Fechamento do Mercado

Fechamento de Mercado: Ibovespa recua com Petrobras e Itaú; dólar sobe a R$ 5,13

Bolsa chegou a superar 180 mil pontos, mas perdeu força com a queda do petróleo e a pressão sobre bancos; Wall Street renovou recordes com balanços ligados à inteligência artificial.

Equipe Case de Valor 04 de agosto de 2026 14 min de leitura
Fechamento de Mercado: Ibovespa recua com Petrobras e Itaú; dólar sobe a R$ 5,13

O Ibovespa encerrou o pregão desta terça-feira, 4 de agosto de 2026, em queda de 0,11%, aos 177.804 pontos. O índice chegou a superar os 180 mil pontos durante a manhã, apoiado pela valorização da Vale, mas perdeu força ao longo da tarde com a queda das ações da Petrobras, de outras produtoras de petróleo e de bancos de grande peso, especialmente o Itaú.

O dólar comercial avançou 0,87% e terminou cotado a R$ 5,131, no maior nível desde 8 de julho. A desvalorização do petróleo reduziu a perspectiva de entrada de recursos associados às exportações brasileiras da commodity, enquanto a proximidade da decisão do Comitê de Política Monetária elevou a cautela no mercado de câmbio.

No exterior, o movimento foi predominantemente risk-on. Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq renovaram recordes, impulsionados por balanços e projeções favoráveis de empresas ligadas à inteligência artificial. A perspectiva de avanços diplomáticos entre Estados Unidos e Irã derrubou o petróleo, reduziu os yields dos Treasuries e reforçou o apetite por ativos de risco.

Destaque do dia

O principal movimento do pregão foi a divergência entre o mercado brasileiro e as bolsas internacionais. Enquanto Wall Street avançou com força, o Ibovespa devolveu os ganhos da manhã e terminou em baixa, pressionado pela composição setorial do índice brasileiro.

A queda superior a 5% dos contratos de petróleo teve efeitos diferentes sobre os mercados. No exterior, o petróleo mais barato reduziu a preocupação com inflação de energia e diminuiu a probabilidade atribuída a uma eventual alta dos juros norte-americanos. Esse movimento derrubou os rendimentos dos Treasuries e favoreceu ações de tecnologia, semicondutores e empresas sensíveis à duration.

No Brasil, entretanto, o recuo da commodity atingiu diretamente Petrobras, Brava Energia e outras empresas do setor. Como as ações da Petrobras representam parcela relevante do Ibovespa, a queda dos papéis foi suficiente para neutralizar o avanço da Vale e de companhias ligadas à mineração.

O dólar também reagiu de maneira diferente do DXY. Embora a moeda norte-americana tenha perdido força contra uma cesta de divisas internacionais, ela avançou ante o real. Além da proximidade da decisão do Copom, o petróleo mais barato enfraqueceu uma importante fonte potencial de fluxo cambial para o Brasil.

O exterior operou em modo risk-on, mas o peso de petróleo e bancos impediu que o Ibovespa acompanhasse os recordes de Wall Street.

Cenário macro e política

Panorama internacional

Em Nova York, o Dow Jones avançou 1,88%, aos 54.175,70 pontos, enquanto o S&P 500 subiu 1,90%, aos 7.744,97 pontos. O Nasdaq teve o desempenho mais forte, com valorização de 2,69%, aos 26.610,62 pontos. Os três índices foram favorecidos por resultados corporativos, projeções de receita e pelo retorno do fluxo para empresas ligadas à inteligência artificial.

As ações da Caterpillar ganharam força depois que a companhia elevou sua projeção de crescimento anual da receita, apoiada pela demanda relacionada à construção de data centers. A Palantir também se destacou após revisar para cima suas estimativas, enquanto o índice de semicondutores da Filadélfia avançou quase 7% e o setor de tecnologia do S&P 500 ganhou aproximadamente 4,5%.

O relatório Jolts mostrou que o número de vagas abertas nos Estados Unidos permaneceu praticamente estável em 7,4 milhões em junho. As contratações ficaram em 5,3 milhões, enquanto os desligamentos totalizaram 5,4 milhões. O dado não alterou de forma significativa a avaliação sobre o mercado de trabalho e não impediu o avanço das bolsas.

Os Treasuries reagiram principalmente à queda do petróleo. O rendimento do título norte-americano de dez anos recuou para aproximadamente 4,635%, porque o alívio nos preços de energia reduziu parte do risco inflacionário e diminuiu as apostas em uma eventual elevação dos juros pelo Federal Reserve. O DXY recuou cerca de 0,10%, para 99,91 pontos.

