1."Inflação mais uma taxa" — a frase que só vale até o vencimento
O investidor costuma resumir um título IPCA+ como "inflação mais uma taxa". Para quem compra um papel e o carrega até o vencimento, a frase está correta. Para quem compra uma cota negociada todo dia, ela é insuficiente — e a insuficiência é justamente onde o dinheiro se ganha ou se perde. Num ETF, a carteira não vence para o cotista: ela é rebalanceada e marcada a mercado continuamente.
Este curso aplica aos ETFs de IPCA tudo o que veio antes: a marcação a mercado de Fundamentos dos ETFs de Renda Fixa, a régua de Duration e Convexidade e o mapa de Curva de Juros e Marcação a Mercado. A novidade agora é identificar qual curva importa: a curva real.
Três taxas que não podem ser confundidas
| Conceito | O que representa | Onde aparece |
|---|---|---|
| Taxa nominal | Retorno em reais correntes, com a inflação esperada já embutida. | Prefixados e curva PRE |
| Taxa real | Remuneração acima da inflação. | NTN-B e curva IPCA |
| Inflação implícita | A inflação que equaliza as duas curvas. | A razão econômica entre PRE e IPCA |
(1 + taxa nominal) = (1 + taxa real) × (1 + inflação implícita)
É uma relação multiplicativa, não uma soma. Para taxas pequenas, "nominal − real" é uma aproximação aceitável; nos níveis brasileiros, ela erra o suficiente para atrapalhar.
Conferindo no vértice de 252 dias úteis da ETTJ da ANBIMA em 12/08/2026: a taxa nominal era 13,7413%, a real 7,7683%, e a implícita 5,5424% — que é exatamente (1,137413 ÷ 1,077683) − 1. A subtração simples devolveria 5,97%, quase 0,43 ponto percentual a mais.
Não confunda os dois números de inflação
O IPCA observado mede inflação que já aconteceu. A inflação implícita é uma precificação de mercado para o futuro, e inclui prêmios de risco, liquidez e desequilíbrios de oferta e demanda entre títulos nominais e reais. Nenhum dos dois é previsão — o primeiro é história, o segundo é preço.
Regra editorial deste curso
Todo dado de mercado foi extraído da fonte oficial com data. As carteiras dos três ETFs foram medidas posição a posição na informação que os fundos prestam à CVM. Onde não conseguimos confirmar um número na fonte — é o caso de uma das taxas de administração —, ele aparece como travessão, e o texto diz por quê.
2.O IPCA é o indexador, não o motor do preço
O IPCA é o índice oficial de inflação ao consumidor, calculado pelo IBGE. Nos títulos IPCA+, ele corrige o valor nominal do papel. O retrato mais recente na data deste curso:
| Recorte do IPCA | Valor | O que ele é |
|---|---|---|
| Julho de 2026 | 0,07% | Variação do mês, divulgada pelo IBGE em 11/08/2026. |
| Acumulado de 2026 | 3,44% | De janeiro a julho de 2026. |
| Últimos 12 meses | 4,44% | De agosto/2025 a julho/2026 — um dado passado. |
Por que o dado de inflação não decide o retorno
- Um IPCA mais alto aumenta a correção monetária dos fluxos indexados. Até aqui, a intuição funciona.
- Mas o mercado pode, no mesmo período, passar a exigir uma taxa real maior para carregar esses fluxos.
- Se a alta da taxa real for forte, a queda de preço pode superar o ganho da correção no horizonte considerado.
- E quanto maior a duration da carteira, maior tende a ser essa sensibilidade — como você já viu na régua do curso anterior.
Dado datado é dado datado
Os números acima são um retrato de julho de 2026. O mecanismo que este curso ensina é permanente; os níveis, não. Usar a inflação de 12 meses passados como premissa dos 12 meses seguintes é o erro mais comum — e o mais caro — de quem compra IPCA+ olhando manchete.
