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Fechamento do Mercado

Fechamento do Mercado: Ibovespa sobe 0,46% e dólar cai a R$ 5,217

Bolsa interrompe quatro quedas seguidas e fecha aos 183.827 pontos; juros futuros recuam, petróleo perde força e CSN lidera as baixas.

Equipe Case de Valor 29 de setembro de 2026 9 min de leitura
Fechamento do Mercado: Ibovespa sobe 0,46% e dólar cai a R$ 5,217

O fechamento de mercado de 29 de setembro de 2026 marcou a recuperação da Bolsa brasileira depois de quatro pregões negativos. O Ibovespa subiu 0,46%, aos 183.827,59 pontos, enquanto o dólar comercial caiu 0,16%, a R$ 5,217. Os juros futuros também recuaram, favorecendo a recuperação de parte dos ativos domésticos.

A virada ocorreu durante a tarde, em uma sessão que começou pressionada por mineração e siderurgia. Declarações de John Williams, presidente do Federal Reserve de Nova York, reduziram a percepção de urgência de um novo aperto monetário nos Estados Unidos. A queda do petróleo também trouxe algum alívio ao cenário de custos e inflação.

O resultado positivo do índice conviveu com perdas expressivas em empresas específicas. A CSN esteve entre os destaques negativos, enquanto Azzas, construtoras e bancos ajudaram a sustentar a recuperação. Em Nova York, os principais índices terminaram em leve queda.

A queda dos juros ajudou a Bolsa a virar para alta, mas mineração e siderurgia ficaram para trás.

Destaque do dia: Ibovespa recupera os 183 mil pontos

O índice ganhou 836,46 pontos em relação ao fechamento de segunda-feira. Durante o pregão, oscilou entre 181.562,24 e 183.951,05 pontos. A recuperação desde a mínima mostra como o ambiente mudou ao longo da sessão, embora o fechamento tenha ficado abaixo da máxima.

O IFIX avançou 0,09%, aos 3.740,56 pontos, e o índice de Small Caps subiu 0,77%, aos 2.225,52 pontos. A melhora alcançou diferentes segmentos do mercado local, com intensidade desigual entre os papéis.

No câmbio, o dólar comercial variou entre R$ 5,197 e R$ 5,242. A cotação final de R$ 5,217 representa o valor de venda arredondado a três casas; o fechamento do dólar à vista reportado pelo Valor foi de R$ 5,2166, igualmente com queda de 0,16%.

Cenário macro e política

Panorama internacional

Williams afirmou que o Fed dispõe de tempo para avaliar novas informações após a decisão de setembro. A fala trouxe alívio à parte mais curta da curva americana, mas não eliminou a possibilidade de nova alta de juros no fim do ano. Os vencimentos longos continuaram pressionados, mantendo condições financeiras exigentes.

O Dow Jones caiu 0,25%, aos 51.350,81 pontos; o S&P 500 recuou 0,16%, aos 7.671,17; e o Nasdaq Composite perdeu 0,09%, aos 26.797,54, conforme a consolidação do Valor. As perdas moderadas refletem um mercado que encontrou algum alívio, mas ainda convive com juros elevados.

O relatório JOLTS de agosto, divulgado pelo Bureau of Labor Statistics, registrou aproximadamente 7,1 milhões de vagas abertas, com taxa de 4,3%. As contratações ficaram em 5,2 milhões e os desligamentos totais em 5,1 milhões. O órgão descreveu pouca mudança nesses indicadores, que antecedem outras divulgações relevantes para a avaliação do emprego americano.

Cenário doméstico e política

A PNAD Contínua mostrou desemprego de 5,3% no trimestre de junho a agosto, abaixo dos 5,6% tanto do trimestre encerrado em maio quanto do mesmo período de 2025. A população ocupada alcançou 103,5 milhões de pessoas, recorde da série histórica do IBGE.

O rendimento real habitual foi de R$ 3.777, com crescimento de 3,7% na comparação anual. A massa de rendimentos chegou a R$ 385,6 bilhões, também recorde. Esse quadro sustenta o consumo, mas mantém a atenção sobre a evolução dos salários, da produtividade e dos preços de serviços.