Na Europa, o STOXX 600 avançou 0,7%, aos 656,86 pontos, estabelecendo novo recorde de fechamento. O setor de tecnologia subiu 2,8% e as mineradoras ganharam 3,6%, enquanto as empresas de energia recuaram 1,7% em razão da queda do petróleo. Bayer avançou após divulgar crescimento inesperado do lucro operacional, enquanto Zalando caiu depois de reduzir suas projeções.

Os mercados asiáticos apresentaram desempenho misto, mas empresas chinesas de tecnologia, semicondutores, inteligência artificial e infraestrutura digital tiveram valorização expressiva. O movimento acompanhou o retorno do fluxo para o setor de tecnologia global, embora as incertezas sobre a atividade econômica chinesa continuem limitando uma recuperação mais ampla dos ativos da região.

Cenário doméstico e política

No Brasil, a produção industrial caiu 1,8% em junho na comparação com maio, na série com ajuste sazonal. Foi a segunda retração mensal consecutiva e, somadas, as quedas de maio e junho eliminaram parte relevante do avanço acumulado durante os quatro primeiros meses de 2026.

O enfraquecimento da indústria reforçou a leitura de desaceleração gradual da atividade econômica e sustentou as expectativas de continuidade do ciclo de redução da Selic. A maioria dos agentes consultados pelo mercado projeta que o Copom reduza a taxa básica em 25 pontos-base, de 14,25% para 14% ao ano, na decisão desta quarta-feira.

A curva de juros futuros apresentou recuo em diferentes vencimentos durante o pregão. O movimento refletiu a combinação entre a produção industrial abaixo do esperado, a queda do petróleo e a expectativa de novo corte da Selic. Apesar disso, os investidores evitaram posições mais agressivas antes da divulgação do comunicado do Banco Central.

Não houve um novo evento fiscal específico capaz de dominar os negócios nesta terça-feira. Ainda assim, o risco fiscal permaneceu incorporado aos prêmios da curva, sobretudo nos vencimentos mais longos, em um ambiente de proximidade das eleições e de dúvidas sobre a trajetória das despesas públicas.

Mercados em números

Ativo Fechamento Variação
Ibovespa 177.804 pontos -0,11%
S&P 500 7.744,97 pontos +1,90%
Nasdaq 26.610,62 pontos +2,69%
Dólar à vista R$ 5,131 +0,87%
Euro R$ 5,91 +0,93
DXY 99,91 pontos -0,10%
Brent US$ 79,36 -5,26%
WTI US$ 75,77 -5,69%
Ouro US$ 4.079,38 por onça +0,60%

O desempenho dos ativos mostrou que o pregão internacional foi marcado por maior apetite ao risco, queda dos juros norte-americanos e forte valorização das ações de tecnologia. A queda do petróleo funcionou como um alívio para as expectativas de inflação nos Estados Unidos, favorecendo ativos de maior duration.

No Brasil, o efeito foi mais ambíguo. A commodity mais barata colaborou para a queda dos juros futuros, mas pressionou as ações de petróleo e enfraqueceu o real. A valorização da Vale e de siderúrgicas evitou uma queda mais intensa do Ibovespa.

A cotação final do euro comercial contra o real não estava consolidada de forma consistente nas fontes consultadas no momento da publicação. Por esse motivo, o campo permanece sinalizado para atualização, em vez da utilização de uma referência intradiária como fechamento definitivo.

Commodities, câmbio e ouro

Petróleo

O petróleo Brent para outubro caiu 5,26%, para US$ 79,36 por barril. O WTI para setembro recuou 5,69%, para US$ 75,77. Os contratos atingiram os menores níveis em aproximadamente quatro semanas.

O principal catalisador foi a perspectiva de avanço nas negociações diplomáticas envolvendo Estados Unidos, Irã, Omã e Catar. Autoridades norte-americanas indicaram progresso nas conversas para ampliar o fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz, embora um acordo definitivo ainda não tenha sido anunciado.

A possibilidade de normalização parcial do transporte de petróleo pela região reduziu o prêmio geopolítico incorporado aos contratos. O movimento foi intensificado por declarações de que um entendimento poderia ocorrer entre esta terça e quarta-feira.

