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Resumo da Semana

Resumo da Semana: Ibovespa cai 1,74% com eleições e juros no foco

Dólar sobe 1,75%, petróleo avança e inflação americana pressiona o cenário externo; recuperação de sexta não evita perda semanal da Bolsa.

Case de Valor 17 de outubro de 2026 8 min de leitura
Resumo da Semana: Ibovespa cai 1,74% com eleições e juros no foco

A semana de 12 a 16 de outubro de 2026 terminou com o Ibovespa em queda de 1,74%, aos 205.430,33 pontos. O dólar comercial à vista encerrou a sexta-feira a R$ 5,073, com alta de 1,75% na semana. Pesquisas eleitorais, avanço dos juros futuros e inflação americana marcaram quatro pregões no Brasil, enquanto a valorização do petróleo ofereceu apoio às empresas do setor na última sessão.

A recuperação de 0,54% na sexta-feira interrompeu três quedas consecutivas, mas não compensou as perdas acumuladas desde o fechamento anterior. No exterior, houve uma diferença expressiva entre os índices: o Dow Jones terminou a semana em alta, enquanto S&P 500 e Nasdaq recuaram. O contraste mostrou que a pressão sobre as bolsas não atingiu todos os setores com a mesma intensidade.

Destaque da semana

O feriado de Nossa Senhora Aparecida manteve a B3 fechada na segunda-feira, dia 12. A formação de preços de ativos brasileiros continuou nos Estados Unidos, por meio de fundos, recibos de ações e empresas negociadas diretamente naquele mercado. O EWZ encerrou a sessão a US$ 43,54, estável, enquanto os recibos de Itaú e Vale caíram e os de Petrobras avançaram. A XP também terminou o dia em alta.

Na retomada brasileira, o Ibovespa caiu 1,04% na terça-feira e mais 0,18% na quarta. O movimento se aprofundou na quinta, com perda de 1,06%, antes da recuperação parcial de sexta. O saldo foi uma redução de 3.636,57 pontos em relação aos 209.066,90 pontos de 9 de outubro, quando o índice havia encerrado em recorde.

DataIbovespa no fechamentoVariação diáriaReferência
12/10, segunda-feiraSem pregãoNão se aplicaFeriado nacional
13/10, terça-feira206.887,52-1,04%Pontos
14/10, quarta-feira206.505,98-0,18%Pontos
15/10, quinta-feira204.324,26-1,06%Pontos
16/10, sexta-feira205.430,33+0,54%Pontos

A variação semanal compara os fechamentos de 9 e 16 de outubro. Ela incorpora o efeito composto das quatro sessões e não corresponde à soma simples dos percentuais diários. A ausência de pregão na segunda-feira também não significa estabilidade de todos os ativos brasileiros, já que parte deles continuou sendo negociada no exterior.

Cenário macro e política

Brasil

As pesquisas para o segundo turno permaneceram entre os principais fatores da semana. Levantamentos divulgados na reta final mostraram proximidade entre os candidatos, dentro das respectivas margens de erro, e mantiveram a incerteza sobre a orientação da política econômica. Discussões sobre despesas públicas e propostas trabalhistas também integraram o cenário acompanhado pelo mercado.

Essa incerteza apareceu de forma clara nos juros futuros. Segundo o balanço da Reuters, as taxas dos contratos com vencimento em janeiro de 2028 e janeiro de 2035 subiram aproximadamente 39 e 54 pontos-base na semana, respectivamente. Na sexta-feira, encerraram a 12,920% e 12,885% ao ano. Um ponto-base equivale a 0,01 ponto percentual.

Os indicadores de atividade trouxeram um quadro misto. O volume de serviços caiu 0,1% em agosto ante julho, mas cresceu 0,6% em relação ao mesmo mês de 2025. No comércio varejista, as vendas avançaram 0,1% na comparação mensal, depois do recuo de 0,8% em julho. O varejo ampliado, que incorpora outros segmentos, teve queda de 0,2% em agosto.

O IBC-Br, indicador de atividade do Banco Central, subiu 0,3% em agosto e 1,2% na comparação anual. Apesar do avanço mensal, a comparação entre os trimestres móveis mostrou queda de 0,6%. Os resultados apontaram diferenças entre setores e horizontes de comparação: um mês de crescimento não elimina a desaceleração observada em um período mais longo.

Exterior

A inflação dos Estados Unidos ocupou o centro da agenda. O índice de preços ao consumidor, CPI, avançou 0,6% em setembro, e a taxa em 12 meses chegou a 3,7%. O núcleo, que exclui alimentos e energia, subiu 0,3% no mês e 2,6% em um ano. A diferença entre o índice cheio e o núcleo destacou a influência da energia sobre o custo de vida.

O índice de preços ao produtor, PPI, reforçou essa pressão: houve alta de 1,3% em setembro e de 6,3% em 12 meses. A leitura sem alimentos, energia e serviços de intermediação comercial avançou 0,5% no mês. Embora CPI e PPI meçam etapas diferentes da formação de preços, ambos ajudaram a manter os juros americanos no foco.

