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Fechamento do Mercado: Ibovespa sobe com tecnologia e alívio nos juros; dólar cai a R$ 5,06

Resultados da Microsoft impulsionaram Wall Street, enquanto PIB americano abaixo das projeções, dólar mais fraco e queda dos juros futuros favoreceram a bolsa brasileira; Usiminas caiu 9,25% após o balanço.

Equipe Case de Valor 30 de julho de 2026 17 min de leitura
Fechamento do Mercado: Ibovespa sobe com tecnologia e alívio nos juros; dólar cai a R$ 5,06

O Ibovespa encerrou esta quinta-feira, 30 de julho de 2026, em alta de 1,88%, aos 177.159 pontos, próximo da máxima do pregão. A recuperação devolveu parte das perdas da sessão anterior e foi sustentada pela combinação entre o forte avanço das empresas de tecnologia em Wall Street, a queda do dólar e o recuo dos juros futuros brasileiros.

Nos Estados Unidos, os resultados da Microsoft reduziram parte das dúvidas sobre o retorno financeiro dos investimentos em inteligência artificial. O Nasdaq avançou 2,78%, enquanto o S&P 500 ganhou 1,67%, impulsionados também por fabricantes de chips e empresas ligadas à infraestrutura de computação em nuvem.

No Brasil, o dólar à vista caiu 0,93%, para R$ 5,0611. A valorização do real e a redução dos prêmios da curva de juros beneficiaram empresas domésticas de maior duration, como tecnologia, educação, varejo e construção. Na direção contrária, siderúrgicas e mineradoras foram pressionadas pela queda do minério de ferro e pela reação negativa ao balanço da Usiminas.

Destaque do dia

O principal catalisador do pregão foi a recuperação das empresas de tecnologia. A Microsoft apresentou crescimento acima das expectativas em computação em nuvem e uma perspectiva mais favorável para sua capacidade de converter investimentos em inteligência artificial em receita e fluxo de caixa.

As ações da companhia subiram mais de 15% em Nova York, registrando uma das maiores valorizações diárias de sua história recente. O resultado ajudou a reduzir a preocupação de que o aumento bilionário do capex das big techs esteja produzindo apenas despesas elevadas, sem uma contrapartida proporcional nos lucros.

O movimento se espalhou para fabricantes de semicondutores, empresas de memória e companhias ligadas à infraestrutura tecnológica. O Nasdaq liderou os ganhos porque concentra uma participação maior dessas empresas, enquanto o Dow Jones apresentou uma alta mais moderada.

O ambiente macroeconômico também favoreceu o mercado. O PIB dos Estados Unidos cresceu a uma taxa anualizada de 1,5% no segundo trimestre, abaixo da projeção de aproximadamente 2,1%. Ao mesmo tempo, o núcleo do PCE avançou 0,1% em junho, indicando uma desaceleração mensal das pressões inflacionárias.

A combinação entre crescimento abaixo das expectativas e inflação mensal mais moderada reduziu a percepção de que o Federal Reserve precisará elevar os juros imediatamente. Os yields dos Treasuries recuaram, o dólar perdeu força globalmente e as bolsas passaram a operar em modo risk-on.

A Microsoft mostrou que a inteligência artificial pode começar a produzir retorno financeiro, enquanto os dados americanos deram ao mercado espaço para reduzir o prêmio dos juros.

Cenário macro e política

Panorama internacional

O S&P 500 terminou aos 7.437,98 pontos, com alta de 1,67%. O Nasdaq avançou 2,78%, aos 25.122,18 pontos, enquanto o Dow Jones ganhou 1,19%, encerrando aos 52.209,57 pontos.

Apesar da valorização dos índices, a alta permaneceu relativamente concentrada em tecnologia e semicondutores. A amplitude mais limitada mostra que o movimento foi um risk-on seletivo, sustentado principalmente por empresas de grande capitalização, e não uma valorização uniforme de todos os setores.

A Microsoft foi o principal destaque positivo depois de divulgar uma perspectiva mais forte para vendas e computação em nuvem. A companhia também sinalizou uma relação mais favorável entre os investimentos em infraestrutura e a geração futura de caixa, reduzindo parte da preocupação com o custo da corrida pela inteligência artificial.

O PIB americano cresceu 1,5% em termos anualizados no segundo trimestre, abaixo dos 2,1% esperados pelo mercado. Uma atividade menos aquecida reduz a possibilidade de uma pressão adicional sobre salários e preços, diminuindo a necessidade de um aperto monetário imediato.