3.O que existe dentro do IMA-B
A ANBIMA define o IMA-B como o índice formado por títulos públicos federais indexados ao IPCA do tipo NTN-B — os mesmos papéis que o Tesouro Direto vende como Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais. Eles pagam cupons a cada seis meses e devolvem o principal corrigido no vencimento.
| Momento | O que acontece | O que determina o valor |
|---|---|---|
| Durante a vida do papel | Cupons semestrais | O valor nominal atualizado pelo IPCA e a estrutura do cupom |
| A cada dia | Preço de mercado | A taxa real exigida para aquele vencimento |
| No vencimento | Principal corrigido | O valor nominal atualizado pelo IPCA |
A linha do meio é a que este curso existe para explicar. As outras duas são contratuais e previsíveis; a do meio é a que faz a cota subir e cair todo pregão.
O que move a taxa real exigida
- Política monetária e a perspectiva para a Selic.
- Risco fiscal e o prêmio exigido para carregar dívida pública longa.
- Expectativas de crescimento, poupança e investimento.
- Oferta do Tesouro e demanda institucional por duration.
- Mudanças na percepção sobre inflação e sobre a credibilidade do regime monetário.
Ponto decisivo
Comprar uma NTN-B com vencimento definido e comprar um ETF que rebalanceia uma cesta são experiências diferentes de risco, horizonte e realização de retorno. No papel individual, a marcação é um episódio até o vencimento. No ETF, é o regime permanente — não existe a data em que a cota "converge para o valor de face".
4.De onde vem o retorno de um ETF de IPCA
Para analisar o resultado, vale decompô-lo mentalmente em três motores. Na prática eles interagem e o cálculo exato depende da carteira, mas a decomposição identifica quem manda em cada período.
| Motor | O que é | Quando domina |
|---|---|---|
| IPCA | A correção monetária do principal e dos fluxos. | Sempre presente; pesa mais em horizontes longos. |
| Juro real | O carrego da carteira — a taxa real que os papéis pagam. | Acumula devagar e de forma previsível. |
| Preço | A marcação a mercado, quando a taxa real exigida muda. | Domina o curto prazo, e é o único que pode ser negativo. |
A quarta camada: implementação
- Taxa de administração e demais despesas do fundo.
- Erro de aderência em relação ao benchmark.
- Spread entre compra e venda da cota na bolsa.
- Tributação aplicável ao ETF de renda fixa — que, como o curso 29 mostrou, depende do prazo médio da carteira, não do tempo que você segura a cota.
Regra prática
No curto prazo, a marcação a mercado pode dominar tudo. Em horizontes maiores, o carrego, a inflação acumulada e o reinvestimento passam a pesar mais, e o efeito de preço tende a se diluir — desde que o investidor consiga permanecer investido durante o caminho.
5.As três carteiras reais, medidas
A família IMA-B segmenta a dívida indexada ao IPCA por faixa de vencimento, e é dessa segmentação que nascem os três ETFs mais usados para essa exposição. Em vez de descrevê-los pelo material de divulgação, medimos a carteira que cada um informou à CVM em 30/06/2026, cruzada com a duration e a taxa de cada papel publicadas pela ANBIMA em 12/08/2026.
| ETF | Índice | NTN-Bs na carteira | Vencimentos | Maior posição |
|---|---|---|---|---|
| B5P211 | IMA-B 5 P2 | 6 papéis | 2026 a 2031 | 15/08/2028, com 29,07% |
| IMAB11 | IMA-B | 15 papéis | 2026 a 2060 | 15/08/2026, com 12,46% |
| IB5M11 | IMA-B 5+ | 9 papéis | 2032 a 2060 | 15/05/2035, com 20,58% |
Repare em dois detalhes que a descrição genérica esconde. O IB5M11 não tem nenhum papel abaixo de 2032 — a regra de "cinco anos ou mais" é levada a sério, e a NTN-B mais curta dele já carrega 4,90 anos de duration. E a maior posição do IMAB11 era um papel que venceria em 15/08/2026, poucas semanas depois da foto: é o rebalanceamento acontecendo à vista, e a prova concreta de que "IMA-B" não é uma duration fixa.
As métricas que decidem o risco
| ETF | Duration (Macaulay) | Duration modificada | Yield real da carteira | Efeito de +100 bps no juro real |
|---|---|---|---|---|
| B5P211 | 1,93 ano | 1,78 | 8,84% | ≈ −1,78% |
| IMAB11 | 5,87 anos | 5,45 | 8,53% | ≈ −5,45% |
| IB5M11 | 9,31 anos | 8,64 | 7,79% | ≈ −8,64% |
Onde o material de divulgação para e este curso continua
As lâminas publicam a duration de Macaulay — uma medida de tempo. Para estimar variação de preço é preciso a modificada, que é a coluna do meio e que ninguém publica pronta. A diferença não é decorativa: entre 9,31 e 8,64 há 0,67 ano de sensibilidade que você atribuiria a mais ao IB5M11 se usasse o número errado.
