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Fechamento do Mercado

Fechamento do Mercado: Ibovespa cai 1,15%; petróleo sobe 4% e Nasdaq perde 2,60%

Vale, bancos e siderúrgicas pressionam a bolsa; dólar sobe a R$ 5,038 e juros avançam antes do IPCA-15 e do último pregão antes do segundo turno.

Case de Valor 22 de outubro de 2026 7 min de leitura
Fechamento do Mercado: Ibovespa cai 1,15%; petróleo sobe 4% e Nasdaq perde 2,60%

O Ibovespa fechou a quinta-feira, 22 de outubro de 2026, em queda de 1,15%, aos 204.120,12 pontos, com volume financeiro de R$ 39,50 bilhões. A pressão sobre Vale, bancos e siderúrgicas se somou à cautela antes do segundo turno presidencial e à deterioração do ambiente externo. O dólar comercial à vista avançou 0,22%, para R$ 5,038, na segunda alta consecutiva.

A bolsa perdeu 2.375,11 pontos em relação à véspera. No exterior, o Nasdaq recuou 2,60%, pressionado pelo setor de tecnologia, enquanto o petróleo Brent subiu 4%, para US$ 113,17 por barril. Essa combinação reuniu preocupações com o financiamento da inteligência artificial e novos riscos para o abastecimento de energia no Oriente Médio.

Destaque do dia

A sessão foi marcada pelo aumento da aversão ao risco em diferentes mercados. No Brasil, a queda das ações foi acompanhada pela valorização do dólar e pela elevação dos juros futuros. Em Nova York, a pressão ficou concentrada nas empresas de tecnologia: o S&P 500 caiu 1,21%, mas o Dow Jones conseguiu encerrar praticamente estável, com alta de 0,02%.

A Meta esteve no centro das discussões depois de aumentar a previsão de investimentos e apresentar um plano de emissão de ações para financiar sua expansão em inteligência artificial. Mesmo com resultados trimestrais acima das expectativas, o mercado voltou a questionar o volume de recursos exigido pelos projetos e seus efeitos sobre o caixa das companhias.

Ao mesmo tempo, ataques dos houthis na Arábia Saudita elevaram o temor de novas interrupções na oferta de petróleo. O Brent alcançou o maior fechamento desde 4 de maio. Para os mercados, o movimento recolocou em evidência o risco de custos de energia mais elevados, com efeitos sobre inflação, transportes e despesas operacionais de empresas.

Cenário macro e política

Brasil

A três dias do segundo turno, o pregão terminou antes da divulgação da nova pesquisa Datafolha prevista para a noite. Os levantamentos recentes mantinham a disputa apertada. Na pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira, Flávio Bolsonaro aparecia com 45% e Lula com 44%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

A incerteza eleitoral se associou ao debate sobre a política fiscal do próximo mandato. Expectativas de controle das despesas e da dívida influenciam a curva de juros, mas pesquisas de intenção de voto não asseguram resultado eleitoral nem execução de propostas econômicas.

Os juros futuros subiram, com movimento mais intenso no vencimento de janeiro de 2028. A taxa encerrou em 12,880% ao ano, ante ajuste anterior de 12,775%, avanço de 10,5 pontos-base. Janeiro de 2035 terminou em 12,760%, contra 12,743%, aumento de 1,7 ponto-base. As diferenças foram calculadas a partir das taxas divulgadas no encerramento.

Na agenda fiscal, a arrecadação federal de setembro alcançou R$ 239,384 bilhões, crescimento real de 5,62% sobre o mesmo mês de 2025. Foi o melhor setembro da série histórica. O dado positivo de receitas, porém, não eliminou a cautela com o cenário político e com a trajetória futura das contas públicas.

Exterior

A Meta elevou o piso de sua estimativa anual de investimentos em US$ 5 bilhões, para uma faixa de US$ 135 bilhões a US$ 145 bilhões. A companhia também anunciou uma nova classe de ações sem direito a voto, destinada a ampliar suas alternativas de financiamento. A discussão se concentrou no custo da expansão em inteligência artificial, e não apenas no resultado do trimestre.

A busca por proteção favoreceu os títulos públicos americanos, com queda de seus rendimentos durante a sessão. O comportamento contrastou com a alta das taxas brasileiras. Essa divergência mostra que o movimento dos juros locais também incorporou fatores domésticos, além da influência do mercado internacional.

Mercados em números

AtivoFechamentoVariaçãoUnidade/contrato
Ibovespa204.120,12-1,15%Pontos
IFIX3.973,66-0,04%Pontos
SMLL2.730,88-1,40%Pontos
Dólar comercial à vista5,038+0,22%R$/US$
DI1F2812,880%+10,5 pontos-baseTaxa anual; janeiro/2028
DI1F3512,760%+1,7 ponto-baseTaxa anual; janeiro/2035
S&P 5007.663,39-1,21%Pontos
Nasdaq Composite26.008,86-2,60%Pontos
Dow Jones52.866,85+0,02%Pontos
Petróleo Brent113,17+4,00%US$/barril; dezembro/2026
Minério de ferro100,23-1,62%US$/tonelada; Dalian, janeiro/2027; conversão de 669 yuans
Ouro4.060,40-2,16%US$/onça-troy; Comex, dezembro/2026

O dólar está arredondado para três casas decimais; a referência completa de encerramento foi R$ 5,0384. As variações dos contratos de DI utilizam os ajustes anteriores informados na cobertura de fechamento.