O núcleo do PCE, indicador de inflação acompanhado de perto pelo Federal Reserve, avançou 0,1% em junho e acumulou alta de aproximadamente 3,3% em 12 meses. A leitura mensal foi favorável, mas a inflação anual permanece acima da meta de 2%.

Por isso, o dado não eliminou completamente o risco de nova elevação dos juros. Na decisão divulgada na quarta-feira, o Fed manteve a taxa entre 3,50% e 3,75%, mas três dirigentes votaram por uma alta de 25 pontos-base.

Na Europa, o Stoxx 600 subiu 0,77%, aos 649,95 pontos. O PIB da zona do euro cresceu 0,4% no segundo trimestre e 1,8% na comparação anual, enquanto o Banco da Inglaterra manteve sua taxa básica em 3,75%.

Na Ásia, os mercados apresentaram desempenho misto. As ações japonesas encontraram apoio no movimento das empresas de tecnologia, enquanto as bolsas chinesas continuaram pressionadas pelas dúvidas sobre a atividade doméstica, o setor imobiliário e a demanda por matérias-primas.

Cenário doméstico e política

No Brasil, o IGP-M recuou 1,16% em julho e acumulou alta de 2,76% em 12 meses. A deflação foi favorecida principalmente pelo recuo dos preços no atacado.

Embora o IGP-M não seja o índice utilizado diretamente no regime de metas de inflação, sua desaceleração reduz a pressão sobre reajustes de aluguéis, contratos privados e determinados custos de produção. O resultado se somou ao IPCA-15 de apenas 0,06%, divulgado na terça-feira.

Os dois indicadores reforçaram a expectativa de que o Copom reduzirá a Selic em 25 pontos-base na reunião dos dias 4 e 5 de agosto, levando a taxa de 14,25% para 14,00% ao ano.

A taxa de desemprego caiu para 5,4% no trimestre encerrado em junho, o menor nível da série histórica iniciada em 2012. O mercado de trabalho aquecido oferece suporte à renda e ao consumo, mas também exige cautela porque pode dificultar uma desaceleração mais rápida da inflação de serviços.

A arrecadação federal atingiu R$ 264,437 bilhões em junho, crescimento real de 7,72% na comparação anual. No primeiro semestre, as receitas somaram o recorde de R$ 1,587 trilhão, alta real de 6,63%.

Apesar do desempenho positivo da arrecadação, o Governo Central registrou déficit primário de R$ 48,178 bilhões em junho. O resultado manteve as preocupações fiscais no radar, porque o crescimento das despesas continua superior à expansão da receita líquida.

No campo comercial, o governo brasileiro solicitou formalmente consultas na Organização Mundial do Comércio sobre as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos. O processo abre uma etapa de negociação entre os países, mas não produziu impacto relevante nos preços dos ativos durante o pregão.

Os contratos de juros futuros recuaram ao longo da curva. O movimento foi favorecido pelo IGP-M negativo, pela queda do dólar, pelos dados americanos mais fracos e pela correção do petróleo, que reduziu parte do risco inflacionário global.

Mercados em números

Ativo Fechamento Variação
Ibovespa 177.159 pontos +1,88%
S&P 500 7.437,98 pontos +1,67%
Nasdaq 25.122,18 pontos +2,78%
Dólar à vista R$ 5,0611 -0,93%
Euro R$ 5,8548 -0,47%
DXY 99,817 pontos -0,91%
Brent US$ 89,03 -1,88%
WTI US$ 83,59 -1,03%
Ouro US$ 4.113,10 +1,90%

A alta do Ibovespa acompanhou a recuperação internacional, mas foi ampliada pela queda dos juros brasileiros. Empresas mais dependentes de crédito e com maior parcela de seus lucros projetada para o futuro foram beneficiadas pela redução da taxa de desconto.

O dólar caiu porque o crescimento abaixo das projeções nos Estados Unidos e a inflação mensal mais moderada reduziram a pressão sobre os juros americanos. O diferencial elevado entre a Selic e a taxa do Fed também continuou oferecendo suporte ao real por meio das operações de carry trade.

O petróleo devolveu parte da forte alta da sessão anterior, enquanto o ouro avançou com o enfraquecimento do dólar e a manutenção das tensões geopolíticas. A desvalorização da moeda americana reduz o custo do metal para investidores de outros países.

Commodities, câmbio e ouro

Petróleo

O contrato do Brent para setembro recuou 1,88%, para US$ 89,03 por barril. O WTI para o mesmo mês caiu 1,03%, cotado a US$ 83,59.