O Novo Caged registrou criação líquida de 165.827 empregos formais em agosto, resultado de 2.294.563 admissões e 2.128.736 desligamentos. De janeiro a agosto, o saldo acumulado foi de 1.134.033 postos, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. Caged e PNAD medem universos diferentes: vínculos formais no primeiro caso e o conjunto do mercado de trabalho no segundo.

A proximidade do primeiro turno das eleições, em 4 de outubro, continuou influenciando a leitura de risco doméstico. As pesquisas e as perspectivas para a política econômica permaneceram no radar, ao lado do cenário externo e dos dados de atividade.

Nos juros futuros, o DI de janeiro de 2028 ficou em 13,575% ao ano, ante 13,665% no ajuste anterior. O DI de janeiro de 2031 terminou em 13,980%, ante 14,050%. As quedas foram de 9 e 7 pontos-base, respectivamente, com base nas taxas de ajuste informadas pelo Valor.

Mercados em números

Ativo ou indicadorValorVariação diária
Ibovespa — fechamento definitivo183.827,59 pontos+0,46%
IFIX — fechamento3.740,56 pontos+0,09%
Small Caps (SMLL) — fechamento2.225,52 pontos+0,77%
Dow Jones — fechamento51.350,81 pontos-0,25%
S&P 500 — fechamento7.671,17 pontos-0,16%
Nasdaq Composite — fechamento26.797,54 pontos-0,09%
Dólar comercial de venda — fechamentoR$ 5,217-0,16%
Euro comercial — painel após o pregãoR$ 5,915-0,42%
DXY — referência das 17h05 de Brasília101,39 pontos+0,19%
Brent novembro/2026 — fechamentoUS$ 102,59/barril-2,56%
WTI novembro/2026 — fechamentoUS$ 89,38/barril-3,48%
Ouro setembro/2026, Comex — fechamento reportado pelo ValorUS$ 4.147,70/onça-troy+0,27%
DI janeiro/2028 — ajuste reportado pelo Valor13,575% ao ano-9 pontos-base
DI janeiro/2031 — ajuste reportado pelo Valor13,980% ao ano-7 pontos-base

Data-base: 29/09/2026. Variações conforme as bases comparativas de cada provedor. Euro e DXY são referências identificadas de painel e horário, pois o câmbio global não tem um encerramento único. Os vencimentos das commodities estão discriminados; as taxas dos DIs são as divulgadas como ajuste pelo Valor.

Commodities, câmbio e ouro

Petróleo recua com melhora na oferta saudita

O Brent para novembro caiu 2,56%, a US$ 102,59 por barril, enquanto o WTI para novembro perdeu 3,48%, a US$ 89,38. A retomada das operações do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita ajudou a reduzir preocupações com a oferta. Essa rota permite contornar o Estreito de Ormuz, cujo tráfego segue afetado pelo conflito regional.

Uma redução do barril pode aliviar custos de transporte e energia, mas não se transmite automaticamente, nem integralmente, aos preços pagos pelos consumidores. Para as produtoras, o movimento exige atenção ao equilíbrio entre preço realizado, volumes e custos.

Minério e siderurgia sob pressão

A SteelRadar relatou recuo dos preços do minério no Extremo Oriente após a conclusão de compras de reposição antes do feriado chinês. O aumento dos embarques globais e a preocupação com a produção de aço após o feriado também integraram o cenário. Na Bolsa brasileira, esse ambiente se somou a notícias específicas da CSN Mineração.

Real se valoriza e ouro recupera parte das perdas

O dólar cedeu frente ao real mesmo com o DXY em alta de 0,19%, aos 101,39 pontos, às 17h05. O euro comercial marcava R$ 5,915, queda de 0,42%, no painel UOL/Valor Pro após o pregão. A diferença entre o movimento local e o índice internacional mostra que a sessão não foi uniforme entre as moedas.

Na Comex, o ouro com entrega em setembro fechou a US$ 4.147,70 por onça-troy, alta de 0,27%, segundo a referência publicada pelo Valor. O metal recuperou parte das perdas recentes, com os investidores atentos ao petróleo e aos próximos números de inflação dos Estados Unidos.