O detalhe contraintuitivo desta foto
O ETF mais curto era o que pagava o maior juro real: 8,84% no B5P211 contra 7,79% no IB5M11. Não é anomalia — é o formato da curva real naquele dia, que subia até cerca de quatro anos e recuava depois. Quem comprou duration longa ali não estava comprando mais taxa; estava comprando mais sensibilidade.
6.Onde cada ETF está na curva real
Escolher entre esses três produtos é, na prática, escolher um trecho da curva de juros reais. Marcando a duration medida de cada um sobre a ETTJ IPCA do dia, a decisão fica visível:
A curva real daquele dia não era uma reta ascendente: ela subia até cerca de quatro anos (8,2107%) e recuava nos prazos mais longos. Isso significa que os três ETFs não estão apenas em pontos diferentes de intensidade — estão em trechos com comportamentos diferentes. Um movimento que empurre o miolo da curva não trata os três da mesma forma, exatamente como o curso anterior mediu.
| Índice | Regra de composição | Leitura de risco |
|---|---|---|
| IMA-B 5 | NTN-Bs com vencimento em até 5 anos. | Segmento curto |
| IMA-B 5 P2 | Até 5 anos, com controle de prazo médio de repactuação. | Curto, com o mecanismo tributário embutido no índice |
| IMA-B | O conjunto das NTN-Bs elegíveis. | Exposição ampla, de 2026 a 2060 |
| IMA-B 5+ | NTN-Bs com vencimento igual ou superior a 5 anos. | Segmento longo |
O "5" fala de vencimento, não de duration
Um índice que só aceita papéis de até cinco anos não tem duration de cinco anos: o B5P211 mede 1,93 ano. Duration depende dos fluxos, dos cupons, dos pesos e das taxas — o critério de elegibilidade é outra coisa.
Por que existe uma versão "P2"
Essa é a ponte com o curso 29. A alíquota de imposto de renda de um ETF de renda fixa é definida pelo prazo médio de repactuação da carteira, não pelo tempo que o investidor segura a cota. E o IMA-B 5 comum tinha, em 12/08/2026, prazo médio de 621 — abaixo da fronteira dos 720 que separa a faixa de 20% da faixa de 15%. A série P2 existe para resolver isso: a metodologia da ANBIMA controla explicitamente o prazo médio para que não caia abaixo de dois anos, e a lâmina de março/2026 registrava 765. É por isso que o ETF curto de inflação segue o P2, e não o IMA-B 5 simples.
| Índice | Prazo médio publicado | Faixa de IR resultante |
|---|---|---|
| IMA-B 5 (comum) | 621 | Cairia na faixa de 20% |
| IMA-B 5 P2 | 765 (lâmina de março/2026) | 15% |
| IMA-B | 2.832 | 15% |
| IMA-B 5+ | 4.641 | 15% |
Os 15% não são "ganho de capital"
É a menor faixa da tabela regressiva dos Fundos de Índice de Renda Fixa, retida na fonte, e estes três ETFs chegam nela porque a carteira tem prazo médio acima de 720 — não porque o investidor segurou a cota por muito tempo. Segurar mais tempo não reduz a alíquota, e trocar de produto não a aumenta. Quem quiser o mecanismo completo, ele está em Fundamentos dos ETFs de Renda Fixa.
7.Quantos pontos-base anulam um ano de inflação
Chegamos à pergunta que dá nome ao problema: se a inflação está rodando e o carrego é positivo, por que um ETF de IPCA pode fechar o ano no vermelho? Em vez de responder com um exemplo hipotético, dá para calcular o ponto de virada de cada produto: quanto a curva real precisa abrir, em pontos-base, para anular exatamente um ano de IPCA somado ao carrego da própria carteira.
