Fechamento do Mercado: Ibovespa sobe 0,47% e dólar fica abaixo de R$ 5 antes do segundo turno
Bolsa perde 0,17% na semana; CSN avança 12,41%, IPCA-15 desacelera e petróleo sobe com tensões no Oriente Médio, enquanto Wall Street recua.

O Ibovespa fechou a sexta-feira, 23 de outubro de 2026, em alta de 0,47%, aos 205.082,56 pontos, no último pregão antes do segundo turno presidencial. O volume financeiro do mercado somou R$ 43,50 bilhões. A recuperação da bolsa ganhou força durante a tarde, em uma sessão marcada por ajustes de posições antes da eleição e pela divulgação de uma inflação menor que a esperada. O dólar comercial à vista caiu 0,97%, para R$ 4,990, voltando a encerrar abaixo de cinco reais.
O avanço diário não foi suficiente para deixar a semana no campo positivo: o Ibovespa acumulou queda de 0,17%. No exterior, o petróleo Brent subiu 3,14%, para US$ 116,72 por barril, enquanto os três principais índices de Nova York recuaram. A combinação colocou em evidência duas forças distintas: a expectativa eleitoral no Brasil e a preocupação internacional com energia, inflação e investimentos em inteligência artificial.
Destaque do dia
A melhora dos ativos brasileiros ocorreu apesar do ambiente negativo em Wall Street. Depois de uma primeira parte do pregão com oscilações próximas da estabilidade, a bolsa brasileira ganhou impulso, e a queda do dólar se intensificou. O movimento antecedeu uma eleição ainda disputada, sem que as pesquisas disponíveis permitissem tratar qualquer resultado como definido.
A recuperação desta sexta compensou apenas parte das perdas dos dois pregões anteriores. As empresas de menor capitalização tiveram desempenho mais forte: o SMLL subiu 2,02%, aos 2.786,00 pontos, e acumulou 5,04% na semana. O IFIX avançou 0,43%, aos 3.990,57 pontos, com ganho semanal de 1,29%. Os resultados mostram que o saldo do Ibovespa não resume o comportamento de todos os segmentos da bolsa.
Entre os fatos corporativos, a CSN concentrou atenção diante das notícias sobre negociações envolvendo sua divisão de cimentos. O Bradesco teve uma sessão de mudança de direção após apresentar o balanço do terceiro trimestre, que combinou crescimento do lucro na comparação anual com aumento da inadimplência.
Cenário macro e política
Brasil
O IPCA-15 subiu 0,32% em outubro, abaixo dos 0,70% de setembro e da projeção de 0,43% da pesquisa citada pela Reuters. Segundo o IBGE, o indicador acumulou 4,15% no ano e 4,62% em 12 meses. A desaceleração mensal trouxe alívio, mas a taxa em 12 meses permaneceu acima do limite superior de 4,50% da meta de inflação.
A composição do índice mostrou forças diferentes. Energia elétrica, água e passagens aéreas contribuíram para conter a alta geral, enquanto alimentação e bebidas subiu 0,88%. O grupo habitação recuou 0,10%. O resultado não representa uma queda generalizada dos preços: significa que o custo médio da cesta pesquisada continuou aumentando, em ritmo menor que no mês anterior.
Na política, a pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira mostrou Lula e Flávio Bolsonaro com 50% dos votos válidos cada. A proximidade da votação manteve no centro das discussões o direcionamento da política econômica do próximo mandato, especialmente despesas públicas, dívida e condições para a condução dos juros. Pesquisas de intenção de voto são retratos do período de coleta, e não resultados eleitorais.
No Bradesco, o lucro líquido recorrente do terceiro trimestre alcançou R$ 7,109 bilhões, avanço de 14,6% sobre um ano antes e de 0,8% sobre o trimestre anterior. A inadimplência acima de 90 dias passou de 4,3% para 4,6%. Esses dados explicam por que a leitura do balanço envolveu tanto a recuperação dos resultados quanto a qualidade da carteira de crédito.