Renda variável e destaques corporativos

Maiores altas no painel da Bolsa

EmpresaCódigoCotaçãoVariação
Azzas 2154AZZA3R$ 17,04+9,79%
DirecionalDIRR3R$ 10,16+4,74%
CognaCOGN3R$ 2,20+4,27%
CuryCURY3R$ 28,72+4,10%
VamosVAMO3R$ 4,00+3,90%

Azzas liderou os ganhos do painel. Direcional e Cury também se destacaram em um dia de queda dos juros futuros. A redução das taxas pode favorecer empresas sensíveis ao crédito, embora o desempenho de cada papel dependa também de fatores próprios.

Maiores baixas no painel da Bolsa

EmpresaCódigoCotaçãoVariação
CSNCSNA3R$ 5,38-10,18%
CSN MineraçãoCMIN3R$ 4,76-5,74%
BraskemBRKM5R$ 3,72-4,62%
TendaTEND3R$ 27,33-4,17%
YduqsYDUQ3R$ 10,43-3,96%

Cotações e rankings do painel UOL/Valor Pro consultado após o leilão de encerramento. O universo é o apresentado pelo provedor, não uma classificação de todas as ações listadas na B3.

Corporativo: CSN Mineração revisa projeções

A CSN Mineração anunciou redução temporária da produção de minério de menor qualidade no complexo de Pires, em Ouro Preto, diante dos custos de frete e da pressão sobre margens. Segundo o comunicado reproduzido pelo UOL, a projeção de produção e compras de terceiros para 2026 passou de 45–47 milhões para 39–41 milhões de toneladas. A estimativa de custo caixa C1 foi elevada de US$ 22–23,50 para US$ 25–26 por tonelada.

A combinação de volume menor e custo unitário maior ajuda a explicar a atenção dos investidores ao anúncio. São projeções da companhia, sujeitas a revisão, e não resultados já realizados. A empresa indicou que a redução pode ser revertida conforme as condições de mercado.

Entre os papéis de maior peso, Petrobras PN (PETR4) avançou 0,62%, a R$ 49,02, apesar da queda do petróleo. Vale (VALE3) recuou 2,18%, a R$ 69,61. Nos bancos, Itaú PN (ITUB4) subiu 1,34%, a R$ 42,27, e Bradesco PN (BBDC4) ganhou 0,45%, a R$ 17,74. Essa composição ajuda a entender por que o Ibovespa terminou positivo mesmo com pressão sobre a mineração.

O que monitorar em 30 de setembro de 2026

A quarta-feira encerra o mês e o terceiro trimestre. Nos Estados Unidos, o calendário do BEA prevê a divulgação de renda e gastos pessoais de agosto, incluindo o índice de preços PCE, e da terceira estimativa do PIB do segundo trimestre, às 9h30 de Brasília. Os indicadores ajudarão a atualizar o quadro de inflação e atividade acompanhado pelo Fed.

No Brasil, o calendário do IBGE inclui o Índice de Preços ao Produtor. A evolução dos juros internacionais, as notícias sobre a oferta de petróleo e o noticiário eleitoral também permanecem relevantes para a formação de preços.

A visão da Case de Valor

A sessão mostrou que o alívio nos juros pode apoiar o mercado doméstico sem produzir uma alta uniforme. Bancos, varejo e construção tiveram destaques positivos, enquanto a mineração enfrentou uma combinação de pressão externa e revisão de projeções empresariais.

Para interpretar esse movimento, vale distinguir três fatores: a taxa usada para avaliar os lucros futuros, a capacidade de cada empresa de gerar caixa e os riscos específicos de suas operações. Uma melhora no primeiro fator não elimina dificuldades nos demais. O resultado de um pregão tampouco determina a direção do seguinte.

Veja cotações, indicadores e proventos na plataforma Case de Valor e acompanhe @case.de.valor.

Fundamento não é opinião, é Case de Valor.

Conteúdo de caráter informativo e educacional. Não constitui recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos.

Fontes consultadas

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