddle80,43%movimento mediano do ativo em 30 dias: 9,57%
Custo, movimento exigido e frequência de perda total das três estruturas, nas 70 montagens de 2026.

A linha que separa as duas estruturas

O Straddle no dinheiro não perdeu 100% em nenhuma das 70 montagens, e não por sorte: a perda total exige fechar exatamente no strike. A montagem que mais se aproximou disso terminou a 0,09% do strike e ainda recuperou 0,38% do que custou. O Strangle a 10% de cada lado perdeu tudo em 36 delas — mais da metade —, porque ali basta terminar em qualquer ponto do intervalo. O retorno mediano dessa configuração é exatamente −100%: no caso típico, ela virou pó.

Repare que o retorno mediano do Strangle a 5% (+32,59%) é maior que o do Straddle (+27,22%), enquanto o retorno mediano do Strangle a 10% é −100%. E o agregado, ponderando cada montagem pelo que ela custou, inverte de novo: +31,76% no Straddle, +44,75% no Strangle a 5% e +26,23% no de 10%. As três leituras descrevem a mesma amostra e respondem a perguntas diferentes — quanto rendeu o caso típico, quanto rendeu o conjunto, e com que frequência houve perda integral.

7.O prêmio como referência de movimento — e o que ela acerta

É prática comum ler o custo do Straddle no dinheiro como a estimativa de movimento embutida nos preços: se um straddle de strike R$ 100,00 custa R$ 8,00, os equilíbrios ficam em R$ 92,00 e R$ 108,00, e diz-se que “o mercado está precificando 8%”. A leitura correta é mais estreita — isso é o que a estrutura exige para empatar, não uma probabilidade nem uma previsão.

Confrontada com o que aconteceu, a referência mostrou-se razoável no agregado e fraca caso a caso. O ativo andou mais do que a estrutura exigia em 42 dos 70 pares (60,00%), e a razão mediana entre movimento realizado e movimento exigido foi 1,37. Mas a correlação entre o exigido e o realizado ficou em 0,325, e a correlação de postos, em 0,268: o custo do straddle ordena mal quais ativos vão se mover mais.

Um número que descreve o conjunto e não o caso

Que o ativo tenha superado a exigência em 60% dos pares não significa que a estrutura seja favorável — significa que, naquele período, a oscilação realizada ficou acima da precificada. É uma característica da janela medida, não uma propriedade do instrumento. O curso publica o desfecho vencimento a vencimento justamente para que essa distinção fique visível.

VencimentoStraddles no lucroRetorno medianoCarteira igual em custo
20/02/20269 de 10+142,15%+121,54%
20/03/20268 de 10+36,77%+65,00%
17/04/20265 de 10+9,92%+17,42%
15/05/20267 de 10+85,67%+49,92%
19/06/20265 de 10+0,70%+7,59%
17/07/20262 de 10−24,19%−25,32%
21/08/20264 de 10−14,68%−13,64%

Cinco dos sete vencimentos foram positivos e dois, negativos. O intervalo entre o melhor e o pior é de mais de 145 pontos percentuais. Um resultado agregado de +31,76% construído sobre sete observações mensais não é a mesma coisa que um resultado construído sobre setenta, e a próxima seção mostra por que os setenta são muito menos independentes do que parecem.

8.Dez estruturas no mesmo mês não são dez apostas

Uma estrutura de volatilidade comprada ganha quando o preço se afasta. E o afastamento de um ativo brasileiro em um mês é dominado pelo que acontece com o mercado inteiro: em cinco dos sete vencimentos, 80% ou mais dos dez ativos andaram para o mesmo lado, e a maioria média nas sete janelas foi de 82,86%.

  • A correlação mediana de movimento entre pares de ativos, ao longo dos sete vencimentos, foi de 0,486 — em 45 pares comparados.
  • 32,16% da variância do retorno das 70 montagens está ENTRE vencimentos, não dentro deles.
  • O número de straddles vencedores por vencimento variou de 2 a 9 em 10 — nunca houve unanimidade, mas nunca houve independência.
  • As sete carteiras mensais, montando os dez straddles do vencimento com peso igual em custo, foram de −25,32% a +121,54%, com cinco positivas.

A consequência prática

Montar a mesma estrutura em vários ativos ao mesmo tempo diversifica muito menos do que a contagem sugere: o que se está comprando — deslocamento de preço num prazo curto — é em boa medida o mesmo fator em todos eles. Quem dimensiona dez posições como se fossem dez riscos independentes está, na prática, com uma posição concentrada num mês de mercado. A diversificação relevante aqui é entre PERÍODOS, e ela custa tempo, não tickers.

A concentração do resultado reforça o ponto. Das 40 montagens vencedoras, as dez maiores responderam por 60,56% de todo o ganho, e a maior sozinha por 9,81%. Em compensação, o ganho mediano dos vencedores foi 2,31 vezes a perda mediana dos perdedores — a assimetria que a estrutura promete existe e está medida, mas ela chega concentrada em poucos casos.

9.O caminho e a distância: o que a estrutura de fato recebe

Aqui está o resultado que reorganiza tudo o que veio antes. A palavra “movimento” carrega duas grandezas diferentes, e a estrutura carregada até o vencimento recebe apenas uma delas.

