Fechamento do Mercado

Fechamento de Mercado: Ibovespa cai pela sétima sessão; dólar sobe a R$ 5,18

CPI americano em linha com o esperado sustentou tecnologia em Nova York, mas vencimentos, balanços, saída de capital estrangeiro e cautela com o cenário doméstico mantiveram a bolsa brasileira no vermelho.

Redação Case de Valor 12 de agosto de 2026 12 min de leitura
Fechamento de Mercado: Ibovespa cai pela sétima sessão; dólar sobe a R$ 5,18

O Ibovespa encerrou esta quarta-feira, 12 de agosto de 2026, em queda de 0,38%, aos 167.236,02 pontos, no sétimo fechamento consecutivo no campo negativo. O índice oscilou entre 167.141,82 e 168.309,55 pontos e movimentou aproximadamente R$ 28,9 bilhões antes dos ajustes finais, em uma sessão marcada pelo vencimento de opções sobre o Ibovespa e do contrato futuro do índice.

O dólar comercial subiu 0,36%, a R$ 5,179 na venda, também em sua terceira alta seguida. A moeda oscilou entre R$ 5,137 e R$ 5,181 e acompanhou o fortalecimento global do dólar, com o DXY em alta de 0,18%, aos 100,01 pontos. O fluxo cambial brasileiro foi positivo em US$ 652 milhões em agosto até o dia 7, mas o canal financeiro apresentou pequena saída líquida.

No exterior, o CPI dos Estados Unidos avançou 0,1% em julho e desacelerou de 3,5% para 3,4% em 12 meses, ambos em linha com o consenso. O resultado reduziu a urgência de um novo aperto monetário pelo Federal Reserve, derrubou os rendimentos dos Treasuries e favoreceu ações de tecnologia. Ainda assim, o alívio global não foi suficiente para retirar o Ibovespa do vermelho, diante da fragilidade do fluxo estrangeiro, das incertezas eleitorais e da cautela com atividade, inflação e juros no Brasil.

Destaque do dia

O principal tema do pregão foi o contraste entre o alívio monetário nos Estados Unidos e a persistência do prêmio de risco no Brasil. O CPI americano veio dentro das expectativas: alta de 0,1% no mês e de 3,4% em 12 meses. O núcleo avançou 0,2% em julho e 2,5% em um ano, também em linha com as projeções.

Os dados reforçaram a avaliação de que o Fed pode manter os juros na faixa atual em setembro. A probabilidade de alta na próxima reunião recuou para aproximadamente 40%, ante cerca de 50% na véspera, enquanto o rendimento do Treasury de dez anos cedeu para 4,68%. Esse movimento apoiou as ações ligadas à inteligência artificial e levou S&P 500 e Nasdaq a fecharem em alta.

No Brasil, porém, o efeito foi limitado. O Ibovespa chegou a recuperar os 168 mil pontos, mas perdeu força e encerrou em baixa pela sétima sessão consecutiva. O vencimento de derivativos ampliou as oscilações intradiárias, enquanto investidores continuaram reduzindo exposição diante de juros ainda elevados, crescimento doméstico mais fraco, incerteza eleitoral e tensões geopolíticas.

A saída de capital estrangeiro ajuda a explicar a dificuldade de recuperação. O saldo de investidores externos na bolsa, que se aproximava de R$ 68 bilhões em meados de abril, caiu para pouco mais de R$ 29 bilhões. Apenas em agosto, até o dia 10, a retirada líquida somava R$ 7,2 bilhões.

O CPI aliviou Wall Street, mas não removeu o prêmio de risco que ainda pesa sobre os ativos brasileiros.

Cenário macro e política

Panorama internacional

Em Nova York, o Dow Jones caiu 0,04%, aos 53.767,87 pontos, enquanto o S&P 500 subiu 0,26%, aos 7.748,53 pontos, e o Nasdaq avançou 0,54%, aos 26.588,49 pontos. O desempenho positivo de empresas ligadas à inteligência artificial compensou a pressão sobre construtoras e outros segmentos sensíveis ao nível dos juros.