Usando o IPCA de 12 meses observado (4,44%) e o yield real medido de cada carteira, o ganho de um ano sem nenhum movimento de curva ficaria em torno de 13% nos três. O que os separa é a fragilidade desse ganho:
| ETF | Duration modificada | Ganho de 1 ano se a curva não se mexer | Alta do juro real que zera esse ganho |
|---|---|---|---|
| B5P211 | 1,78 | ≈ 13,7% | +675 bps |
| IMAB11 | 5,45 | ≈ 13,4% | +216 bps |
| IB5M11 | 8,64 | ≈ 12,6% | +129 bps |
🔴 O número que responde à manchete
No IB5M11 bastam 129 pontos-base de alta do juro real para consumir um ano inteiro de inflação mais carrego. No B5P211 seriam 675 — mais de cinco vezes mais. Os três produtos têm o mesmo indexador, taxa parecida e o mesmo nome de família. A margem de erro que cada um oferece não é nem de longe a mesma.
Simulador: um ano numa exposição a IPCA
InterativoEscolha a inflação do período e o movimento da curva de juros reais. As durations e os yields são os medidos nas carteiras que os três fundos informaram à CVM.
| ETF | IPCA + carrego | Marcação | Resultado | Ponto de virada |
|---|---|---|---|---|
| B5P211IMA-B 5 P2 · Dmod 1,78 | +13,67% | +-0,00% | +13,67% | +675 bps |
| IMAB11IMA-B · Dmod 5,45 | +13,35% | +-0,00% | +13,35% | +216 bps |
| IB5M11IMA-B 5+ · Dmod 8,64 | +12,57% | +-0,00% | +12,57% | +129 bps |
O ponto de virada é a alta de juro real que zera o ganho de inflação mais carrego daquela linha — quanto maior a duration, menor a margem. Estimativa de primeira ordem: supõe deslocamento paralelo da curva real, ignora convexidade, taxa de administração, spread e imposto. Não é previsão de retorno.
Os limites deste cálculo
É uma estimativa de primeira ordem: ignora a convexidade (que trabalha a favor), supõe deslocamento paralelo da curva real, usa o IPCA passado como referência de inflação futura e não desconta taxa de administração, spread nem imposto. O objetivo não é prever retorno — é dimensionar quanta oscilação de taxa cada exposição suporta antes de virar o sinal.
E o inverso também vale, com a mesma força: uma queda de 129 pontos-base no juro real daria ao IB5M11 um ganho de marcação de cerca de 8,6%, somado à inflação e ao carrego. Duration é uma via de mão dupla — o que ela amplia, ela amplia nos dois sentidos.
8.Quatro cenários e a variável que falta nas manchetes
| Inflação | Juro real | Efeito dominante esperado | Numa carteira longa |
|---|---|---|---|
| Sobe | Cai | Correção monetária e valorização de preço | Pode ser muito favorável |
| Sobe | Sobe | A inflação ajuda; a marcação pressiona | Pode oscilar bastante ou ficar negativa |
| Cai | Cai | Menos correção, mas o preço tende a valorizar | Pode ser favorável |
| Cai | Sobe | Menos correção e queda de preço | Cenário adverso |
A tabela é conceitual: o resultado efetivo depende da magnitude e do momento dos movimentos, do formato da curva, da duration, dos cupons, da composição do índice e dos custos do fundo. Mas ela organiza a pergunta certa.
A pergunta que falta em toda manchete
Quando alguém disser "a inflação subiu, então IPCA+ vai subir", responda com uma pergunta só: e o que aconteceu com a curva de juros reais? Sem essa segunda metade, a frase não tem como estar certa a não ser por sorte.
Escolhendo a faixa de duration pela função
| Necessidade | Exposição que merece estudo | Por quê |
|---|---|---|
| Reserva ou uso próximo do dinheiro | Evitar IPCA longo como caixa | O preço pode estar em queda justamente no momento do resgate |
| Proteção real com menor oscilação | IMA-B curto / P2 | Menor prazo econômico, menor sensibilidade |
| Exposição estrutural ampla | IMA-B | Distribui a exposição por vários vértices da curva real |
| Tese ou passivo de longo prazo | IMA-B 5+ | Mais duration, mais sensibilidade — nos dois sentidos |
Não existe "melhor duration" universal
Existe duration coerente ou incoerente com o seu horizonte, o seu passivo e a sua capacidade de permanecer investido durante um movimento adverso. Duration nasce do objetivo — nunca da tentativa de adivinhar o próximo Copom.