Exterior
As bolsas americanas encerraram outra sessão negativa. O S&P 500 perdeu 0,53%, o Nasdaq Composite recuou 0,21% e o Dow Jones caiu 1,24%. As discussões sobre o custo da expansão em inteligência artificial continuaram presentes, mas a pressão também atingiu outros segmentos, incluindo consumo básico e instituições financeiras.
A alta do petróleo acrescentou uma preocupação com a inflação. Ataques dos houthis na Arábia Saudita e notícias de um derramamento de petróleo nos Emirados Árabes Unidos reforçaram os riscos para a oferta e o transporte de energia. O Brent chegou ao maior fechamento desde 29 de abril, segundo a Reuters.
A próxima semana reúne dois assuntos relevantes para Wall Street: a reunião de política monetária do Federal Reserve, marcada para 27 e 28 de outubro, e uma nova rodada de balanços. Alphabet, Microsoft e Amazon estão entre as empresas previstas na agenda, com atenção às despesas de capital e à capacidade de transformar investimentos em receitas e resultados.
Mercados em números
| Ativo | Fechamento | Variação | Unidade/contrato |
|---|---|---|---|
| Ibovespa | 205.082,56 | +0,47% | Pontos |
| IFIX | 3.990,57 | +0,43% | Pontos |
| SMLL | 2.786,00 | +2,02% | Pontos |
| Dólar comercial à vista | 4,990 | -0,97% | R$/US$ |
| S&P 500 | 7.622,99 | -0,53% | Pontos |
| Nasdaq Composite | 25.955,34 | -0,21% | Pontos |
| Dow Jones | 52.214,63 | -1,24% | Pontos |
| Petróleo Brent | 116,72 | +3,14% | US$/barril; dezembro/2026 |
| Petróleo WTI | 103,27 | +3,82% | US$/barril; dezembro/2026 |
| Minério de ferro | 101,17 | +0,60% | US$/tonelada; equivalente a 675 yuans; Dalian, janeiro/2027, sessão diurna |
| Ouro | 4.007,90 | -1,29% | US$/onça-troy; Comex, dezembro/2026 |
Câmbio e commodities
A cotação exata do dólar à vista foi de R$ 4,9896, arredondada para R$ 4,990 na tabela. A moeda acumulou queda de 1,64% na semana. A valorização do real aconteceu em uma sessão de ajustes antes da votação, o que impede interpretar a oscilação isolada como confirmação do resultado das urnas ou da política econômica que será adotada.
No petróleo, o Brent ganhou US$ 3,55 por barril no dia e cerca de 6% na semana. O WTI também avançou, encerrando a US$ 103,27. A energia mais cara tem efeitos distintos: aumenta a referência internacional de receitas das produtoras, mas pode elevar custos de transporte, produção e combustíveis para outros setores.
O minério de ferro apresentou recuperação na sessão diurna de Dalian, com alta de 0,60%. A redução dos estoques nos portos chineses ajudou a sustentar os contratos, mas o saldo semanal continuou negativo em 0,45%. A fragilidade da demanda ligada ao setor imobiliário chinês e a situação financeira das siderúrgicas continuaram no pano de fundo.
O ouro para dezembro caiu 1,29%, para US$ 4.007,90 por onça-troy, acumulando perda de 4,14% na semana. A pressão veio do dólar e dos rendimentos dos títulos americanos, além da necessidade de liquidez em meio às perdas de outros ativos. O metal, portanto, não acompanhou a alta do petróleo, mesmo com o agravamento das tensões geopolíticas.
Ações em destaque
A CSN esteve no centro das negociações com a possibilidade de avanço na venda de sua operação de cimentos. A eventual transação está ligada ao esforço de redução da dívida; não foi tratada neste fechamento como negócio concluído. No setor bancário, a sessão do Bradesco refletiu a repercussão de um balanço com crescimento do lucro, mas também maior pressão sobre o crédito.