Super Micro Computer e CoreWeave ganharam força após resultados e projeções acima das expectativas, enquanto a Nvidia também avançou. O movimento mostrou que a combinação de inflação em desaceleração e crescimento de lucros continua favorecendo tecnologia, ainda que as avaliações elevadas exijam entregas operacionais consistentes.

O CPI cheio subiu 0,1% em julho, após queda de 0,4% em junho, e acumulou 3,4% em 12 meses. O núcleo avançou 0,2% no mês e desacelerou de 2,6% para 2,5% em um ano. A leitura não significa que a inflação americana voltou à meta, mas reduziu o risco de uma alta imediata dos juros.

Na Europa e na Ásia, os índices fecharam sem direção única. Xangai subiu 0,32% e o Nikkei avançou 0,83%, enquanto Hang Seng e Nifty 50 recuaram 0,83% e 0,77%, respectivamente. A tecnologia apoiou parte das bolsas asiáticas, mas a guerra no Oriente Médio e as restrições no Estreito de Ormuz continuaram limitando o apetite por risco.

Cenário doméstico e política

No Brasil, o volume de serviços ficou estável em junho frente a maio, resultado melhor que a queda de 0,2% projetada pelo mercado. Na comparação anual, o setor cresceu 2,0%, também acima da expectativa de 1,4%. A informação e comunicação foi a única das cinco atividades a crescer no mês, compensando perdas nos demais segmentos.

A leitura sugere que os serviços evitaram uma contração no fechamento do segundo trimestre, mas não oferecem evidência suficiente de aceleração da economia. Juros de 14% ao ano, custos elevados e demanda enfraquecida continuam limitando a atividade, enquanto a diferença entre receita nominal e volume mostra que a inflação de serviços ainda merece atenção.

Os juros futuros recuaram ao longo da curva depois do CPI americano, mas o movimento não se traduziu em alta consistente da bolsa. A combinação de crescimento fraco, Selic ainda restritiva e incerteza política manteve investidores defensivos, especialmente em empresas domésticas e negócios sensíveis ao custo de capital.

No câmbio, o Brasil registrou entrada líquida de US$ 652 milhões em agosto até o dia 7. O saldo veio quase integralmente do canal comercial, positivo em US$ 654,5 milhões, enquanto o canal financeiro teve saída líquida de US$ 2,2 milhões. A alta simultânea do dólar no exterior e no Brasil mostrou que, ao contrário da véspera, a pressão não foi exclusivamente doméstica.

Mercados em números

Ativo Fechamento Variação
Ibovespa 167.236,02 pontos -0,38%
S&P 500 7.748,53 pontos +0,26%
Nasdaq 26.588,49 pontos +0,54%
Dólar comercial R$ 5,179 +0,36%
Euro US$ 1,1522 -0,21%
DXY 100,01 pontos +0,18%
Brent US$ 88,98 +0,08%
WTI US$ 83,27 +0,08%
Ouro US$ 4.425,50 -0,06%

A divergência entre Brasil e Estados Unidos foi o principal sinal do dia. O CPI em linha com o consenso retirou parte do risco de alta dos juros americanos e sustentou tecnologia, mas o Ibovespa permaneceu pressionado por fatores locais e completou sete sessões consecutivas de queda.

O dólar avançou tanto globalmente quanto frente ao real. A alta do DXY, combinada à cautela eleitoral e à saída recente de estrangeiros da bolsa brasileira, levou a moeda para R$ 5,179. O petróleo teve variação pequena, mas manteve o sexto fechamento seguido de alta diante do impasse sobre o Estreito de Ormuz.

Commodities, câmbio e ouro

Petróleo

O Brent para setembro subiu 0,08%, a US$ 88,98 por barril, enquanto o WTI para setembro avançou 0,08%, a US$ 83,27. Foi a sexta sessão consecutiva de valorização, embora o movimento tenha perdido força ao longo do dia.

As cotações continuaram sustentadas pelo ceticismo sobre uma solução rápida para o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Novos ataques a navios e a retórica mais dura de Estados Unidos e Irã mantiveram um prêmio geopolítico relevante, ao mesmo tempo em que a possibilidade de negociações limitou ganhos mais intensos.