GrandezaO que medeMediana nos 70 pares
CaminhoA soma das oscilações diárias, do primeiro ao último pregão31,63%
Distância|preço final − preço inicial|, o deslocamento em linha reta9,26%
Aproveitamentodistância ÷ caminho29,73%

O ativo mediano percorreu 31,63% para se deslocar 9,26%: de cada real de oscilação, menos de trinta centavos viraram deslocamento. E o aproveitamento variou enormemente — de 0,79% (o ativo oscilou o mês inteiro e voltou praticamente ao ponto de partida) a 67,71%.

O ativo percorre muito mais do que se desloca70 pares (ativo × vencimento), da montagem em D−30 até o vencimento. Cada linha é um par, ordenado pelo caminho.caminho: soma das oscilações diáriasdistância: |preço final − preço inicial|0%20%40%60%Mediana: caminho de 31,63% contra distância de 9,26% — 29,73% de aproveitamento.A volatilidade realizada explica o caminho (correlação 0,961) e quase não explica a distância (0,343).O resultado do straddle acompanha a distância (0,816), não a volatilidade (-0,068).
Caminho percorrido e distância em linha reta de cada ativo em 30 dias, nos 70 pares medidos.

Cruzando as duas grandezas com a volatilidade realizada, a separação é limpa: a volatilidade explica o caminho (correlação de 0,961) e quase não explica a distância (0,343). E o retorno do Straddle acompanha a distância (0,816), não a volatilidade (−0,068).

A consequência que fecha o raciocínio

Um Straddle comprado e carregado até o vencimento não é, nesse recorte, uma posição em volatilidade — é uma posição no deslocamento líquido do preço. A volatilidade entra pelo lado do CUSTO, porque é ela que precifica o prêmio pago; não entra pelo lado do RECEBIMENTO, porque o vencimento paga apenas |preço final − strike|. Um ativo pode oscilar violentamente por trinta dias e devolver zero à estrutura se terminar onde começou.

É isso que explica o resultado seguinte, que à primeira vista parece um erro de cálculo. Separando as 70 montagens em dois grupos — aquelas em que a volatilidade realizada superou a implícita e aquelas em que não superou —, a taxa de acerto foi 16 de 28 (57,14%) no primeiro grupo e 24 de 42 (57,14%) no segundo. As duas frações são idênticas. Saber de antemão qual das duas volatilidades seria maior não teria mudado a chance de a operação dar certo.

O que isso não quer dizer

O resultado descreve a estrutura CARREGADA ATÉ O VENCIMENTO, que é a forma medida aqui. Uma posição encerrada antes do fim é marcada a mercado, e aí a volatilidade implícita entra diretamente no preço de saída pelo Vega — a seção sobre trajetória mostra o tamanho desse efeito. A distinção entre as duas formas de operar a mesma estrutura é a decisão mais importante depois da escolha dos strikes.

10.As gregas da montagem: o Delta que não é neutro

A descrição corrente do Straddle no dinheiro diz que a Call tem Delta próximo de +0,50 e a Put, próximo de −0,50, de modo que a estrutura nasce quase neutra em direção. As gregas publicadas pelo provedor para os 70 pares, no pregão de montagem, mostram outra coisa.

O straddle “neutro” nasce compradoDelta líquido (Call + Put) do straddle no dinheiro na montagem, em D−30 · gregas do próprio provedor · 70 pares00,000,05120,050,10290,100,15240,150,2050,200,25Delta líquido da estrutura na montagemDe onde vem o desvioDelta líquido mediano+0,1413Pares com Delta positivo70 de 70Acima de 0,10 em módulo58 de 70Mínimo e máximo+0,0514 — +0,2273Delta da Call no dinheiro0,5718 (mediana)Calls acima de 0,5070 de 70Strangle a 5%+0,1138 · 70 de 70 positivosStrangle a 10%+0,0723 · 70 de 70 positivos
Distribuição do Delta líquido do straddle no dinheiro na montagem, nos 70 pares medidos.
  • O Delta líquido do Straddle foi positivo em 70 de 70 pares, com mediana de +0,1413.
  • O menor valor observado foi +0,0514 e o maior, +0,2273; 58 dos 70 ficaram acima de 0,10 em módulo.
  • A causa está na perna de Call: as 70 Calls no dinheiro tinham Delta acima de 0,50, com mediana de 0,5718.
  • No Strangle o efeito persiste, menor: +0,1138 a 5% de cada lado e +0,0723 a 10%, positivos em 70 de 70 nas duas configurações.

A explicação é a mesma que o curso 4 já tinha medido para a Call isolada, e aqui ela aparece dobrada. Com juro de dois dígitos, o preço a prazo do ativo fica acima do preço à vista; um strike igual ao preço à vista está, portanto, abaixo do preço a prazo, e a Call correspondente está tecnicamente dentro do dinheiro na régua que importa para o modelo. Como o Delta da Put no mesmo strike é aproximadamente o da Call menos 1, somar as duas devolve o dobro do desvio: se a Call tem 0,5718, a estrutura tem cerca de +0,1436.

O que significa na prática

Uma estrutura apresentada como indiferente à direção nasce, nesse mercado, equivalente a estar comprado em cerca de 0,14 do ativo por unidade de estrutura. Não é um defeito da montagem nem um erro do provedor — é o juro do país aparecendo dentro de uma greguinha. Quem quiser neutralidade direcional de fato precisa deslocar o strike para cima do preço à vista ou ajustar as quantidades das duas pernas, e não simplesmente escolher o strike mais próximo do preço da tela.