A produção industrial americana cresceu 0,7% em setembro, com avanço de 0,3% na manufatura. O conjunto de atividade e inflação manteve o debate sobre a condução da política monetária pelo Federal Reserve. Ao mesmo tempo, o início da temporada de balanços e as dúvidas sobre o financiamento dos investimentos em inteligência artificial trouxeram fatores específicos para as ações.

Mercados em números

O quadro compara os encerramentos de 9 e 16 de outubro. As variações dos índices americanos e do Brent foram calculadas a partir desses fechamentos; os números dos juros futuros são os acumulados arredondados informados pela Reuters.

AtivoFechamento em 16/10Variação semanalUnidade/contrato
Ibovespa205.430,33-1,74%Pontos
Dólar comercial à vista5,073+1,75%R$/US$
DI1F2812,920%+39 pontos-base% a.a.; janeiro de 2028
DI1F3512,885%+54 pontos-base% a.a.; janeiro de 2035
S&P 5007.659,44-1,95%Pontos
Nasdaq Composite26.140,03-4,48%Pontos
Dow Jones52.002,41+0,67%Pontos
Petróleo Brent109,86+4,91%US$/barril; dezembro de 2026

Câmbio e commodities

O dólar caiu 0,30% na sexta-feira, mas terminou a semana acima dos R$ 4,9856 registrados em 9 de outubro na série da Reuters. A alta semanal de 1,75% acompanhou um período de aumento das taxas futuras e de maior atenção à disputa eleitoral. A queda do último pregão, portanto, representou uma reversão apenas parcial do movimento dos dias anteriores.

No petróleo, o Brent para dezembro fechou a US$ 109,86 por barril, com avanço de 3,72% na sexta-feira e de 4,91% na comparação semanal. Riscos à oferta relacionados aos conflitos e às rotas de transporte de energia sustentaram os preços. O WTI para dezembro encerrou a última sessão a US$ 99,02, com alta diária de 2,61%.

Para o Brasil, o petróleo mais alto tem efeitos diferentes. Ele pode ampliar a receita de exportadoras da commodity, mas também aumenta a pressão sobre combustíveis, custos de transporte e inflação. Essa combinação ajuda a explicar por que ações petrolíferas podem subir em uma sessão na qual o restante do mercado continua pressionado pelos juros.

Ações em destaque

Os bancos participaram da pressão sobre o Ibovespa em sessões importantes, especialmente na terça e na quinta-feira. A Vale também recuou nesses dois pregões. Como são empresas de grande peso no índice, suas oscilações tiveram relevância para o resultado agregado, mesmo quando outros segmentos apresentaram valorização.

As petrolíferas tiveram comportamento diferente em parte da semana. Na quarta-feira, PRIO avançou 2,29% e Petrobras PN subiu 2,22%, enquanto o Ibovespa terminou em queda. Na sexta, o petróleo voltou a contribuir para a recuperação do mercado brasileiro, com valorização da Petrobras.

Entre os movimentos corporativos, a Direcional caiu 9,26% na quinta-feira após a divulgação de dados operacionais do terceiro trimestre. Na mesma sessão, a Embraer avançou 2,70%. Na sexta, Magazine Luiza e Assaí estiveram entre os destaques de alta, mostrando uma recuperação também fora do setor de energia.

Esses percentuais descrevem sessões específicas, não um ranking semanal. A distinção é necessária porque uma ação pode ter forte alta no último pregão e ainda assim acumular perda no período, dependendo do desempenho anterior.

Agenda da próxima semana

A segunda-feira, 19 de outubro, começa com a atualização do Relatório Focus do Banco Central, divulgada habitualmente entre 8h25 e 8h30, no horário de Brasília. O documento reúne projeções de participantes do mercado para inflação, crescimento, câmbio e juros; essas estimativas não são previsões oficiais do Banco Central.

A campanha para o segundo turno, novas pesquisas e propostas econômicas seguem no centro da agenda doméstica. No exterior, a continuidade da temporada de resultados corporativos, as manifestações de autoridades monetárias e as notícias sobre oferta de petróleo permanecem relevantes após uma semana de inflação elevada nos Estados Unidos.

Leitura da semana

O recuo brasileiro combinou fatores políticos e financeiros. A aproximação da votação manteve as expectativas sobre a política fiscal em movimento, enquanto a alta dos juros futuros elevou as taxas usadas pelo mercado para avaliar fluxos de caixa. Os indicadores de atividade, por sua vez, mostraram crescimento desigual entre setores, sem uma direção única.

No ambiente internacional, a pressão inflacionária ligada à energia coexistiu com resultados corporativos e preocupações sobre tecnologia. A diferença entre o Dow Jones e o Nasdaq reforçou a influência da composição de cada índice. No Brasil, o peso das petrolíferas ajudou na recuperação final, mas não foi suficiente para reverter o saldo negativo dos quatro pregões.

A semana terminou, assim, com três movimentos simultâneos: queda acumulada da Bolsa, alta do dólar e avanço das taxas futuras. A melhora de sexta-feira deve ser lida dentro desse conjunto. Ela descreve o encerramento do período, sem determinar a direção das próximas sessões.

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Fontes

Conteúdo de caráter informativo e educacional. Não constitui recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos.

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