Não houve uma nova decisão da Opep+ ou divulgação semanal dos estoques norte-americanos capaz de explicar o movimento desta sessão. O pregão foi dominado pela redução do risco relacionado ao Estreito de Ormuz e pela expectativa de melhora no fluxo global da commodity.

Minério de ferro

O minério de ferro de referência com teor de 62% encerrou próximo de US$ 93,70 por tonelada, com alta de 0,04%. Na referência negociada em yuans, a commodity avançou aproximadamente 0,21%, para 699,50 yuans por tonelada.

O movimento foi modesto e não representou uma mudança relevante na tendência da commodity. O mercado continua avaliando a demanda chinesa por aço, o desempenho da construção civil, os estoques portuários e a possibilidade de novos estímulos econômicos por parte de Pequim.

A estabilidade positiva do minério, somada à recepção favorável aos resultados recentes da Vale e ao novo programa de recompra de ações, ajudou a sustentar VALE3. O desempenho também ofereceu suporte às empresas ligadas à mineração e à siderurgia, como CSN, CSN Mineração e Bradespar.

Dólar e ouro

O dólar comercial avançou 0,87%, para R$ 5,131, mesmo com a queda do DXY no exterior. A divergência mostra que o movimento contra o real teve componentes predominantemente domésticos e relacionados aos termos de troca do Brasil.

Como o país é um exportador relevante de petróleo, a queda superior a 5% da commodity reduz a expectativa de entrada de dólares associada ao setor. Ao mesmo tempo, a perspectiva de redução da Selic diminui, na margem, o diferencial de juros oferecido pelos ativos brasileiros.

O ouro avançou 0,60%, para aproximadamente US$ 4.079,38 por onça. A queda dos rendimentos dos Treasuries reduziu o custo de oportunidade de carregar o metal, que não oferece rendimento, enquanto as incertezas geopolíticas mantiveram parte da demanda por proteção.

A alta do ouro em uma sessão de valorização das bolsas indica que o mercado não abandonou completamente as posições defensivas. O movimento combinou a queda dos juros reais com a manutenção de riscos relacionados ao Oriente Médio.

Renda variável e destaques corporativos

Maiores altas do Ibovespa

CSNA3 — +5,76%

Fechamento: R$ 4,77

As ações da CSN acompanharam o desempenho positivo das empresas de mineração e siderurgia, em uma sessão de estabilidade do minério de ferro e valorização da Vale. [Inserir Dado específico do catalisador corporativo].

RADL3 — +3,24%

Fechamento: R$ 19,46

Raia Drogasil figurou entre as principais altas do índice, em um pregão de recuperação das ações relacionadas ao varejo farmacêutico. [Inserir Dado específico do catalisador corporativo].

VALE3 — +2,56%

Fechamento: R$ 76,55

A Vale avançou com a recepção positiva aos resultados trimestrais divulgados recentemente, a aprovação de um novo programa de recompra de ações e a estabilidade do minério de ferro. O peso da companhia no Ibovespa ajudou a limitar as perdas do índice durante a tarde.

Maiores baixas do Ibovespa

POMO4 — -10,06%

Fechamento: R$ 4,83

Marcopolo caiu depois de divulgar lucro líquido de R$ 271 milhões no segundo trimestre, redução de 15,5% na comparação anual. A margem bruta de 21,9%, a menor dos últimos três anos, e o Ebitda abaixo das projeções de analistas provocaram uma revisão negativa das expectativas para a companhia.

BRAV3 — -4,18%

Fechamento: R$ 19,03

Brava Energia acompanhou a queda superior a 5% do petróleo no exterior. A redução do preço esperado para a commodity diminui as projeções de receita, geração de caixa e valor dos ativos de empresas produtoras, especialmente aquelas com maior sensibilidade operacional ao barril.

SMTO3 — -4,10%

Fechamento: R$ 13,79

São Martinho encerrou o pregão entre as maiores quedas do índice. [Inserir Dado específico do catalisador corporativo].

Corporativo e balanços

A BB Seguridade informou lucro de R$ 4,4 bilhões no primeiro semestre, crescimento de 3,2% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado foi apoiado pelo aumento das receitas de gestão e pela melhora da eficiência operacional da Brasilprev, enquanto o segmento de seguros apresentou prêmios abaixo de algumas projeções.

A Pague Menos registrou lucro líquido de R$ 73,6 milhões no segundo trimestre, alta anual de 22,3%. A receita líquida alcançou R$ 3,99 bilhões, crescimento de 8%. O avanço do lucro e da receita favoreceu uma reação positiva das ações durante o pregão.