GregaSinal na estrutura compradaO que observar
DeltaPositivo na montagem, variável depoisMediana de +0,1413; nunca foi zero nos 70 pares medidos
GammaPositivoO Delta corre a favor do movimento — é a origem da convexidade
ThetaNegativoDuas opções compradas: o tempo cobra pelas duas
VegaPositivoAlta da implícita valoriza as duas pernas antes do vencimento
RhoPequeno e parcialmente compensado1,25% da magnitude do Theta na mediana, em 30 dias
🎢

Straddle e Strangle sobre o mesmo ativo

Interativo

Escolha a distância dos strikes e compare as duas estruturas com o mesmo preço, o mesmo prazo e a mesma volatilidade — inclusive a faixa em que cada uma perde tudo.

EstruturaCustoEquilíbrioMovimento exigidoPerda total entre
Straddle no dinheiro · K R$ 50,00R$ 3,44 · 6,88%R$ 46,56R$ 53,44±6,88% / -6,88%só em R$ 50,00
Strangle a 5,00% de cada lado · K R$ 47,50 / R$ 52,50R$ 1,53 · 3,05%R$ 45,97R$ 54,03±8,05% / -8,05%R$ 47,50 — R$ 52,50

O Strangle custa 55,67% menos e exige 1,17 pontos percentuais a mais de alta para empatar. A faixa em que ele perde tudo tem R$ 5,00 de largura; a do Straddle é um ponto só.

As gregas da montagem

EstruturaDelta líquidoGammaTheta por diaVega (+1% de IV)
Straddle no dinheiro+0,14220,1826-R$ 0,06 · 1,68% do prêmioR$ 0,11
Strangle a 5,00% de cada lado+0,13000,1547-R$ 0,05 · 3,25% do prêmioR$ 0,10

O Delta líquido do Straddle não é zero e não é acaso: com juro de dois dígitos o preço a prazo fica acima do à vista, a Call no dinheiro passa de 0,50 de Delta e a estrutura herda o desvio dobrado. Nos 70 pares medidos ele foi positivo em 70 de 70, com mediana de +0,1413.

O que a medição encontrou nessa faixa

  • Na configuração mais próxima desta (strangle a 5% de cada lado), a estrutura perdeu 100% do que custou em 27,14% das montagens — 19 de 70 — e terminou no lucro em 52,86%. O custo mediano dela foi 3,26% do preço do ativo, e o Theta do primeiro dia levava 3,21% do prêmio.
  • O ativo se deslocou 9,57% em 30 dias na mediana — mas percorreu 31,63% de caminho para se deslocar 9,26%. A estrutura carregada até o fim recebe a distância, não o caminho.
  • Montar as duas pernas no melhor preço do vendedor custou 9,74% a mais que o fechamento, ou R$ 0,15 nesta simulação.

Prêmios teóricos calculados pelo modelo Black-Scholes europeu, sem considerar liquidez, spread, custos de negociação ou exercício antecipado. Para explorar a estrutura, ajustar strikes e visualizar payoff, gregas e sensibilidades, abra o Simulador de Opções da Case de Valor. Para análise de execução, utilize as cotações e o livro de ofertas das séries negociadas na B3.

11.Gamma positivo: a neutralidade é temporária

O Gamma positivo é a razão de a estrutura existir. Se o ativo sobe, o Delta da Call cresce e o da Put perde magnitude; a posição, que começou quase equilibrada, passa a ficar comprada. Se o ativo cai, acontece o inverso. A exposição direcional se forma na direção do movimento, sem que ninguém precise decidir nada.

Isso tem uma consequência que a medição da trajetória confirma: o resultado da estrutura acelera com a distância. Não é uma posição linear que ganha proporcionalmente ao movimento — é uma posição que ganha cada vez mais rápido quanto mais longe o preço vai, e cujo prejuízo é limitado ao prêmio quando ele não vai a lugar nenhum.

CenárioO que acontece com a estrutura
Movimento amplo e rápidoO Gamma trabalha a favor; a perna vencedora ganha Delta e o resultado acelera
Mercado lateralO Delta não ajuda e o Theta consome as duas pernas ao mesmo tempo
Movimento tardioChega depois de parte relevante do valor de tempo já ter sido consumida
Movimento amplo que se desfazO caminho existiu, a distância não — e é a distância que o vencimento paga

A contrapartida do Gamma

Opções perto do dinheiro e perto do vencimento têm o maior Gamma da cadeia, e é exatamente onde o Theta também é mais agressivo. As duas grandezas crescem juntas porque descrevem a mesma coisa por ângulos opostos: quanto mais o preço da opção reage a um movimento, mais depressa ele se desfaz na ausência dele.

12.Quase tudo o que se paga é tempo

Num Straddle montado no dinheiro, o valor intrínseco das duas pernas somadas é praticamente zero — o que se paga é, quase inteiramente, valor extrínseco. Nas oito séries acompanhadas pregão a pregão, o extrínseco representava 97,14% do prêmio no pregão de montagem. Vinte pregões depois, a 10 do vencimento, ele era 24,15%. No último pregão, 4,70%.

