Fechamento de Mercado: Ibovespa sobe 1,55% e alcança 174,6 mil pontos
Queda dos juros impulsionou varejo, construção e bancos; petróleo recuou 3,6% após proposta de corredor temporário no Estreito de Ormuz.

O Ibovespa encerrou esta terça-feira, 25 de agosto de 2026, em alta de 1,55%, aos 174.576,80 pontos. Foi a quinta sessão positiva consecutiva do principal índice da B3.
A mínima do dia foi de 171.178,87 pontos, queda de 0,42%, às 10h46. A partir desse nível, o índice ganhou força e alcançou a máxima de 174.784,92 pontos, alta de 1,67%, às 16h54. A amplitude intradiária foi de 3.606,05 pontos. O fechamento ocorreu apenas 208,12 pontos abaixo da máxima, sinal de que a pressão compradora permaneceu até os minutos finais.
A sessão foi marcada pela valorização de ações sensíveis aos juros. A queda dos rendimentos dos Treasuries nos Estados Unidos ajudou a aliviar a curva brasileira, favorecendo varejo, construção, saúde e bancos. Magazine Luiza liderou as altas do Ibovespa, com avanço de 9,38%, seguida por Assaí, com 7,94%, e Cury, com 7,39%.
O cenário externo também trouxe alívio parcial. Uma proposta discutida por Irã e Omã para um corredor temporário de navegação e ações conjuntas de retirada de minas no Estreito de Ormuz reduziu parte do prêmio de risco do petróleo. O Brent caiu 3,6%, enquanto os índices de Nova York subiram e os juros americanos recuaram.
Na direção contrária, Petrobras acompanhou a queda do petróleo. Braskem despencou 13,32% no dia em que suas ações foram retiradas do Ibovespa e de outros índices da B3, em consequência da classificação especial de recuperação extrajudicial.
Destaque do dia
O principal destaque foi a combinação entre queda dos juros e rotação para ações domésticas. Magazine Luiza, Assaí, Cury, Raia Drogasil e Direcional formaram o grupo das cinco maiores altas do índice. Todas possuem resultados particularmente sensíveis à atividade econômica, ao consumo ou ao custo de capital.
Não foi identificado um fato relevante novo capaz de explicar sozinho as altas de Magazine Luiza e Assaí. O movimento ocorreu de forma disseminada entre empresas cíclicas e coincidiu com a queda dos contratos de juros futuros. Essa relação é consistente com a dinâmica do pregão, mas não deve ser apresentada como causa exclusiva.
Os bancos também deram suporte relevante ao Ibovespa. Banco do Brasil subiu 5,54%, BTG Pactual avançou 3,31%, Bradesco PN ganhou 3,20% e Itaú Unibanco PN teve alta de 2,01%. Vale, uma das ações de maior peso da carteira, avançou 2,01%.
O Ibovespa saiu da mínima para fechar perto do topo, apoiado por juros menores, ações domésticas, bancos e Vale. A queda do petróleo limitou Petrobras, mas não impediu a quinta alta consecutiva do índice.
Cenário macro e política
Panorama internacional
Em Nova York, o S&P 500 subiu 0,3%, o Dow Jones avançou 0,3% e o Nasdaq ganhou 0,7%. A redução do preço do petróleo ajudou a aliviar a preocupação inflacionária e os rendimentos dos títulos públicos americanos. O Treasury de dez anos recuou para 4,64%, ante 4,70% na segunda-feira.
Os dados econômicos dos Estados Unidos foram mais fracos. O índice de confiança do consumidor do Conference Board caiu de 90,2 em julho para 89,4 em agosto, o menor nível em sete meses. O componente de expectativas recuou para 68,2 pontos e permaneceu abaixo do nível de 80, historicamente associado a risco de recessão nos meses seguintes.
As vendas de moradias novas caíram 10,5% em julho, para uma taxa anualizada e ajustada sazonalmente de 607 mil unidades, segundo o Censo americano. Na comparação com julho de 2025, houve queda de 6,3%. O estoque disponível equivalia a 9,6 meses de vendas.
Os números reforçaram a percepção de perda de fôlego da atividade. Para os ativos de risco, o efeito imediato foi positivo por meio da queda dos juros. Em uma leitura mais ampla, entretanto, dados fracos também exigem atenção porque podem antecipar menor crescimento e revisão de lucros.
No campo geopolítico, Omã e Irã discutiram uma estrutura para criar um corredor temporário conjunto de navegação no Estreito de Ormuz, além de operações de retirada de minas. As conversas continuam e não representam, por enquanto, um acordo permanente. A perspectiva de redução dos riscos ao transporte marítimo foi suficiente para pressionar o petróleo.
Cenário doméstico e política
No Brasil, a curva de juros futuros acompanhou o alívio observado nos Treasuries. Esse movimento melhorou a avaliação relativa de empresas cujo valor presente e capacidade de financiamento são mais sensíveis às taxas, especialmente varejistas, construtoras e companhias voltadas ao consumo doméstico.
O noticiário eleitoral continuou no radar depois do primeiro debate presidencial, assim como as discussões sobre política fiscal e econômica. Ainda assim, não há evidência suficiente para atribuir a alta desta terça-feira a uma notícia política específica. Os vetores com ligação mais direta com os preços foram a queda dos juros, o recuo do petróleo e o fluxo para ações domésticas, bancos e Vale.
A agenda de quarta-feira traz o IPCA-15 de agosto. O dado será importante para a curva de juros porque oferecerá uma leitura atualizada da inflação ao consumidor antes da próxima decisão do Banco Central. A reação dependerá não apenas do índice cheio, mas também da composição, especialmente serviços e medidas de inflação subjacente.
Mercados em números
| Ativo | Fechamento ou referência | Variação |
|---|---|---|
| Ibovespa | 174.576,80 pontos | +1,55% |
| S&P 500 | Fechamento em Nova York | +0,3% |
| Dow Jones | Fechamento em Nova York | +0,3% |
| Nasdaq | Fechamento em Nova York | +0,7% |
| Dólar comercial | R$ 5,1417* | -0,30%* |
| Dólar — PTAX venda | R$ 5,1490 | -0,04% |
| Brent | Referência do fechamento internacional | -3,6% |
| Treasury de 10 anos | 4,64% | 4,70% na segunda-feira |
| Bitcoin | US$ 78.819* | +0,22% em 24 horas* |
| Ethereum | US$ 2.456,91* | -0,56% em 24 horas* |
*Cotações contínuas ou referências observadas no fim da tarde, sujeitas a atualização depois da publicação.
Commodities, câmbio e criptoativos
Petróleo
O Brent encerrou com queda de 3,6%. O recuo refletiu a possibilidade de maior segurança para a navegação no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte mundial de energia, depois das conversas entre Omã e Irã sobre um corredor temporário e retirada de minas.
O movimento reduziu a pressão sobre a inflação global e ajudou os juros longos nos Estados Unidos a cair. Para a bolsa brasileira, entretanto, o efeito foi misto: juros menores favoreceram boa parte do mercado, mas Petrobras ON caiu 2,09% e Petrobras PN recuou 1,90%.
Dólar
O dólar comercial era negociado a R$ 5,1417 no fim da tarde, em queda de aproximadamente 0,30%. Durante o dia, os registros do provedor operacional apontaram máxima de R$ 5,1647 e mínima de R$ 5,1382.
A PTAX de venda do Banco Central ficou em R$ 5,1490, ante R$ 5,1512 na segunda-feira, recuo calculado de 0,04%. A diferença entre a PTAX e o dólar comercial decorre da metodologia e dos horários de apuração: a PTAX é uma taxa oficial de referência calculada em janelas específicas, enquanto a cotação comercial segue oscilando ao longo do pregão.
Criptoativos
Por volta das 17h12, no horário de Brasília, o bitcoin era negociado a aproximadamente US$ 78,8 mil, com alta de 0,22% em 24 horas. O ethereum estava perto de US$ 2.456,91, com queda de 0,56%. Como os criptoativos são negociados continuamente, os valores representam uma fotografia do momento da apuração.
Renda variável e destaques corporativos
Maiores altas do Ibovespa
MGLU3 — +9,38%
Fechamento: R$ 4,55
Magazine Luiza liderou a carteira em uma sessão favorável a ações sensíveis aos juros. Não foi localizado um fato relevante novo que, isoladamente, justificasse a alta; o papel acompanhou a rotação para empresas domésticas e de consumo.
ASAI3 — +7,94%
Fechamento: R$ 8,97
Assaí avançou com o alívio da curva de juros e a melhora generalizada dos ativos ligados à economia doméstica. O custo de capital é uma variável particularmente acompanhada em empresas de varejo e expansão intensiva.
CURY3 — +7,39%
Fechamento: R$ 32,55
Cury acompanhou o movimento positivo das construtoras. Juros menores tendem a melhorar as condições de financiamento imobiliário e elevar o valor presente dos fluxos de caixa, embora a cotação diária também possa refletir fluxo e posicionamento.
Outras altas relevantes
Raia Drogasil subiu 7,21%, a R$ 19,64, e Direcional avançou 6,77%, a R$ 11,36. Entre os bancos, Banco do Brasil ganhou 5,54%, BTG Pactual subiu 3,31%, Bradesco PN avançou 3,20% e Itaú PN teve alta de 2,01%. Vale fechou em alta de 2,01%, a R$ 78,68.
Maiores baixas do Ibovespa
BRKM5 — -13,32%
Fechamento: R$ 4,10
Braskem liderou as perdas no dia do ajuste que retirou suas ações dos índices da B3. A exclusão ocorreu após a companhia receber a classificação especial de recuperação extrajudicial. O peso dos papéis foi redistribuído proporcionalmente entre os demais componentes dos índices.
EMBJ3 — -2,32%
Fechamento: R$ 95,92
Embraer teve a segunda maior queda da carteira. Não foi localizado um comunicado corporativo novo com relação causal suficientemente clara para explicar sozinho o movimento desta sessão.
PETR3 — -2,09%
Fechamento: R$ 45,96
Petrobras ON acompanhou a forte queda do petróleo. A ação preferencial, PETR4, recuou 1,90%, a R$ 41,31.
O que monitorar na próxima sessão
No Brasil, o principal indicador de quarta-feira será o IPCA-15 de agosto. A composição do índice poderá alterar as expectativas para inflação e juros, com impacto potencial sobre o câmbio, a curva de DI, varejistas, construtoras e empresas de crescimento.
Nos Estados Unidos, o calendário reúne três divulgações importantes às 9h30, no horário de Brasília: a segunda estimativa do PIB do segundo trimestre, os dados de renda e gastos pessoais de julho — que incluem o índice de preços PCE — e as encomendas de bens duráveis de julho. Uma surpresa em inflação ou atividade pode provocar volatilidade em Treasuries, dólar e bolsas globais.
Depois do fechamento de Nova York, a Nvidia divulga os resultados do segundo trimestre fiscal. A publicação está prevista para aproximadamente 17h20 de Brasília, seguida de teleconferência às 18h. O balanço é relevante para todo o setor de tecnologia porque pode atualizar as expectativas sobre demanda por inteligência artificial, centros de dados e semicondutores.
O mercado também acompanhará as negociações envolvendo a segurança do Estreito de Ormuz. Novos sinais de acordo podem manter pressão sobre o petróleo; uma interrupção das conversas ou agravamento militar pode recompor rapidamente o prêmio geopolítico.
Na B3, será importante observar se a rotação para ações domésticas continuará depois das fortes altas desta terça-feira. Magazine Luiza, Assaí, Cury, Raia Drogasil, Direcional e os bancos poderão reagir tanto ao IPCA-15 quanto aos movimentos da curva de juros.
A visão da Case de Valor
O fechamento próximo da máxima fortalece a leitura técnica do pregão, mas a alta não elimina os riscos. Parte importante do movimento veio da compressão dos juros, fator que pode mudar rapidamente diante do IPCA-15, do PCE americano e da revisão do PIB dos Estados Unidos.
A queda do petróleo teve dois efeitos opostos. De um lado, reduziu a pressão inflacionária e favoreceu os juros e as bolsas internacionais. De outro, pesou sobre Petrobras, um dos maiores componentes do Ibovespa. O fato de o índice ter subido 1,55% mesmo com a petroleira em baixa mostra a força do movimento em bancos, Vale e ações domésticas.
A reação de Braskem reforça a importância de separar risco de mercado de risco corporativo. Enquanto a maior parte da bolsa respondeu ao ambiente macro, a petroquímica foi dominada por sua reestruturação financeira e pela retirada dos índices da B3.
A quinta alta seguida mostra melhora do apetite ao risco, mas a agenda de quarta-feira concentra eventos capazes de mudar juros, moedas e ações. O momento pede acompanhamento de dados e seletividade, não extrapolação automática do desempenho de um único pregão.
Este conteúdo possui caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Dados de mercado podem sofrer ajustes conforme novas divulgações e atualizações das fontes.
Fontes consultadas
- B3 — histórico intradiário e fechamento do Ibovespa
- B3 — maiores altas e baixas da carteira do Ibovespa
- Banco Central do Brasil — histórico da PTAX
- Money Times — mercado brasileiro, juros, petróleo e Estreito de Ormuz
- Money Times — construtoras e curva de juros
- InfoMoney — retirada de Braskem dos índices da B3
- Emirates News Agency — proposta de corredor temporário entre Omã e Irã
- Associated Press — Wall Street, Treasuries e petróleo
- The Conference Board — confiança do consumidor dos Estados Unidos
- U.S. Census Bureau — vendas de moradias novas
- IBGE — calendário do IPCA-15
- Bureau of Economic Analysis — agenda de PIB e renda, gastos e PCE
- U.S. Census Bureau — agenda de bens duráveis
- Nvidia — horário dos resultados e da teleconferência
- AwesomeAPI — dólar comercial
- CoinGecko — bitcoin e ethereum
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