O mercado também acompanhou os estoques americanos e as estimativas de oferta. A Opep elevou sua projeção para a produção de combustíveis líquidos do Brasil em 2026 e 2027, mas esse fator estrutural teve impacto menor que o risco imediato sobre as rotas do Golfo Pérsico.

Minério de ferro

O minério de ferro negociado em Dalian subiu 0,07%, a 705,50 yuans por tonelada. O tufão Dolphin paralisou projetos de construção no centro da China e reduziu a demanda de curto prazo, enquanto compras planejadas de aço ofereceram algum suporte às cotações.

A estabilidade da commodity permitiu desempenho positivo de parte das siderúrgicas. Metalúrgica Gerdau e Gerdau avançaram, mas o movimento foi insuficiente para alterar a direção do Ibovespa diante do peso de ações domésticas, Petrobras e Itaú.

Dólar e ouro

O dólar comercial encerrou a R$ 5,179, em alta de 0,36%, após oscilar entre R$ 5,137 e R$ 5,181. O DXY avançou 0,18%, aos 100,01 pontos, indicando fortalecimento mais amplo da moeda americana frente a divisas desenvolvidas e emergentes.

O ouro ficou próximo da estabilidade, em torno de US$ 4.425,50 por onça-troy. O recuo dos Treasuries ofereceu suporte ao metal, mas o dólar mais forte limitou os ganhos. A geopolítica manteve a procura por proteção, porém sem produzir uma nova rodada intensa de compras.

Renda variável e destaques corporativos

Maiores altas do Ibovespa

BHIA3 — +4,55%

Fechamento: R$ 0,69

Casas Bahia liderou os ganhos em uma sessão de recuperação de papéis muito descontados. O balanço do segundo trimestre estava previsto para depois do fechamento, aumentando a volatilidade e o posicionamento especulativo. Não foi identificado, até o encerramento, um fato relevante isolado que explicasse sozinho a magnitude da alta.

EMBJ3 — +3,48%

Fechamento: R$ 95,70

A Embraer avançou após os resultados do segundo trimestre e uma leitura mais construtiva da XP. A companhia reportou lucro líquido de R$ 1,11 bilhão, alta de 25%, elevou o guidance de margem Ebit ajustada para 10,0% a 10,6% e dobrou o piso da projeção de fluxo de caixa livre para US$ 400 milhões. A XP destacou margens estruturalmente maiores, melhora da qualidade da carteira de pedidos e novas avenidas de crescimento em Serviços, Eve e Índia.

MBRF3 — +2,97%

Fechamento: R$ 16,64

A MBRF acompanhou a valorização do setor de frigoríficos e teve desempenho superior ao índice. Não foi identificado, nas fontes consultadas até o fechamento, um novo fato corporativo isolado capaz de explicar integralmente o movimento; a alta ocorreu em meio a rotação setorial e reposicionamento antes da etapa final da temporada de balanços.

Maiores baixas do Ibovespa

BRKM5 — -7,45%

Fechamento: R$ 5,22

A Braskem liderou as perdas em meio à cautela antes da divulgação do balanço do segundo trimestre. O mercado continua precificando endividamento elevado, risco de liquidez e incerteza sobre a estrutura de capital. Sem um novo fato relevante isolado durante o pregão, a proximidade do resultado ampliou a aversão ao papel.

DIRR3 — -4,72%

Fechamento: R$ 10,49

A Direcional recuou após o balanço do segundo trimestre, em uma reação de realização e reavaliação das expectativas para margens, vendas e geração de caixa. O movimento mostrou que números operacionais positivos já estavam parcialmente incorporados ao preço, elevando a exigência dos investidores para as projeções seguintes.

TOTS3 — -4,15%

Fechamento: R$ 29,32

A Totvs ficou entre as maiores baixas em uma sessão de redução de exposição a empresas de tecnologia doméstica e duration mais longa. Não foi identificado um novo fato relevante divulgado no dia que justificasse sozinho a queda; o papel também refletiu realização após a repercussão recente do balanço e da consolidação da Linx.