O movimento representou uma realização de lucros depois da valorização de quase 8% do Brent na quarta-feira. O mercado reduziu parte do prêmio de risco porque os embarques continuaram ocorrendo no Oriente Médio, sem uma interrupção significativa do fluxo de petróleo.

O Irã informou que as negociações mediadas por Omã sobre o Estreito de Ormuz continuavam. Como uma parcela relevante do comércio mundial de petróleo passa pela região, qualquer sinal de preservação do tráfego reduz o risco imediato de escassez.

As tensões geopolíticas, entretanto, permanecem elevadas. Novos ataques envolvendo Estados Unidos, Irã e grupos apoiados por Teerã poderiam devolver rapidamente o prêmio retirado das cotações nesta quinta-feira.

A Opep+ não anunciou uma nova mudança de sua política de produção durante a sessão. O grupo continua no radar diante da possibilidade de interromper temporariamente o processo de aumento da oferta.

A demanda chinesa permanece como um fator de limitação. A recuperação irregular da indústria, do consumo e da construção civil reduz a visibilidade sobre o crescimento do consumo de energia no segundo semestre.

Minério de ferro

O contrato mais negociado do minério de ferro na Bolsa de Dalian caiu 3,31%, para 715 yuans por tonelada, atingindo o menor nível em aproximadamente um ano. Em Cingapura, a referência recuou 2,30%, para US$ 95,85 por tonelada.

A queda foi provocada principalmente pela deterioração das margens das siderúrgicas chinesas. Quando as usinas produzem aço com rentabilidade menor, o incentivo para aumentar a produção diminui, reduzindo a demanda por minério.

O setor imobiliário da China continua sendo o principal problema estrutural. Estoques elevados de imóveis, baixa confiança dos compradores e dificuldades financeiras das incorporadoras limitam a retomada da construção civil.

As autoridades chinesas também reforçaram o controle sobre a capacidade de produção de aço. A medida busca evitar excesso de oferta, mas reduz a perspectiva de consumo de matérias-primas no curto prazo.

Na B3, a queda do minério pressionou CSN e CSN Mineração. A Usiminas apresentou uma baixa ainda maior, mas seu movimento foi explicado principalmente pelo balanço e pelas dúvidas sobre custos e margens para o segundo semestre.

Dólar e ouro

O dólar à vista caiu 0,93%, para R$ 5,0611. No exterior, o DXY recuou 0,91%, para 99,817 pontos.

Os dados de atividade e inflação dos Estados Unidos reduziram a probabilidade de uma elevação imediata dos juros. A queda dos yields diminuiu a atratividade relativa dos títulos americanos e provocou uma redução das posições compradas na moeda.

No Brasil, o diferencial de juros continuou favorecendo o real. Entretanto, a trajetória fiscal e a incerteza sobre a extensão do ciclo de cortes da Selic permanecem como obstáculos para uma valorização estrutural da moeda brasileira.

O ouro avançou 1,90%, para US$ 4.113,10 por onça-troy. O metal foi beneficiado pela queda do dólar e pela busca por proteção diante das tensões no Oriente Médio.

Os juros reais americanos continuam funcionando como um limitador. Como o ouro não paga juros, seu custo de oportunidade aumenta quando os títulos do Tesouro oferecem remuneração real elevada.

Renda variável e destaques corporativos

Maiores altas do Ibovespa

MBRF3 — +7,80%

Fechamento: R$ 17,96

A MBRF liderou os ganhos do Ibovespa em uma sessão favorável à recuperação de ativos cíclicos e empresas que haviam apresentado desempenho mais fraco nas semanas anteriores. Não foi identificado um novo fato relevante divulgado pela companhia durante o pregão capaz de explicar isoladamente a alta. A leitura mais prudente é de que o movimento combinou fluxo comprador, recuperação técnica e melhora do apetite por risco.

TOTS3 — +6,22%

Fechamento: R$ 31,27

A Totvs acompanhou o forte avanço global das empresas de tecnologia após o balanço da Microsoft. A ação também foi favorecida pela queda dos juros futuros, porque empresas de software possuem maior duration e têm uma parcela relevante de seu valor associada aos lucros esperados nos próximos anos.

Não houve comunicado corporativo específico da Totvs durante a sessão. O mercado também começou a se posicionar para o balanço da companhia, previsto para 5 de agosto.

