Fechamento do Mercado

Fechamento de Mercado: Ibovespa sobe 0,51% com Yduqs, siderúrgicas e Vale

O índice reverteu queda de quase 1% e terminou aos 171.906,72 pontos; dólar comercial avançou para perto de R$ 5,15, enquanto tecnologia pressionou Wall Street.

Equipe Case de Valor 24 de agosto de 2026 10 min de leitura
Fechamento de Mercado: Ibovespa sobe 0,51% com Yduqs, siderúrgicas e Vale

O Ibovespa encerrou esta segunda-feira, 24 de agosto de 2026, em alta de 0,51%, aos 171.906,72 pontos. O resultado positivo esconde uma sessão de forte volatilidade: o índice caiu quase 1% pela manhã, avançou mais de 1% no meio do pregão e devolveu parte dos ganhos antes do fechamento.

A mínima foi de 169.330,39 pontos, queda de 0,99%, às 10h29. Na máxima, às 12h29, o Ibovespa alcançou 173.109,43 pontos e subiu 1,21%. A amplitude intradiária foi de 3.779,04 pontos. Do topo até o encerramento, o índice devolveu 1.202,71 pontos.

O avanço foi sustentado por notícias corporativas e pela valorização das ações ligadas a minério de ferro e siderurgia. Yduqs disparou 13,21% após confirmar conversas iniciais com a Afya para uma possível combinação de negócios. Usiminas subiu 8,70% diante de notícia sobre o interesse da controladora Ternium em fechar o capital da companhia, enquanto CSN ganhou 7,72%.

Vale também ajudou o índice, acompanhando a alta de 1,27% do contrato mais negociado do minério de ferro em Dalian. Na direção contrária, a queda do petróleo pressionou as petroleiras. Brava terminou entre as maiores baixas do Ibovespa, com recuo de 3,46%.

No câmbio, o dólar comercial fechou perto de R$ 5,15, com alta de aproximadamente 0,27%. A PTAX de venda do Banco Central, calculada mais cedo, ficou em R$ 5,1512, recuo de 0,22% em relação à sexta-feira.

Destaque do dia

O destaque foi a capacidade de recuperação do Ibovespa depois da abertura negativa. Da mínima até a máxima, o índice percorreu 3.779,04 pontos e mudou de uma queda de 0,99% para uma alta de 1,21%. O noticiário corporativo deu direção ao pregão mesmo em um ambiente internacional desfavorável às ações de tecnologia.

Yduqs liderou a carteira depois de informar que mantém tratativas em estágio inicial com a Afya. A companhia ressaltou que ainda não existe acordo vinculante. Portanto, a alta reflete a expectativa criada pela possível transação, e não a conclusão de uma combinação de negócios.

Usiminas e CSN completaram as três maiores altas. Segundo notícia reproduzida pela Reuters, a controladora Ternium teria interesse em fechar o capital da Usiminas. A Ternium não comentou a informação naquele momento. A CSN, que possui participação na siderúrgica, acompanhou o movimento.

O Ibovespa fechou em alta, mas o pregão foi marcado por dispersão: educação, siderurgia e mineração avançaram, enquanto petróleo e casos corporativos específicos concentraram as perdas.

Cenário macro e política

Panorama internacional

Em Nova York, os índices encerraram sem direção única. O S&P 500 caiu 0,3% e o Nasdaq recuou 0,8%, pressionados por ações de tecnologia e semicondutores. O Dow Jones avançou 0,3%, beneficiado pela rotação para setores menos dependentes do tema de inteligência artificial.

Nvidia caiu antes da divulgação de resultados prevista para quarta-feira. Micron e Broadcom também recuaram. Como as empresas de tecnologia possuem grande peso no S&P 500 e no Nasdaq, as perdas do setor foram suficientes para pressionar os índices, apesar da alta da maioria das ações do S&P 500 durante boa parte da sessão.

O rendimento do Treasury de dez anos recuou para perto de 4,70%, ante 4,74% na sexta-feira. A queda dos juros longos trouxe algum alívio, mas não eliminou as dúvidas sobre inflação, dívida pública americana e os próximos passos do Federal Reserve.

O Índice de Atividade Nacional do Fed de Chicago caiu de 0,06 em junho para -0,08 em julho. Uma leitura abaixo de zero indica crescimento abaixo da tendência histórica, mas o indicador isolado não define a trajetória da economia nem da política monetária.