9.Custos, cupons e o que conferir antes de comprar
Escolher o benchmark resolve o motor de risco. Falta a qualidade da implementação — que é onde um bom índice pode ser entregue de um jeito caro.
| Item | O que verificar | Por que importa |
|---|---|---|
| Taxa de administração | O percentual anual do fundo | Reduz o retorno líquido, todo ano |
| Aderência ao índice | O desvio em relação ao benchmark | Mede a qualidade da réplica |
| Spread | A diferença entre compra e venda da cota | É custo de entrada e de saída |
| Liquidez | Volume, livro de ofertas e formador de mercado | Afeta a execução, principalmente em resgates grandes |
| Imposto de renda | A faixa da tabela de fundos de índice de RF | Depende do prazo médio da carteira, não do seu |
| Carteira | Pesos e vencimentos | É o que define a duration efetiva |
| ETF | Índice de referência | Taxa de administração |
|---|---|---|
| B5P211 | IMA-B 5 P2 | 0,20% a.a. |
| IMAB11 | IMA-B | 0,25% a.a. |
| IB5M11 | IMA-B 5+ | — |
Por que uma célula está vazia
As duas primeiras taxas foram confirmadas na fonte da gestora. A do IB5M11 não conseguimos confirmar: a página do produto bloqueia acesso automatizado, e nem a CVM nem a composição de carteira publicam esse dado. Preferimos o travessão a repetir um número que não verificamos — confira na lâmina do fundo antes de operar. É a mesma régua que deixou dois ETFs de fora da tabela de taxas do curso 29.
Os cupons ficam com o fundo
As NTN-Bs pagam cupons semestrais. Num ETF passivo, esses fluxos pertencem ao fundo e são administrados dentro da estratégia: para o cotista, o resultado aparece no valor patrimonial e na cotação. Isso poupa o trabalho de reinvestir cada cupom manualmente e mantém o perfil de duration relativamente estável — mas elimina de vez a lógica de "esperar o meu título vencer".
ETFs de Renda Fixa na B3
A categoria inteira em uma tabela, para localizar as opções de IPCA disponíveis.
Comparador de ETFs
Ponha B5P211, IMAB11 e IB5M11 lado a lado e veja o quanto as carteiras se repetem.
Juros Futuros
Acompanhe a curva que decide o preço dessas carteiras, vértice a vértice.
Comparador de Renda Fixa
Compare o ETF com um Tesouro IPCA+ comprado direto, já com o efeito do imposto.
Checklist antes de comprar um ETF de IPCA
- Qual é o índice de referência exato — e não apenas "é de IPCA"?
- Quais vencimentos podem entrar nesse índice?
- Qual é a duration atual da carteira, e ela é Macaulay ou modificada?
- Em quais vértices da curva real essa carteira concentra risco?
- Qual é a taxa de administração e o quanto o fundo desgruda do índice?
- Qual é o spread típico no horário em que pretendo operar?
- Em qual faixa de imposto o fundo está enquadrado — e por qual prazo médio?
- Meu horizonte suporta uma alta relevante de juro real antes do resgate?
- Essa exposição cumpre proteção, duration tática ou casamento com um passivo longo?
- Estou comprando por causa do IPCA passado, ou porque entendi o juro real embutido?
Se você não sabe responder às perguntas 1, 3 e 8
Ainda não sabe qual risco está comprando. Volte ao benchmark, à duration e ao horizonte antes de olhar a rentabilidade recente — que, em renda fixa, costuma ser a melhor pista de qual movimento de curva já aconteceu, e não do que vem pela frente.
10.Conclusão e quiz
Um ETF de IPCA entrega duas coisas ao mesmo tempo: proteção do poder de compra dos fluxos e exposição ao juro real. A primeira é contratual e silenciosa; a segunda é diária e barulhenta. Quem entende que o indexador protege o valor econômico dos fluxos enquanto a taxa real define quanto eles valem hoje parou de se surpreender com cota de inflação caindo em mês de inflação alta.
A síntese desta aula
Indexador → curva real → duration → margem. O IPCA corrige, o juro real desconta, a duration amplifica — e o ponto de virada mede quanto de erro a sua escolha tolera. Entre 129 e 675 pontos-base de margem existe a diferença entre dois produtos que se apresentam como a mesma coisa.