COGN3 — +5,48%

Fechamento: R$ 2,31

A Cogna avançou com o recuo da curva de juros e a recuperação das empresas ligadas à economia doméstica. O setor de educação é sensível ao crédito e à renda das famílias, enquanto juros menores reduzem a taxa utilizada para descontar os resultados futuros da empresa.

Não foi localizado um fato relevante específico divulgado pela companhia no dia. A valorização foi predominantemente associada ao movimento macroeconômico e à recomposição de posições em ações de maior duration.

Maiores baixas do Ibovespa

USIM5 — -9,25%

Fechamento: R$ 7,55

A Usiminas liderou as perdas mesmo após registrar lucro líquido de R$ 428,2 milhões no segundo trimestre, crescimento de 236% na comparação anual. O EBITDA ajustado atingiu R$ 761 milhões, avanço de 86%, com margem de 12,4%.

O mercado concentrou a atenção nas perspectivas para o segundo semestre. Analistas destacaram o risco de custos mais altos nos negócios de aço e mineração, menor rentabilidade do minério e dificuldade para continuar elevando preços sem afetar os volumes vendidos.

A forte valorização acumulada pela ação antes do balanço também aumentou o nível de exigência. Assim, números absolutos positivos não foram suficientes para sustentar o papel quando comparados às expectativas já incorporadas à cotação.

CSNA3 — -4,81%

Fechamento: R$ 4,95

A CSN recuou acompanhando a queda de 3,31% do minério de ferro em Dalian e a piora das perspectivas para a siderurgia chinesa. A companhia possui exposição simultânea ao minério, ao aço e ao ciclo industrial.

A elevada alavancagem amplia a sensibilidade da ação às commodities. Quando a perspectiva de geração operacional diminui, o mercado passa a exigir um prêmio maior diante da dificuldade adicional para reduzir a dívida.

CMIN3 — -4,35%

Fechamento: R$ 5,72

A CSN Mineração foi diretamente pressionada pela queda do minério de ferro para o menor nível em aproximadamente um ano. Como a receita e a geração de caixa dependem fortemente da cotação da commodity, a deterioração das margens das siderúrgicas chinesas levou os investidores a reduzir a exposição ao papel.

O movimento também ocorreu após uma forte valorização mensal da ação, aumentando o espaço para realização de lucros diante de uma notícia negativa para o setor.

Corporativo e balanços

A Ambev registrou lucro líquido de R$ 3,47 bilhões no segundo trimestre, avanço de 24,5% em relação ao mesmo período de 2025. O lucro ajustado alcançou R$ 3,49 bilhões, enquanto o EBITDA ajustado somou aproximadamente R$ 6,37 bilhões.

Apesar de superar o consenso na última linha, as ações encerraram próximas da estabilidade negativa. O mercado concentrou a atenção na evolução dos volumes, na receita orgânica e na qualidade operacional do resultado, parte do qual foi favorecida pela melhora financeira.

A companhia também aprovou aproximadamente R$ 1,1 bilhão em juros sobre o capital próprio. O anúncio oferece remuneração ao acionista, mas não altera as dúvidas sobre o crescimento dos volumes e a capacidade de expansão das margens.

A Intelbras reportou lucro líquido de R$ 158,3 milhões, crescimento anual de 16,1%. A receita líquida consolidada atingiu R$ 1,149 bilhão e o EBITDA somou R$ 168,8 milhões, alta de 9,4%.

A companhia também aprovou cerca de R$ 93,4 milhões em dividendos. A combinação entre crescimento do lucro, melhora da rentabilidade e remuneração ao acionista sustentou uma reação positiva das ações durante o pregão.

O Bradesco apresentou uma proposta de aumento de capital de até R$ 10 bilhões, dos quais até R$ 8 bilhões deverão ser subscritos pelos acionistas controladores. O objetivo é reforçar a estrutura de capital e financiar investimentos em tecnologia e transformação digital.

Embora a operação possa ampliar a capacidade de investimento, uma emissão também provoca preocupação com diluição. A avaliação dependerá do preço da subscrição, da participação dos minoritários e do retorno obtido com os novos recursos.

A Justiça de São Paulo homologou o plano de recuperação extrajudicial da Raízen, envolvendo aproximadamente R$ 65 bilhões em dívidas. A decisão representa uma etapa importante para reorganizar vencimentos, mas a empresa ainda precisará demonstrar capacidade de recuperar a geração de caixa e reduzir a alavancagem.

Vale, Multiplan e EcoRodovias tinham divulgação de resultados prevista para depois do fechamento. Como os balanços não influenciaram as negociações regulares desta quinta-feira, a reação das ações será observada no pregão seguinte.