Corporativo e balanços

A Embraer permaneceu como o principal destaque positivo. O lucro líquido do segundo trimestre alcançou R$ 1,11 bilhão, com avanço de 25%, apoiado pelo desempenho operacional e por despesas financeiras líquidas menores. A empresa manteve as metas de entregas e receita, mas elevou as projeções de margem e geração de caixa, fortalecendo a percepção de que a lucratividade pode crescer mais rapidamente que as vendas.

A Itaúsa caiu 1,66%, a R$ 12,42, após a divulgação do resultado. A reação negativa ocorreu em meio à leitura sobre a contribuição das investidas, despesas da holding e desconto de negociação, além da fraqueza do Itaú Unibanco, que encerrou o dia em baixa.

Após o fechamento, a agenda incluiu Banco do Brasil, Hapvida, Rede D'Or, Suzano, Sabesp, Casas Bahia e MRV, entre outras empresas. Esses resultados devem produzir ajustes relevantes na abertura de quinta-feira, especialmente em bancos, saúde, papel e celulose, saneamento e construção.

O que monitorar amanhã

Na quinta-feira, o principal dado global será o índice de preços ao produtor dos Estados Unidos, referente a julho. O PPI será importante para verificar se a desaceleração observada no CPI também aparece nos custos das empresas e pode reforçar a perspectiva de manutenção dos juros pelo Fed.

Os pedidos semanais de seguro-desemprego também entram no radar. Depois de sinais mais fracos no mercado de trabalho americano, uma nova deterioração pode reduzir ainda mais a pressão por alta dos juros, enquanto uma surpresa forte recolocaria os Treasuries e o dólar no centro das negociações.

No Brasil, investidores acompanharão a reação aos resultados divulgados após o fechamento desta quarta-feira, principalmente Banco do Brasil, Hapvida, Rede D'Or, Suzano, Sabesp, Casas Bahia e MRV. Também haverá teleconferências de companhias que publicaram balanços, capazes de alterar a leitura sobre guidance, crédito, margens e investimentos.

A temporada de resultados prossegue com Cyrela, M. Dias Branco, Banrisul e outras empresas. O mercado continuará monitorando o fluxo estrangeiro, o comportamento do dólar e os desdobramentos eleitorais, além das negociações sobre o Estreito de Ormuz.

A visão da Case de Valor

O pregão mostrou que um dado externo favorável não é suficiente, sozinho, para reverter um processo de redução de risco no Brasil. O CPI americano diminuiu a probabilidade de uma alta imediata do Fed e ajudou Wall Street, mas o Ibovespa permaneceu preso a fatores domésticos.

A sequência de sete quedas merece atenção, embora não deva ser analisada apenas pelo número de sessões. O ponto central é a combinação de saída estrangeira, Selic elevada, crescimento fraco e aumento do prêmio eleitoral. Sem melhora consistente nesses vetores, recuperações intradiárias tendem a encontrar vendedores.

Isso não significa que todos os ativos estejam deteriorando seus fundamentos. A Embraer demonstrou o contrário: resultado, guidance e perspectiva de margens sustentaram a ação mesmo em um ambiente adverso. A dispersão entre empresas reforça a importância de separar movimento de índice e evolução operacional.

O dólar em alta pelo terceiro dia também pede acompanhamento. Parte do movimento veio do fortalecimento global da moeda americana, mas o real continua sensível à incerteza política e ao fluxo. A combinação entre câmbio, juros e bolsa seguirá oferecendo uma leitura mais completa que qualquer ativo isolado.

Para o investidor, quedas sucessivas podem criar preços mais interessantes, mas não eliminam risco. Qualidade do negócio, capacidade de geração de caixa, estrutura de capital e horizonte de investimento continuam sendo mais importantes que a tentativa de antecipar o fundo do mercado.

O exterior pode abrir uma janela de alívio. Para virar tendência, o Brasil ainda precisa recuperar fluxo e confiança.

Este conteúdo possui caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Dados de mercado podem sofrer ajustes conforme novas divulgações e atualizações das fontes oficiais.

Fontes consultadas

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