Câmbio e commodities

A segunda alta seguida do dólar ocorreu em meio à cautela eleitoral e ao ambiente internacional mais instável. A moeda terminou a R$ 5,038 no mercado comercial à vista. Essa referência é distinta da PTAX, taxa calculada pelo Banco Central, e das cotações de turismo.

O avanço de 4% do Brent correspondeu a uma elevação de US$ 4,35 por barril. Os ataques à infraestrutura saudita e os riscos à navegação na região ampliaram a preocupação com a oferta. A valorização do petróleo deu suporte a ações de produtoras, mas não compensou as perdas dos demais setores do Ibovespa.

O minério de ferro seguiu na direção oposta. O contrato de janeiro em Dalian caiu 1,62%, para 669 yuans por tonelada, equivalentes a US$ 100,23. A queda ocorreu após notícias de um novo acordo entre a compradora estatal chinesa CMRG e a Rio Tinto, enquanto as margens das siderúrgicas chinesas continuavam pressionadas. A oferta abundante também limitou a sustentação dos preços.

O ouro para dezembro perdeu 2,16%, a US$ 4.060,40 por onça-troy na Comex. A alta da energia renovou o debate sobre inflação e a persistência de juros elevados. Nem a redução dos rendimentos dos títulos americanos ao longo do dia foi suficiente para impedir a queda do metal.

Ações em destaque

O quadro setorial foi desigual. Produtoras de petróleo tiveram apoio da commodity, enquanto siderúrgicas e outras empresas cíclicas enfrentaram pressão. O recorte abaixo reúne destaques da carteira do Ibovespa após o leilão de encerramento.

Maiores altas do Ibovespa

  • BB Seguridade (BBSE3): +2,05%, entre os destaques positivos em uma sessão de queda do índice.
  • Prio (PRIO3): +1,85%, em um dia de forte valorização do petróleo no mercado internacional.
  • Marcopolo (POMO4): +1,50%, na direção contrária à pressão predominante sobre as ações brasileiras.

Maiores baixas do Ibovespa

  • CSN (CSNA3): -5,43%, em uma sessão de perdas disseminadas no setor siderúrgico.
  • Usiminas (USIM5): -4,81%, acompanhando a pressão sobre empresas de aço.
  • Embraer (EMBJ3): -4,66%, também entre as maiores quedas da carteira.

Vale e os grandes bancos contribuíram para o desempenho negativo do índice. No setor financeiro, a atenção também se voltou para o balanço do terceiro trimestre do Bradesco, previsto para depois do encerramento. O resultado ainda não integrava as informações disponíveis durante o pregão.

Agenda do próximo pregão

A sexta-feira, 23 de outubro, será o último pregão antes do segundo turno. Os horários abaixo são de Brasília.

  • 5h: prévias dos índices PMI da indústria, dos serviços e composto da zona do euro, referentes a outubro.
  • 9h: IPCA-15 de outubro, divulgado pelo IBGE. O período de coleta abrangeu 16 de setembro a 14 de outubro.
  • 10h45: prévias dos índices PMI da indústria e dos serviços dos Estados Unidos, referentes a outubro.
  • 11h: leitura final de outubro da confiança do consumidor e das expectativas de inflação da Universidade de Michigan.
  • Ao longo do dia: repercussão da pesquisa Datafolha e do balanço do Bradesco, previstos para a noite de quinta-feira. Na sexta à noite, o debate presidencial antecede a votação de domingo, dia 25.

Leitura do pregão

A queda da bolsa brasileira reuniu fatores internos e externos. A eleição manteve a cautela doméstica, enquanto o petróleo mais caro e a pressão sobre as empresas de tecnologia reduziram a disposição global para assumir risco. O recuo do minério acrescentou pressão ao segmento de mineração e ao ambiente para as siderúrgicas.

A alta dos juros locais, mesmo com a queda dos rendimentos americanos, reforçou a importância da incerteza fiscal e eleitoral para os ativos brasileiros. Já a diferença entre o Nasdaq e o Dow Jones mostrou que a reação nos Estados Unidos se concentrou especialmente em tecnologia, sem uma queda uniforme dos três índices.

O próximo pregão combina inflação brasileira, indicadores internacionais de atividade e os últimos acontecimentos da campanha. A divulgação desses dados permitirá atualizar o diagnóstico econômico, enquanto os balanços acrescentarão informações sobre receitas, custos e resultados das companhias.

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Fontes

Conteúdo de caráter informativo e educacional. Não constitui recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos.

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