Quase tudo o que se paga é tempo — e o tempo acabaStraddle no dinheiro, montado em D−30 · 8 séries diárias (4 ativos × 2 vencimentos) · mediana por pregão restante0%25%50%75%100%22151051pregões que faltam até o vencimentoextrínseco, em % do prêmiovolatilidade implícita (escala até 80%)O que o relógio cobraExtrínseco na montagem97,14%A 10 pregões do fim24,15%No último pregão4,70%IV na montagem24,66%IV a 5 pregões26,05%IV no último pregão69,05%A IV do fim não é leitura demercado: com prazo perto de zero,qualquer resto de prêmio exigevolatilidade enorme no modelo.Theta diário em % do prêmio na montagem: straddle 1,67% · strangle a 5% 3,21% · strangle a 10% 5,23%A estrutura mais barata é a que perde a maior fração do próprio prêmio por dia parado.
Valor extrínseco do straddle e volatilidade implícita ao longo dos 30 dias até o vencimento.

O Theta da montagem confirma a mesma história, e traz um detalhe que muda a comparação entre as duas estruturas. Medido em percentual do prêmio pago, o decaimento do primeiro dia foi de 1,67% no Straddle no dinheiro, 3,21% no Strangle a 5% de cada lado e 5,23% no Strangle a 10%.

A estrutura barata é a que o relógio consome mais rápido

Em reais o Straddle perde mais por dia, porque vale mais. Em fração do próprio prêmio a ordem se inverte, e é essa a fração que importa para quem comprou: o Strangle a 10% de cada lado perde, no primeiro dia, mais de três vezes o que o Straddle perde. Somado à faixa morta muito maior, isso desfaz a leitura de que “custa menos, então arrisca menos”: o risco percentual das duas é o mesmo 100% do que se pagou, e a estrutura mais barata chega lá com mais frequência e mais depressa.

A volatilidade implícita das mesmas séries seguiu estável ao longo de quase toda a janela — mediana de 25,19% no trecho em que ela é legível, com mais de cinco pregões pela frente — e então subiu: 37,16% a quatro pregões do fim e 69,05% no último. Esse salto não é leitura de mercado. Com o prazo tendendo a zero, qualquer resto de prêmio só é explicável, dentro do modelo, por uma volatilidade enorme; a implícita publicada nos últimos pregões descreve o limite matemático da inversão, não um aumento de incerteza. A régua honesta perto do vencimento é o extrínseco em reais, que caiu monotonicamente.

13.O payoff do vencimento não descreve o caminho até ele

O diagrama em “V” descreve um único instante: o fechamento do dia do vencimento. Em qualquer outro momento a posição é marcada a mercado, e o preço de cada perna responde a preço à vista, tempo restante, volatilidade implícita e juros. As oito séries acompanhadas dia a dia mostram o tamanho dessa diferença.

O payoff do vencimento não é o caminho até eleValor do straddle no dinheiro a cada pregão, em % do que custou na montagem · 8 séries com dado diário-50%0%+50%+100%montagem (D−30)vencimentoPETR4 · 26/079,2%PETR4 · 26/0835,2%VALE3 · 26/07+43,7%VALE3 · 26/0859,8%ITUB4 · 26/0720,4%ITUB4 · 26/08+139,2%BOVA11 · 26/0723,5%BOVA11 · 26/088,8%pico mediano+44,98%resultado final mediano14,77%6 das 8 séries estiveram no lucro em algum momento; 6 acabaram abaixo do próprio pico, a 51,22 pontos dele na mediana.Em 32,00% dos pregões o ativo variou menos de 0,5% — nesses dias a estrutura perdeu 3,58% do próprio valor na mediana, e 42 dos 56 fecharam no vermelho.A posição passou 38,64% dos pregões acima do custo de montagem, na mediana.
Resultado dia a dia de oito straddles montados 30 dias antes do vencimento e carregados até o fim.
  • 6 das 8 séries estiveram no lucro em algum momento entre a montagem e o vencimento.
  • O melhor momento de cada posição rendeu +44,98% na mediana; o resultado final mediano foi −14,77%.
  • A distância mediana entre o pico e o fim foi de 51,22 pontos percentuais, e 6 das 8 terminaram abaixo do próprio pico.
  • A posição passou 38,64% dos pregões acima do custo de montagem, na mediana.
  • Em 32,00% dos pregões o ativo variou menos de 0,5%; nesses dias a estrutura perdeu 3,58% do próprio valor na mediana, e 42 dos 56 fecharam no vermelho.

Ampliando para os 70 pares com a série completa de preços, o mesmo padrão aparece de outra forma: o maior afastamento do preço em relação ao ponto de partida superou o custo da estrutura em 55 dos 70 casos, enquanto o afastamento final superou em 42. Em treze pares — 18,57% — a operação esteve acima do ponto de equilíbrio durante o percurso e terminou abaixo dele.

Encerrar antes do vencimento é uma decisão, não um detalhe

Nada obriga o comprador a levar a estrutura até o fim: as duas pernas podem ser encerradas no mercado a qualquer momento, com a operação inversa em cada uma. A diferença entre o melhor momento e o desfecho não é ruído — nas séries medidas ela vale mais do que o resultado final inteiro. Definir antes da entrada o que faria a posição ser encerrada (um nível de resultado, o fim do evento que a justificava, um prazo) é o que transforma essa diferença em decisão em vez de arrependimento.

14.Eventos e queda de volatilidade implícita

Antes de divulgações de resultado, decisões regulatórias ou judiciais e outros eventos com data marcada, a incerteza sobre o intervalo seguinte aumenta — e isso costuma aparecer em prêmios maiores e implícita mais alta. Resolvido o evento, parte dessa incerteza desaparece rapidamente e a implícita recua. É o fenômeno conhecido como IV Crush, e ele atinge diretamente quem está comprado em Vega.