Quiz: ETFs de IPCA e juros reais
Interativo10 perguntas para testar o que você aprendeu neste curso.
1. Qual é a diferença entre IPCA observado e inflação implícita?
2. Como se obtém a inflação implícita a partir das duas curvas?
3. Por que uma alta do juro real derruba o preço de uma NTN-B?
4. O índice IMA-B 5 aceita papéis com vencimento em até cinco anos. Isso significa duration de cinco anos?
5. Por que existe uma versão "P2" do IMA-B 5, e é ela que o ETF curto de inflação segue?
6. Um investidor lê a duration de Macaulay de 2.422 dias úteis do IMA-B 5+ na lâmina. Ele pode usá-la direto como variação percentual de preço?
7. Na foto de 12/08/2026, qual ETF pagava o MAIOR juro real?
8. Quantos pontos-base de ALTA do juro real bastam para anular um ano de IPCA mais carrego no IB5M11?
9. Qual é o principal erro de raciocínio em "o IPCA subiu, então o ETF de IPCA vai subir"?
10. Por que um ETF de IMA-B não tem, para o cotista, o mesmo conceito de vencimento que uma NTN-B comprada direto?
ETFs de IPCA: juro real, duration e por que inflação alta não garante cota subindo
🎬 Vídeo em produção — em breve nesta lição
Investindo em Títulos de Renda Fixa — Frank J. Fabozzi
O capítulo sobre títulos indexados à inflação formaliza o que este curso trabalhou de forma aplicada: a separação entre taxa nominal e real, a estrutura de fluxos corrigidos por índice de preços e o cálculo de duration e convexidade quando o principal é atualizado. É a continuação natural da série de renda fixa.
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Fontes de referência
- IBGE — IPCA de julho de 2026: 0,07% no mês, 3,44% acumulado no ano e 4,44% em 12 meses, divulgado em 11/08/2026 e conferido na série 433 do SGS/BCB.
- ANBIMA — Estrutura a Termo das Taxas de Juros Estimada, arquivo de 12/08/2026: curva prefixada, curva de juros reais (IPCA) e inflação implícita, vértice a vértice.
- ANBIMA — arquivo diário dos Índices de Mercado (IMA), 12/08/2026: duration, prazo médio de repactuação, yield e composição papel a papel dos índices IMA-B 5, IMA-B e IMA-B 5+.
- ANBIMA — lâminas do IMA-B 5 P2 (duration de 516 dias úteis, prazo médio de 765) e do IMA-B 5+ (duration de 2.422 dias úteis), março de 2026.
- ANBIMA — Metodologia IMA e Metodologia IMA Séries P2: definição da família, regras de elegibilidade por prazo e o mecanismo que impede a carteira P2 de ter prazo médio inferior a dois anos.
- CVM — Composição Diária da Carteira (CDA), competência 30/06/2026: carteiras de B5P211, IMAB11 e IB5M11 usadas posição a posição.
- Lei nº 13.043/2014, art. 2º — regime tributário dos Fundos de Índice de Renda Fixa: alíquotas de 25%, 20% e 15% conforme o prazo médio de repactuação da carteira, com incidência exclusiva na fonte.
- Banco Central do Brasil — 280ª reunião do Copom, de 05/08/2026, que fixou a meta Selic em 14,00% a.a. com vigência a partir de 06/08/2026.
- Tesouro Nacional — características do Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B): cupons semestrais e principal corrigido pelo IPCA.
- B3 — ETFs de renda fixa listados: funcionamento do produto, valor patrimonial da cota e negociação em bolsa.
- Cálculos Case de Valor — duration de Macaulay e modificada, yield real e composição por vencimento de cada carteira; ponto de virada em pontos-base; e a conversão da relação entre taxa nominal, real e inflação implícita.
Conteúdo exclusivamente educacional. Os índices e ETFs citados são exemplos reais, usados para demonstrar como se mede a exposição a juros reais — não constituem recomendação de compra, venda ou alocação. As estimativas de sensibilidade e o ponto de virada são cálculos de primeira ordem e não preveem retornos. Taxas de mercado, composições de índice, custos e regras tributárias mudam: a documentação vigente do fundo e do índice, na data da sua operação, sempre prevalece. Rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura, e fundos de investimento não contam com garantia do FGC.