Na Ásia, o Kospi caiu 3,1% e o Hang Seng recuou 1,9%, com pressão sobre ações de tecnologia. O mercado global também acompanhou o anúncio de novas sanções econômicas dos Estados Unidos contra o Irã e as tensões comerciais entre Estados Unidos e Canadá.

Cenário doméstico e política

No Brasil, o Relatório Focus manteve a projeção do IPCA de 2026 em 5,02% e a estimativa da Selic no fim do ano em 13,75%. A previsão para o crescimento do PIB caiu de 1,98% para 1,95%, enquanto a estimativa para o dólar no fim de 2026 permaneceu em R$ 5,20.

As expectativas continuam apontando inflação acima do teto de 4,5% da meta em 2026 e uma política monetária restritiva. A revisão do PIB reforça a percepção de desaceleração da atividade, mas não provocou um movimento direcional uniforme: a curva de juros, o câmbio e as ações continuaram reagindo também ao cenário eleitoral e ao exterior.

A repercussão do primeiro debate presidencial das eleições de 2026 permaneceu no radar. O evento aumentou a atenção sobre pesquisas e propostas econômicas, mas não há evidência suficiente para atribuir a alta do Ibovespa exclusivamente ao debate. Os catalisadores corporativos e o desempenho de Vale tiveram ligação mais direta com a composição do índice.

Mercados em números

Ativo Fechamento ou referência Variação
Ibovespa 171.906,72 pontos +0,51%
S&P 500 Fechamento em Nova York -0,3%
Dow Jones Fechamento em Nova York +0,3%
Nasdaq Fechamento em Nova York -0,8%
Dólar comercial R$ 5,1501 +0,27%
Dólar — PTAX venda R$ 5,1512 -0,22%
Brent US$ 90,55 por barril* -2,3%*
Treasury de 10 anos 4,70%* 4,74% na sexta
Bitcoin US$ 78.685* +1,83% em 24 horas*
Ethereum US$ 2.472,41* +1,28% em 24 horas*

*Cotações contínuas ou referências observadas no fim da tarde, sujeitas a atualização após a publicação.

A diferença entre o dólar comercial e a PTAX não representa erro. O câmbio à vista continuou oscilando após as janelas usadas pelo Banco Central para calcular a taxa de referência. Por isso, a PTAX caiu na comparação diária, enquanto o dólar comercial terminou com leve alta.

Commodities, câmbio e criptoativos

Petróleo

O Brent recuava 2,3%, para aproximadamente US$ 90,55 por barril, no fim da tarde. O movimento ocorreu depois de seis sessões de alta e ajudou a reduzir o rendimento dos Treasuries, mas pressionou as ações de petróleo na B3.

Petrobras PN chegou a cair quase 3% durante o pregão. Brava fechou em baixa de 3,46%, a R$ 18,15, e ficou entre os cinco piores desempenhos do Ibovespa. A correlação diária com o petróleo foi mais visível nas produtoras do que no índice, que recebeu suporte de mineração, bancos e siderurgia.

Minério de ferro

O contrato mais negociado do minério de ferro na Bolsa de Dalian subiu 1,27%, para 716 yuans por tonelada. O mercado reagiu a sinais de estímulo na China e à expectativa de demanda mais forte antes da temporada de construção de setembro.

Vale avançou durante a sessão e ajudou o Ibovespa por causa de seu peso elevado na carteira. Usiminas e CSN tiveram ganhos ainda maiores, mas seus movimentos também refletiram a notícia específica sobre uma eventual operação envolvendo o capital da Usiminas.

Dólar e criptoativos

O dólar comercial encerrou a R$ 5,1501, alta de 0,27%, depois de oscilar entre R$ 5,1364 e R$ 5,1616. A PTAX de venda ficou em R$ 5,1512, baixa calculada de 0,22% frente aos R$ 5,1625 de sexta-feira.

Às 17h12, no horário de Brasília, o bitcoin era negociado perto de US$ 78,7 mil, com alta de 1,83% em 24 horas. O ethereum estava em aproximadamente US$ 2.472, alta de 1,28%. Como o mercado cripto funciona sem interrupção, esses valores são apenas uma fotografia do momento da apuração.