A consequência é que uma estrutura montada antes de um evento pode perder valor mesmo com o ativo se movendo na direção esperada: o ganho pelo Delta e pelo Gamma disputa com a perda pelo Vega e pelo Theta. Dois eventos com o mesmo movimento final de 6% produzem resultados opostos se um deles foi comprado a 3% do preço do ativo e o outro a 9%.

O que este curso não mediu

As datas de divulgação de resultado das companhias não entraram nesta análise, e por isso o curso não publica número sobre a magnitude do IV Crush por evento. O que a série diária permite afirmar é o comportamento geral da implícita fora de eventos, descrito na seção anterior: estável ao longo da janela e artificialmente inflada nos últimos pregões pela aproximação do prazo. Medir o efeito de evento exigiria cruzar a cadeia com o calendário de resultados, o que fica registrado como medição futura.

A regra que sobrevive sem medição própria é de método, não de magnitude: a pergunta não é se o ativo vai se mover, e sim se ele vai se mover mais do que o preço já embutido nos prêmios. Quando um evento é amplamente esperado, a expectativa dele já está no prêmio — e a estrutura comprada precisa superar essa expectativa, não confirmá-la.

15.Escolha de strikes: o Strangle “simétrico” não é simétrico

Deslocar os strikes para longe do preço reduz o prêmio e aumenta a exigência — essa parte é aritmética. O que a medição acrescenta é que um Strangle montado com a mesma distância percentual dos dois lados não produz duas pernas equivalentes, e o desequilíbrio aparece em três lugares ao mesmo tempo.

Distância dos strikesIV da Put menos a da CallPares com IV maior na PutPeso da Put no débito
No dinheiro+1,36 p.p.49 de 70
5% de cada lado+2,52 p.p.57 de 7040,74%
10% de cada lado+3,87 p.p.61 de 7039,77%

A primeira coluna é o skew: Puts fora do dinheiro carregam volatilidade implícita maior que Calls à mesma distância, e a diferença cresce à medida que os strikes se afastam. É o padrão clássico dos mercados de ações, e ele está presente nos dados.

E mesmo assim a Put custa menos

A perna de Put representa 40,74% do débito no Strangle a 5% de cada lado, e apenas 2 dos 70 pares têm a Put mais cara que a Call. A volatilidade mais alta não se traduz em preço mais alto porque outra força age em sentido contrário: com juro de dois dígitos, o preço a prazo fica acima do preço à vista, então uma Put 5% abaixo do preço de tela está mais LONGE do preço a prazo do que a Call 5% acima. A perna com a volatilidade mais cara é a perna mais barata.

As duas assimetrias juntas explicam por que o Delta líquido do Strangle simétrico em preço também nasce positivo — +0,1138 a 5% e +0,0723 a 10%, em 70 de 70 pares nas duas configurações. Quem quiser equilíbrio direcional precisa escolher os strikes por Delta, não por distância percentual: dois strikes com Deltas de mesma magnitude ficam em distâncias diferentes do preço, e é essa a construção que devolve neutralidade.

  • Qual a distância percentual de cada strike até o preço à vista — e qual até o preço a prazo?
  • Os strikes estão simétricos em preço ou em Delta? As duas construções dão estruturas diferentes.
  • Qual a implícita de cada perna, e quanto do débito cada uma representa?
  • Existe oferta de compra e de venda nos dois strikes, ou apenas prêmio teórico?
  • Os dois pontos de equilíbrio fazem sentido diante do horizonte da tese?

16.Escolha do vencimento: prazo compra tempo e custa prêmio

Vencimentos mais longos carregam mais valor de tempo. Isso eleva o desembolso e a distância exigida no vencimento, mas reduz a dependência de acertar o dia e aumenta a sensibilidade à volatilidade implícita — mais Vega, menos urgência.

DimensãoPrazo mais curtoPrazo mais longo
Prêmio absolutoMenorMaior
Distância exigida no vencimentoMenorMaior
ThetaMais agressivo perto do fimMais diluído no início
GammaMais concentrado perto do strikeMais distribuído
VegaMenos relevanteMais relevante
Dependência do momento exatoAltaMenor, mas o custo temporal continua correndo

A janela medida neste curso é de 30 dias, e nela o extrínseco caiu de 97,14% do prêmio para 4,70% — praticamente todo o valor pago se desfez no período. Prazos mais longos distribuem esse consumo, mas não o eliminam: comprar mais tempo é comprar mais prêmio, e o ponto de equilíbrio final se afasta na mesma proporção.

O vencimento deve vir da tese, não do preço

Escolher o vencimento mais curto porque é o mais barato transforma a operação numa aposta sobre um intervalo estreito de dias. Escolher o mais longo porque “dá mais tempo” aumenta o prêmio e a distância que o ativo precisa percorrer. A pergunta certa é qual é o horizonte em que a tese se resolve — e se o prêmio correspondente a esse horizonte cabe no orçamento de risco.

17.Duas pernas, dois livros

Preço teórico não é preço executável. Cada perna tem oferta de compra, oferta de venda, volume e profundidade próprios, e uma estrutura de duas pernas atravessa os dois livros na montagem e de novo no encerramento.