O que monitorar amanhã

A sexta-feira, 31 de julho, começará com a divulgação do PMI industrial oficial da China. A mediana de uma pesquisa da Reuters aponta para queda de 50,3 para 50,0 pontos, exatamente na fronteira entre expansão e contração.

Uma leitura abaixo de 50 reforçaria as preocupações com a demanda chinesa e poderia pressionar minério de ferro, Vale, CSN, CSN Mineração e outras empresas ligadas ao aço. Um resultado superior às projeções ajudaria a reduzir as dúvidas sobre a atividade industrial do país.

Na Europa, o mercado acompanhará a estimativa preliminar da inflação da zona do euro em julho. O resultado será importante para avaliar o espaço do Banco Central Europeu para flexibilizar sua política monetária.

Nos Estados Unidos, serão divulgados o Índice de Custo do Emprego, o PMI de Chicago e a leitura final da confiança do consumidor da Universidade de Michigan. O componente de expectativas de inflação será especialmente importante depois da divisão observada na decisão do Fed.

No ambiente corporativo, os investidores reagirão aos resultados de Vale, Multiplan, EcoRodovias, Apple e Amazon, publicados após os fechamentos dos respectivos mercados. O foco estará em custos e dividendos na Vale; vendas e ocupação na Multiplan; e investimentos em inteligência artificial, nuvem e geração de caixa nas empresas americanas.

A Irani também está entre as companhias brasileiras com balanço previsto para sexta-feira. Além disso, qualquer novo desdobramento envolvendo Estados Unidos, Irã e o Estreito de Ormuz poderá provocar nova volatilidade no petróleo.

A visão da Case de Valor

O avanço do Ibovespa foi consistente em magnitude, mas sua origem precisa ser compreendida. A principal força veio do exterior, especialmente do rali das grandes empresas de tecnologia depois do balanço da Microsoft.

A melhora dos dados macroeconômicos também ajudou, mas não eliminou o risco monetário. A inflação americana continua acima da meta e três dirigentes do Federal Reserve defenderam uma alta de juros na reunião desta semana.

No Brasil, o IGP-M negativo, o IPCA-15 abaixo das expectativas e a valorização do real favorecem um corte da Selic. Entretanto, o mercado de trabalho continua muito aquecido e o resultado fiscal permanece frágil, limitando uma queda mais intensa dos juros longos.

Os balanços mostraram novamente que o lucro líquido isolado não determina a reação das ações. Ambev e Usiminas apresentaram crescimento expressivo do resultado, mas foram penalizadas porque o mercado encontrou dúvidas nos volumes, nas margens e nas perspectivas futuras.

A valorização de Totvs e Cogna mostra o efeito da duration sobre os preços. Quando a curva de juros recua, empresas cujo valor depende mais dos resultados futuros tendem a reagir com maior intensidade. O movimento contrário também ocorre quando as taxas voltam a subir.

A queda do minério de ferro reforça a importância da China para a bolsa brasileira. Mesmo em uma sessão positiva para o índice, CSN e CSN Mineração ficaram entre as maiores perdas porque a deterioração da commodity se sobrepôs ao ambiente geral de maior apetite por risco.

Um dia de alta melhora os preços. Uma tendência sustentável exige que lucros, inflação, juros e atividade avancem de maneira compatível.

O investidor não deve interpretar a alta de 1,88% como uma garantia de continuidade. O pregão representou uma recuperação importante após a aversão ao risco da sessão anterior, mas os principais riscos — inflação americana, política monetária, situação fiscal brasileira e geopolítica — continuam presentes.

A estratégia adequada permanece baseada em diversificação, disciplina de aportes e análise da função de cada ativo na carteira. Uma sessão positiva, isoladamente, não altera os fundamentos das empresas, assim como uma queda isolada não os invalida.

Conteúdo de caráter informativo e educacional. Não constitui recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos.

Fontes consultadas


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O Ibovespa avançou 1,88% nesta quinta-feira, aos 177.159 pontos, impulsionado pelo forte rali das empresas de tecnologia em Wall Street, pela queda do dólar para R$ 5,0611 e pelo recuo dos juros futuros.

MBRF, Totvs e Cogna lideraram as altas. Na direção contrária, Usiminas caiu 9,25% após o balanço, enquanto CSN e CSN Mineração foram pressionadas pela queda de 3,31% do minério de ferro em Dalian.

Confira os principais movimentos do pregão, os resultados corporativos e o que pode mexer com os mercados nesta sexta-feira.

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