Como ler o gráfico de ativo × juros × estrangeiro?
No modo Separado, a cotação ocupa o painel de cima, em escala logarítmica, com distâncias equivalentes para variações percentuais iguais, e o painel de baixo mostra o indicador escolhido: a meta Selic, em degraus, ou o juro futuro, ambos em percentual ao ano, ou o saldo acumulado do investidor estrangeiro, em reais. No modo Cruzado, as duas linhas dividem o mesmo gráfico, com a cotação no eixo direito e o indicador no esquerdo; o ponto em que se cruzam depende da escala de cada eixo e não tem significado próprio.
Em 1 ano, cada ponto da cotação é um pregão; de 2 a 15 anos, o fechamento de uma semana, e o indicador acompanha o mesmo fechamento. As áreas sombreadas identificam ciclos de alta da Selic, do primeiro aumento ao primeiro corte, permitindo comparar o comportamento da cotação nesses períodos.
Juros altos derrubam as ações?
Nem sempre, e depende do setor. Nos sete ciclos completos do Copom entre abril de 2010 e março de 2026, do primeiro movimento da Selic até o primeiro no sentido oposto, o índice de small caps (SMLL) rendeu −1,7% ao ano nos ciclos de alta e +13,0% ao ano nos de queda; o Ibovespa, +4,1% e +9,4%; o índice financeiro (IFNC), +9,9% e +13,5%.
São quatro ciclos de alta e três de queda, alguns simultâneos a recessões e à pandemia. Os números descrevem o comportamento dos índices e não provam que os juros foram a causa.
Por que a Selic tem eixo próprio e não entra no comparativo de rentabilidade?
Porque a Selic é uma taxa, não um retorno acumulado. O que um investimento atrelado a ela rendeu no período é o CDI, que está no comparativo de rentabilidade. Aqui a pergunta é outra: como a cotação se moveu enquanto a taxa subia ou caía.
O que é o juro futuro do gráfico?
É a taxa do contrato de DI futuro com vencimento em janeiro de 2035, negociado na B3: a taxa de juros que o mercado negocia hoje para o período até aquela data, em percentual ao ano. A série tem um ponto por pregão desde janeiro de 2020, quando o contrato começou a ser negociado.
A meta Selic é definida pelo Copom e muda em reuniões; o juro futuro se forma no mercado e muda todo dia. O vencimento do contrato é fixo: em 2020 a taxa se referia a um prazo de quinze anos, e a cada ano o prazo restante fica um ano menor.
Se o juro futuro sobe, a cotação cai?
Na maior parte das semanas, sim, mas não em todas. Entre janeiro de 2020 e outubro de 2026, o juro futuro e o Ibovespa se moveram em sentidos opostos em 69% das semanas; o índice de small caps, em 72%; o de fundos imobiliários, em 60%. A correlação entre a variação semanal da taxa e o retorno semanal do Ibovespa foi de −0,61, negativa em todos os anos do período.
Os números são de índices; cada ativo tem comportamento próprio, e fatores comuns, como atividade econômica, câmbio e percepção de risco, movem as duas séries. O gráfico descreve o que ocorreu no período e não prova que o juro futuro tenha sido a causa do movimento da cotação.
O que mostra a curva do fluxo estrangeiro?
Saldo acumulado de compras menos vendas de investidores estrangeiros na bolsa, incluindo ofertas públicas, desde 2016. A curva sobe com saldo positivo e cai com saldo negativo. O saldo refere-se ao mercado como um todo; não há saldo estrangeiro por ativo.
O fluxo é divulgado com defasagem em relação ao pregão.
Se as duas curvas sobem juntas, o fluxo explica a cotação?
Não necessariamente. Duas séries que crescem com o tempo costumam parecer correlacionadas mesmo sem vínculo entre elas: no Ibovespa, mês a mês, a correlação entre o nível do índice e o saldo acumulado do estrangeiro passa de +0,9. A medida que importa é a das variações, e ela muda com o prazo: por pregão e por mês, o índice e o saldo do estrangeiro se moveram no mesmo sentido na maior parte das vezes; por ano, a relação foi fraca. A comparação das variações, atualizada, está em Ibovespa × fluxo estrangeiro.
Correlação não indica direção: o capital estrangeiro pode reagir à alta dos preços tanto quanto contribuir para ela. Ativos com associação elevada ao Ibovespa podem apresentar trajetórias semelhantes ao índice. O gráfico descreve o período e não prova relação causal com o fluxo estrangeiro.
Conteúdo de caráter informativo e educacional. Não constitui recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos.