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Fechamento do Mercado: Ibovespa dispara 2,63% e ganha 4,71% na semana antes das eleições

Bolsa supera os 192 mil pontos com apoio de Petrobras, Vale e bancos; emprego americano abaixo do esperado favorece ações, enquanto dólar fecha perto da estabilidade.

Equipe Case de Valor 02 de outubro de 2026 6 min de leitura
Fechamento do Mercado: Ibovespa dispara 2,63% e ganha 4,71% na semana antes das eleições

O fechamento de mercado de 2 de outubro de 2026 foi marcado por uma forte recuperação da Bolsa brasileira. O Ibovespa avançou 2,63%, aos 192.114,55 pontos, e encerrou a semana com ganho de 4,71%. O dólar à vista recuou 0,08%, a R$ 5,2158, enquanto os juros futuros terminaram em queda.

Na última sessão antes do primeiro turno das eleições, o mercado combinou alívio com os dados de emprego dos Estados Unidos e ajustes de posição no Brasil. Petrobras, Vale e grandes bancos deram sustentação ao índice, que acelerou durante a tarde e terminou praticamente na máxima do dia.

A intensidade do avanço, porém, exige contexto. Gestores ouvidos pelo Valor atribuíram parte da disparada ao posicionamento especulativo antes das urnas, sem uma mudança imediata nos fundamentos que explicasse, sozinha, toda a valorização.

A Bolsa chega às eleições com uma semana forte, mas a confirmação das expectativas dependerá dos resultados e dos próximos sinais sobre a política econômica.

Destaque do dia: Ibovespa volta aos 192 mil pontos

O índice somou 4.917,09 pontos ao fechamento anterior. Durante a sessão, oscilou entre 186.144,24 pontos na mínima e 192.118,70 na máxima, com volume financeiro de R$ 42,90 bilhões, conforme o InfoMoney. Foi o maior nível de encerramento desde 22 de abril, segundo o Valor.

Com o resultado, o Ibovespa acumulou 3,10% em outubro e 19,23% em 2026. A alta também alcançou as empresas menores: o Small Caps subiu 2,68%, aos 2.350,57 pontos, e ganhou 5,15% na semana. O IFIX avançou 0,43%, aos 3.771,85 pontos, com valorização semanal de 0,81%.

Cenário macro e política

Estados Unidos: emprego mais fraco dá suporte às ações

O relatório de emprego americano mostrou a criação de 29 mil vagas em setembro, abaixo das 90 mil esperadas na pesquisa Reuters. A taxa de desemprego passou de 4,1% para 4,2%. O resultado reforçou as expectativas de manutenção dos juros pelo Federal Reserve em outubro, reduzindo a pressão por um novo aumento imediato.

Wall Street terminou no positivo. O Nasdaq subiu 1,19%, o S&P 500 ganhou 0,73% e o Dow Jones avançou 0,49%, segundo os números de fechamento do Valor. A leitura mais moderada do emprego favoreceu o mercado, embora os juros americanos elevados continuem sendo um limite para o otimismo.

Brasil: indústria perde força e eleições concentram atenção

A produção industrial brasileira caiu 0,6% em agosto frente a julho e recuou 1,2% na comparação anual. Os resultados ficaram abaixo das projeções de altas de 0,1% e 0,4%, respectivamente, citadas na cobertura da Reuters. A fraqueza da atividade trouxe um contraponto à forte valorização dos ativos.

Nos juros futuros, o contrato de DI para janeiro de 2028 passou de 13,565% para 13,510% ao ano. O vencimento de janeiro de 2031 recuou de 14,035% para 13,990%. A queda se firmou no fim de uma sessão volátil, com reposicionamento dos investidores antes da votação de domingo.

Mercados em números

AtivoFechamentoVariação no dia
Ibovespa192.114,55 pontos+2,63%
Small Caps — SMLL2.350,57 pontos+2,68%
IFIX3.771,85 pontos+0,43%
Dow Jones51.176,96 pontos+0,49%
S&P 5007.722,72 pontos+0,73%
Nasdaq Composite27.190,86 pontos+1,19%
Dólar à vistaR$ 5,2158-0,08%
Brent — contrato de referênciaUS$ 102,25 por barril-0,06%
WTI — novembro/2026US$ 91,11 por barril-1,90%
Ouro — dezembro/2026, ComexUS$ 4.162,30 por onça-troy-0,95%
DI janeiro/2028 — ajuste13,510% ao ano-5,5 pontos-base
DI janeiro/2031 — ajuste13,990% ao ano-4,5 pontos-base

Câmbio e commodities

O dólar encerrou muito perto da estabilidade, apesar da forte alta das ações brasileiras. No acumulado semanal, a moeda americana ganhou 0,67% frente ao real, conforme o Valor. A diferença entre o comportamento da Bolsa e o do câmbio mostra que o otimismo não se distribuiu de maneira uniforme entre os mercados.

No petróleo, o Brent caiu 0,06%, a US$ 102,25, e o WTI perdeu 1,90%, a US$ 91,11. O anúncio de liberação coordenada de 100 milhões de barris de diesel e outras reservas pelo G7, por meio da Agência Internacional de Energia, ajudou a aliviar a pressão sobre os preços. Ainda assim, o Brent permaneceu acima de US$ 100.

O ouro para dezembro caiu 0,95%, a US$ 4.162,30 por onça-troy, na Comex. Segundo a Enfoque, o contrato acumulou perda de 3,68% na semana, em uma sexta-feira de oscilações e ajustes de posição após o payroll.

Maiores altas e baixas

Maiores altas no painel de ações do UOL / Valor Pro

EmpresaCódigoFechamentoVariação
HapvidaHAPV3R$ 7,80+11,91%
NaturaNATU3R$ 7,45+10,37%
Raízen PNRAIZ4R$ 0,35+9,38%
EcorodoviasECOR3R$ 9,89+6,69%
VivaraVIVA3R$ 25,00+5,62%

Maiores baixas no painel de ações do UOL / Valor Pro

EmpresaCódigoFechamentoVariação
GPAPCAR3R$ 3,10-6,06%
CVC BrasilCVCB3R$ 1,38-4,17%
Braskem PNABRKM5R$ 4,03-1,71%
FleuryFLRY3R$ 23,50-1,05%
AutomobAMOB3R$ 12,00-0,99%

Radar corporativo: Petrobras, Vale e bancos sustentam o avanço

A Petrobras PN subiu 2,81%, a R$ 51,17, mesmo com a queda do petróleo. A companhia anunciou uma nova descoberta na Bacia da Foz do Amazonas, notícia que renovou a atenção sobre seu potencial exploratório. Descobertas, contudo, ainda precisam de avaliações antes de se transformarem em produção e geração de caixa.

A Vale ganhou 2,56%, a R$ 72,10. Entre os bancos, o Bradesco PN avançou 3,64%, a R$ 19,23, o Banco do Brasil subiu 3,04%, a R$ 23,72, e o Itaú PN ganhou 1,54%, a R$ 44,83. A participação desses papéis de grande peso reforçou a alta do índice.

Agenda: o próximo pregão será depois das urnas

O principal evento do fim de semana é o primeiro turno das eleições, no domingo, 4 de outubro. Na segunda-feira, dia 5, os investidores avaliarão os resultados, a composição política e os sinais sobre a condução econômica. A reação inicial pode ser intensa, sobretudo depois da valorização acumulada nesta semana.

No exterior, a atenção continuará sobre a interpretação do emprego americano pelo Fed e os desdobramentos da oferta de energia. No Brasil, a indústria mais fraca também permanecerá na discussão sobre atividade e juros.

Visão Case de Valor

A semana terminou com recuperação ampla das ações, mas o último pregão incorporou expectativas que ainda serão testadas. O resultado eleitoral pode mudar preços rapidamente; a sustentação desses movimentos dependerá de política fiscal, custo de capital e desempenho das empresas.

Na leitura dos fundamentos, vale separar o efeito de uma expectativa política das mudanças efetivas nas receitas, margens e geração de caixa. A forte alta desta sexta-feira é um dado relevante de mercado, mas não substitui essa avaliação.

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Fontes

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