O que a execução de duas pernas cobra45 dos 70 straddles no dinheiro (64,29%) tinham oferta de compra e de venda nas duas pernas no pregão de montagemSpread mediano, em % do meioPerna de Call17,14%Perna de Put25,93%Pior das duas pernas33,60%Estrutura inteira19,82%As duas pernas são compradas: os prêmios somam no denominador e ospread relativo da estrutura fica abaixo do da pior perna.Montar comprando no melhor preço do vendedor+9,74%Montar e desmontar no mesmo pregão18,03%A assimetria entre as duas pernasVolatilidade implícita da Put menos a da Call, por distânciano dinheiro+1,36 p.p.49 de 70 pares5% de cada lado+2,52 p.p.57 de 70 pares10% de cada lado+3,87 p.p.61 de 70 paresE mesmo assim a Put custa menosNo strangle a 5%, a perna de Put é 40,74% do débitoe só 2 dos 70 pares têm a Put mais cara que a Call:com juro de dois dígitos, o preço a prazo fica acima do à vista, euma Put 5% abaixo está mais longe dele do que a Call 5% acima.
Spread das duas pernas, custo de montagem no pior lado do livro e a assimetria de volatilidade entre Put e Call.
  • Apenas 45 dos 70 straddles no dinheiro (64,29%) tinham oferta dos dois lados nas DUAS pernas no pregão de montagem.
  • O spread mediano foi de 17,14% na perna de Call e 25,93% na de Put — a Put é a perna com o livro mais largo.
  • Montar comprando no melhor preço do vendedor custou 9,74% a mais que o fechamento, elevando a exigência de movimento de 6,99% para 7,69% do preço do ativo.
  • Montar e desmontar no mesmo pregão, atravessando os dois livros nas duas pontas, consumiu 18,03% do prêmio — sem que o ativo tivesse andado um centavo.
  • O retorno médio das 45 montagens caiu de +31,82% pelo fechamento para +14,27% pela execução no pior lado; duas trocaram de sinal.

Aqui a estrutura ajuda, ao contrário da trava

O spread relativo da estrutura inteira foi de 19,82%, ABAIXO do spread da pior das duas pernas (33,60%). O motivo é aritmético e vale a pena guardar: como as duas pernas são compradas, os prêmios SOMAM no denominador e os spreads absolutos somam no numerador — a fração melhora. Numa trava vertical acontece o oposto, porque as pernas se opõem e a diferença entre elas encolhe o denominador: o curso 8 mediu spread de estrutura 1,80 vez o de uma perna. Duas pernas nem sempre significam o dobro do custo; depende de elas somarem ou se subtraírem.

Quando disponível, a execução combinada das duas pernas numa única ordem reduz o risco de ficar exposto em apenas um lado enquanto a outra não é executada — situação em que a estrutura montada pela metade é uma posição direcional pura, exatamente o que ela se propunha a não ser.

18.O outro lado do contrato: a venda a descoberto

A posição oposta — vender a Call e a Put e receber os dois prêmios — beneficia-se de mercado parado, passagem do tempo e queda de implícita. Como o resultado do vendedor é o espelho exato do resultado do comprador nas mesmas montagens, a medição já traz o número dos dois lados.

Métrica do lado vendido, nas mesmas 70 montagensValor
Terminou no lucro30 de 70 (42,86%)
Perdeu mais do que o prêmio inteiro recebido18 de 70 (25,71%)
Perdeu mais do que o dobro do prêmio3 de 70
Pior perda observada2,64 vezes o prêmio recebido (ITUB4, vencimento de fevereiro)
Retorno agregado sobre o prêmio recebido−31,76%

Por que a venda a descoberto não é o foco deste curso

No Straddle e no Strangle comprados, a perda máxima é conhecida na montagem e igual ao que se pagou. No lado vendido não há esse limite: a perda cresce com o movimento, sem teto teórico na alta e até o preço zero na queda, e exige garantias que aumentam quando a posição se move contra. Em uma em cada quatro montagens medidas o prejuízo do vendedor superou tudo o que ele havia recebido. O curso 10 mostra como construir exposição a lateralização com risco definido, usando quatro pernas em vez de duas.

Vale registrar a assimetria do período: o vendedor perdeu no agregado exatamente o que o comprador ganhou, porque são o mesmo contrato visto dos dois lados. Um período com movimento realizado menor do que o precificado inverteria os dois sinais — e é essa a razão de nenhum dos dois lados ser “o lado certo” da operação.

19.Vencimento e exercício: o que acontece com cada perna

Numa estrutura comprada que deu certo, uma das pernas termina dentro do dinheiro. Isso não é um crédito automático em conta: o exercício gera compra ou venda do ativo-objeto, e portanto exige recursos, posição ou providência operacional.

Perna dentro do dinheiro no vencimentoO que o exercício produz
Call compradaCompra do ativo pelo strike — exige recursos disponíveis
Put compradaVenda do ativo pelo strike — exige ter a posição ou assumi-la vendida
Perna fora do dinheiroExpira sem valor; nada a fazer

As opções sobre ações da B3 podem ser de estilo europeu ou americano, e o curso 8 mediu essa repartição na cadeia: entre as séries com estilo declarado, praticamente metade das Calls são americanas e nenhuma das Puts é. Numa estrutura comprada isso não cria risco de ser exercido contra a vontade — quem compra decide se exerce —, mas define o que é possível fazer antes do vencimento em cada perna.

Encerrar no mercado é diferente de deixar exercer

Se a intenção não é assumir posição no ativo, a estrutura precisa ser encerrada no mercado antes do fim, com a operação inversa em cada perna — e isso depende de haver liquidez naquele momento, no strike específico. Horários-limite, procedimentos de exercício automático e regras da corretora devem ser verificados antes da operação, não no último pregão.