Maiores altas do Ibovespa
Entre os destaques positivos da carteira, considerando as variações após o leilão de fechamento:
- CSN (CSNA3): +12,41%. As negociações envolvendo a divisão de cimentos e a possibilidade de redução do endividamento permaneceram no noticiário da companhia.
- Usiminas (USIM5): +4,74%. A ação se recuperou após a queda da véspera, em um dia de melhora do minério de ferro na China.
Maiores baixas do Ibovespa
Entre os destaques negativos da carteira, no mesmo recorte de encerramento:
- Vibra (VBBR3): -3,19%. A distribuidora recuou em uma sessão de forte alta das referências internacionais de petróleo.
- WEG (WEGE3): -2,89%. A companhia voltou a figurar entre as principais pressões negativas sobre o índice.
- Telefônica Brasil (VIVT3): -2,26%. O papel terminou em baixa, contrariando a direção do Ibovespa.
Agenda do próximo pregão
A segunda-feira, 26 de outubro, será o primeiro pregão após o segundo turno. A apuração oficial e as manifestações dos candidatos depois da votação estarão entre os principais acontecimentos do fim de semana com repercussão no mercado.
- Domingo, 25/10, das 8h às 17h: votação do segundo turno, com divulgação dos resultados a partir das 17h, pelo TSE.
- Segunda-feira, 26/10, às 8h: Sondagem do Consumidor de outubro e IPC-S Capitais da terceira quadrissemana de outubro, pela FGV IBRE.
- Na semana: reunião do Federal Reserve em 27 e 28/10 e divulgação de resultados de grandes empresas americanas, incluindo Alphabet, Microsoft e Amazon.
Os horários indicados são de Brasília. Além da agenda econômica, permanecem em acompanhamento os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre o abastecimento de petróleo.
Leitura do pregão
A sessão reuniu melhora dos ativos brasileiros e queda das bolsas americanas. A proximidade do segundo turno, o IPCA-15 abaixo da projeção e notícias corporativas ajudaram a diferenciar o comportamento local. Essa combinação não permite atribuir toda a alta da bolsa a um único fator nem traduzir os preços em uma previsão eleitoral.
O contraste entre inflação brasileira mais moderada no mês e petróleo em forte alta também é relevante. O dado doméstico descreve preços já coletados, enquanto a commodity incorpora riscos para a oferta futura. São horizontes diferentes, que podem coexistir sem contradição e influenciar de maneiras distintas as expectativas para os juros.
A semana terminou com pequena perda do Ibovespa, mesmo após a recuperação de sexta. O próximo pregão reunirá a repercussão de informações políticas novas com um cenário externo ainda sensível a energia, balanços e decisões do Fed. A leitura dos acontecimentos dependerá dos fatos efetivamente divulgados.
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Fontes
- Investing.com: painel do Ibovespa, consultado em 23/10/2026; composição do índice e painéis de índices internacionais.
- IBGE, via Agência Gov: IPCA-15 de outubro, 23/10/2026.
- Reuters: fechamento do dólar à vista, 23/10/2026.
- Reuters: contexto de Wall Street e agenda de balanços, 23/10/2026.
- Reuters: fechamento do petróleo e riscos à oferta, 23/10/2026.
- Reuters: minério de ferro em Dalian, 23/10/2026.
- Bom Dia Mercado: fechamento do ouro, 23/10/2026.
- Investing.com: resultados do Bradesco, 23/10/2026.
- Investing.com: notícias corporativas da CSN, 23/10/2026.
- Federal Reserve: calendário do FOMC, consultado em 23/10/2026.
- FGV IBRE: calendário de indicadores, consultado em 23/10/2026.
- TSE: divulgação dos resultados eleitorais, consultado em 23/10/2026.
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