A Tegma apresentou lucro líquido de R$ 83,1 milhões, crescimento de 23,8%, enquanto a receita líquida avançou 36,9%, para R$ 740,1 milhões. A combinação entre expansão operacional e crescimento do resultado líquido levou os papéis a uma das maiores valorizações do mercado fora do Ibovespa.

A ISA Energia Brasil registrou lucro de R$ 173,9 milhões, queda de 32%. O resultado foi pressionado pelo aumento da despesa financeira líquida, que passou de R$ 351,7 milhões para R$ 638,9 milhões, e pela elevação da dívida líquida para R$ 16,29 bilhões.

Após o fechamento do mercado, os investidores aguardavam os resultados de Itaú Unibanco, Gerdau, C&A, Iguatemi, RD Saúde e PRIO. Os números e as teleconferências dessas companhias deverão influenciar seus respectivos setores na abertura desta quarta-feira.

O que monitorar amanhã

O principal evento doméstico desta quarta-feira será a decisão do Copom. A expectativa predominante é de redução de 25 pontos-base, levando a Selic de 14,25% para 14% ao ano. Além do corte, o mercado analisará o comunicado em busca de sinais sobre o ritmo das próximas decisões, a avaliação da inflação, os riscos fiscais e os efeitos das medidas de estímulo sobre a demanda.

Os investidores também acompanharão a reação aos balanços divulgados após o fechamento, especialmente Itaú, Gerdau, RD Saúde e PRIO. No caso do Itaú, margens financeiras, inadimplência, custo de crédito e eventuais mudanças de guidance poderão afetar todo o setor bancário. Para PRIO, produção, custos de extração e geração de caixa serão avaliados em conjunto com a forte queda recente do petróleo.

Nos Estados Unidos, será divulgado o PMI de serviços do ISM referente a julho. Os componentes de atividade, emprego e preços pagos poderão alterar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve e provocar movimentos nos Treasuries, no dólar e nas ações de tecnologia.

Os mercados também acompanharão os indicadores de serviços da China e a continuidade das negociações envolvendo Estados Unidos e Irã. Uma confirmação de acordo sobre o Estreito de Ormuz poderia ampliar a queda do petróleo, enquanto uma interrupção das conversas devolveria parte do prêmio geopolítico à commodity.

A visão da Case de Valor

O fechamento desta terça-feira não representa, isoladamente, uma mudança de tendência para o Ibovespa. O índice chegou a superar os 180 mil pontos e terminou com uma queda pequena, mostrando que ainda existe demanda por ações brasileiras, mas também resistência para sustentar novos patamares diante de catalisadores setoriais negativos.

A divergência em relação a Wall Street foi explicada principalmente pela composição do índice. A queda do petróleo beneficiou empresas consumidoras de energia e ativos sensíveis aos juros nos Estados Unidos, mas atingiu diretamente uma das maiores posições do Ibovespa: a Petrobras.

A valorização da Vale evitou uma correção mais intensa. Entretanto, a alta da mineradora não foi acompanhada por um movimento igualmente forte do minério de ferro, o que recomenda cautela antes de interpretar o pregão como início de uma tendência consistente para o setor.

A decisão do Copom será o próximo teste relevante. Um corte de 25 pontos-base está amplamente esperado e, portanto, o comunicado poderá ter impacto maior do que a própria redução. Uma sinalização mais dovish tende a favorecer empresas domésticas e títulos de maior duration, enquanto uma comunicação cautelosa pode limitar o fechamento adicional da curva.

No exterior, a combinação entre balanços fortes, queda dos yields e redução do petróleo sustenta o ambiente risk-on. Ainda assim, recordes sucessivos aumentam a sensibilidade das bolsas a qualquer frustração nos resultados corporativos, nos dados de inflação ou nas negociações geopolíticas.

Um índice próximo do recorde não elimina os riscos: ele aumenta a importância de entender quais setores realmente sustentam o movimento.

Para o investidor, o pregão reforça a importância da diversificação e da leitura de causa e efeito. Petróleo mais barato pode beneficiar juros e consumo, mas prejudicar exportadoras e o fluxo cambial. A construção de carteira deve considerar essas relações, sem depender de uma única tese macroeconômica ou de um único setor.

Este conteúdo possui caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Dados de mercado podem sofrer ajustes conforme novas divulgações e atualizações das fontes oficiais.

Fontes consultadas

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