20.Dimensionamento: perda limitada não é perda pequena

O máximo que se pode perder num Straddle ou num Strangle comprado é o débito pago. Esse limite é real e é uma vantagem estrutural sobre a venda a descoberto — mas ele descreve o teto da perda, não a probabilidade dela. Nas 70 montagens medidas, o Strangle a 10% de cada lado atingiu esse teto em mais da metade dos casos.

  • Some os dois prêmios e multiplique pelo tamanho efetivo do contrato e pela quantidade — esse valor é o cenário de perda integral, não um cenário extremo.
  • Inclua o custo de execução: montar no pior lado do livro custou 9,74% a mais que o fechamento nas montagens medidas.
  • Trate posições simultâneas no mesmo vencimento como uma posição só: em cinco dos sete vencimentos, 80% ou mais dos ativos andaram juntos.
  • Dimensione pela perda integral, não pela impressão de que o prêmio é pequeno em relação ao preço do ativo.
  • Defina antes qual fração da carteira pode desaparecer se a estrutura expirar sem valor.

A régua prática

Se a perda de 100% do débito muda decisões futuras ou compromete o orçamento de risco da carteira, a posição está grande demais — independentemente de quão convincente pareça a tese que a justifica. É a mesma régua da compra a seco, com um agravante: aqui são dois prêmios, e a estrutura barata é justamente a que atinge o zero com mais frequência.

21.Laboratório: as duas estruturas lado a lado

Use o Simulador de Opções e a calculadora desta página para observar como os mesmos parâmetros produzem estruturas diferentes. O objetivo não é prever mercado, e sim ver o efeito de cada escolha isoladamente.

  1. Fixe um preço à vista, um prazo de 30 dias e uma volatilidade. Monte o Straddle no dinheiro e anote custo, os dois pontos de equilíbrio, o Delta líquido e o Theta do primeiro dia.
  2. Aumente a distância do Strangle para 5% e depois para 10%. Compare o custo, a largura da faixa de perda total e o movimento exigido de cada lado.
  3. Observe o Theta em percentual do prêmio nas três configurações — ele cresce quando o custo cai.
  4. Volte ao Straddle e mova o strike para 1% acima do preço à vista. Veja o Delta líquido se aproximar de zero: é a construção que devolve neutralidade direcional.
  5. No Simulador de Opções, monte a mesma estrutura com prêmios reais da cadeia e compare a curva de hoje com a linha do vencimento — a diferença entre as duas é o que as oito séries diárias mediram.
  6. Avance o tempo em 10, 20 e 30 dias com o preço parado e registre quanto sobra do prêmio. Depois aplique um choque de volatilidade implícita para cima e para baixo e veja o Vega disputando com o Theta.

O que esperar do laboratório

Três observações costumam sair dele. A estrutura reage bem a deslocamentos amplos e a altas de implícita, e mal à passagem do tempo com preço parado. O Strangle reduz o desembolso e afasta os pontos de equilíbrio na mesma operação. E o Delta líquido do Straddle no dinheiro não é zero — ele fica positivo enquanto o strike estiver no preço à vista, e só se aproxima de zero quando o strike sobe para perto do preço a prazo.

22.Erros comuns e checklist antes de montar

A maior parte dos erros vem de reduzir uma estrutura de várias dimensões a uma frase — “vai mexer muito”. Cada item abaixo tem contrapartida medida nas seções anteriores.

Leitura frequenteO que a medição mostrou
“Não preciso acertar a direção”O Delta líquido nasceu positivo em 70 de 70 pares, com mediana de +0,1413
“Se o ativo se mover, eu ganho”O ativo subiu 4,04% no caso da figura e as duas estruturas perderam
“É uma posição em volatilidade”O retorno acompanhou a distância (0,816), não a volatilidade realizada (−0,068)
“O Strangle é mais barato, então arrisca menos”Perdeu 100% em 36 de 70 montagens, contra 0 de 70 do Straddle
“A perda máxima já é conhecida, o Theta importa pouco”O extrínseco caiu de 97,14% do prêmio para 4,70% em 30 dias
“Implícita alta significa movimento à frente”A correlação entre custo exigido e movimento realizado foi de 0,325
“Diversifico montando em vários ativos”Em 5 dos 7 vencimentos, 80% ou mais dos ativos andaram para o mesmo lado
“O prêmio teórico é o custo da operação”Montar no pior lado do livro custou 9,74% a mais que o fechamento

Checklist antes de montar

  • Qual é a tese: deslocamento amplo do preço, alta da volatilidade implícita, ou as duas?
  • Qual o custo líquido das duas pernas, em reais e em percentual do preço do ativo?
  • Onde ficam os dois pontos de equilíbrio, e quanto o ativo precisa andar para cada um?
  • Quanto o ativo costuma percorrer nesse prazo, e quanto costuma se deslocar em linha reta?
  • Qual o Delta líquido da montagem — a estrutura está direcional sem que isso fosse a intenção?
  • Quanto o Theta consome por dia, em percentual do prêmio pago?
  • As duas pernas têm oferta de compra e de venda, ou só preço teórico?
  • Qual é a perda total em reais se as duas pernas expirarem sem valor?
  • Qual evento ou condição invalida a tese antes do vencimento?
  • Qual é o plano de saída — nível de resultado, prazo, ou o fim do evento que justificava a posição?