Renda variável e destaques corporativos

Maiores altas do Ibovespa

YDUQ3 — +13,21%

Fechamento: R$ 8,91

A Yduqs confirmou tratativas iniciais com a Afya sobre uma possível combinação de negócios. A notícia criou expectativa de consolidação no setor educacional, mas a companhia informou que não existe acordo vinculante.

USIM5 — +8,70%

Fechamento: R$ 7,12

A Usiminas reagiu à notícia de que a controladora Ternium teria interesse em fechar o capital da empresa. A informação não havia sido confirmada pela Ternium durante a sessão, o que mantém o papel sujeito a forte volatilidade enquanto não houver comunicação formal.

CSNA3 — +7,72%

Fechamento: R$ 5,16

A CSN acompanhou a valorização da Usiminas, da qual é acionista, e também se beneficiou do ambiente positivo para siderurgia e minério de ferro.

Maiores baixas do Ibovespa

BRKM5 — -6,51%

Fechamento: R$ 4,74

A Braskem liderou as perdas depois de aprovar pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar aproximadamente US$ 10,9 bilhões em dívidas. A B3 informou que as ações serão retiradas do Ibovespa e de outros índices após o fechamento de 25 de agosto.

MBRF3 — -5,32%

Fechamento: R$ 18,50

A MBRF teve a segunda maior queda do índice. Não foi localizado um fato relevante novo que explique sozinho a variação; por isso, o movimento não deve ser associado a uma causa específica sem confirmação adicional.

AZZA3 — -3,70%

Fechamento: R$ 14,58

A Azzas 2154 completou as três maiores baixas. Assim como em MBRF, não foi identificado um anúncio corporativo novo com relação causal suficientemente clara para explicar isoladamente a perda.

O que monitorar na próxima sessão

Na terça-feira, 25 de agosto, os Estados Unidos divulgam às 11h, no horário de Brasília, as vendas de moradias novas e o índice de confiança do consumidor do Conference Board. Os dados podem alterar a leitura sobre atividade, inflação e juros americanos.

No Brasil, o mercado continuará acompanhando a repercussão do debate presidencial, a curva de juros e a evolução do dólar. Também será importante observar o comportamento de Usiminas e Yduqs depois das fortes altas, especialmente na ausência de acordo vinculante ou comunicado adicional.

A Braskem permanecerá no centro das atenções. A retirada de BRKM3 e BRKM5 dos índices da B3 será feita pelo preço de fechamento de terça-feira, e os ajustes de carteiras passivas podem elevar o volume e a volatilidade dos papéis.

O petróleo continuará sensível às sanções dos Estados Unidos contra o Irã e às condições de transporte no Oriente Médio. Para a bolsa brasileira, uma nova queda do Brent pode manter pressão sobre Petrobras, Brava e outras produtoras.

Os investidores também começam a se posicionar para uma sequência importante: IPCA-15 no Brasil e resultados da Nvidia na quarta-feira, dados de inflação PCE nos Estados Unidos e o discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, em Jackson Hole na sexta-feira.

A visão da Case de Valor

O fechamento positivo mostra que o Ibovespa encontrou suporte mesmo diante da fraqueza de tecnologia no exterior e da queda do petróleo. A combinação de Vale, bancos e fortes movimentos corporativos foi suficiente para compensar a pressão sobre petroleiras e empresas específicas.

Ao mesmo tempo, a devolução de mais de 1.200 pontos desde a máxima e a amplitude próxima de 3.800 pontos recomendam cautela. A sessão teve alta, mas não foi linear nem uniforme. Grande parte do desempenho veio de notícias que ainda dependem de confirmação ou evolução, especialmente nos casos de Yduqs e Usiminas.

O Focus manteve uma combinação desafiadora: inflação projetada acima do teto da meta, Selic ainda elevada e crescimento esperado um pouco menor. Esse quadro favorece seletividade, porque empresas mais endividadas continuam expostas a custo de capital alto, enquanto companhias com balanços sólidos e geração de caixa tendem a lidar melhor com a volatilidade.

O índice avançou, mas o pregão premiou catalisadores específicos. A leitura mais útil não é apenas que a bolsa subiu, e sim quais empresas subiram, por que subiram e quais fatos ainda precisam ser confirmados.

Este conteúdo possui caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Dados de mercado podem sofrer ajustes conforme novas divulgações e atualizações das fontes.

Fontes consultadas

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