Se alguma resposta estiver faltando

O que existe ainda é uma leitura de mercado, não uma operação. A diferença entre as duas é justamente o conjunto de números acima — e todos eles estão disponíveis antes de a ordem ser enviada.

23.Base de dados do estudo

Os exemplos e estudos deste curso utilizam séries negociadas na B3 e dados históricos de mercado. As amostras têm finalidade educacional e servem para analisar o comportamento observado das opções nas condições estudadas. Resultados históricos não representam probabilidade futura de lucro ou prejuízo.

Metodologia completa do estudoVer

A análise foi realizada sobre a cadeia de opções que a B3 negociou em 2026, com dados obtidos do provedor que o Simulador de Opções já consome. O universo é o mesmo dos cursos 5 a 8 da trilha: dez ativos com opções líquidas — PETR4, VALE3, ITUB4, BBAS3, BBDC4, B3SA3, BOVA11, MGLU3, PRIO3 e WEGE3 — e os sete vencimentos mensais de fevereiro a agosto de 2026.

  • Montagem em D−30. Cada estrutura é montada no pregão 30 dias corridos antes do vencimento, pelo preço de fechamento das duas pernas, e carregada até o fim. O straddle usa o strike negociado mais próximo do preço à vista daquele dia — no pior caso, a 0,97% dele.
  • Strikes do Strangle. Escolhidos entre os efetivamente negociados no pregão de montagem, os mais próximos de 5% e 10% acima e abaixo do preço à vista, exigindo que a Put fique abaixo e a Call acima. Os 70 pares produziram as 140 configurações sem exclusões.
  • Desfecho. Apurado contra o strike VIGENTE no vencimento, e não contra o da montagem: a B3 ajusta o preço de exercício por provento, e o curso 6 mostrou que esse degrau é uma medição independente do que a fonte de dividendos declara.
  • Gregas e volatilidade implícita. Vêm do próprio provedor, com a taxa livre de risco do dia de cada montagem — que assumiu quatro valores distintos ao longo de 2026 (15,00%, 14,75%, 14,50% e 14,25%). O Theta é publicado ao ano e foi convertido para o dia dividindo por 365, a convenção que o modelo da fonte usa.
  • Volatilidade realizada. Desvio-padrão anualizado dos retornos logarítmicos do fechamento ajustado, em duas janelas: os 30 pregões anteriores à montagem e o período entre a montagem e o vencimento.
  • Trajetória. Oito séries com dado diário completo — quatro ativos em dois vencimentos, 183 pregões —, com o valor de cada perna casado pelo código da série, não pelo strike, para sobreviver a ajustes no meio do caminho.

Limites do que foi medido

Os números descrevem sete vencimentos de 2026 em dez ativos líquidos, e não uma propriedade permanente das estruturas. Como a seção sobre diversificação mostra, a amostra está longe de conter 70 observações independentes: o deslocamento de preço num mês é dominado pelo mercado, e a unidade efetiva se aproxima dos sete vencimentos. Nenhum número aqui é probabilidade de a próxima operação dar certo. Datas de divulgação de resultado não entraram na análise, então o curso não afirma nada sobre a magnitude da queda de implícita por evento.

Os cálculos de prêmio e gregas do widget desta página usam o mesmo módulo de Black-Scholes do Simulador de Opções, e cada número medido publicado no texto, nas figuras e no widget é verificado contra o JSON da medição por um script próprio, que reprova a página se qualquer valor divergir.

Fontes de referência

  • B3 — Opções sobre Ações: características dos contratos, estilo de exercício, vencimento e exercício automático.
  • B3 — Ajuste do preço de exercício por provento: base do desfecho apurado contra o strike vigente no vencimento.
  • Options Industry Council — Long Straddle e Long Strangle: mecânica, payoff e pontos de equilíbrio das duas estruturas.
  • Cadeia de opções da B3 — 70 straddles no dinheiro, 140 strangles, 8 séries diárias completas (183 pregões) e 70 janelas de volatilidade realizada, medidos em 26/08/2026.
  • Case de Valor — Simulador de Opções: cálculo de prêmio, payoff e gregas.

24.Teste seus conhecimentos

🧠

Quiz — Straddle e Strangle

Interativo

Dez perguntas sobre as duas estruturas, o cálculo de custo e equilíbrio e o que a medição mostrou sobre perda total, gregas, trajetória e execução.

1. A diferença entre um Long Straddle e um Long Strangle está em:

2. Um Straddle de strike R$ 50,00 custa R$ 5,50 no total. Os pontos de equilíbrio no vencimento ficam em:

3. Em 70 montagens de 2026 (10 ativos × 7 vencimentos, entrada 30 dias antes), a perda de 100% do que a estrutura custou aconteceu em:

4. O Delta líquido de um Straddle montado no dinheiro, medido nos 70 pares com as gregas do próprio provedor, foi:

5. Nas oito séries acompanhadas pregão a pregão, do dia da montagem até o vencimento:

6. Sobre a relação entre a volatilidade e o resultado do Straddle carregado até o vencimento, a medição mostrou que:

7. A implícita das duas pernas na montagem, comparada à volatilidade que o ativo entregou no período:

8. O Theta diário, medido em percentual do prêmio pago na montagem, foi:

9. Sobre a execução das duas pernas, a medição encontrou que:

10. Sobre o que os 70 pares medidos representam como amostra:

Conteúdo exclusivamente educacional — não constitui recomendação de investimento.